08 fevereiro, 2018

Do centralismo ao futebol


Ninguém me pode acusar de radical, se fôr sério, e estiver atento ao que tem vindo a público sobre as ligações obscenas do Benfica com figuras influentes na área desportiva, financeira, informativa e judicial. Se acrescentar a este já expressivo grupo a classe política, não corro o risco de exagerar, porque é também conhecida a ligação fanática que têm com o clube do regime. Só os leitores assíduos do RoP sabem, fazendo uma retrospectiva do que venho aqui escrevendo, e mesmo denunciando, apenas sustentado em comportamentos e observações atentas do que vai acontecendo pelo país.

Sempre estranhei e censurei a conduta segregadora da comunicação social de Lisboa com o Porto e o FCPorto, e foi por essa percepção que cedo me apercebi desse cancro chamado centralismo. Naturalmente, a comunicação social foi sem dúvida o sector mais contaminado,  o que mais deu nas vistas. Por contágio seguiram-se todos os outros sectores, e nem vale a pena elencá-los um, a um. Com coerência, começaram por nos retirar os poucos meios de comunicação social que ainda possuíamos. Jornais e rádios, todos foram à vida. Televisão, não foi preciso porque ainda não a tínhamos, só agora a temos, e mesmo assim foi preciso o FCPorto para o conseguir (a melhor decisão de Pinto da Costa dos últimos anos). 

A tudo isto juntou-se o futebol, e claro, o sempre presente Benfica, essa "jóia" da coroa que os centralistas querem entronizar no ADN dos portugueses como se fossem todos animais domésticos de mau gosto. Hoje, sabemos a porcaria, a vergonha nacional que é o Benfica...

Que me tolerem a imodéstia, mas quem estava no caminho certo era eu, e não alguns tantos que andaram todos estes anos a fazer de conta que tudo o que acontecia de mau ao FCPorto, e à cidade, nada tinha a ver com política e centralismo (que nem sequer sabiam o que era). Para esses, o FCPorto tinha de jogar contra tudo e contra todos, como se tivessemos o dever de vergar aos caprichos mafiosos centralistas, e abdicar do direito à Justiça. Quem se amolavam, eram os treinadores e os jogadores, como comprovam os últimos 4 anos... Falar de Pinto da Costa, da sua aparente apatia perante o que se passava tornou-se  uma heresia para certos adeptos. A gratidão, levada ao extremo, traiu-os tornando-se, sem o perceberem, cúmplices dessa negligência.

Apesar disto, folgo em saber que foram precisos vários anos para surgir nas redes sociais um blogue portista (Baluarte do Dragão) onde já se começa a associar o futebol à política, e a perceber como o centralismo está inevitavelmente ligado ao escândalo do Benfica.

Que tempo perdido não termos votado sim à Regionalização! Pergunto: e hoje? Seríamos capazes de votar outra vez contra a regionalização? Querem saber a minha opinião? Penso que nem assim nos mobilizávamos.

Não, eu não gosto de radicalismos. Apenas acção e bom senso, quando tal se impõe.

2 comentários:

Anónimo disse...

A cronica do Jose Manuel Ribeiro no OJOGO de hoje dizem me, imperdivel será que pode ser colocada aqui ???

Francisco Paulos disse...

Bravo Rui muito bem escrito. De facto a incompetência actual da Sad do Porto com o seu silencio, apatia e comodismo perante os roubos no futebol, e o ataque ao clube, por uma CS vermelha ,explica bem a falta de resultados desportos últimos 4anos.Já nem falo terem desfeito equipas campeãs ganho milhões e estarmos na miséria financeira, servindo-se disto como argumento para a falta de investimento na equipa. De facto quando se confunde gratidão com a tal incompetência só pode dar nisto. A boa carreira da equipa tem branqueado muita coisa, mas atenção que ainda nada ganhamos. Claro que como portista eu quero que apesar desta Sad ganhemos tudo,mas mesmo ganhando é preciso mudar quase tudo na nossa gestão.