02 fevereiro, 2015

Lopetegui e os seus pupilos

Julen Lopetegui
Gosto de Lopetegui. Mais pela sua personalidade de líder do que pela sua maturidade técnica. Neste capítulo creio que ainda tem muito que aprender. Tem de aprimorar alguns ensinamentos técnicos aos seus jovens jogadores, aspecto que abordarei mais adiante. Mas, é na forma assertiva como vem lidando com a comunicação social do regime que me enche as medidas. Ontem, quando um desses parvalhões lhe perguntou por que não punha o Gonçalo Paciência a titular (como se a sua opinião fosse relevante), Lopetegui deixou-o de queixos caídos respondendo: fui eu quem disse a G.Paciência para ficar no clube, fui eu quem chamou Ruben Neves à equipa principal e sou eu quem decide quem deve ao não jogar. Ainda teve ensejo de responder  a outra provocação de outro palerma quando foi buscar uma declaração infeliz do treinador do clube do regime que afirmou que o FCPorto "ainda tinha de olhar para cima", referindo-se aos 6 pontos de traso da equipa portista face aos vermelhos, com este brilhante: "nós ainda podemos lá chegar (ao título), mas eles ficaram a olhar para a Europa do lado de fora". 

É bom que Lopetegui comece a perceber em que país está, como funcionam os organismos do futebol português e da comunicação social.  Precisa de saber que em Portugal não  há democracia desportiva. Qualquer treinador estrangeiro que  venha para o FCPorto devia ser devidamente instruído sobre essa realidade,  sob pena de ver o  seu  trabalho destruído  dentro e fora  do campo,  antes que se aperceba. Dantes, tínhamos um presidente que tratava disso pessoalmente, agora, vá-se lá saber porquê, rendeu-se ao silêncio. Por isso, tem de haver alguém no seu lugar que desempenhe essa função.

Agora, passando aos aspectos técnicos que Lopetegui devia refinar no seu grupo de atletas e que na minha opinião ainda não estão bem resolvidos, gostava de salientar:
  • Pressão alta. Um facto: sempre que a equipa consegue fazê-la a preceito, os resultados são positivos. O que acontece é que nem sempre o consegue, e há mesmo jogos que, quando pressiona, é defeituosamente. Pelo que me apercebi essas deficiências devem-se a uma inadequada temporização nos momentos de atacar a bola na posse do adversário. Ou é prematuro, ou tardio, o que impede a sua recuperação. Por vezes, são vários jogadores a falhar sucessivamente estes movimentos, gerando situações perigosas para o sector defensivo. O jogo (e o resultado) de ontem é um bocado enganador, porque o Paços de Ferreira não foi para o Dragão jogar muito fechado nem fez tanta pressão como costumam fazer as equipas que nos visitam.
  • Qualidade do passe. Tal como a temporização dos movimentos de pressão, o passe é um dos aspectos a melhorar. Ainda se fazem muitos passes demasiado longos ou demasiado curtos. Considero que isto nada tem a ver com a qualidade técnica dos jogadores, porque ela está lá, tem a ver sim com a juventude e a ansiedade  que ainda não está dominada, de querer fazer tudo bem, e depressa. E importa  resolver esta situação. Penso que Lopetegui devia moderar alguns jogadores dos excessos de passes para trás de calcanhar, que muitas vezes vão parar aos pés dos adversários, e instruí-los para a importância da concentração, que passa naturalmente por olharem muito bem a quem vão passar a bola. Estes detalhes são relativamente fáceis de corrigir, só dependerá, penso eu, da intensidade do treino.  
  • Motivação. Nas equipas de hoje, agrupam-se jogadores oriundos de vários países e continentes. A  Net e a globalização ainda não fazem milagres, ainda não têm capacidade para transmitir aos jogadores estrangeiros a mística, a realidade dos clubes onde ingressam. Outrora, havia mais jogadores regionais e nacionais, o que facilitava a adaptação aos clubes. Actualmente é preciso acelerar esse processo de adaptação. Os jogos no Dragão com o Benfica, e com o Sporting para a Taça, ocorreram prematuramente no calendário competitivo e são o paradigma dos 3 aspectos aqui focados, que para além da juventude do plantel podem ter sido determinantes para os resultados desfavoráveis em casa. Continuando alheados desta realidades, teremos muitas dificuldades em manter o nosso clube nos patamares de sucesso a que estamos habituados.
Como não podia deixar de ser, esta é uma opinião muito pessoal dos prós e contras do FCPorto, e do seu treinador, sendo a mais preocupante delas - como venho relevando ultimamente -, a estranha metamorfose ocorrida com Pinto da Costa.

3 comentários:

Silva Pereira disse...

Boa noite,

Concordo totalmente, como sempre uma análise inteligente.
Mas se me permite acrescentaria mais 2 pontos em que o Lopetegui deveria trabalhar:
Bolas paradas e lançamentos laterais é incrível como se perde tantos lançamentos laterais e as falhas incríveis nos cantos sofridos (ex. jogo em casa com o slb)

Cumprimentos e bem aja

Rui Valente disse...

Silva Pereira,

Sim, sim. Ontem, por acaso até houve um livre marcado soberbamente pelo Tello, mas essa não tem sido a regra. Há que estabilizar as rotinas urgentemente. É de estabilidade emocional que os jogadores também precisam.

Um abraço

Anónimo disse...

Totalmente de acordo. Espero que Lopetegue entenda a filosofia do FCP e venha a ser mais um Treinador de êxito no Clube, como foram Mourinho, André Vilas Boas, e Artur Jorge.
Vamos acreditar...

Abílio Costa.