17 novembro, 2009

Aprendizes de feiticeiro

Há alguns anos havia ministros "políticos" e ministros "tecnocratas" . Uns eram bons, outros eram menos bons, mas todos eles tinham um mínimo de conhecimentos das matérias e uma dose razoável de princípios éticos que balizavam a sua conduta pública. A qualidade tem vindo a degradar-se progressivamente em todos os campos. Quanto aos princípios éticos... estamos conversados, basta ler ou ouvir as notícias. A noção de "serviço público" está a desaparecer, soterrada pelo desejo de benefícios pessoais, de vaidosa exposição mediática e de preparação dos caminhos que levem a situações economicamente confortáveis quando terminar a "comissão de serviço" como ministro. Este é um quadro que infelizmente poucas excepções tem. No campo dos conhecimentos, causa confusão ver a ligeireza com que se desfazem leis que tinham sido decretadas pouco tempo atrás. A localização do novo aeroporto de Lisboa é um dos exemplos na memória de toda gente, sendo por isso dispensável qualquer referência aos detalhes. O Código de processo penal e a lei das armas são outro triste episódio. Só depois da entrada em vigor dessas leis é que os iluminados do governo perceberam que, tal como aconteceu na realidade, as novas disposições legais permitiam, entre outras aberrações, que marginais que se envolviam em tiroteio com a polícia, depois de apanhados e levados à presença de um juíz, não só não fossem presos, como se limitavam a ter, como medida de coação, apresentações bi-semanais numa esquadra da PSP! No intervalo das apresentações, é claro que o que provavelmente acontecia era ... business as usual. O governo principiou por insistir que as leis eram adequadas, mas acabou por se render à evidência e compôr o que tinha nascido torto.

Agora há um outro episódio. A Brigada de Trânsito da GNR, foi extinta no princípio do ano contra todas as opiniões dos especialistas, que se fartaram de avisar para os graves inconvenientes de tal decisão. O actual ministro da Administração Interna, que é o mesmo que acabou com a BT, e que na altura tinha feito orelhas moucas aos reparos, acaba de dar o dito por não dito e a Brigada lá vai ser instituída outra vez. Sabem o que me apetece chamar a estes governantes? São aprendizes de feiticeiro que se comportam como baratas tontas e que semeiam a confusão no país. Se isto é governar...

2 comentários:

dragao vila pouca disse...

Comportam-me muitas vezes como baratas tontas e pior que isso, tratam-nos como débeis mentais. Às vezes as soluções estão mesmo à frente dos olhos, mas eles decidem doutra maneira só para serem diferentes e deixarem a sua marca...ridícula como é o caso apresentado.

Um abraço

Anónimo disse...

A grande maioria dos nossos governantes não são aprendizes de nada.Todos eles têm escola desde
muito cedo;a chamada escola da cadela-política.

Depois o chefe vai para o governo,
e não chama os competentes, mas sim
os amigos !... e depois dá nisto que nós assistimos todos os dias.

Isto só acaba; quando um governante, ou por roubo ou incompetência for lá para "dentro",
...sim preso.

O PORTO É GRANDE VIVA O PORTO.