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19 janeiro, 2012

TGV, Porto-Vigo, é o desvio que se segue ...

Com a população nortenha completamente abúlica, mais interessada em seguir o clube de futebol e os reality shows ordinários que Lisboa lhes impinge, do que em se livrar da canga que o centralismo lhe está a colocar, o futuro do Norte e de Portugal, não pode ser risonho.

Mas, o povo, não está só nesta pasmaceira. Tem a companhia de umas "elites" baças  e comprometidas com os todo-poderosos do Terreiro do Paço, cuja única preocupação é preservar o património pessoal e estatutário. A partir daí, preferem não ouvir, não ver, nem reagir. O lema é: "o melhor, é o calado"... Paralelamente, contam com a "solidariedade" imbecilóide da comunicação social que, ao mesmo tempo que paga alguma irreverência intelectual a alguns cronistas, partilha a bovinidade geral com a publicação de revistas côr-de-rosa, onde divulgam a futilidade da vida de jogadores de futebol, de actores mais ou menos talentosos, e de participantes em programas decadentes. É este o país de contradições de que não queremos abdicar. Reclamamos a excelência e os bons costumes, mas de mãos dadas com a corrupção e a ordinarice. Povo reles este, que passa a vida a queixar-se do lixo mas não se quer livrar dele.

Ontem, foi sobre o porto de Leixões que recaiu a gula centralista. Hoje - com a descontracção  própria dos cobardes, de quem sente a fraqueza da vítima -, o (des)governo prepara-se tranquilamente para cancelar o TGV Porto/Vigo e encaminhar, sob efeito de um spillover  invertido, os respectivos fundos [244 milhões!], para a ligação ferroviária Lisboa-Madrid.

E Salazar, é que era o Ditador? Nunca imaginei que atrás de um alíbi chamado Democracia se escondesse tanto banditismo. Muito menos imaginava que, decorridos 37 anos, a população fosse incapaz de reagir a tanta desconsideração e irresponsabilidade.Os governos são maus? São! E o povo? Tem o que merece!

28 junho, 2009

A rede de velocidade elevada na Galécia do Norte

Durante uma breve passagem por território galego, efectuada há alguns dias, não deixei de satisfazer o meu "vicio" de ler jornais de papel, neste caso os jornais galegos. Todos eles traziam desenvolvidas notícias sobre a rede de velocidade elevada na Galiza. Penso que poderá ser interessante transmitir aos leitores do RoP o que vai fazer-se nas terras dos nossos irmãos do norte da Galécia.

No encontro havido na véspera em Madrid, entre o ministro do Fomento do governo central e o presidente da Xunta de Galicia, ficou estabelecido o programa da rede, a sua calendariazação e as verbas envolvidas.

Concretamente, haverá uma linha principal Madrid-Segóvia-Zamora-Ourense-Santiago-Corunha. O troço Ourense-Santiago estará a funcionar em 2011, electrificado e com bitola internacional, com velocidade de 250 km/hora. Em 2012 entrará em serviço Madrid-Zamora, com as mesmas características. O troço Zamora-Ourense (230km) será curioso. A linha, segundo parece, será basicamente a actual mas com novas superestruturas, em bitola ibérica e sem electrificação. A velocidade máxima será de 180km/hora, mas o traçado de alguns troços montanhosos forçará a limitações pontuais de 110km/hora.

Os resultados práticos serão uma redução do tempo Corunha-Madrid (600km), que é actualmente de 8 horas e passará em 2012 para 5.30 horas. Em 2014 quando entrar em serviço um novo traçado entre Zamora e Puebla de Sanabria, electrificado, com bitola europeia e 250km/hora, o tempo passará para 4.45 horas, ou seja um ganho de mais de 3 horas em relação ao presente.

Curioso é o detalhe de, entre Zamora e Ourense, vir a ser utilizado um novo modelo do Talgo com dupla locomoção(eléctrica e diesel-eléctrica) e com um sistema que permite que a mesma locomotora circule nos dois tipos de bitola.

Ficou a promessa de Madrid (apenas a promessa) de que em 2015 ou 2016 estará concluída a nova linha entre Puebla de Sanabria e Ourense o que permitirá fazer Corunha-Madrid em pouco mais de 3 horas.

Mas a velocidade elevada na Galiza não se fica apenas por este percurso. Haverá linhas Vigo-Ourense e Vigo-Santiago-Corunha, previstas para funcionar em 2012. Suponho que seja esta linha que, prolongada para sul, venha a chegar ao Porto. Todavia parece que este pormenor não foi oficialmente aflorado na reunião de Madrid, talvez porque os espanhois sintam que em Portugal ainda não foram tomadas decisões credíveis e definitivas.

A factura total, sem material circulante, será de 4.678 milhões de euros.

Tentarei, noutro post, fazer alguns comentários. Não de natureza técnica, para os quais sou incompetente, mas sim de natureza genérica. Para aqueles primeiros ficamos a desejar que o nosso amigo Antonio Alves esteja disposto a partilhar connosco os seus conhecimentos na matéria.


p.s. Para quem se sinta tentado a apontar este enorme investimento de Espanha como um exemplo a ser seguido em Portugal, eu quero lembrar que as circunstâncias são totalmente diferentes. Em Portugal, dos milhares de milhões de Euros a gastar, ficará no país pouco mais que o valor do cimento, da brita e da água, além da mão de obra maioritariamente estrangeira. Em Espanha quase tudo ficará no país, porque quase tudo virá da indústria espanhola, a começar pelas composições. São duas realidades sem comparação possível.

03 junho, 2009

O António Alves e o TGV [que não é TGV]

Espero que, quem nos dá o gosto de visitar regularmente o Renovar o Porto não tenha perdido a excelente oportunidade de ouvir o podcast do António Alves em "O Porto em Conversa" [de Victor Silva].
Não me expresso assim por consideração pessoal a este colaborador pontual do RoP, que a tenho naturalmente, mas em rigor, pela qualidade da entrevista sobre matérias que ele domina como poucos [Caminhos de Ferro] e que são da maior importância para quem não está familiarizado com tema tão interessante, dando-nos assim uma preciosa ajuda para entendermos aquilo que outros com maiores responsabilidades não fazem e deviam fazer.
O António Alves fala-nos de bitolas, de TGV's e de assuntos relacionados com a ferrovia de uma forma clara, facilmente perceptível, como nenhum outro o fez até ao momento. Explica sem presunção, as asneirolas que os governantes com responsabilidade na matéria, se preparam para cometer.
Recomendo pois, uma escutadela atenta à entrevista. Está aqui, para quem não a ouviu. Vale a pena. Obrigado.

20 maio, 2009

TGV versus LightAlfa - à atenção do actual e futuro Governo!

(sugestão de Carlos Macedo e Cunha via Facebook)

A TECNOLOGIA do TGV tem 150 anos, não inova em nada, é só força bruta. Ao contrário do Alfa, que usa a ciência e é pendular, no TGV o bogie, o chassi e os carris são tradicionais, mas maiores; só o motor eléctrico substituiu a locomotiva a vapor.

O LightAlfa usa compósito, ligas de alumínio e carbono, e HDPVC na carruagem e chapa de aço reforça do, em vez de ferro fundido no bogie. O fio dos motores é de liga de alumínio em vez de cobre. Tudo o torna mais leve, flexível nas curvas e exige muito menos betão nas pon tes e retirada de terras nas serras.

O LightAlfa é tecnologia de ponta, faz 240km/h de média, quase igual ao TGV e, ao invés deste, não está nas mãos de só nove empresas de quatro países.

Ao ligar Faro a Braga pelo interior, o Train de Grand Developpement (TGD) com ramais para Badajoz e Vigo e gastando 1,5 mil milhões de euros, traria emprego a 78 firmas e 18 mil cidadãos portugueses.

Só seis empresas de França, Reino Unido e Alemanha estão certificadas para vender carris, material eléctrico e electrónico, carruagens, etc. para o TGV.

Espanha tem três empresas certificadas para as pontes e a infrastrutura.

Exige-se quatro anos e milhões para certificar.

Não estarão num cartel?

Estimativas de países que pensaram investir ou já fizeram TGV mostram brutais derrapagens. Os três grandes da UE exportariam para Portugal 65 a 74% dos 5 mil milhões, a Espanha uns 20% e as nossas três mega-empresas 8 a 9%.

Mas três gerações (de Portugueses) teriam que pagar mais 4 mil milhões em juros e sobre lucros ao cartel e cada um dos nossos 5 milhões de empregados mais 500€/ano de impostos em subsídios do Governo ao consórcio do TGV.

Se o racional e inovador é o LightAlfa, que lobby de Bruxelas está a forçar um ministro a nos meter goela abaixo uma dívida irracional e uma velha tecnologia? Por que estes dados não chegam a José Sócrates?

Jack Soifer

PS: Consultor sueco, com experiência em 12 países, e membro activo de várias associações. Autor de 33 papers/livros em 6 países e colunista de imprensa sobre temas de turismo, sustentabilidade e inovação em 3 países. Conferencista e formador em Portugal, Brasil, França e Suécia.