07 fevereiro, 2018

Porto Canal, cuidado com a liberdade da treta

Não conheço profissão mais paradoxal que a de jornalista. Agarram-se como lapas a argumentos que eles próprios, por isto ou por aquilo, não conseguem respeitar, mesmo que violando o próprio código deontológico. 

Ontem, Júlio Magalhães, decidiu ir ao telejornal da noite esclarecer o jornal "I" de uma provocação de 1ª página que fez contra o FCPorto, supostamente por ser subsidiada por várias câmaras nortenhas. Esclarecer não tem mal nenhum, mas pareceu-me mais uma atitude de subserviência do que isso. Acho que não devia fazê-lo; antes de mais, porque se tratou de uma não notícia, portanto de uma provocação sem fundamento, como aliás toda a gente sabe, e depois porque não se responde a pasquins, combate-se, senão passamos a alinhar pelo mesmo estilo.

A cereja no bolo, de Júlio Magalhães, foi quando, depois de explicar tudo muito bem, acabou com um mimo, que foi elogiar o jornal "I", quando tinha acabado de falar do centralismo dos media da capital... Se há coisa que a mim me repulsa é ver alguém criticar uma coisa, e logo a seguir elogiá-la. Pode ser um "anjo" de pessoa, mas fico logo de pé atrás com o seu carácter.

São personalidades destas que podem destruir o melhor dos projectos porque não partem para ele com as ideias bem definidas. Como na Democracia, não podemos abusar da liberdade que ela nos faculta sem a disciplinarmos. O Porto Canal só pode conviver com a bipolaridade Generalista/FCPorto se impuser estatutos que a equilibrem.

Por exemplo, imaginemos que um dia o Porto Canal Generalista convida alguém que a pretexto do escândalo dos emails decide desvalorizar o caso, e que além disso critica veementemente as denúncias do Francisco J. Marques no Porto Canal/FCPorto. Em tese, segundo os critérios editoriais do jornalista Júlio Magalhães, nada impedirá uma situação dessas. Aliás, já por várias ocasiões pude observar alguns convidados com vontade de venderem o peixe encarnado como vendem nos outros canais, mas até ver, o bom senso conteve-os. Se amanhã, aparece alguém atrevido e faz a experiência, pergunto: é para continuar? O Porto Canal Generalista passará a seguir o exemplo dos canais de Lisboa e abandalhar a ética com medo de ser acusado de coartar a liberdade? E depois? Terá capacidade para gerir um imbróglio dessa natureza com os interesses do Porto Canal/FCPorto o seu patrão?

Pode compreender-se a situação, porque ela não é fácil, mas sem nunca abdicar da condição de canal assumidamente focado na descentralização. Esqueça-se a ideia de chamar ao canal gente que está ou esteve ligado ao centralismo porque nada de positivo lhe vai acrescentar. Por fim, há um detalhe no qual Júlio Magalhães deverá pensar muito bem antes de se "abrir" a gente e a instituições manifestamente inimigas do Porto e do FCPorto. Se, não tiver o cuidado de seleccionar os convidados, um dia ainda vai ser ele a poluir o Porto Canal com o mesmo lixo tóxico que vemos nos canais de Lisboa.





1 comentário:

Anónimo disse...

O que toda esta Gentalha quer é acabar com a estação do Porto Canal. Infelizmente este país de uma Centralização atroz governado por vendedores de banha da cobra, com tudo que manda sitiada em Lisboa & Arredores, a eles tudo os incomoda.
Mas o grande problema para estes Parasitas é o FCP estar a fazer os seus programas e transmissões de jogos no Porto Canal, mas que paga e bem...
Sempre ouvi dizer que Vozes de Burros não chegam a céu...

Abílio Costa.