02 fevereiro, 2016

Miguel Relvas, diz-lhe alguma coisa?





Mariana Mortágua
Banco Efisa, diz-lhe alguma coisa? Era o antigo banco de investimentos do BPN e que está parado desde 2009. Está longe de ser um banco relevante no sistema, mas tem uma mais-valia: uma licença bancária para operar em Portugal, Moçambique, Angola e na América Latina, que foi mantida à custa da injeção de dinheiros públicos, cerca de 52 milhões desde 2014.
Em julho de 2015, já depois de ter vendido o BPN, o Estado decide vender também o Banco Efisa, que até aí se encontrava dentro da Parvalorem, o veículo criado para gerir os restos do BPN. O Efisa é assim entregue à Pivot por 38 milhões de euros.
Na altura pouco se sabia da Pivot, a não ser que congregava investidores angolanos, norte-americanos e portugueses. Ficámos, no entanto, na semana passada, a conhecer um pouco mais desta história.
Miguel Relvas, diz-lhe alguma coisa? Foi secretário de Estado da Administração Local em 2004, altura em que ajudou a Tecnoforma - em que esteve Passos Coelho como administrador - a montar a fraude dos aeródromos. Mais tarde tornou-se número dois do primeiro-ministro Passos, e ministro dos Assuntos Parlamentares até abril de 2013.
Miguel Relvas já tinha sido consultor do banco de investimento do BPN antes da nacionalização. Na altura, o deputado e administrador da Kapaconsult (que tinha como único cliente o Efisa) era crucial para abrir as portas da política e dos negócios no Brasil .
Em 2012, foi o seu Governo a nomear Francisco Nogueira Leite, ex-administrador da Tecnoforma com Passos Coelho, para presidente da Parvalorem. Para além de chamar outros quadros próximos da Tecnoforma, Nogueira Leite manteve homens da confiança de Oliveira e Costa em lugares críticos da empresa. E foi ele, enquanto responsável máximo da Parvalorem, a conduzir a venda do Efisa à Pivot em 2015.
Já fora do Governo, é Miguel Relvas quem aparece, mais uma vez, a prestar serviços de consultoria à Pivot. Mas na semana passada o consultor Relvas foi promovido a acionista, e pede agora ao Banco de Portugal que ateste a sua idoneidade para ser dono de um banco, o Efisa.
Miguel Relvas e idoneidade, uma contradição nos termos capaz de arrancar uma boa gargalhada a qualquer um se não corresse o risco de vir mesmo a ser declarada.
(JN)









Nota de RoP: Em Portugal, seja em que regime fôr, o chico-espertismo não dignifica, mas promove, protege, faz enriquecer. Exactamente o que não faz a quem só sabe viver honestamente, e se arrisca a passar por burro, não o sendo.




14 comentários:

Soren disse...

Isto num país sério daria cadeia, por conflito de interesses e por um problema sério de ética e crime de lesa Pátria. Ex primeiro ministro e demais comparsas criminosos. Tudo provado, tudo às claras, tudo à vista de todos. Mesmo assim votam neles.

Só têm o que merecem. É revoltante mas já dei demais para esse peditório. As gerações mais jovens são ainda mais apáticas e comodidade. Como é possível um povo ser tão burro? Só me resta dizer tristemente, aturem-se uns aos outros.

condor disse...

Caro Rui Valente sugiro que se abestenha de criticar o chico espertismo tuga não vá o Sr primeiro ministro empalidecer!

Rui Valente disse...

Condor,

este, ou o Passos Coelho? É que, neste caso concreto, o António Costa não tem nada a ver com o assunto.

Soren disse...

E continuam a apoiar os tipos pró-privatizações, que como todos sabemos sempre foram uns grandes/fantásticos defensores do Norte, da Regionalização e sobretudo do Porto. Impressiona tanta gente no Norte a votar em Cavacos, Durões e Passos. Mas é o que há.

Rui Valente disse...

Soren,

é das poucas pessoas que vejo comentar futebol com uma visão ampla do mundo e da sociedade. Um grande (demasiado grande) número de pessoas, só fala por causa do futebol. Tudo o resto não interessa. Por isso é que vivemos em constantes contradições.

Um abraço

Soren disse...

Pois é caro Rui Valente,

Há outros. Mas por vezes abstenho-me de ir "longe demais" para não ser catalogado de arrogante (está na moda) e não ficar a falar sozinho.

A falta de Cultura (essa da qual éramos o único país da UE que não tínhamos ministro - uma vergonha à escala mundial que foi durante 4 anos escondida em Portugal) é exasperante. Por isso há tanto comodismo nas bancadas do Dragão. O pessoal vai para lá para dizer que foi. E chegam a discutir futebol como se discutissem um desporto sério (como o ténis ou o rugby), que não têm nada a ver com política nem tráfico de influências, nem campanhas rascas nos jornais. Pensam que perderam o campeonato passado por causa do Lopetegui! Parece que não há responsabilidade acima do treinador e que não há um clube porta bandeira do centralismo que jogou 10 partidas em superioridade numérica.

O FC Porto é uma das bandeiras da cidade, mas o povo vê o clube como algo para disfrutar e não pelo qual lutar. Comprar camisolinha e tudo exigir sem nada oferecer. E oferecer é combater o centralismo para fazer o clube mais forte. Como se faz em Barcelona!

Até temos um presidente da Câmara (que aprecio até certo ponto), que se contradiz em público e escreve no lixo da manhã. Primeiro é a favor de tudo o que é privatização e depois estava à espera que uma TAP privatizada fosse servir a população e os negócios regionais e não os interesses dos seus accionistas. Depois em vez de facilitar e criar condições para o aparecimento de novos órgãos de comunicação na cidade, escreve colunas no lixo da manhã, uma das armas anti-Porto do centralismo. Prefiro mil vezes Rui Moreira a Rui Rio, mas esta gente é muito fraquinha e não pára de desiludir.

E você livre-se de colocar artigos de esquerda no seu blogue, que avaliar pelo mapa eleitoral terá muito pouco nortenho a frequentar o tasco.

O que é bom é dar dinheirinho aos Bilderberg e os seus acólitos. Têm Portugal bem colonizadinho, adormeceram facilmente uma população que nem sabe quem eles são e quem são os seus vassalos em Portugal.

A mim valha-me o Garcia Márquez, Vargas Llosa o génio de Saramago e Mujica, ou até o Sepúlveda entre outros, que são uma inspiração constante contra esta mentalidade submissa e fascista que nos rodeia. Será que são uma raça em extinção?

Um abraço.

Rui Valente disse...

É verdade o que diz, mas olhe, quem não gostar do que escrevo paciência, deixo isso ao critério de cada um.

Quanto ao Rui Moreira, dentro daquilo que pode ser um liberal, é do melhor que temos tido nos últimos anos. Há uma série de decisões que tem tomado que me agradam, mas ainda é cedo para retirar conclusões.

Vamos dar tempo ao tempo.

Um abraço e volte sempre

Soren disse...

Eu estou cá sempre, comento pouco mas passo sempre por cá e continuarei a passar.

Quanto ao Rui Moreira, bem sei que é um liberal e não tenho nada contra ser liberal nos negócios, desde que as posições estratégicas nas indústrias estratégicas sejam controladas pelo Estado. Mas claro, se o Estado não está moralizado não há nada a fazer.

Agora, construir infraestrutura estratégica com o dinheiro de gerações de todo um povo (energia, telecomunicações, vias de transporte, transportes) e depois oferece-la a meia dúzia de famílias, é um atestado de ignorância e de falta de sentido democrático de um povo. Quem deixa fazer isto não merece o poder do voto.

condor disse...

Caro Rui Valente,que eu saiba só há um primeiro ministro! Depois estamos a falar de chicos espertos!

Rui Valente disse...

Soren,

por falar na "Bilderberg", nem a máfia é tão sofisticada. É um livrinho que todos deviam ler, principalmente aqueles que não têm onde cair mortos, que para se sentirem betinhos votam na direita...

Somos um país de burros, com todo o respeito por quem não encaixa neste perfil...

Anónimo disse...

Esta democracia com estes governantes se não é uma máfia o que é!? Todos esta gente politica governa para tratar dos seu interesses, nunca vi semelhante vergonha. A justiça não existe, Portugal é uma ilha de piratas, um covil de ladrões, e o povo é sereno, assim que se...

Abílio Costa.

Rui Valente disse...

Abílio,

infelizmente, para nós, e para toda a Humanidade, não é só em Portugal que estas coisas se fazem. O polvo, tem tentáculos em muitos países, da Europa (dita comunitária) aos EUA. É em organizações de perfil secreto (mas não assumido) que se definem as políticas económicas, se determinam guerras (caso do Iraque), e se escolhem os respectivos homens de confiança, como foi a caso de Durão Barroso, premiado com o lugar de Presidente da Comissão Europeia. Consta mesmo que agora, é um dos listados para secretário-geral da ONU...

Soren disse...

Durão Barroso foi e é um testa de ferro dos Bilderberg. Um indivíduo que encaixa no perfil, submisso, ignorante, sem escrúpulos e facilmente corruptível. Cavaco e Passos são duas marionetes do mesmo sistema (daí a queda do governo de Sócrates porque o povo não aguentava mais sacrifícios e o PEC 4 era mau para o país- logo a seguir levaram com um PEC 20 para aprenderem. Mas nem assim aprenderam porque foram outra vez votar neles).
Pinto Balsemão é o que tem mais presenças nas reuniões - há que controlar a informação para enganar os papalvos.
Mas com tanta informação disponível na Internet, continuo a surpreender-me com a quantidade de gente da classe média que foi na cantiga dos públicos contra privados e continua a suportar este sistema. No PS também os houve às resmas a beber desta "ordem" instalada.

Rui Valente disse...

Soren,

costumo dizer, quando alguém atira para cima de mim a responsabilidade da situação actual com a ladaínha da "culpa ser de todos nós", que me explique tintim por tintim o que sabe da minha vida (já que parecem não saber muito bem da própria), para fazerem esse tipo de afirmações. O resultado é sempre o mesmo: não sabem que dizer. Uma das coisas de que muito me orgulho é de não ter contribuído para a eleição destes palhaços. O tempo tem-me dado sempre razão, embora nada tenha lucrado com isso.