06 outubro, 2011

Quantidade não é qualidade

Sempre que publico neste espaço crónicas dos jornais, é porque as considero interessantes para os leitores, particularmente para aqueles que não tiveram oportunidade de as ler. Nalgumas ocasiões, é também por falta de tempo ou de disposição para fazer os meus próprios artigos. Não tanto por falta de assunto, porque hoje em dia temos tanta informação, sobre tão poucas coisas boas, em contraste com as negativas, que podíamos passar o resto da vida a escrever sobre elas. E é sobre o excesso de informação negativa e aquilo que podemos fazer para a inverter, que começo a ter dúvidas sobre a sua bondade. A propósito, aqui está mais uma que se enquadra naquilo que acabo de dizer. Diz directamente respeito aos portuenses, e à sua saúde.

Embora conscientes que não existe evolução sem efeitos secundários, enquanto Pessoas, seria nosso dever perceber até que ponto estes últimos destroem a própria concepção de progresso. A massificação dos media e os interesses que em seu torno gravitam, têm sido os principais responsáveis pela degradação ideológica e ética da própria sociedade. Os povos ocidentais [e de outras latitudes], paulatinamente, têm vindo a ser formatados para pensar e decidir de acordo com estereótipos ditos globais, essencialmente de origem anglo-saxónica [sobretudo norte-americana]. O cinema e a televisão, os concursos, os reality-shows, e o tipo de programação, como sabemos, são predominantemente de influência norte-americana.  Actualmente, mais do que nos anos 60 e 70, décadas onde a música  e o cinema americanos eram partilhados com a França, Itália, Inglaterra, Brasil e até com a Espanha, a cultura europeia deixou de ter qualquer visibilidade. Podemos mesmo afirmar, sem receio de escandalizar ninguém, que nesses anos, e desse ponto de vista, em Portugal e noutros países, culturalmente, respirava-se muito mais democracia. Nesse aspecto, éramos bem mais ricos. A globalização não é propriamente uma fonte de virtudes.

A quantidade e o tamanho sobrepuseram-se à ideia de qualidade. O mais, tomou  conta do melhor. Temos mais canais de televisão, mais agências de notícias e nem assim vivemos bem informados. Se sintonizarmos o canal Odisseia, ou o Discovery e os misturarmos com os noticiários "nacionais"  e internacionais, ficamos com a cabeça cheia de coisas sem saber bem o que fazer com elas. Informação, democracia e liberdade não valem grande coisa se vivermos 50 anos sabendo que na Etiópia e no Quénia morrem por dia milhares de crianças à fome, se passados outros 50 anos continuarem a morrer milhões. Assim como nada vale um belo discurso de um Presidente da República se for, como costuma ser, inconsequente, ou ter um governo que promete e logo a seguir não cumpre [como tem sido a escola seguida]. Isso é pura fraude, sem utilidade pública.

Enfim, contentarmo-nos com o constatar dos factos não enche barriga ao povo, nem é sério. A uma constatação, numa República digna desse nome, deve obrigatoriamente seguir-se uma reacção, mas o que a realidade nos diz é que a acção quando surge atinge sempre o mesmo alvo: o povo. E  quase sempre para o prejudicar.

É de qualidade, em todos os sentidos, que Portugal precisa. A começar pela Humana. E de uma boa vassoura, para varrer o lixo contaminável.

1 comentário:

Anónimo disse...

Há diversos tipos de lixo em Portugal:- Lixo tóxico, lixo político e todo o outro tipo lixo que nos vendem todos os dias. Somos um país intoxicado.
Devia-mos utilizar mascaras Ant/toxinas e de gás, de todas as vezes que se sai de casa, se liga televisão, rádio e de ter que se pagar ao estado coisas que não consumimos e nos querem impingir... tudo é lixo.

O PORTO É GRANDE VIVA O PORTO