28 fevereiro, 2012

O que nos não distingue


Extraído do blogue A Baixa do Porto

De: José Ferraz Alves - "Exemplo de como a Espanha vai evitar Portugal e Grécia"

Submetido por taf em Domingo, 2012-02-26 22:04
Uma pequena grande diferença de política económica e social apareceu esta semana nos órgãos de informação nacionais:
"Espanha incentiva Bancos a aceitarem casas (Jornal de Negócios 23.02) (…) Os Bancos que aceitem a dação em pagamento serão recompensados com benefícios fiscais. Esta é uma das medidas contempladas no código de boas práticas que o Ministério da Economia espanhol pretende implementar para proteger do despejo as famílias de menores rendimento. (...) Está também a implementação de um limiar de rendimento que impede uma família de ser despejada. (...) O objectivo é que a dação em pagamento signifique o fim do processo."
Por cá, nos nossos burgos, no Diário Económico de 23.02, mais da nossa política: "Bancos alargam empréstimos por um ano a sete mil empresas". Sem grandes comentários, mas aceitando e aplaudindo esta medida…
No MPN – Movimento Partido do Norte, sempre dissemos que surgíamos para defesa do Norte e das pessoas, dado que ninguém atendia ao patamar onde está o problema subjacente à crise financeira e depois económica, que é o baixo rendimento disponível das famílias portuguesas, que depois originava o tal incumprimento à Banca e falta de clientes para as empresas no mercado interno. Os nossos “grandes” e teóricos, incluindo os medias, continuam ao nível da capitalização das Empresas e do Sistema Financeiro como soluções para os problemas, caindo-se no ridículo de se perderem casas para Bancos que se estão a ajudar via impostos.
Nós entendemos que, se não sabem qual o problema, também nunca o resolverão. A DECO e os outros Partidos Políticos deveriam olhar para exemplos como este defendido pela Associação Portuguesa dos Utilizadores e Consumidores de Serviços Financeiros (Sefin). Se acrescentássemos que o sistema de rendas que é praticado no pagamento das dívidas deveria ser de amortizações constantes, para que ao fim de 10 anos, num financiamento a 30 anos, se esteja de facto a dever 2/3 e não a totalidade do financiamento, o que evitaria que a dação em pagamento ficasse aquém da divida ao Banco? E que é para estas pequenas coisas que deveríamos olhar? Que nem a Espanha reparou?
Todo o sistema empresarial e financeiro precisa de aprender a partilhar ganhos e a defender a saúde financeira dos seus clientes. Isto é capitalismo social, economia social ou social-democracia nórdica. A Espanha está atenta e mostra que não vão cair nos erros da Grécia e Portugal.
José Ferraz Alves
Secretário Geral,

1 comentário:

zé da póvoa disse...

Não vale a pena ter ilusões. Portugal só recupera da situação em que se encontra quando a Espanha também recuperar. As ligações económicas são demasiado fortes para podermos acelerar qualquer recuperação. E os Espanhóis não estão de cócoras perante a Merkel e o Sarkozy.