05 dezembro, 2016

CENTRO HISTÓRICO DO PORTO É PATRIMÓNIO MUNDIAL HÁ 20 ANOS


Tenho um hábito comigo, que não sei explicar muito bem, que é desconfiar do lançamento de foguetes, antes de saber onde é a festa. Só sei, é que, ao contrário do que acontece com a sorte, pressinto os inconvenientes das euforias mediáticas quando não as vejo sustentadas em fundamentos sólidos, e nestes casos, acerto quase sempre.

Ninguém, mais do que eu, portuense, portista, bairrista (e cosmopolita), se empolga quando lê e ouve, coisas elogiosas sobre o Porto e a região. Agora, esta história de se andar a dizer que "o Porto está na moda", pode, ao primeiro impacto, parecer  uma coisa boa, mas não deixa de me soar estranho comentar a nossa cidade como se tratasse de uma casa de alta costura. As modas são isso mesmo, modas apenas. Renovam-se continuamente para promover o consumo, nada mais. 

Uma cidade, não pode traduzir-se nestes termos, porque o Porto é sobretudo a sua gente. E porque não quero que o Porto seja apenas um capricho de momentos, sujeito a ocasionais ditaduras inspiradas em modas, preferia um slogan mais apropriado e intemporal. O Porto é eterno, não anda ao gosto de quem quer. Em vez de se dizer que o Porto está na moda, devía optar-se por clamar que "o mundo despertou para o Porto", porque a cidade está no mesmo sítio onde sempre esteve. Se esteve fechada tanto tempo foi porque não nos deixaram ir mais além (o centralismo dos governantes).

Pragmaticamente, o Porto modernizou-se (há que reconhecê-lo), sobretudo nestes três anos de mandato de Rui Moreira. A reabilitação urbana avança, o centro histórico regenerou-se a olhos vistos, a actividade cultural saiu da mediocridade inspirada no La Féria (de Rui Rio) para patamares de excelência, e a baixa nunca esteve tão pujante de povo de todo o mundo. Para além de isto, houve dois factores fundamentais responsáveis pela ideia parva de relacionar a moda com o Porto, como seja a modernização do Aeroporto Sá Carneiro (com os vôos low cost), complementada com a implantação do Metro. Estas duas obras, foram as principais dinamizadoras responsáveis pela "descoberta" da cidade para o Mundo. Tudo o resto já cá estava, não fossem as políticas mesquinhas centralistas e o Porto hoje estaria ainda melhor. 

De resto, as minhas únicas inquietações nesta matéria, prendem-se com o fundamental: a população. Urge incentivar o regresso dos portuenses ao centro da cidade, criando fórmulas acessíveis à habitação. O Porto tem de ser uma cidade multi-classista, com gente de diferente matiz. Esta onda algo obssessiva de impulsionar o turismo está a inflaccionar o valor das rendas e a obstar o repovoamento da cidade. É um problema que deve merecer a atenção de Rui Moreira, de modo a evitar que o desenvolvimento do Porto aconteça da pior maneira engendrando uma cidade comercial sem gente para a consumir. Os turistas, vão e nem sempre regressam. Os habitantes são potenciais clientes, não vitalícios, mas para a vida.

PS-Não liguem a este meu estilo de falar frequentemente na primeira pessoa, porque tenho sempre de admitir que nem todos concordem comigo, apesar de sermos todos portuenses. 




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