19 outubro, 2016

É melhor deixar o optimismo mais um tempinho a marinar...



A forma, algo temerosa como o FCPorto entrou a jogar contra o Brugge quase me fez arrepender da observação que deixei na crónica do jornal Porto24 publicada aqui em baixo. Dizia eu que a equipa está mais personalizada, que não erra tantos passes, que não lateraliza tanto o jogo, Dizia, e vou continuar a pensar assim, apenas porque Nuno Espírito Santo ainda foi a tempo de corrigir o que estava mal e conseguiu sair da Bélgica com os 3 pontos da ordem, caso contrário terei de reconsiderar o prazo de maturação do meu optimismo.

Fiquei com a ideia de que o FCPorto se deixou traír, não tanto pelo ambiente do estádio, mas fundamentalmente por dois factores: por não ter tomado a iniciativa do jogo, pressionando alto, e por não contar com a entrada rápida dos belgas. Foi essencialmente a rapidez do adversário que desorientou o esquema táctico dos portistas, e a prova disso ficou pantenteada no lance que deu o 1º. golo ao Brugge, com Layún (um dos jogadores que mais aprecio) a ficar pregado à relva e atrapalhado com os ressaltos de bola que anteciparam o golo. O outro problema  (para muitos, o principal), deveu-se ao afunilamento do jogo para a zona central do terreno onde os belgas se sentiram sempre confortáveis a despachar as investidas demasiado previsíveis e lentas dos nossos jogadores. 

Na segunda parte Nuno E. Santo lançou Brahimi e Corona, que resultou na reviravolta do resultado. Para isso, pesou mais o mexicano, com um futebol mais pragmático e colectivo. Brahimi continua a ter dificuldade em gerir o talento que lhe é reconhecido e acaba sempre por obstacularizar a fluidez do jogo com fintas e mais fintas que normalmente não dão em nada. Percebe-se que anda ansioso por marcar um golo, mas alguém tem de lhe explicar bem o que deve fazer para lá chegar, d'outro modo nunca irá chegar a afirmar-se. Avaliando o lado positivo da coisa, contribuiu para atrair a si mais jogadores adversários e romper com a sua muralha defensiva, só tem é de ser mais prático.

Há no futebol de alta competição um regra mestra que explica o sucesso de uns e o fracasso de outros: a velocidade. Se os nossos jogadores têm talento, falta-lhes velocidade. O curioso, é que não é por serem lentos que são melhores executantes, quer no capítulo do remate, quer do passe. Ontem, vimos várias vezes os nossos jogadores serem surpreendidos pela velocidade dos belgas e ficarem sem a bola por falta de atenção e de rapidez. Isto, será assim tão difícil de corrigir?  Custa-me a compreender por que é que nós somos tecnicamente melhores e continuamos a falhar passes. Se não é falta de técnica é falta de concentração e isso para um clube com as aspirações do FCPorto é inaceitável.

Enfim, ganhámos e por agora ainda nada está perdido. O que não pode voltar a acontecer, é continuarmos a dar o "ouro ao bandido", com entradas aparentemente medrosas, como foi a de ontem, e andarmos sempre com o credo na boca a fazer contas complicadas para nos apurarmos. Há que ser mais consistente, que começar os jogos pressionando logo na área adversária, tomar a iniciativa dos jogos sempre muito concentrados e não para os encarar como se fossem uma espécie de roleta russa, porque os adeptos não são suicídas e já andam cansados de sofrer.

3 comentários:

Anónimo disse...

A equipa do Brugge é inferior à do FCP mas aguerrida, o FCP nos primeiros 45 minutos andou a pastar e saiu a perder. Acho que no 2º tempo fomos superiores a partir das substituições e merecemos o resultado. Mais mais uma vez esta equipa só joga 45 minutos, é um caso a pensar pelo sr NES para não se ter dissabores futuramente porque nem sempre corre bem.

Abílio Costa.

Deacon Blue disse...

Caros,

Creio que nao é crime nenhum se um Portista disser que ontem, até aos 60 minutos aprox. (substituiçoes) a exibiçao do FCPorto (treinador incluido) estava ao nivel do miseràvel.

*Falta de estrategia no terreno!
*Falta de capacidade psicologica/concentraçao dos jogadores!
*Falta de capacidade fisica!
*Falta de capacidade de visao do treinador e coragem para agir mais cedo.

Ou seja, acabamos por ganhar mas jogamos apenas os ultimos 30 minutos! Isso nao chega, ou se quiserem, nao deixa um adepto descansado e com confiança no futuro.

Eu acho que o que efectivamente falta neste momento ao plantel do FCPorto é qualidade! e por isso as coisas andam como andam (treinador incluido)!

É apenas a minha opiniao e devo dizer que nao vou à bola com pipocas, prefiro uma bela bifana com uma stout a acompanhar ;))

Deacon Blue



Rui Valente disse...

Deacon,

se acompanhar os jogos da equipa B vai chegar à conclusão que o sistema de jogo é ainda pior que o da equipa principal. E das duas, uma, ou o treinador não sabe como resolver o problema, ou se sabe, os jogadores não correspondem, o que pode querer dizer que não têm qualidade para jogar no FCPorto. Aqui há uns tempos só ouvia elogios ao João Graça (por exemplo) e, sinceramente, cada vez entendo menos porquê,visto que não lhe reconheço fibra nem talento para tanta propaganda. Se nos queixamos dos seniores, então não sei como explicar o sucesso da B na época passada. Há na B alguns jogadores interessantes que bem treinados podem ser aproveitados para a principal, mas são para aí uns 4 ou 5 no máximo.