01 abril, 2019

Quando a esmola é grande o pobre desconfia


Tenho os meus defeitos, como todos nós. Um deles, acho que não tinha antes, ou se já o tinha foram os governantes que o intensificaram, por obra e graça da arte de mal aldrabar dos ditos cujos. O consequente defeito transformou-se em desconfiança. Logo, se hoje sou desconfiado é porque fui bem ensinado pelo trabalho de mestre desses ilustres professores.

A notícia que fez ligar  o sinal de alerta para desconfiar saiu hoje no JN (ler aqui) e não foi propriamente boa. Mal comparando, fez-me lembrar os paladinos da verdade desportiva de Lisboa que fomentam suspeitas de tudo e todos, quando são eles quem  mais adulteram essa mesma verdade. 

Quando o bispo auxiliar de Lisboa vem ao Porto com promessas de criar pontes, estranhei, porque nunca me passou pela cabeça que tipo de pontes podia ele criar, não sendo essa a sua missão, enquanto bispo. E se ele disse que já tinha criado outras pontes na política, entre esquerda e direita, e que pensava fazer o mesmo entre o Benfica e o FCPorto, logo percebi que dali não podia vir coisa boa...

Mas a que propósito vem agora o bispo auxiliar de Lisboa falar de pontes quando não foi o Porto, nem o FCPorto que criaram barreiras? Será que o senhor bispo ignora a importância de explicar ao que vem? Falar abstractamente é já um mau começo, porque, se há desunião e são precisas pontes, é porque há contendores, pelo menos dois.E nestes casos, um dos beligerantes é sempre infractor, ou seja, o primeiro a desrespeitar o outro.

Por conseguinte, seria bom que o senhor bispo auxiliar de Lisboa explicasse onde quer chegar com essa intenção, quando deve estar ao corrente dos prejuízos e patifarias que o Benfica tem causado ao FCPorto! Espero que a benevolência deste bom samaritano não seja o início de um esquema para branquear os crimes praticados por esse clube e dos campeonatos roubados ao FCPorto, porque se fôr, valia mais ficar calado!  Era o fim da macacada!

Contrariamente ao que possam imaginar, não aplaudo a presença de Pinto da Costa e do Presidente da Câmara do Porto na cerimónia de recepção a esta figura e aos que o acompanharam (Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa e outros), justamente pela ambiguidade que comporta. É tudo, menos oportuna. O clima de rivalidade sempre existiu, mais até entre clubes do que entre cidades. Porque se é em Lisboa que está o Terreiro do Paço, e é a partir daí que os desvios e as decisões do centralismo se fazem (isto é política). Mas aqui não há qualquer reciprocidade, há um único decisor que é Lisboa, o Porto limita-se a obedecer, como o resto do país. Quanto ao desporto há a mesma discriminação, mas apesar disso o FCPorto sempre pode dar alguma luta. Desigual, é um facto de há muitos anos, mas ainda assim possível (isto é desporto).

Logo, neste momento, não há razão para se apelar à pacificação desportiva (ou às pontes) nem tão pouco a cedências da parte do lesado (que é o FCPorto). Há razão sim, para ser feita justiça, porque já vem tardia! O Benfica actual não merece respeito porque não respeitou o país, nem os próprios adeptos. Pelo menos os que não se revêem nos métodos pidescos do actual presidente.

Pois bem. Como posso estar enganado, espero que D. Américo Aguiar e o seu nortismo fervoroso me façam conhecer o modelo de pontes que preconizou na sua visita ao Porto, porque, se forem para atravessar o Douro, bem precisamos delas.

8 comentários:

Barba azul disse...

Caro Rui Valente, quero crer que o D. Américo seja pessoa bem intencionada, mas mal informada / aconselhada. Se nos lembrarmos que ele exerceu durante alguns anos funções na RR (de administração, orientação ética, em representação da Conf. Episcopal Católica, a proprietária da RR?), e que na RR os responsáveis, jornalistas, opinadores da Bola Branca são dum anti-portismo básico e histórico, o que ele sabe ou julga saber sobre o futebol nacional vem provavelmente daquela gente!
Julgo que o Rui Valente não é católico (ou pelo menos, obediente à Igreja Católica), mas eu sou. E há anos que me me interrogo sobre o que raio pretende a Igreja da RR, se de facto tem nela algum poder? Ou se estão mínimamente atentos ao que lá se passa e se diz? Porque no meu entender, se a Igreja tem uma rádio, será para ela ser um veículo não só doutrinário, mas mais do que isso um exemplo de estar na vida e na Comunicação Social aplicando a moral cristã: pela verdade, pela isenção, pela justiça, pela promoção da paz! Tudo coisa que aquela gente não faz!Pelo contrário!

Rui Valente disse...

Barba azul,

Não quero pôr em causa a bondade do D. Américo, nem muito menos discutir questões religiosas, mas sim contestar a ambiguidade das suas declarações. Falar em pontes entre Lisboa e Porto, e no Benfica e FCPorto neste momento, sem especificar, é tudo menos oportuno, porque de um lado há um criminoso latente (o Benfica) e do outro (o FCPorto) a vítima, facto para mim incompatível para a pacificação. E no que respeita ao Porto e a Lisboa a situação é algo parecida, a discriminação é quase a mesma e sempre e causada pelos mesmos.

Por isso estranho (e desconfio) das intenções do senhor D. Américo. É completamente absurda esta conversa, senão aguardemos para tirar dúvidas. Não acha estranha esta conversa? Então se como diz (e bem) a RR não é capaz de se comportar ao nível de uma rádio (supostamente) ligada à igreja católica, e faz o que faz, como podemos nós esperar que saia coelho daquela lura (pontes)???

Guilherme de Sousa Olaio disse...

Caro Rui Valente,

Começaria por dizer : PORTO - A CIDADE DAS PONTES

De há muito que o mercantilismo e pioneirismo comercial dos Portuenses e a necessidade de espaços e saída dos seus produtos, os empurrou para a criação de ligações ao território a Sul da cidade ( PORTUS CALE).

Importante o apoio que a cidade foi recebendo durante décadas, no séc XIX, após a vitória do Liberalismo sobre o absolutismo. Nomeadamente: Ponte Maria Pia; Ponte Luiz I e um pouco adiante a construção do Porto de Leixões.

No presente outras Pontes importa construir:

- Uma Ponte Pedonal entre São Francisco e a zona sul do Cais de Gaia. Já existe projecto e é de uma beleza e estética notáveis;

- Uma Ponte que Rui Moreira/Eduardo Vítor Rodrigues, sonham criar, ainda nestes mandatos, entre o Freixo e o Areinho ;

Aqui estão 2 Pontes à espera da preciosa ajuda do Senhor Bispo D. Américo Aguiar no sentido de que venham a lobrigar a "luz do dia".

By the Way. Oremos para que o tabuleiro inferior da Ponte Luiz I não venha a convocar o coração dos irmãos para uma missão de solidariedade.

Não me ocorre que os Cristãos alguma vez tivessem sugerido a criação de Pontes entre eles e os filhos de MAFOMA.

Criaram uma espécie de NATO da época. Foram-se aos territórios e gentes, arrasando-os.

A chamada "RECONQUISTA CRISTÃ" ! Reconquista ? Onde é que eu já ouvi isto ?

Concordo plenamente com o artigo de Rui Valente ( peço desculpa por começar a parecer demasiado monótono).

Também eu adoro viajar em "águas claras e pouco profundas". A missão a que se propõe o Senhor Bispo, nas actuais circunstâncias, tende a ser um gesto de magnanimidade perante o criminoso confesso. Todavia, peca por não ser clara nos seus objectivos. Resgata o criminoso e submete a vítima à aceitação do sofrimento.

Trata-se duma Ponte perigosa de atravessar.

Importa analisar os terrenos onde essa Ponte irá assentar. Terrenos pantanosos são de todo reprováveis.Preparem-se os terrenos e só depois se construam as Pontes.

Excertos de uma entrevista ao JN em 31 de Março de 2019:

A Jornalista diz : " UM HOMEM DO PORTO QUE NÃO TEM MEDO DE "SE DILUIR" NA CAPITAL E QUE APESAR DE BENFIQUISTA, É SÓCIO DO F.C.P. "

Mais adiante: "POR RESPEITO AO MEU PAI, DESDE CRIANÇA QUE SOU BENFIQUISTA. DEPOIS COM O BISPO D. MANUEL FRANCISCO,UM PORTISTA FERRENHO,COMECEI A VER JOGOS DO PORTO.TORNEI-ME SÓCIO E CONTINUO A PAGAR AS QUOTAS.GOSTO MUITO DE VER,NOS JOGOS DA SELEÇÃO,TODA AGENTE,INCLUSIVE,OS BENFIQUISTAS A APOIAR,POR EXEMPLO O DANILO."

Não resisto porque sou do Porto, porque os acompanhei e porque me ajudaram também a compreender o que é uma PONTE.

A PONTE É UMA PASSAGEM - JÁFUMEGA

A ponte é uma passagem
para a outra margem.
É uma travessia
real ou virtual,
uma escolha
uma vida.
Uma passagem
segura ou insegura,
depende da construção,
da estrutura e da fundação.
A ponte é uma passagem
para a outra margem,
para outra escolha,
outra experiência,
outra aventura.
A ponte é uma passagem
para a outra margem,
objectivo difuso,
uma miragem.

Cumprimentos

Anónimo disse...

O MUNDO ESTÁ CHEIO DE BOAS INTENÇÕES
Ó Dom Américo não se meta em futebois, política ou pontes, vá a Moçambique levar carinho e afecto aquela gente que bem precisa, faça essa ponte, porque cá, o que nós queremos é meter os Criminosos os corruptos na Choldra.
Já cá temos PR dos beijinhos e dos afectos, mas que não os tem no sítio assim como o 1º ministro para falar dessa praga vermelha do futebol nem dos banqueiros e políticos corruptos que proliferam no nosso país.

ATUM da costa.

Rui Valente disse...

Caro Caro Guilherme Olaio,

Sem comentários...

Volte sempre, será bem vindo em qualquer momento.

Um abraço

Anónimo disse...

Cuidado D.Americo com o Vento tóxico (negro ao que parece ) que assola a capital.Nao sao palavras minhas ,sao do William Bourdon.

Anónimo disse...

Caro Rui Valente

Não gosto muito de pontes (excepção feita às que fazem a ligação Porto e Gaia) as restantes não são muito do meu agrado (a minha cidade sofreu uma grande tragédia com a queda de uma ponte), nessa data prometaram a construção do IC35 e até hoje nada, já lá vão 18 anos. (peço desculpa estar a ser repetitiva).

Quanto a Lisboa e qualquer tentativa de "fazer amizade" (ironia) com o resto do país, não vejo com muito bons olhos, nesse caso aplico o ditado que os nossos antepassados aplicavam aos espanhóis "de Lisboa nem bons ventos, nem bons casamentos". Veremos onde essas pontes nos levam.

p.s. Já agora, viu o programa de ontem, no Porto Canal, sobre a regionalização? Qual a sua opinião?

Cumprimentos
Sara Mota

Rui Valente disse...

Olá Sara Mota!

Bom dia!

Esta conversa do Sr. Bispo e das pontes, dá muito que pensar. É que ninguém compreende onde ele quer chegar nesta fase do campeonato, e com a triste figura que o Benfica e o Governo português andam a fazer.
Eu percebo a sua indignação com a promessa falhada da construção do IC35 e lembro-me bem da tragédia da queda da ponte Inteze Ribeiro. Em Lisboa já todos se esqueceram, o país para eles
é Lisboa, como sabemos. Depois, é só deixar que o tempo passe e fica tudo na paz dos anjos...

Vi sim senhor o programa do Porto Canal e gostei muito da entrevista de Rui Moreira. Acho que ele tem uma certa razão quando diz que nós precisamos menos de líderes e mais do povo. Realmente já que se aproximam as eleições é uma boa oportunidade para os eleitores questionarem os partidos sobre o que tencionam fazer com a Regionalização e fazerem depender o voto da resposta. Rui Moreira tem mais perfil para diplomata que para líder,mas talvez se saísse bem também nessa função

Agora vamos ver se o tema da Regionalização é para continuar e para esclarecer porque ainda há muita gente marcada pelo vírus centralista (dos tachos e na coesão nacional), como se em Lisboa não houvesse tachos e não fosse o governo centralista a principal causa separatista.
Eles são assim, provocam a confusão e depois atiram culpas para terceiros. É típico de vigaristas. De qualquer modo Sara ainda é cedo para formarmos uma opinião sustentada. Depende da coerência e coragem dos protagonistas. Veremos. Mas aplaudo a ideia completamente!

Um abraço Sara