30 abril, 2013

Só voto sob hipoteca da honra




Tenho um problema, e não sei se deva torná-lo público... É que, ainda estou por descobrir por que é que eu tenho de contribuir para o pagamento de uma dívida que não contraí, mas receio estar enganado, ou sofrer de amnésia. Sim, porque não obstante o alarido que por aí vai, os muitos protestos, a muita indignação, continuo a ver o pessoal muito conformado com a lavagem ao cérebro que o governo e alguns [muitos] fazedores de opinião lhe impingiu. E isto preocupa-me seriamente, mais até do que as irresponsabilidades desses catraios governantes que nos desgraçam a vida. Sim, porque quando um povo aceita como sériaa, uma dívida que ele náo pediu nem realizou, isso não nos dá garantias que de futuro será mais creterioso em termos eleitorais, e transmite-nos muitas duvidas da sua idoneidade cívica. Só isso, e a crónica passividade, pode explicar, a permanente falta de vergonha dos políticos com a população, face à forma desastrada e arrogante como assumem e reassumem o poder, mesmo depois de terem deixado atrás de si um rasto imenso de dívidas e irregularidades.

Mas não me interpretem mal, àcerca da famosa dívida. Sei, que alguma gente andou anos a viver acima das suas possibilidades, a comprar o que não devia, a fazer férias longínquas e caras, a adquirir carros topo de gama, a mudar de casa, etc. Mas esses, estão longe de ser TODOS, e nem sequer deviam considerar-se os principais responsáveis, porque seria bom não esquecer, quem é que andou a fazer publicidade do tipo, "viage agora, pague depois", e a seduzir as pessoas para consumos, que de outro modo, se calhar, não teriam assumido. A banca, muitos políticos, certas empresas e respectivos administradores, é quem, em primeiro lugar, deviam ser responsabilizados pelo excesso de endividamento, e não TODOS, porque além de ser injusto, é um abuso impróprio de um país do 1º. mundo. Mas nós já devíamos saber que para a banca e para os banqueiros, não há 1ºs. nem 3ºs. mundos, há o capital, e para o conseguirem, vale tudo. 

Costuma-se dizer, que todo o burro come palha, que a arte está em sabê-la dar, ou que uma mentira dita muitas vezes, passa a ser verdade. A burrice, porém, não é uma praga condicionada a Portugal, não. Começou pela  Grécia, passou pela Irlanda, atingiu a Espanha e a Itália - não interessa muito se por esta ordem -, porque o chico-esperto, o mentor deste milagre, é internacional, e chama-se: capitalismo [selvagem]. Nem menos. 

Podemos ouvir os discursos que quisermos, ler os artigos económicos que entendermos, assistir aos debates que a paciência nos permitir, o problema reside aqui, e apenas aqui.. Só os povos superiores [e agora estou a usar termos pouco edificantes para um democrata que me prezo de ser], é que sabem lidar com alguma seriedade e eficiência com este regime, e esses, são sem dúvida os povos dos países nórdicos, goste-se, ou não. São gente geneticamente amiga do rigor, da seriedade, da ordem, e quando assim é, os resultados são outros. No sul da Europa, a tendência é totalmente oposta, a lei é uma espécie de brinquedo inconveniente que só serve para atrapalhar...

Pois enquanto assim for, não há político capaz de me sacar o voto. Desculpem-me a imodéstia, mas sou demasiado importante para perder tempo com canalhada. A partir de agora, só votarei quando tiver a certeza que os candidatos ao poder se disponibilizam a hipotecar, bem cara, a própria honra, em nome do interesse nacional, como tantas vezes gostam de dizer, ainda que, sem saber o que dizem... 


3 comentários:

  1. O que seria de nós sem este governo? Já tinhamos morrido de tanto comer, de tanto gastar,assim está bem, estamos todos a emagrecer, estamos a ficar mais saúdaveis, mas cuidado, quando estivermos completamente sãos, é melhor chamar uma funerária, pois já não há nada a fazer.Só uma vassourada nestes politicos, que mais não fazem do que arranjar tachos para eles e para os seus familiares e amigos.
    Abraço
    manuel moutinho

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  2. O desgoverno prepara-se para cortar na despesa pública em 2014, 2.800 milhões de euros. Em 2015, ano de eleições, apenas 700 milhões. Isto é, estão se marimbando para os portugueses, querem é olhar pela vidinha delas. Isto, se não tivessemos um Cavaco na presidência, era motivo para esta gente ir já para a rua, mas como temos....só com outra revolução.

    Abraço

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  3. Eu não devo nada ao Estado o Estado é que me deve, e agora andam a vigarizar-me e ameaçar-me. Eles sabem muito bem quem são os ladrões, só que não estão muito preocupados em os meter na cadeia porque têm telhados de vidro.

    Os políticos corruptos que foram para a política, só com a intenção de se governar roubando o povo, são os mesmos políticos que formam e formaram governos e que são uns incompetentes levando o país à ruína.

    Se há muita gente do povo, que gastou mais do que aquilo que deveria gastar, (que não é o meu caso), foi porque, e você disse muito bem, tudo era facilitismos, autorizado e consentido por esta corja de governantes: Leve agora paga depois; Damos todas as facilidades; Emprestamos dinheiro para a casa, mobília e carro. O importante era emprestar o mais possível, era tudo no Imperativo, leve, compre... e depois foi aquilo que se viu.

    Eu não acredito em ninguém, por isso também não voto. Estou cansado de dar pérolas a porcos.

    O POVO É GRANDE, VIVA O PORTO.

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