04 abril, 2018

Até tu, Ferro?

Teatro político, o pior de todos os teatros

Que espectáculo de cinismo miserável foi a conferência ontem realizada na Assembleia da República! Não é que até o presidente Ferro Rodrigues foi atrás da conversa usada pelos incendiários do futebol português - que como bem sabemos incluem os próprios órgãos desportivos -, e falou sem dizer nada?

Então, abordou a violência, e ainda não descobriu onde mora a fonte? Será F. Rodrigues tão burro, tão burro, que desconhece o Benfica, que é nada mais, nada menos, que o mestre-mor da violência no futebol, com um cadastro criminal riquíssimo, onde consta o assassinato de dois seres humanos? Ter-se-à esquecido desse drama, dessa nódoa nacional praticada pelo clube que também ele parece querer proteger?

E o garoto do secretário de estado  do desporto (com minúsculas), correspondeu airosamente apresentando percentagens de futilidades, como se estivesse a dizer as coisas mais importantes do mundo, quando não passa de um incompetente e vigarista? Isto é intolerável! Mas terá sido para parir escumalha desta natureza que os militares  de Abril lutaram contra o antigo regime? Valeu a pena?

Antes de continuar, fica já aqui exarado que não estou nada preocupado que me movam um processo, porque não há justiça no mundo que me obrigue a respeitar gente deste calibre. No tribunal, ou fora dele, nunca deixarei de pensar de acordo com a imagem que eles dão de si próprios, que é asquerosa, e indigna! 

Mas esta gentinha pensa que as pessoas são todas estúpidas, que não sabem distinguir um chico-esperto, de um homem inteligente?  São tão básicos que até o nome escolhido para a dita conferência não podia ser mais inadequado: conferência "Contra a Violência no Desporto"! Como sempre, preferiram a abstração (ou poeira para olhos) à objectividade, tal qual manda a cartilha vermelha. É assim que querem ser respeitados? Então respeitem-me a mim, e a milhões de pessoas como eu!

Já que optaram pelo tema da violência, quero refrescar-lhes a memória nessa matéria pronunciando um nome que lhes é querido, chama-se Benfica. É praticamente sinónimo de violência. Mas algo me diz que não me vão agradecer a gentileza. É que, além da violência, é um nome também associado à corrupção, e ao tráfico de droga. Que conste, é o único clube que justifica o nome escolhido para a conferência, não conheço outro.  Estão a ver como é tão simples o pragmatismo, ao contrário da abstracção de misturar todos os clubes, para baralhar, e dar de novo? Há que ser sério, porque generalizar actos desta natureza, é multiplicar a criminalidade e safar os principais autores.  No que me diz respeito, só aprecio a abstracção de artistas assumidos. A representação teatral política é a mãe dos maus Governos.

Manhosos como são os políticos, são mesmo assim incapazes de distinguir a inteligência, da banha da cobra usada pelos mercadores de feira. A inteligência é amiga da integridade intelectual, o chico-espertismo convive bem com a farsa. É extremamente difícil partilhar a honestidade com temperamentos manhosos, porque quando isso acontece não tarda que a máscara da vulgaridade caia e denuncie o portador. Os políticos estão sempre a confirmar estes factos, ainda que sem nunca o assumirem.  Reuniões como a de ontem no Parlamento, são uma perda de tempo, e contribuem perigosamente para a manutenção da violência e da corrupção. Foi apenas mais um falso processo de intenções que apenas pretendeu iludir os incautos. Os responsáveis pela balbúrdia actual vão continuar a deixar correr o marfim com a desonestidade de sempre. Mais do mesmo, portanto. 

A decisão mais sensata que tomei na minha vida, à excepção da primeira década dos anos 70, foi ter abolido das minhas obrigações democráticas o dever de votar. Os políticos não prestam, é verdade, mas não sou eu quem lhes alimenta a vigarice.

PS-Que vá para o raio que o parta Ferro Rodrigues, mais a sua intenção de legislar acerca da violência e a corrupção. A Constituição também legislou a Regionalização e de nada valeu, porque até hoje nada se cumpriu. A lei também proíbe a existência de claques ilegais e o clube que ele quer defender é o mais ilegal de todos. Vozes que nada valem, são isso mesmo: nada. 


11 comentários:

marujo88 disse...

Enquanto os governos, este e os anteriores, forem maioritáriamente benfiquistas, o Vieira e os seus homens de mão vão continuar a manipular tudo a nível desportivo e não só, basta ver o que está a acontecer com as dívidas dele à banca, pagas por todos nós, e o primeiro ministro e o ministro das Finanças sentados um de cada lado a dar cobertura a esta vergonha. É caso para dizer que isto só vai lá com um novo 25 de Abril, mas desta vez com espingardas a sério.
Abraço
Manuel da Silva Moutinho

Anónimo disse...

Aquela gente que sujou a alcatifa da casa de todos nós na Assembleia da República, que muito disseram que espremido é uma mão cheia de nada. Que foi uma montanha que pariu um rato. Onde autorizaram que lá estivesse um vigarista de milhões a Banca, um presidente de um Clube que manobra mafiosamente o futebol e desporto.
Aquilo para os meus olhos foi um circo só de palhaços sem graça.

Abílio Costa.

Anónimo disse...

Se nos assuntos internos, por vezes não concordo com o Rui, na maior parte do escreve só tenho de lhe louvar a coragem de tratar os animais pelos nomes.

Rui Valente disse...

Anónimo,

nos assuntos internos? Quais?

Pode sempre dizê-lo, até porque pode acontecer reconhecer
as suas razões.

Obrigado, mesmo assim.

Roque disse...

É tudo farinha do mesmo saco. O Ferro destacou-se especialmente a pressionar a justiça para defender o "amigo" Pedroso no envolvimento do processo Casa Pia

Anónimo disse...

No que respeita a Pinto da Costa e até alguns dos que sempre o acompanharam.
É verdade que PC não fala tanto como falava nos anos 90 (também não falava tanto como alguns querem fazer crer). Na minha opinião tal não se deve à idade, como por aí se apregoa.
Já não há palco. Tudo foi para a Capital e com fogo posto cirurgicamente, por quem nos tem governado e é conivente com o polvo, tudo o que restava na província foi mais pulverizado que a Lousã.
No entanto, esta luta dos e-mails é a maior batalha que alguma vez se travou neste país. A não ser Pinto da Costa, não há um único Português vivo, que tivesse coragem para encetar este combate.
Dizer que o Presidente se acomodou e é uma mera figura decorativa, é no meu entendimento profundamente injusto. Mas, como disse é apenas a minha opinião.

Rui Valente disse...

OK, entendido! Concordo parcialmente com o que referiu. Só em parte, porque se acha que Pinto da Costa não foi afectado
pela idade, como se explica que tenha delegado em Francisco J. Marques a responsabilidade pessoal de corporizar esse combate? Será um acto corajoso?

Quanto à questão do "Palco", terá PCosta tido melhor palco tão confortável e seguro que o Porto Canal? Por que não o utiliza?

Por outro lado, também penso que descurou um aspecto importante enquanto presidente que foi ter-se afastado demasiado dos portistas em termos de comunicação. Deixe-me então que lhe diga que são os adeptos que estão a dar um elevado exemplo de solidariedade por tudo o que ele fez pelo clube. Lá nisso, são mais sentimentalista que eu. Reconheço-o. O pragmatismo, às vezes, é mais eficaz...

Anónimo disse...

Sim, com toda a certeza, a vitalidade já não é a mesma de há vinte anos, mas a lucidez, a sagacidade parecem-me intocáveis. Daí, atendendo ao desgaste que a exposição semanal acarreta na denúncia dos criminosos, parece-me acertada a delegação em Francisco J. Marques. Creio no entanto que ninguém duvida da liderança deste combate.

Como adepto fervoroso, também gostaria que falasse todos os dias. Mas o Rui não acha que utilizar o Porto Canal como fotocópia dos canais rivais, com a imprensa que nós temos, não seríamos diariamente o escárnio nacional?
No antro em que estamos inseridos, julgo que o Canal tem sido razoavelmente gerido.

Os adeptos têm sido brilhantes. Se todos correspondessem como eles (NÓS) já seríamos campeões nacionais.

Rui Valente disse...

A última coisa que me ocorre pensar, é que o Porto Canal copie os modelos editoriais de Lisboa. Gostava sim, que fosse ainda mais criterioso e exigente em certo tipo de programas, apesar de ter alguns de que gosto e sigo. Agora, o que tenho como certo, é que PC não está a fazer tudo o que podia e devia para defender o FCPorto. Há uma passividade excessiva e que já nos saiu muito cara e a prosseguir assim vamos continuar em perda. A Justiça é lenta. como sabe, e nem podemos confiar que será feita. Como escrevi aqui hoje mesmo, ainda nos é permitido esse direito, mas o regime está podre e corrompido para nos levar a sério. Por isso, seria preciso mais determinação, e um pouco mais de coragem, porque é do lado dele (regime) que está o mal.

Anónimo disse...

Não sei se repararam mas esta semana o ambiente no futebol parece-me que serenou !
Porque será?....

Já se discute os “defeitos “ do FCP e a perda dO primeiro lugar num ambiente de normalidade.....

Ou seja, toda a escandaleira dos e-mails pretendem que se esqueça!
É por exemplo aqui / neste momento que o peso de uma opinião como deve de ser de PC seria bem vinda.....

Procura-se....

DB

Rui Valente disse...

DB,

tão previsíveis, quanto desonestos