05 janeiro, 2017

O Porto Canal abriu finalmente os olhos?


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Pelo  que vou   pesquisando  fiquei  com  a ideia que há um grande  numero de portistas  alheios ao que se faz de bom e de  mau, no Porto Canal.   Tenho  sido  bastante crítico com o  alinhamento  editorial e programático da estação portista, sobretudo    com   o   excesso   de   repetições   e  o   pouco protagonismo dado às questões das arbitragens pelas razões que todos conhecemos. Mas agora, verifico que há uns dias para cá, houve  uma ligeira  melhoria,  e a nível  desportivo começa  finalmente a  abordar-se  com outra frontalidade  a escandaleira das arbitragens com o FCPorto.         Já  é   um progresso. Tardio, sadicamente tardio, mas um progresso. 

Sem querer pôr-me em bicos de pés, ou insinuar que os comentários aqui plasmados acabaram por ter alguma influência na reviravolta da programação, a verdade é que o Porto Canal decidiu finalmente emitir programação desportiva onde o tema dos árbitros passou a ser encarado sem medos e com muito pragmatismo, tal como aqui tinha há muito sugerido. Ainda bem, como diz o povo, com ou sem o empurrão dos blogues, vale mais tarde que nunca...

Ontem, por volta das 22 horas, voltou-se a debater o tema do momento (ver aqui), agora com a participação do árbitro José Leirós (tal como aconselhei aqui), Francisco Marques do Dragões Diário, o ex-jornalista da RTP José Cruz, Bernardino Barros e o pivô Tiago Girão. Foi um excelente debate onde quase nada ficou por denunciar. Os erros grosseiros dos homens do apito, as imagens dos lances polémicos, as críticas ao silêncio do presidente da Federação, da Comissão de Arbitragem, da influência do Benfica na nomeação dos árbitros, do critério ilegal nas escolhas dos árbitros, em suma, praticamente tudo o que era preciso dizer. Enfim, fez-se o que já devia ter sido feito há uns 3 anos atrás, mais que não fosse para provar aos transgressores que não estávamos distraídos e que não íamos condescender com este tipo de golpes à Al Capone. 

Com este atraso excessivo, esta permissividade, perdeu-se a oportunidade de impedir que o trabalhinho sujo dos árbitros contribuisse activamente para que o FCPorto perdesse 3 campeonatos, e fosse já  nesta temporada arredado  da Taça de Portugal e da Liga. Não podemos garantir que se isso não acontecesse éramos campeões, mas também não podemos afirmar que não o éramos. Os únicos responsáveis neste contexto, são os árbitros e quem os intimou a realizar esta panelinha. Da parte do FCPorto, a quota que lhe cabe, é ter um presidente cansado e sem vontade de delegar em terceiros a responsabilidade para fazer o que lhe competia que era combater tenazmente contra esta pouca vergonha.

Resumindo: o que falta fazer agora não é apenas dar continuidade à programação delatora destas situações no Porto Canal, tem de haver a coragem de ir até onde for preciso para pôr fim a este clima mafioso, doa a quem doer. É imperativo EXIGIR uma resposta célere e idónea às reclamações portistas dos vários organismos federativos, e chamar à liça o próprio Governo que também se tem limitado a assobiar para o lado face aos acontecimentos. E nesse caso, ninguém mais indicado para o fazer que Pinto da Costa, porque é da sua competência e dever. Já chega de tanto silêncio e passividade, já é mais que tempo para falar de coisas sérias.

04 janeiro, 2017

Não tenho estofo para criticar os jogadores do FCPorto



Não sei que mais será preciso acontecer, para os dirigentes do FCPorto decidirem tomar medidas intransigentes e de repúdio contra esta saga de arbitragens miseráveis nos jogos do nosso clube. O que nos estão a fazer é simplesmente i-n-a-c-e-i-t-á-v-e-l! Uma vergonha para a nossa dignidade!

A avaliar pelas reacções do presidente, quase sempre tardias e irritantemente frouxas, arrisco-me a dizer que os árbitros (ou, o que quer que seja parecido com isso), já devem ter interpretado a complacência portista como uma "ordem" para continuarem a sangria anti-portista, ou mesmo, como é público e notório, para fazerem muito mais, e pior. A verdade é que era isto que há muito se previa. Sempre aqui disse que isto tudo não era inocente nem casual, e que a continuar a indulgência do presidente tudo tenderia a piorar. Serão necessárias mais provas? 

O que não pára de me espantar, é ainda ver o dedo acusador de alguns portistas virado para o treinador e jogadores, ora por jogarem mal, ora por não deixarem a pele em campo. Neste momento crítico, em que as arbitragens tendenciosas são mais que óbvias e graves, uma clara provocação, passar por cima disso, ou seja, atenuar a roubalheira como se fosse um pormenor e passar para os ombros do treinador e jogadores exigências que deviam ser cobradas em primeira instância aos dirigentes é ver um filme de trás para a frente. Essas coisas da garra, da boa atitude competitiva, do espírito combativo, da defesa do clube, têem naturalmente de ser inspiradas por quem manda. Não será assim? Porque teimam então em bater no ceguinho, quando o ceguinho principal é outro e não quer ver? Acham que os dirigentes portistas têm sido bons exemplos na defesa do clube, tanto para os atletas como para os adeptos? O problema chama-se Pinto da Costa, meus senhores! Por favor não se enganem também vocês nos trilhos a substituir! 

De resto, as intermitentes oscilações exibicionais da equipa levam-me a concluir que se calhar não temos um plantel tão equilibrado em qualidade e quantidade como desejaríamos, e o treinador também pode não ter o perfil ideal para as ambições do FCPorto, mas essa é outra questão que deve ser avaliada, primeiro, no contexto administrativo e só depois no desportivo. É preciso não esquecer que a escolha do treinador e do plantel, passou sempre pelo crivo aprovativo de Pinto da Costa, e por mais gratidão que lhe tenham, transferir para terceiros competências suas, é profundamente injusto.

Aos jogadores pede-se-lhes que joguem bem, ao treinador exige-se que os corrija e ensine a jogar. Se ambos não correspondem às expectativas, então é porque quem os contratou falhou na escolha. Como esta escala tem vindo a ser invertida o resultado não podia ser mais esclarecedor: os jogadores revoltam-se e despejam nos árbitro a sua revolta. E até nisso, os dirigentes do FCPorto têm tido muita sorte, porque os jogadores portistas tudo têm feito para não cometerem faltas, cientes que se entrarem mais duro (como querem os adeptos) os cartõezinhos vermelhos são a primeira prenda com que os árbitros imediatamente os brindam (como aconteceu ontem com Brahimi e Danilo). Ontem, aos 57 m de jogo (+ ou -), o Moreirense tinha 13 faltas e o FCPorto apenas 3, no entanto, quem acabou por levar 2 vermelhos fomos nós... Como é possível então insistir no empenho e na responsabilização dos atletas quando sabemos que os árbitros são implacáveis se forem os nossos a entrar mais durinho nos lances? Será assim tão difícil compreender isto?

É aos sócios que compete avaliar onde está o verdadeiro problema. Se ainda fosse sócio, sabia a quem pedir responsabilidades e não voltava a votar em Pinto da Costa, porque já não mostra capacidade para enfrentar os inimigos como outrora. Se estão à espera que ele saia pelo seu pé, sentem-se e preparem-se para mais tempos angustiantes. Ah, e não me contem histórias de arrepiar, com a treta de tudo isto ser uma estratégia para afastarem Pinto da Costa do FCPorto, porque o problema está mesmo nele.

Pela minha parte, primeiro estará sempre o clube e só depois se se justificar, quem o dirige. Não há insubstituíveis, sobretudo quando o que de melhor tinham se esfumou.
  

03 janeiro, 2017

A corrupção vulgarizou-se na política

Mariana Mortágua

Os segredos pouco secretos de Juncker

Conhecemos bem Durão Barroso. De primeiro-ministro corresponsável pela guerra do Iraque a presidente do Conselho de Administração da Goldmam Sachs foi um pulinho, e a Comissão Europeia fez as vezes de trampolim. Mas, para que saibamos bem quem manda numa das mais poderosas instituições da Europa, é justo conhecer também o sucessor de Barroso à frente da Comissão, Jean-Claude Juncker.

Tal como Barroso, Juncker tem um passado como primeiro-ministro, neste caso do Luxemburgo, cargo que ocupou quase vinte anos, e que acumulou com o de ministro das Finanças. Foi durante esses vinte anos que o Luxemburgo, um país com pouco mais de meio milhão de habitantes, se tornou uma das mais ricas economias da Europa.

Em 2014, uma brutal fuga de informação, conhecida como LuxLeaks, revelou o segredo do sucesso económico de Juncker: pelo menos 548 acordos secretos entre o Luxemburgo e 340 multinacionais (Google, Ikea, Deutsche Bank, Laboratórios Abbott, Amazon, Apple, etc.). Nestes acordos, assessorados pela consultora PricewaterhouseCoopers, o Governo luxemburguês comprometia-se a permitir e validar esquemas agressivos de planeamento fiscal em que as empresas transferiam os lucros da sua atividade noutros países para o Luxemburgo, aí pagando menos impostos. Nalguns casos, as taxas cobradas chegavam mesmo a ser inferiores a 1%.

Bom, até aqui a história já é conhecida. A novidade está numa notícia publicada pelo "The Guardian", com base numa fuga de telegramas diplomáticos, segundo a qual Juncker foi uma peça essencial para travar legislação europeia contra práticas fiscais abusivas. Surpreendente? Não. Relevante? Sim.

Aparentemente, tudo se passou num grupo secreto a nível europeu, criado em 1998, para lidar com o tema da tributação das empresas. Nele, o Luxemburgo de Juncker liderou um pequeno grupo de países que permanentemente bloqueou quaisquer esforços para reforçar a troca de informação ou investigar esquemas de planeamento fiscal. Diz o "The Guardian", citando uma fonte anónima pertencente ao grupo, que "cada país está pronto para bloquear qualquer acordo. Mais que isso, cada país está pronto para negociar a sua política fiscal contra qualquer outro tema na UE".

A pequena notícia do "The Guardian" passou despercebida, mas não devia, porque nos revela duas coisas com muita clareza. A primeira é a hipocrisia e falta de transparência de uma União Europeia que permite que um país se declare publicamente contra o abuso fiscal, mas bloqueie políticas nesse sentido dentro de um comité secreto. A segunda é a hipocrisia e falta de transparência de uma União Europeia que premeia o primeiro-ministro desse país, escolhendo-o para presidente da Comissão.

(do JN)

Nota de RoP:

Decorreu tempo demais, desde Abril de 1974, para ter dúvidas sobre as muitas fragilidades da democracia, tal como a vivenciamos. Com a perda de valores éticos e educacionais, perdeu-se o sentido de responsabilidade e o respeito pelas leis, em prol do enriquecimento acelerado. As personagens que mais deviam regular-se pela ética e pela seriedade, são as que mais prevaricam, sem que a Justiça interfira salomonicamente, e em tempo útil. O crime, compensa (para os poderosos).

Resultado: a direita radical progride a passos largos. A culpa é de quem ainda nos quer convencer que a Liberdade em Democracia tem de ser ilimitada. Discordo. 

O que é preciso é (antes de lhes darmos o poder), escrutinar com muita perícia a integridade daqueles que a coberto de um qualquer mestrado nos parecem sérios.   

01 janeiro, 2017

José Leirós comenta as arbitragens desastradas com o FCPorto


Ver aqui.

Boa iniciativa esta, do Jornal de Notícias.

O Porto Canal devia aproveitar a boleia e fazer algo semelhante. É preciso, é fundamental continuar a pressionar aquela gentinha gentinha sem escrúpulos para, pelo menos, mostrarmos ao mundo que ainda estamos vivos, caso contrário comem-nos por parvos.

Façamos votos que o novo ano de 2017 abra a boa consciência a quem de direito, quer a nível federativo, quer dentro dos próprios clubes.

23 dezembro, 2016

Boas Festas!

Natal Engraçado Imagem 5

É nos pequenos gestos e atitudes do nosso dia-a-dia que devemos proporcionar o mínimo de alegria e compreensão aos que nos cercam. 

Que o espírito natalício ocupe os vossos corações para toda a vida (será possível?). 

Boas Festas e Feliz Ano Novo
aos leitores do Renovar o Porto, especialmente a todos os portistas!

21 dezembro, 2016

Sanguessugas

Pedro Ivo Carvalho
(JN)


Eles movem-se com um à-vontade inquietante. Parecem invisíveis até nos apercebermos do estrondo que fazem quando são notados. Germinam nos partidos de poder, saltitam de galho em galho, ora servindo uns, ora servindo outros. Alimentam-se dessa entidade gigantesca e frágil chamada Estado. Resistem a governos, ministros e ideologias. São as pessoas erradas nos lugares certos. Sempre que eclode mais um escândalo, revelam-se pela sagacidade dos métodos, pelo descaramento dos expedientes, pelo avultado, porque é sempre avultado, rombo que causam nas contas públicas, no dinheiro que é de todos, mas que eles acham que lhes pertence. Eles lá vão, aspirando os recursos à medida que se repetem, ano após ano, legislatura após legislatura, os debates muito sérios e muito estéreis sobre a necessidade de reformar a máquina da Administração Pública. As sangessugas são uma praga bíblica: podemos pensar que as exterminamos de cada vez que a Polícia Judiciária e o Ministério Público desembainham as espadas, mas há sempre uma subespécie que prevalece. E se multiplica.

Ter um Estado que está em todo o lado acarreta esta dimensão perversa de podermos estar a desviar o Estado dos locais onde verdadeiramente ele é necessário. O escândalo da Octapharma é revelador das formas de que o monstro se serve para se manter saciado. Uma grande empresa controla o negócio do plasma, derivado do sangue. Por vontade do Estado. Estabelecem-se teias espessas de cumplicidade e interesses comuns. Ajustes diretos justificados com a economia de mercado. Um empresário e lóbista, Lalanda de Castro, amigo de um médico, Cunha Ribeiro, ex-presidente do INEM e da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, assenhora-se, assim apontam os indícios, de um negócio que é, literalmente, um bem vital para o país. Um pequeno favor aqui, um fechar de olhos ali, com a mesma cadência sincopada com que um coração bomba sangue para o corpo.

E isto, além dos largos milhões de euros que podiam ter sido gastos em camas de hospitais, medicamentos, horas extraordinárias a médicos e a enfermeiros, é o que mais devia indignar-nos. E não me venham dizer que é demagogia. O dinheiro não voou. Podia e devia ter tido um destino de serviço público.

Na verdade, a corrupção a este nível num país que investe (e bem) tanto dos seus recursos numa área determinante como a saúde é a assunção de que já atingimos o grau zero da desfaçatez. Somos nós a aceitar que as sangessugas continuarão sedentas e rechonchudas perante aqueles que insistem em manter o monstro bem nutrido a pretexto do bem comum.

Nota de RoP:
Tudo isto é deplorável, revoltantemente tolerável, porque o povo não reage, como deve, a isto. Sabem por quê? Continua a votar. Apesar das abstenções.





20 dezembro, 2016

Habemos Porto, no Porto Canal?

Quando um clube como o FCPorto tem um presidente que ainda há pouco tempo afirmou numa entrevista ao Porto Canal que as arbitragens não tinham piorado, e passado umas semanas se queixa de 15 grandes penalidades não assinaladas a favor do nosso clube, é caso para perguntar o que o fez ver só agora, o que todos os portistas viram desde o início da temporada. Que confiança nos pode inspirar um homem que muda de opinião tão abruptamente? Deixo a resposta ao critério dos leitores.

A minha opinião já a revelei, mas para que não hajam dúvidas, vou recordá-la: foi a blogosfera azul e branca! Sim, os blogues, esses mesmos a quem Pinto da Costa e o director geral do Porto Canal não "passam cartão", não lêem, embora toda a gente os conheça. Mas, pronto, como diz o ditado, só não mudam os burros, embora quando mudam, nem sempre tenham a nobreza de carácter para reconhecer que erraram.

O jogo de ontem com o Chaves (terra natal de meu pai, que era um portista ferrenho), provou, comprovou e confirmou, que os árbitros estão notoriamente empenhados e comprometidos com o clube do regime. Se há uns que disfarçam melhor a missão de que estão incumbidos, outros roubam à descarada, provocam até, e indignam qualquer espectador idóneo que acompanhe os jogos do FCPorto.

De tantas vezes o repetir, por uma questão de seriedade, estas constatações não são meras desculpas, são factos muito graves que mancham a tão badalada verdade desportiva daqueles que menos autoridade moral têm para a pronunciar (que enfie a carapuça quem se doer).

Por isso, apesar de estarmos a ser muito desconsiderados pelo senhor presidente, que agora só tem olhos para os super-dragões, ainda bem que a nossa resiliência e os nossos comentários fizeram abrir os olhos a quem teimava em mantê-los fechados. E ainda bem, porque agora já podemos assistir a alguns programas e debates onde esta questão dos árbitros começa a ser comentada sem medos nem mariquices, e com alguns testemunhos técnicos e visuais extremamente úteis. É por demais previsível que esta postura provoque uma reacção violenta e tipicamente manipuladora aos nossos inimigos, mas nada temos a temer quando a razão está do nosso lado, que é o lado dos factos, ou seja, sem precisar de argumentos. É uma boa oportunidade que daremos aos homenzinhos da Federação e das arbitragens se retratarem e testar até onde pode ir a sua desfaçatez.

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Fernando Gomes
(Presidente da Federação Portuguesa de Futebol)


























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José Fontela Gomes
(Presidente do Conselho de Arbitragem)


No  programa "Universo do Dragão" transmitido ontem depois do jogo no Porto Canal, apreciei tudo o que lá foi debatido, com particular relevo para o ex-jornalista da RTP, José Cruz e Rita Moreira, que não hesitaram em manifestar toda a indignação que lhes ia na alma. É bom sinal. Pena é, que tenhamos de pagar 3 épocas de verdadeiras pilhagens com influência nos resultados financeiros.

PS-Dos quatro presidentes aqui plasmados, só um tem afinidades com o FCPorto. Não consta que tenha usado a sua influência para beneficiar o clube onde trabalhou. Os demais, sabe-se, à boca pequena, que são todos benfiquistas (e qual é o problema?!)... 

Face ao que se tem passado com as arbitragens, umas, a levar o Benfica ao colo, e outras, a prejudicar exuberantemente o FCPorto, não será caso para pensar num cozinhado previamente marinado. Se foi, quais foram as contrapartidas? 

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Pedro Proença
(Presidente da Liga)


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José Meirim
(Presidente do Conselho de Disciplina)





16 dezembro, 2016

A reforma que não existe (II)

David Pontes
(JN)
Às vezes, desculpem lá, tem mesmo de ser. Temos mesmo de nos fazer os chatos do "eu não vos dizia?" Não para enaltecer as nossas qualidades de videntes, mas para tornar bem claro que há comportamentos que estão escritos nas estrelas e que por muito que deem palha ao burro ele só come se quiser.

Em abril deste ano, escrevi, numa crónica com o mesmo título desta, sobre a morte anunciada da reforma do Governo para as áreas metropolitanas (AM) que, nas palavras do ministro Eduardo Cabrita, faria com que os eleitores tivessem "quatro boletins de voto" nas próximas eleições autárquicas.

Depois de meses de propostas e reuniões, António Costa despejou a banheira e o bebé no último debate quinzenal, deixando cair a eleição direta dos líderes das AM em "benefício de um maior consenso". O consenso já sabemos qual é: em ano de eleições autárquicas ou quando estamos na Oposição, somos a favor da descentralização, depois no Poder é só uma questão de promessa não cumprida.

Para além da conceção esdrúxula desta reforma, já se tinha percebido que dificilmente a solução colheria os votos do PCP ou do PSD e que o presidente da República (que no passado torpedeou a regionalização) dificilmente deixaria passar uma lei sem que ela tivesse a aprovação de dois terços da Assembleia. António Costa, hábil como poucos, remeteu agora a questão para os presidentes das AM a quem convidou para apresentarem as suas propostas aos grupos parlamentares. Reparem, o primeiro-ministro socialista faz depender uma reforma que inscreveu no programa do Governo da iniciativa de um presidente de câmara do PSD e de um independente...

Resta-nos pois esperar que o bom senso de Hermínio Loureiro e de Basílio Horta ajude a que se avance alguma coisa na definição de competências de um organismo que ainda pode melhorar muito. Talvez possamos cultivar uma ténue esperança que a experiência autárquica do primeiro-ministro o incentive a dar alguns passos na descentralização do Estado para os municípios.
Mas se olharmos para a forma como esta "reforma" foi descartada, se lhe somarmos a vontade de, a bem da "geringonça", não ter grandes picardias eleitorais com o PCP, é plausível dizer que um partido, que nem candidato próprio terá na segunda cidade do país, não diz "que se lixem as eleições" autárquicas, mas andará perto de querer levantar ondas o menos possível no próximo ano eleitoral.


Veja as diferenças e as incoerências...



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Como  há dias aqui escrevi,  e é simples de  comprovar, o Jornal de Notícias 
voltou hoje de novo "à carga", colando na página de Justiça o nome de Pinto 
da Costa e de Antero Henrique, despudoradamente e a despropósito... 

A despropósito, para o leitor atento, porque não se consegue enxergar nada de 
novo  nesta  notícia  comparada com a  primeira (pelas minhas contas,  esta  é 
para aí  a sexta!).   O  texto é praticamente o  mesmo.  Sendo uma  não notícia,
é porém bem objectiva nos seus desígnios, que é manter os nomes do presiden-
te portista e do ex-director desportivo do FCPorto sempre ligados ao mundo do 
crime. 

Por outro lado, surge outra não notícia, mas com contornos opostos, que mais
não é que uma nova versão do colinho ao Benfica, agora na página desportiva,
ironicamente o jornal eleito por Pinto da Costa para dar uma entrevista quando 
tinha o Porto Canal para o fazer.

Calculo que tudo isto tenha a ver com aqueles jogos de intrigas entre compadres
desavindos, mas convenhamos, é feio de mais para ser tolerado, quer a Pinto da 
Costa, quer especialmente ao Jornal de Notícias,  último baluarte do jornalismo
portuense, agora visivelmente dominado por centralistas, de cá, e de Lisboa.  

PS-Chamo a vossa atenção para a ambiguidade, para não dizer, para
o português abstracto do texto sobre a suspensão do "Orelhas" 

15 dezembro, 2016

Salários de miséria

Rafael Barbosa

1 É um dos mais duros retratos da nossa miséria. Segundo o gabinete de estatísticas da União Europeia (Eurostat), Portugal é um dos países com maior desigualdade salarial, ou seja, em que é maior o fosso entre os que ganham menos e os que ganham mais: os 10% de trabalhadores do fundo da tabela recebem, em média, 3,3 euros por hora; os 10% de trabalhadores do topo da tabela recebem, em média, 14,4 euros por hora, quase cinco vezes mais. Acresce que, feitas as contas, a média está nos 5,1 euros por hora (rendimento bruto a que ainda há que descontar os impostos e as contribuições para a Segurança Social). Como alertava o professor João Loureiro, aqui no JN, o que estes números nos dizem é que aquilo a que chamamos salário mínimo nacional se está a transformar em salário comum. O cenário piora quando se fazem comparações com outros países. Na Suécia, o país da UE em que a desigualdade salarial é menos acentuada, os 10% de trabalhadores mais "pobres" recebem quase tanto por hora como os 10% de trabalhadores portugueses mais "ricos". Números que ajudam a explicar por que razão, em Portugal, ter um trabalho já não constitui uma garantia de uma vida digna. Nos últimos anos aumentou sempre o número de pessoas que, mesmo trabalhando, vive abaixo do limiar da pobreza: são agora 11%.

2 O Bloco de Esquerda fez uma lista de todas as medidas que o Governo PSD/CDS e a troika implementaram, ao longo últimos anos, com a intenção de promover o que chamaram "desvalorização interna", eufemismo para a desvalorização dos rendimentos do trabalho e consequente empobrecimento dos trabalhadores, com o que se pretendia tornar o país mais competitivo. Mas, para além da lista, o Bloco fez também algumas contas, concluindo que, por via das alterações à legislação laboral (menos dias de férias, mais horas de trabalho, redução da remuneração por horas extraordinárias, redução das indemnizações por despedimento, etc...), terá havido uma transferência de rendimentos do trabalho para o capital de cerca de 2,3 mil milhões de euros. Não posso garantir que as contas do BE estejam certas mas, até ao momento, ninguém as desmentiu. E talvez valha a pena notar que, se forem verdadeiras, isso equivale a um desvio de cerca de 511 euros de cada um dos 4,5 milhões de portugueses empregados (incluindo os precários) para os respetivos patrões. Percebe-se assim melhor porque resistem as confederações patronais ao aumento de 27 euros no salário mínimo nacional. Mais um euro por dia no bolso dos trabalhadores representa menos uns milhões nas contas bancárias de um bom número de empresários. Quem não estiver contente com estes salários de miséria pode sempre abandonar a sua zona de conforto e emigrar para a Suécia.

(do JN)

Obs.-
Será que os portugueses pensam, quando falam do orgulho nacional?

13 dezembro, 2016

Os blogues para Pinto da Costa são anónimos...


Prezados portistas,

sócios, não sócios, super-dragões e colectivo ultras-95,

todos nós, pelo menos os portistas que escrevem e comentam na blogosfera, devemos ser uns facciosos, uma versão dragoniana do calimerismo do futebol luso. 

Digo devemos ser, porque quem o insinuou, não fui eu, foi o presidente Pinto da Costa, na décima resposta que deu  à entrevista de ontem no JN. À questão, se "considerava que o actual presidente do conselho de arbitragem da FPF, Fontela Gomes tinha trazido melhorias à arbitragem portuguesa", Pinto da Costa disse que ainda era cedo*para fazer uma análise ao trabalho do referido conselho, que era prematuro estar a fazer comparações com o presidente anterior...

Percebo, a  resposta tão comedida, mas não a aprovo, porque não deixa de ser uma resposta conveniente, de quem parece ter abdicado da sua própria autoridade na defesa do FCPorto e de fazer depender dos humores dos responsáveis federativos o critério de isenção que lhes incumbe, por dever. Tão pouco aceito, como portista, que faça indirectamente dos adeptos um grupo de alienados menos "tolerantes" que ele, porque é inegável que estes últimos anos temos sido indecentemente prejudicados por arbitragens habilidosas, muitas delas com influência directa na classificação geral, o que, a não acontecer, podia ter-nos valido um, ou mais campeonatos. Isto, repito, pela enésima vez, independentemente dos erros desportivos e da qualidade dos nossos planteis e treinadores. Não conheço nenhum portista que não assuma os deméritos competitivos próprios, mas também que não concorde (sem fanatismos) que temos sido constantemente lesados, e ofendidos na nossa própria dignidade enquanto pessoas. E o senhor presidente parece não querer saber disso para nada.

Portanto, o senhor Pinto da Costa está a mentir, quando dá respostas desta natureza. Mente, e ofende-me, enquanto adepto. Mente igualmente a todos os adeptos, mesmo que atrás de uma pseudo estratégia de puxa-saco, para ver se comove os elementos da Comissão de Arbitragem a desistir da pilhagem clara e óbvia em que estão empenhados. Se P. Costa não deu estas respostas de má fé, então é porque anda a ver mal e deve tratar dos olhos.

Há pergunta 13ª, "Tem sido criticado por não falar mais das arbitragens", a resposta foi sintomática: «o que vamos dizer? o que se passou em Chaves foi uma vergonha e toda a gente viu que estava a ser de mais. Continuo a não encontrar explicação para aquela arbitragem, mas os árbitros não vão deixar de errar. Só os animais não erram.».  Mas, o que é isto, senão uma desastrada contradição? Então, diz que não vê explicação para a arbitragem em Chaves? Só essa? E as outras, foram todas erros humanos? Ou não será antes um pretexto do senhor presidente para justificar o afastamento do FCPorto da Taça de Portugal? Esqueça, afinal, como diz, com uma coerência invejável, «só os animais não erram...». Portanto, já ficamos a saber com o que podemos contar. Só lá mais para o fim da temporada é que V. Exa. irá dar a sua opinião sobre a competência do actual presidente da Comissão de Arbitragem. Ou seja, quando e se, já não houver um único troféu para vencer. Perfeito.

Na seguinte questão, o entrevistador insistiu: "Mas reconhece que há adeptos do FCPorto que exigem mais...". Pinto da Costa não esteve com meias medidas: «As pessoas que querem dar opinião têm um sítio para o fazer, dando o rosto nas Assembleias Gerais. Agora, aproveitar os sites e os blogues... Tudo o que não tem um rosto não me diz nada. Criei neste mandato o provedor do associado, que uma vez por semana passa uma tarde no Dragão a receber as pessoas, estamos abertos às críticas, mas não as que aparecem nos sites.»  

Ainda bem que actualmente não sou sócio, mas também pode estar descansado que não me vou inscrever de propósito só para lhe responder como merece. Mas respondo-lhe aqui para lhe dizer que a sua sabedoria em matéria de comunicação pode levá-lo a cometer mais asneiras. É que os blogues, ao contrário do que afirmou, têm um administrador com rosto (está aqui mesmo a minha foto) devidamente identificado pela Google, com residência e nº. telefone, não são geridos por anónimos, como alguém de má fé o informou.

E já que puxou mais uma vez pelos cordões da arrogância, permito-me responder-lhe da mesma moeda, dizendo-lhe que se houve um veículo de comunicação que muito se bateu para que o Porto Canal promovesse programação para defender o clube da discriminação a que continua a ser sujeito, foram os BLOGUES, não foi a televisão, nem a rádio, nem o JN. Jornal de Notícias esse, que de vez em quando, e a despropósito até, se lembra de colocar o seu nome "respeitosamente" na página dedicada à Justiça...

Os jornais sim, são a sua praia, a sua cadeira de sonho. Talvez eu entenda agora porque convidou os amigos da BOLA para a gala dos Dragões de Ouro  (que prestigiante!).

Olhe, para falar francamente, já não sei é o que pensar de si. Estou decepcionado. Quem o viu, e quem o vê.

* é uma verdade, que a Taça de Portugal se finou muito cedo...


   

12 dezembro, 2016

Até o masoquismo tem limites, Julinho!

Por mais que me esforce, não sei onde pretende chegar o director-geral do Porto Canal com o tempo de antena dedicado ao Benfica. Não sei, mas sei a indignação que me causa ver um canal cujo dono maioritário tem sido reiteradamente desconsiderado pelos representantes do Benfica a falar dele como os media centralistas. Às vezes, deixam a ideia que ignoram o nome do principal patrão, que quem lhes paga o salário não é uma sociedade desportiva chamada FCPorto.

O comentador do Porto Canal não se limitou a dar-lhe tempo de antena, exaltou o Benfica com elogios pouco adequados a um canal propriedade do FCPorto... Foi isso mesmo que vi agora mesmo no jornal da tarde. Quem quiser confirmar, é só fazer uma consulta no guia da NOS, ou da MEO, para ficar esclarecido. Não vou alimentar mais ilusões àcerca da bondade da opção editorial Generalista/FCPorto, porque da forma como este negócio está a ser gerido a incompatibilidade é factual, salta a olhos vistos. 

Júlio Magalhães podia informar os espectadores sobre tudo, e todos, até sobre o Benfica, se soubesse fazê-lo com a discrição meteórica que uma notícia dessas "merece". Agora, pôr um gajo qualquer a tecer loas sobre um escabroso adversário da casa que lhe paga o salário, já não é liberdade de expressão, é atiçar os portistas contra o próprio canal. Como interpretar esta patética forma de informar, quando nem a própria RTP, canal pago por TODOS os contribuintes, tem destas gentilezas com os portistas? Esta cínica mania de querer agradar a gregos e troianos nunca deu bons resultados, não é agora que a lenda vai mudar.

Igual perplexidade senti, quando  hoje li a contra-capa do JN a anunciar o  lançamento do projecto Novo JN Directo, com uma entrevista a Pinto da Costa! É impressionante a desfaçatez com que gozam com o Presidente do FCPorto na cara dele. Passam o tempo, dias e dias, a fio, a envolvê-lo, e ao próprio FCPorto em casos de polícia, e o presidente consente caladinho. O JN passou a dar mais protagonismo ao Benfica que ao FCPorto, e ninguém parece incomodar-se com a "renovação editorial". Mesmo assim, o antigo guerreiro do FCPorto deixou-se seduzir pela "honra" do convite, parecendo não perceber que eles querem é vender papel à custa dele e dos portistas, com o velho ardil do cravo e da ferradura.

Tornámo-nos nuns artolas. Que vontade eu tenho ainda de emigrar.