19 maio, 2015

A suprema humilhação!

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Não posso negar que a leitura de um jornal me faz falta. O simples hábito de folhear um jornal é em si mesmo viciante, mas nada compensa sustentar um mau vício de um jornal qualquer... Gosto de ser informado, não gosto de ser manipulado.

Como tal, substituí o JN pela leitura de um livro muito interessante, que é uma espécie de diálogo entre entrevistador e entrevistado sobre a vida de Sarmento Pimentel (o entrevistado), um homem incomum, que dedicou parte da sua vida a lutar pela causa republicana (05 de Outubro de 1910). Por essa época, a causa da república correspondia à causa da democracia, do pós 25 de Abril de 1974. Decorridos 105 anos, nem uma, nem outra, se realizaram na plenitude dos seus ideais mais nobres. Está quase tudo por fazer.

Sem querer ser maçador, porque não sou muito de rebuscar factos históricos, permito-me transcrever parte do texto de um episódio dessa entrevista. Aconteceu aquando da sua passagem pelo Porto onde Sarmento já alistado no exército, travou conhecimento com Basílio Teles 

Na sequência de uma crise política Sarmento Pimentel foi aliciado pelo então comandante do 3º-Esquadrão de Cavalaria do Porto, D. Luís da Cunha Meneses para convidar Basílio Teles a formar um novo governo. «Mas com que força?» perguntou ele. - «Se o senhor aceitar, nós encarregamo-mos de lhe garantir apoio militar» respondeu Sarmento. O outro respondeu: «vocês são novos, são generosos, são patriotas. Mas as coisas não são tão fáceis de resolver como vocês julgam. Eu só poderia formar governo se o povo me aceitasse, numa democracia em que fosse respeitada a vontade popular, a vontade de um povo que não está politizado e que se deixa conduzir por caciques que o enganam e exploram. E ficariam a pensar que tenho a ambição de ser um ditador, um João Franco ou outro qualquer que pretenda impor a sua vontade ao país.»

Mais de um século decorrido, estas declarações podiam ser feitas hoje com a mesma pertinência, o que em nada honra a actual classe política. Mas pronto, naquela época [tal como agora] as coisas não iam bem, mas sempre havia Sarmentos Pimenteis, Basílios Teles, Guerras Junqueiros, Sampaios Brunos, Gomes Teixeiras para agitar as águas. Hoje, não temos nada, nem ninguém!

Quando os portuenses concentraram num dirigente de um clube de futebol toda a confiança por ser a única personalidade que através do clube, defendia tenazmente a sua cidade e a própria região, por falta de políticos que o fizessem, isto já não era um bom sinal. Mas quando esse homem, que soube como poucos, liderar um clube e guindá-lo para patamares de glória desproporcionais à importância internacional do próprio país, de repente desiste de lutar, sem contudo assumir a desistência, a situação dos portuenses fica bem pior.

Essa personagem, já sabem, era Pinto da Costa, e digo era, porque começo a ficar profundamente decepcionado com o desprezo que tem votado aos portuenses, sobretudo aos portistas. Pessoalmente, e enquanto portista, sinto-me traído. Traído pelo desrespeito de, durante uma época inteira, não ter tido a humildade de se dignar explicar o porquê do seu silêncio, o porquê de permitir que o FCPorto fosse prejudicado de forma escandalosa, deixando técnicos e jogadores (de todas as modalidades) entregues a si próprios aos ataques indecorosos da comunicação social centralista. Comunicação social essa, na qual o Porto Canal procura inspirar-se no que ela tem de mais kitsch.

Mas, o que a mim me trespassa o coração como um punhal, é Pinto da Costa permitir que um canal que ele diz (sem ainda o ter provado) pertencer ao FCPorto, esteja a ser mais criterioso na defesa de causas alheias do que das próprias. Quem me conhece minimamente, sabe que em circunstâncias normais, se vivêssemos num país de gente séria e com governantes idóneos, também eu aprovaria o gesto de solidariedade com os adeptos benfiquistas agredidos pela polícia em Guimarães. Mas, sabendo a estrutura directiva do Porto Canal e do FCPorto, tão bem quanto nós, que esse país normal não existe, que pelo contrário, somos acusados de tudo e mais alguma coisa, que já fomos várias vezes agredidos, injuriados, e que até nos incriminam de coisas que não cometemos, acho um acto da mais reles bajulação, da mais abjecta falta de dignidade, a cobertura que deram à ocorrência.  

Não me arrependo de ter aqui defendido como poucos Pinto da Costa de todas as acusações que lhe fizeram, nomeadamente no malquisto processo Apito Dourado. Nem os seus amigos próximos foram tão longe. Mas, se fosse hoje, garanto que não o faria. Basta! Não estou para colaborar mais neste circo, porque para palhaço não tenho qualquer vocação.   

PS - É meia-noite. O Porto Canal continua seriamente empenhado em vitimizar a polícia e proteger os adeptos benfiquistas. Note-se que nem sequer consideraram a hipótese de os agredidos terem feito algo de errado... Copiam os media centralistas. Tal e qual. Até a Ministra da Administração Interna já foi chamada a liça. Só falta o Cavaco.

Não detectei um pingo de ousadia ou solidariedade para defender o clube que o sustenta, e bem precisou. Nem os comentadores desportivos se atreveram a ir tão longe. Tudo isto me parece surreal, tudo me parece um pesadelo neste Porto de vergonha. Só falta pintar o símbolo de vermelho e colocar-lhe umas asas...

1 comentário:

Anónimo disse...

É altura dos adeptos do FCP dizerem basta ao quero posso e mando.
Um presidente não é dono de nada, é simplesmente mal ou bem, só presidente. Acho que os sócios e simpatizantes mais os sócios claro, deveriam serem informados, e mais respeitados, não somos objectos de ornamento de estádio, informados das coisas boas, mas também do mal que foi feito ou do correu mal.
Estamos a ser ultrapassados por outros, porque andamos distraídos e assobiar para o lado.

O JN é um jornal violeta, é um jornal que já não é a mesma coisa, está mais virado para lá do que para cá. É mais um, que se deixou arrastar pela peste do Centralismo.

O Porto Canal é careta, pouco tem de interesse, tirando noticias e nem todas, e mais transmissões do FCP, poucos programas tem de qualidade, então aquele pimba do "Vamos Cantar", fazfavor. Pouco fala da cidade, do que está feito ou o que vamos fazer, não faz convite ao presidente da Câmara do Porto, são sempre os autarcas amigos do Ti-Juca que la vão, enfim, é um "Quer mas não Posso" infelizmente.

Abílio Costa.