19 março, 2018

Curiosas inquietações


O FCPorto é um grande clube, com um imenso e heterogéneo número de adeptos. Nunca beneficiou do proteccionismo nem dos favores dos clubes da capital, mas também nunca o reclamou, honra lhe seja feita... Ao longo da sua brilhante história foi sempre ostracizado e prejudicado em benefício dos mesmos. Foi assim no tempo da "outra senhora" - designativo subtil da ditadura de Salazar -, e é assim agora no actual regime, tido como democrático por alguns, e  por mim assumido como ditatorial (mascarado pelo voto livre).  

Apesar de nunca ter usufruído do apoio de ambos os regimes, o FCPorto tem, e sempre teve, muitas figuras destacadas da sociedade e da política, simpatizantes do clube. Pouco mais que isso, porque nunca constou qualquer tipo de promiscuidade entre essas figuras e o clube que levantasse suspeitas de favorecimentos ilícitos. Ainda há bem pouco tempo o presidente Pinto da Costa se deslocou à Assembleia da República a convite dos deputados portistas que atestam a consideração que têm por ele, o que não quer dizer que se tenham servido do estatuto para ajudar de qualquer forma o FCPorto. 

Porém, qualquer coisa de estranho se passa que me impede de acreditar nas convicções desses deputados, tão opostas às minhas, até que me provem o contrário.  Admitamos que sou um gajo radical, sem capacidade para entender a democracia, e que esses deputados estão cheios de razão para terem tão grande fé no regime. Como explicarão a discriminação que é feita ao FCPorto? Que vias, e soluções têm para propôr a defesa do FCPorto de forma a travar essa fraude em tempo útil? Secretaria de Estado do Desporto? Não, já sabem que não funciona, e que até se comporta como um dos braços protectores do Benfica. Órgãos Desportivos? Idem, idem, aspas, aspas. 

Sem me estender mais,  pergunto: haverá coragem para desmentir estas perguntas, e argumentação credível para as explicar? E o que terá a dizer sobre esta matéria o Dr. Fernando Gomes, ex-político e actual administrador da SAD do FCPorto? Acreditará ele assim tanto na democracia que até tem medo de dar a sua opinião? Sim, porque tanto ele como os outros administradores não se atrevem a sair do gabinete para dizer o que pensam. Talvez o digam à família, mas não é à família que o devem fazer, é aos sócios e adeptos. O FCPorto não é uma empresa privada, é uma associação desportiva, seria razoável não esquecer e agir em conformidade.

É que, não é lá por estar em curso a investigação da PJ ao Benfica que as vigaríces têm abrandado. Pelo contrário! É típico em casos desta envergadura, que os infractores optem pela política da terra queimada, que continuem a recorrer à vigarice para atingirem os seus fins. Há árbitros, provavelmente uma maioria, que continuam empenhados em ajudar quem tanto os brindou e não escondem isso. E é preciso não esquecer que isto não está a acontecer apenas no futebol. Nas modalidades é bem perceptível a mesma tendência.  E se o Benfica ganhar o tão desejado Penta, será apenas por demérito do FCPorto? Não, nunca será, porque os danos já vêm de longe. Será sim, também por permissividade dos dirigentes do FCPorto [para longe vá o agoiro!].  Teremos uma grande sorte se o Benfica fôr julgado e punido antes do campeonato terminar. Se fôr verdade que a sorte protege sempre os audazes, só os jogadores, o treinador, e os adeptos, merecerão ser coroados com a estrelinha.


Nem de propósito:

Fernando Madureira, líder da claque Super Dragões, fora multado e punido pelo IPDJ na sequência dos cânticos sobre a Chapecoense num jogo de andebol do FC Porto
O Tribunal de Pequena Instância do Porto deu razão ao recurso apresentado por Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, castigado com uma multa de 2600 euros e a uma sanção acessória de interdição de acesso a recintos desportivos por um período de seis meses. A pena fora aplicada pelo IPDJ e teve como motivo o polémico cântico alusivo à Chapecoense durante o encontro de andebol entre FC Porto e Benfica, realizado na última temporada, no Dragão Caixa.
O tribunal considerou que Fernando Madureira não cantou, nem incentivou ao polémico cântico, não vendo por isso razão para a pena decidida pelo Instituto Português do Desporto e Juventude. Aquando da decisão do IPDJ, Fernando Madureira anunciara a decisão a apresentar o recurso que desde logo teve efeitos suspensivos.
Nota de RoP:
É uma vergonha para o Governo, uma vergonha para quem escolhe para um cargo de Estado um arrivista, como o  actual Secretário de Estado do Desporto e os membros do IPDJ. Uma bofetada bem aplicada pela Justiça. Pena é, que a decisão não tenha sido acompanhada com um pontapé no trazeiro dos cartilhados do regime. 

2 comentários:

marujo88 disse...

O primeiro ministro e o ministro das Finanças até se dão ao luxo de se sentarem um de cada lado do ladrão de camionetas, para vincarem o seu apoio ao caloteiro que deve centenas de milhões de euros. Assim vai este país.
Abraço
Manuel da Silva Moutinho

Anónimo disse...

A PADRINHAGE.
Os Queridos estão mais preocupados com TGV no Sul fazendo a ligação Lisboa Badajoz atravessado o deserto alentejano.

Esse secretário de Estado do Desporto deve de ser mais um dos Queridos. As Toupeiras e os Emails só existem porque nem IPDJ e Todos os outros governantes adeptos do Querido, nunca se preocuparam com Claques não legalizadas nem com as pulhices deste Polvo monstro encarnado.

É este o país democrático em que vivemos, come os que estão na Lei e os Imorais andam assobiar para o lado.