23 fevereiro, 2012

E a razão mandou no coração

Imagens raras no FCPorto
Não gosto de exageros, e a crítica é frequentemente vulnerável aos exageros, mesmo quando pretende ser construtiva. Ninguém é tão bom como às vezes se pensa, nem tão mau como parece. No entanto, existem casos onde, na ausência de uma reacção atempada às críticas negativas se tem de tolerar algum radicalismo. Na política, por exemplo. Estamos cansados de saber que a Regionalização em Portugal não vai lá com falinhas mansas e que a competência dos políticos não se consegue por decreto. Daí só restar ao comum cidadão a crítica mordaz, o humor, ou a ridicularização dos actores políticos. A democracia em Portugal não oferece aos eleitores alternativas mais sérias para se livrar rapidamente dos maus governantes. 

No futebol as coisas já são um bocadinho diferentes. Ao contrário da política, há uma ligação de afectos dos adeptos ao clube mais do que uma ligação de interesses. Na política partidária, os lobbys predominam sobre todo o resto. Não devia ser assim, mas a realidade é essa.

Faço esta comparação, porque discordo das reacções apressadas, e às vezes agressivas, daquelas pessoas que começam a berrar para os jogadores ainda antes de estes tocarem na bola, e que lançam todo o tipo de afrontas ao treinador quando as coisas não correm bem. É preciso ter calma e dar tempo ao tempo.

Pois bem, de não ter tido tempo, é coisa que o actual treinador do FCPorto não se pode queixar. As responsabilidades que se lhe não podem assacar, são a saída inesperada de Villas Boas, a não contratação de um ponta de lança de qualidade para ocupar a vaga de Falcao, e a vinda extemporânea de Alex Sandro e principalmente de Danilo [que agora se lesionou].  Tudo mais, é da responsabilidade do treinador. Refiro-me, naturalmente às questões técnico-tácticas, físicas e psicológicas. 

Não vou especular muito sobre em qual dessas vertentes é que me parece que está a falhar Victor Pereira, mas há uma, da qual não consigo deixar de falar, porque salta aos olhos [e aos ouvidos] de quem está atento: o discurso. Victor Pereira, pode até ter a confiança de Pinto da Costa, mas seguramente que a tem hoje menos que teve ontem, e [a continuar assim], que terá amanhã. Terminado o descalabro de ontem, só lhe cabia a ele colocar o lugar à disposição, em vez de repetir um discurso de combatividade em que já ninguém acredita, incluído, ele próprio. Assim, deixaria a Pinto da Costa a responsabilidade do que acontecer no futuro, caso se mantenha agarrado ao lugar com os resultados que se adivinham. É verdade, que o momento recomenda algum bom senso, porque os vermelhos perderam 3 pontos e o FCPorto recuperou outros 3, deixando em aberto a luta pelo título. Mas, pergunto: terá Victor Pereira capacidade depois de uma derrota copiosa, para moralizar os jogadores de forma a ir ao "campo dos túneis" e discutir taco a taco o resultado?

Não, não precisam de responder, porque sei que neste momento não haverá nenhum adepto, por mais fervoroso que seja, que tenha muita esperança nessa possibilidade. Só resta mesmo a fé do coração, e essa às vezes, funciona, mas não foi só com esse tipo de fé que o FCPorto nos habituou a vencer e a ultrapassar os obstáculos mais difíceis, foi com a fé da competência. Se juntarmos a estes factores a protecção de que o clube do regime cronicamente beneficia dos árbitros, será mesmo muito complicado ultrapassá-lo na tabela classificativa. Isto, partindo do princípio que vamos ganhar domingo ao Feirense e que os vermelhos se safam em Coimbra, com a Académica...

Poder-me-ão acusar de pessimista, mas no íntimo, tenho a certeza que pensam como eu, o que não quer dizer que possamos prever com plena segurança o futuro. Tudo é possível, mas entre o possível e o provável, há uma distância sensata de realismo que não devemos desprezar. Há casos, em que um tiro basta para matar uma criatura e que, fazer-lhe o óbito só depois de lhe ver o corpo cravado de balas, tipo passador, já não é fé, é virar as costas aos factos. 

   

2 comentários:

Anónimo disse...

Aquele discurso que o VP dá depois do jogo, que o FCP foi a única equipa que jogou para ganhar; francamente está a gozar connosco.
Infelizmente o que eu vi do FCP foi muita parra e pouca uva. Uma equipa que chegava à grande área, com raras excepções cruzavam ou chutavam à baliza, quase sempre perdiam a bola porque não havia um referência na área!- O que lá está a fazer Kléber!? alguma vez o Hulk é ponta de lança!?- sabendo da maneira como eles jogam, que é defendendo e atacando em bloco e FCP a jogar daquela maneira era suicida, foi o que aconteceu 4-0 e até podia ser pior. Com Sapunaru no banco e Maicon no lado direito!...
Era muito feliz se o FCP fosse campeão Nacional este ano, mas não acredito neste senhor, porque é muito, muito fraco para um clube grande como é o FCPorto.
Nas competições europeias foi isto que se viu, (um grande prejuízo monetário para o FCP) nas competições nacionais jogasse mal e perdemos pontos onde não se devia perder. Saímos da Taça de Portugal com uma derrota humilhante, pouco ou nada mais a dizer, venha a nova época.

O PORTO É GRANDE, VIVA O PORTO.

zé da póvoa disse...

Este ano tudo nos correu mal, apesar de termos bons jogadores como ontem se viu. Apenas nos tem faltado uma equipa que evitasse andarmos aqui de desilusão em desilusão.