19 setembro, 2016

Rui Sá quer a Câmara do Porto, ou estará apaixonado?

Há uns dias atrás referi aqui  observação pouco simpática acerca do ex-vereador da Câmara do Porto, Rui Sá. O motivo da observação resultou do modo quase obcessivo como Rui Sá vem seleccionando o alvo dos seus artigos semanais do Jornal de Notícias:

o actual Presidente da Câmara, Rui Moreira. 

Nalguns desses artigos Rui Sá até poderá ter tido alguma razão, mas é tanta a insistência em atacar o autarca portuense que acabou por esvaziar-lhes o sentido, e a credibildade. Hoje, volta à carga, como se não tivesse outros temas para falar, senão em Rui Moreira. Da regionalização, por exemplo. É curioso como a questão da Regionalização parece incomodar tanto os políticos de todos os partidos, incluindo os de esquerda. Rui Sá, parece dar-se bem com o centralismo, já que tão raras vezes escreve sobre o assunto.  

É lamentável que Rui Sá para malhar no Presidente da Câmara, para não lhe reconhecer as coisas positivas (que as tem) tanto se empenhe em isolá-las do cravo de Rui Moreira e tão grosseiramente.

Afinal, o malogrado vereador da cultura Paulo Cunha e Silva foi também escolhido por vontade de Rui Moreira, não será assim? Por que raio é que ele tem de vir agora falar do Sporting? Será para ver se provoca anti-corpos aos portuenses contra Moreira? E ele? Será portista? Que eu saiba, é benfiquista, e isso não é propriamente um orgulho para os verdadeiros portuenses.


Rui Moreira agora é do Sporting?

Poderão alguns leitores ficar chocados com a pergunta. É que, de clube, não se muda! Mas, de facto, a atuação de Rui Moreira à frente da Câmara Municipal do Porto faz-me recordar o Sporting - que não o seu presidente, evidentemente... Então, porquê? Porque os adeptos deste clube são conhecidos pela expressão "para o ano é que é!". E Rui Moreira, na Câmara Municipal do Porto, também passou a ser conhecido por "para o próximo mandato é que é!"...

Poderão considerar que estou a ser injusto, dada a imagem positiva que Rui Moreira tem. Mas, analisando com pormenor, constatamos que essa imagem resulta, principalmente, das suas caraterísticas pessoais (ainda por cima em comparação com as do seu antecessor, sempre zangado com tudo e com todos). A que se alia uma imagem em alta do Porto, situação que deriva do crescimento turístico e das iniciativas de animação que devem muito ao talento do tragicamente desaparecido vereador Paulo Cunha e Silva. Mas, infelizmente, essa imagem não se corporiza em investimentos na cidade, sendo que estes não se fazem ou vão sendo repetidamente anunciados, mas... para o próximo mandato!

Para que não me acusem, mais uma vez, de estar a ser injusto, analisarei, apenas, aquelas que Rui Moreira apresentou, pomposamente, como 22 "Ideias para Ganhar e para Cumprir". E aqui a porca torce o rabo porque podem ser ideias que serviram para ganhar as eleições, mas que, objetivamente, não foram cumpridas.... Vejamos, face à limitação do espaço, algumas. "Construir um Centro de Congressos no Palácio de Cristal": nada feito, com processos em tribunais. "Criação de um Polo Logístico em Campanhã, no edifício do antigo matadouro": projeto apresentado, mas nenhuma obra efetuada. "Reabilitar o Mercado do Bolhão no prazo de um ano": Já passaram três anos e, agora, aponta-se para 2019. "Reabilitar e expandir a Biblioteca Municipal do Porto em S. Lázaro": nada feito. "Recuperar e construir novas instalações desportivas espalhadas pela cidade": não se veem. "Devolver os guardas-noturnos à cidade": nem um. "Criar um interface rodoviário em Campanhã": obras nem vê-las.

É que apresentar projetos e anunciar obras não significa realizar obras... Naturalmente que há coisas que foram feitas e algumas bem feitas. Mas, se há traço que carateriza este mandato autárquico, é o da incapacidade da Câmara em conseguir concretizar investimentos, sendo que o problema não é falta de dinheiro, dado que os cofres municipais estão recheados!

(Rui Sá/JN)




6 comentários:

jchs disse...

Tem razão no que escreve Rui Valente, mas a mim não me surpreende esta linha orientadora do Rui Sá.
Repare:
Rui Sá é membro do Partido Comunista, logo, diga-se o que se disser, não é livre de expressar publicamente a sua opinião. Está, estatutariamente, vinculado às posições oficiais do partido. Ora, o PC nunca viu com bons olhos esta moda dos políticos independentes porque nas eleições alguns dos "seus"(PC) eleitores inevitavelmente fugirão para as candidaturas independentes.
Por outro lado, se há partido centralista, esse é o PC, logo como queria o Rui Valente que o Rui Sá viesse mostrar simpatia (muito menos empenho) pela regionalização?

Anónimo disse...

a regionalização beneficiava todo Portugal. ainda é um mistérios como os capangas a conseguem deixar na gaveta durante tantos anos...

Anónimo disse...

O Sá já foi "muleta" do Rio no primeiro mandato deste ?!

Dragão Maronês disse...

Finalmente!!!!
Finalmente tivemos ontem uma entrevista do Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, no Porto Canal.
Gostei.

Rui Valente disse...

E verdade, D. Maronês, é caso para lançar foguetes...

Rui Valente disse...

JCHS,

eu sei que é como diz, mas aqui não é uma questão de ser do partido X ou Y, TODOS os partidos detestam que lhes falem em regionalizar o país.

Com o poder centralizado sentem-se mais confortáveis. Pudera! Descentralizar implica partilhar o poder, e regionalizar é dar ainda mais autonomia ao poder local, que é coisa que não confessam, mas não gostam.

Como é algo que consta da Constituição (apesar de já ter sido "adulterada" com as constantes revisões) e os políticos são todos muito constitucionalistas quando lhes convém, é preciso lembrar-lhes as contradições.