19 fevereiro, 2008

A solução do TAF

Como produzir riqueza (honestamente), sem dinheiro? Alguém sabe? Se sabe, faça o favor de se apresentar à comunidade, de esquecer as teorias e convocar imediatamente uma Reunião Magna Regional para nos ensinar a prática dessa ciência. Os portuenses em particular e os Nortenhos em geral, agradecem, porque é disso que mais precisam.

Deu-me para inicar o meu comentário desta forma propositadamente sarcástica, para saber se será defeito meu considerar um pouco utópico este post do Tiago Azevedo Fernandes, inserido no blogue "A Baixa do Porto".

Ele tem muita razão, quando diz que "os candidatos a protagonistas locais passam a preocupar-se com os problemas nacionais mal atingem alguma notoriedade e esquecem os locais", mas perde-a, pensando que já não nos sacrificamos, que nos acomodamos e que podemos poupar para investir na sua estratégia "Think global, act local" (A Solução).

Pensar global e esperar implicitamente mais entraves pela parte do Poder Central, parece-me óbvio, mas ao mesmo tempo, revela uma noção demasiado lisonjeira àcerca das capacidades do potencial empreendedor local, sobretudo continuando orfão de qualquer tipo de suporte dos orgãos do Poder.

Mas, a que se refere afinal TAF, quando fala de empreendedorismo social? À iniciativa dos cidadãos em geral, ou de algumas elites? E de que elites? Presumo que, das elites com capital. Assim sendo, por que não sondá-las directamente, cativá-las e envolvê-las no seu projecto social, em vez de propor "sacrifícios" a quem já está cansado de os fazer? Há que ser objectivo, mesmo que se trate apenas de um projecto.

Pessoalmente, estou aberto a qualquer proposta política, económica e social, desde que beneficie a grande maioria da poulação. Interessa-me bem menos a forma como se constrói a "massa" do que a qualidade de que ela é feita. Esta, é irreversivelmente a minha doutrina. A qualidade dos recursos (homens) que é aquilo que faz dos projectos bons ou maus.

Daí que, como cidadão, antes de qualquer subterfúgio para contornar obstáculos, seja para mim prioritária a procura de um sistema democrático (e do seu melhoramento) que nos permita controlar - apoiar ou demitir - os representantes do Poder. Tal como está, a democracia é um verdadeiro bluff, é um corpo com membros, mas com muito pouco cérebro. Se é verdade que a democracia não é um regime perfeito, mas o menos mau, por que havemos nós de renunciar ao seu aperfeiçoamento ?

Além de mais, como já muitas vezes referi, desistir de bater o pé, de exigir dos governantes o cumprimento estrito das suas obrigações, tratando-os como meninos da mamã, mal comportados, é termos uma noção muito aligeirada das responsabilidades do Estado e, pior do que isso, é pactuar com o oportunismo político e dar lastro ao estatuto de menoridade em que Portugal vive, desde há muitos anos.

A vida é dura (é verdade), diz o Tiago. Mas, se temos de fazer ainda mais sacrifícios (como ele propõe), então não precisamos dos políticos para nada e, nesse caso... que viva a anarquia!

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