03 novembro, 2015

Não estou optimista com este FCPorto

É fácil, e cai muito bem na opinião pública, pensar e agir sempre com optimismo. Nunca partilhei da bondade dessa opinião. Que é fácil e parece bem, não duvido, se considerarmos a vulnerabilidade intelectual de uma grande fatia da população portuguesa depois de andar décadas a engolir o "optimismo" das promessas dos políticos. Agora, que é avisado pensarmos antecipadamente que tudo vai correr bem, face ao imprevisto, e a todo o tipo de situações, é um exagero imprudente que por vezes nos pode custar a própria vida. 

Não querendo radicalizar o tema, posso garantir-vos que foi a sensatez que já me salvou a vida várias vezes ao volante do meu carro, ou na melhor das hipóteses, me safou de partir umas costelas. Se ao descrever uma curva, entro à vontade e fora de mão, partindo sempre do princípio que no sentido contrário não vem nenhum veículo, ou se vier, vem pela sua mão, escostado à berma da estrada, estaria talvez a ser optimista, mas também a hipotecar a minha segurança e porventura a de outras pessoas. Não depreendam daqui, que sou um aselha a conduzir, medroso, do tipo caracol domingueiro. Não, não sou. Penso é que, se confiar demais, tudo pode correr mal. Por muito que tentemos separar o excesso de optimismo da imprudência, é inútil, porque estas duas coisas estão quase sempre ligadas. 

Tudo isto para dizer, o quê? Para dizer que avaliando a situação actual do FCPorto e de toda a estrutura envolvente (Presidente, Sad, Media,Corpos Técnicos, etc.), muita coisa terá de mudar rapidamente, se quisermos chegar ao fim da temporada com um sorriso no rosto e... optimismo no olhar. O optimismo de que os portistas se alimentaram nas últimas décadas não caiu do céu aos trambolhões, irradicou de um ciclo longo de victórias, sustentadas na liderança forte e competente de Pinto da Costa, dentro e fora do clube.

Se dentro do clube já se notam algumas diferenças, em certos aspectos para pior, fora do clube é o deserto. Ninguém está em casa...  a grande família portista estranha e sente a orfandade. Pior: começa a dar sinais de cansaço dessa orfandade. E o Presidente parece não se dar conta do que se está a passar "fora de casa". Ele não entende, ou não quer entender, que aos poucos vai perdendo o respeito de muitos adeptos, alguns dos quais o idolatraram, mas que só ainda não despejaram sobre ele as desilusões das últimas temporadas porque ainda acreditam numa reviravolta. 

Eu, não acredito. E não acredito pelas mesmas razões que vos apresentei no prólogo deste post, ou seja, porque só consigo fundamentar o meu optimismo de portista quando por detrás há uma liderança activa, competitiva. E essa liderança eclipsou-se, ninguém pode sentir o contrário. E é aqui que reside o principal problema do FCPorto actual. Depois, juntam-se outros inconvenientes. O treinador Lopetegui está a revelar muitas dificuldades para estabilizar as suas ideias de jogo e os jogadores também. Tenho algumas reservas em atribuir as responsabilidades aos jogadores, porque acho que não conseguem adaptar-se aos processos táctico-técnicos do treinador. Cheguei à conclusão de que a posse de bola é encarada pelos atletas, mais com medo de a perderem, do que como uma oportunidade para a fazerem chegar à baliza adversária.

Só isso pode explicar essa coisa entediante de abusar dos passes recuados e lateralizados, essa dificuldade tremenda em ultrapassar equipas defensivas, muito fechadas e rápidas a contra-atacar e até a dificuldade do FCPorto marcar muitos golos. E isso explica em parte o conforto de jogar na Champions com equipas mais abertas. Mas, explica até um determinado ponto. Quando o patamar de exigência subir, as dificuldades do FCPorto vão-se notar. Com uma deficiente pressão alta, uma instabilidade na articulação de movimentos, a lentidão/previsibildade de processos, incluindo o desaproveitamento de contra-ataques, será complicado subir a fasquia. Aspectos que, a um nível superior de competitividade, podem vir a ser reclamados e não ter a resposta adequada se a equipa não estiver devidamente preparada com rotinas enraizadas. Podemos sempre considerar aquelas situações muito imprevisíveis no futebol que decidem por vezes um jogo, como a transcendência individual e colectiva dos jogadores e que muito entusiasmam os adeptos quando acabam em victórias, mas uma equipa sólida não pode ficar apenas refém de momentos nem da garra. É preciso mais. E sinceramente eu não estou a ver esse "mais".

O ano passado era tudo novo. Para nós, para (alguns) os jogadores e para o treinador. Este ano, não é bem assim. Há ainda medos injustificaveis, rotinas por sedimentar, que não se compadecem com o relógio do tempo. Por isso, não escondo que os sinais que me vão chegando não me trazem grande optimismo.

1 comentário:

Anónimo disse...

Este treinador, ainda não é o treinador do meu clube que me expira confiança. Não é por falta de material que o artista não faça o trabalho bem feito, é, por falta de mais qualquer coisa do artista.
Por tanto tempo de bico fechado e de engolir em seco, deve de estar a surgir por aí alguma surpresa, digo eu! é que o jejum da palavra está ser longo e os dejectos da praga estão insuportáveis.

Abílio Costa.