29 janeiro, 2015

FCPorto, um tic tac, mais para trás que p´ra frente, apesar dos 4-1



Atingida a primeira fase do Campeonato, será que o jogo do FCPorto nos transmite segurança? Penso que não. Pelo menos, é a sensação que me fica quando vejo este Porto jogar. Ontem, até nem foi dos piores dias, e não o digo só porque goleamos a Académica. Considerando que à excepção de Danilo e Jackson, jogaram as segundas opções de Lopetegui, pode dizer-se que, em termos de entrega ao jogo o desempenho do grupo nada ficou a dever aos titulares, antes pelo contrário. 

Insisto na ideia que venho mantendo há algum tempo, que no FCPorto está instalado um sistema de jogo similar em todos os escalões, que pessoalmente não me agrada muito. Digo-o porque costumo acompanhar os jogos dos juniores e da equipa B, onde constato que assim é. E até faz sentido que assim seja. Agora, não querendo arvorar-me em treinador - a minha opinião como espectador vale o que vale -, mas é a minha, e sob esse ponto de vista não gosto do que vejo.

Vejamos. Sem esquecer que a média de idades do plantel principal é muito jovem, e que por isso necessita de (mais) tempo para consolidar mecanismos, neste ou outro sistema de jogo, o FCPorto terá muitas dificuldades para competir de igual para igual com os adversários directos na luta pelo título e de outros troféus. Isto, já para não falar das ratoeiras que o sistema continua a armar-nos (com a nossa conivência)...

Seria talvez importante definir, perante a massa associativa, se isto tem a ver com uma estratégia, ou se é uma situação pontual. Porque, a ser uma estratégia, conviria preparar os portistas para essa eventualidade informando-os, porque não creio que neste momento passe pelas suas cabeças outra ideia que não seja vencer as provas que ainda estão em disputa, com algumas reservas para a Champions League que é uma prova com outras exigências. 

Com a equipa principal, ou não (nesse capítulo Lopetegui tem dado oportunidade a todos), o sistema de jogo é o mesmo. Os defesas começam por trocar a bola entre si, de central para lateral, deste para o médio-trinco e deste (quase sempre de costas para os adversários) novamente para um central ou lateral, e assim trocam a bola durante largos minutos, esgotando prematuramente o tempo útil de jogo, ou seja sem golos. 

Esta maneira de jogar, pautada pela troca de bola para trás e para o lado, sem movimentos ofensivos dos laterais, permite aos adversários controlarem o meio campo portista onde se geram os lances mais perigosos. Os laterais das equipas do FCPorto parecem instruídos para não atacar, talvez para não perderam a bola e promoverem ataques dos adversários. Esta forma de jogar não é exclusiva aos seniores, acontece também com os juniores e com a equipa B. Suponho ser também por isso que a equipa B já tem perdido alguns jogos em casa com equipas inferiores. Se prestarmos atenção verificamos que os médios quando recebem a bola estão de costas para a baliza contrária, e não têm ainda hábitos consolidados para a receber e rodar no sentido contrário para lançar a ofensiva. Um dos jogadores que melhor interpreta este movimento é o pequeno Oliver, mas não chega, os laterais também o deviam fazer e raramente o fazem, daí resultando mais comodidade para os adversários se fecharem e até mesmo, pressionarem (coisa impensável há uns anos atrás). Sim, já se tornou "vulgar" vermos os adversários no Dragão a pressionarem, em vez de nós.

Podemos argumentar com a tal questão da juventude, mas estaremos nós preparados para esperar que a equipa amadureça? Além disso, como irá a SAD lidar com o problema dos jogadores emprestados? Se os contratos não forem bem blindados, como poderemos nós manter os melhores  jogadores para formar a tal equipa rodada e competitiva se os seus clubes de origem os quiserem de volta? Há aqui qualquer coisa que não faz sentido. Já para não me repetir com esta história estranha da liderança, mas que parece confirmar-se, a avaliar pelas prioridades de agora de Pinto da Costa (Sócrates e o Director de A Bola)...

Deixo esta matéria para entreter os amigos portistas.   

2 comentários:

dragao vila pouca disse...

Rui, você sabe a minha opinião e por isso apenas acrescento que também tem a ver com os intérpretes. Se Rúben continuar a jogar na posição 6, acredito que muitos desses problemas se vão esbater. Digo-o porque ao contrário d eCasemiro, Rúben é trinco, mas não nos podemos esquecer que tem apenas 17 anos, nem nos juniores jogou a sério. É verdade que no F.C.Porto, normalmente não há tempo para ter tempo, mas se calhar tem de passar por aí, o paradigma pode ter de mudar. Aguardemos.

Abraço

Anónimo disse...

É como o Rui diz, com o adorno demorasse uma eternidade para chegar à baliza e outra para rematar.
Com um clube cheio de matreirice e bons de bola, este esquema do tic tac não dá.
Estou feliz por ver mais portugueses na equipa principal a demonstrarem que são tão bons como muitos que por lá andam da frota de estrangeiros.

Depois dos Capelas dos Paixões e da maioria da trupe de arbitragem que por lá andam a beijar o rabo ao clube do regime, estamos falados. Ainda ontem foi condecorado mais um lisboeta habilidoso que esteve no FCP a Académica.

Abílio Costa.