24 agosto, 2017

A cultura do medo numa democracia é Ditadura!

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Tenho um grande dilema. Não grave. Um sentimento misto de dúvida e ignorância parece ter-se apoderado de mim. Por um lado, tento acreditar nas virtudes da democracia conquistada no 25 de Abril. Não por convicção pessoal, que não a tenho, mas porque ainda vejo muita gente aparentemente convencida de que a usufrui, que algo tem a ganhar com ela. Apesar da ascenção galopante dos abstencionistas, ainda há demasiada gente a votar, a dar emprego aos profissionais da mentira. A política séria é uma causa, não um trampolim para interesseiros.  

As consultas diárias de jornais e televisões, ainda que cobertas de negatividade e contradições, corroboram muito para que essa ideia imprecisa de democracia mantenha alguma solidez, porque neste país há sempre um bom samaritano pronto para fazer crer nessa balela os mais incautos. Portugal pode estar a ferro e fogo (como está), mas o optimismo, esse grande mago, é que nunca falha. Resultado: Portugal é, e sempre será,  um país livre e democrático! Amén!

Por outro lado, algo coíbe o entusiasmo por este modelo de consensualidade, muito prá-frentex e optimista. Antes de tudo, porque é impossível haver democracia sem liberdade, e porque para haver liberdade também é preciso saber merecê-la. É aqui que reside a génese de todas as ditaduras: o medo. O medo, é o grande responsável por todas as cobardias, pelo anonimato, pelos nomes falsos, pela "coragem" sem rosto.

É o medo, a incapacidade de dizer não, quando alguém ultrapassa os limites da decência, seja ele patrão, político, ou o próprio pai. O poder exagerado e abusivo sobre alguém, deve sempre ser combatido com determinação. A não ser assim, como podemos nós acreditar num regime que se assume como liberal e democrático, e que ao mesmo tempo transforma pessoas aparentemente normais em perfeitas marionetes? Gente incapaz de condenar o condenável, quando o condenável tomou conta de si?

Estas questões não podem nunca ser interpretadas como impertinentes. Esse, tem sido um dos nossos males dos últimos anos, a incapacidade para reagir assertivamente às adversidades. Veja-se o que está a acontecer no futebol, a pouca vergonha que um simples clube (o Benfica) conseguiu semear no país para conseguir ultrapassar os adversários, a ponto de silenciar o próprio poder político? Veja-se igualmente a delicadeza como o FCPorto tem abordado este caso, além de apresentar publicamente as denúncias? Do Presidente não se ouve um rumor que seja! Veja-se como o silêncio dos órgãos de comunicação social "nacionais" pactuam com este caso gravíssimo, sem mesmo se preocuparem com a imagem abjecta que deixam na opinião pública? Então, aonde pára a liberdade desta gentinha, a moral, o sentido de justiça, da ética, da democracia? Conhecerá esta gente a história do menino que passava o tempo a gritar pelo lobo quando nem sequer o lobo via? Saberão o que aconteceu ao menino mentiroso? É uma história, é certo, mas talvez os ajudasse a crescer se os paizinhos a contassem no tempo certo... Assim, continuam a ter atitudes de catraios.

O meu espanto não se queda por aqui. Depois das velhaquices, das armadinhas que fizeram ao FCPorto, e ao seu Presidente, de todos os prejuízos éticos, desportivos e económicos porque passaram, o mínimo que o clube portista devia fazer, era exigir da justiça empenho e divulgação iguais aos que os fizeram passar. Mas não é isso que acontece. Suplicam. Agora que temos elementos, (praticamente provas) de uma rede mafiosa instalada no futebol, ainda estamos com paninhos quentes a pedir às autoridades desportivas e civis que façam o favor de investigar quando o que eles querem é que os deixem em paz?

Pergunto: também tu FCPorto, tens medo? O que será isso do "Somos Porto", o que quererá essa linda frase ainda dizer nos tempos que correm? "Somos Medrosos", será? Se não é, façam o favor de explicar os porquês para tanta parcimónia quando falámos de crimes de altíssimo teor criminável! Ou, estaremos a ser tolerantes com o crime? Em que posição ficamos? Na expectativa? Esperando que numa manhã de sol caia do céu um Justiceiro que venha pôr ordem no país? Isso nunca vai acontecer.

Esta pouca vergonha das cartilhas, por ser demasiado óbvia, desafiante, grave e tentacular devia servir como baluarte ao FCPorto, para lhe estimular a coragem que tem faltado estes últimos anos, sobretudo ao seu presidente. Neste momento, a par das denúncias que tivermos de continuar a fazer, devíamos pressionar o Governo português até o fazer agir, sair da toca, em vez de deixar que continue a fazer de conta que nada se passa. Devíamos envergonhar o poder político pela indiferença que dá mostras face ao maior escândalo do futebol nacional.

Pela minha parte (e isto que sirva de exemplo aos medrosos) afirmo aqui, neste simples blogue, sem qualquer receio de punição, que tanto o 1º. Ministro, como o Presidente da República, são cúmplices por, até ao momento, nem sequer terem dado sinais de exercer a tal magistratura de influência de que muitas vezes falam e muito poucas praticam.

Resumindo, e concluindo: em Portugal, a democracia não existe! Vive-se há 43 anos numa ditadura em que a mentira equivale à tortura da PIDE de outros tempos.

Tenham muita paciência senhores políticos, nunca conquistarão um voto meu. Pela minha parte, vão ter de arranjar outro emprego, ou na falta dele, emigrar!

5 comentários:

Roque disse...

Você disse tudo! Grande Rui Valente.

Abraço
Roque

Gil Lopes disse...

Boa noite sr. Rui Valente

Subscrevo, País condenado aos interesses (e são tantos nas mais variadas áreas) de uns quantos na sua capital corrupta...

Gil Lopes

Anónimo disse...

O benfica é cultura, do medo, de domínio, ditadura, ódio e da morte.
Com as suas cartilhas e ameaças, os covardes ficam de cócoras e não actuam, e eles, seguem em frente levando tudo a seu belo prazer.

Abílio Costa.

Deacon Blue disse...

Bom dia Rui,

Esta porventura a demorar mais do que o normal mas o pessoal ja esta a topar a falta de acçao do nosso clube nas mais altas instancias nacionais (que altas instancias???) e internacionais e acabará por reconhecer também quem é o principal responsavel! Aquele que actualmente so fala ou da a cara nos momentos que lhe sao favoraveis e que mais lhe interessam numa actitude que revela uma falta de respeito (e porque nao consideraçao?) com aqueles que sao os únicos que nao mudam de camisola, os adeptos! Este, foi um dos pontos que me levou a deixar de ser socio (com lugar anual) ha meia duzia de anos! Dizia um colega de bancada que também fez o mesmo, que vao gozar com o car***!
Sem essa acçao, o que o programa Porto bancada anda a fazer, nao demora muito, vai cair no ridiculo.

Eu, sentadinho, ainda aguardo por ex. explicaçoes para as razoes de um clube com uma saude financeira, nao diría invejavel, mas talvez muito razoavel e que ainda ha dois anos fez dezenas de milhoes em venda de jogadores (e nao ganhou nada desportivamente) , se encontre na situaçao de controle financeiro conhecida! Estava anunciado....
Disto também ninguém ou quase ninguém fala....

Eu tenho para mim que existe un denominador comum entre ambos os casos! Que é nao fazer muitas ondas para garantir/nao por em causa a continuidade do tacho para as familias de todos os que andam la a "mamar da teta da vaca"!

Oxala um dia nao despertem para uma dura realidade!

Temos aquí portanto 2 situaçoes que, na minha modesta opiniao, expoem ao ridículo este mundo do futebol (e o nosso clube em concreto) e que so podem ajudar no distanciamento dos adeptos.
A propósito, temos actualmente uma realidade curiosa! A malta esta expectante, eufórica, confiante talvez, e enche o estadio!
Temo que à primeira sequencia de 1 ou 2 resultados negativos, fica tudo em casa e volta a depressao!

Veremos, mas honestamente continuo pessimista e nao prevejo nada de bom no que esta para vir (nao me refiro ao melhor que esta para vir...), oxala me engane!

Mas, honestamente, estou triste com este estado de coisas!

Abraço
DB

Rui Valente disse...

Deacon,

não se incomode com o que outros possam pensar porque não é você que é pessimista foi o senhor presidente que foi "optimista" demais quando pensou que a entrada do filho nos negócios do clube podia-lhe acrescentar qualquer coisa. Não acrescentou, bem pelo contrário, esvaziou o clube de fundos e de alma.

Um abraço para si e para todos os comentadores portistas