11 dezembro, 2012

Eu português nortenho de um país do sul

Fiorde de Geiranger, Noruega
Ainda a propósito do ambiente fétido e inimputável de corrupção que se respira no país, gostaria de repescar as palavras de Paulo Morais, há dias no Porto Canal. Dizia ele, àcerca desta praga típica dos países latinos, que se "isto" se passasse em qualquer país nórdico, não seria possível a Isaltino Morais, Duarte Lima,  ou a Vale e Azevedo, entrarem tranquilamente num restaurante ou qualquer lugar público, sem passarem pelo crivo censor das pessoas, ou dos próprios responsáveis pelo respectivo espaço. Muito provavelmente  - acrescento eu -, num cenário desses, aquilo a que assistiríamos a seguir, era vermos as pessoas a abandonar o local, ou então, observar o "descarado" a receber um convite discreto do dono do espaço para se pôr na alheta...

Já sabemos que não é possível conseguirmos fazer da Terra um paraíso, porque a própria natureza tem aspectos dramáticos, mas seria perfeitamente atingível ao homem [desde que o quisesse], melhorar, e muito, as condições de vida do seu semelhante. Sabemos que o lado mais dramático da Natureza se encontra na vida selvagem e nos fenómenos climatéricos, que por razões diferentes, destroem os bens e a existência de milhares de seres. Nas sociedades humanas são as más pessoas, as mal formadas [não confundir com licenceadas, porque isso não é educação] que pensam sempre nos outros como instrumentos para seu proveito, e não como parceiros de percurso, quem obstaculizam que no planeta todos possam viver mais próximo do 'paraíso'... Mais perto, mas ainda assim, tão longe. Sim, porque a vida nunca foi coisa fácil. Também já foi bem mais difícil, é verdade  [na pré-história]. Mas, com o elevado nível tecnológico a que hoje chegamos, não seria possível vivermos todos muito melhor? A resposta só pode ser uma: era possível. Mas, só criando formas fiáveis de "peneirar" a sociedade. Gente com o espírito oportunista, como os atrás citados, não pode ser deixada ao acaso, deve ser bem vigiada, essencialmente depois de dar sinais das suas tendências para a fraude e para o crime.

Os portugueses, dos mais idosos aos mais jovens, não têm memória de bons governos, nem de bons governantes. Ao longo de séculos, nunca tiveram a felicidade e o orgulho de pertencer ao pequeno grupo dos países mais prósperos e civilizados da Europa, e sempre foram habituados à mediocridade dos pobres países, a pensar no medo, na perseguição. Por isso, não podemos estranhar que para sobreviverem sigam os exemplos desviantes de quem os governa. Os governantes fizeram [e fazem] dos portugueses pequenos clones de si próprios, e isso até lhes convém, diga-se. Não há como forjar um corrupto para fortalecer um corruptor. Depois, fica gerada a cadeia do esquema.

Para o português médio, denunciar um criminoso é um gesto de traição, para um norueguês é um dever cívico. Começa logo aqui o comportamento desviante dos latinos. Nós não temos consciência sequer do que é a cidadania! 

Ontem, num canal de TV onde estava Medina Carreira e Paulo Rangel, falou-se a dada altura dos vários "jobs" dos políticos, e quando coube a Rangel opinar, lá estava ele a dizer que sim senhor, que não achava bem, e ao mesmo tempo a desembrulhar os melhores argumentos para dizer que afinal até achava... É assim, nestes pensamentos labirinticos, onde o peixe se confunde com a carne,  que eles adoram jogar, votando qualquer boa ideia para o lixo e gozando com a inteligência de quem os ouve. Por mim Rangel, já não vais a lado nenhum. Por outros, talvez um dia venhas mesmo a ser Presidente da República. Tal qual, como aconteceu com o vulgaríssimo Cavaco. Mas juro que não foi com minha autorização, isto é, com o meu voto. Que honra tenho em nunca ter votado em Cavaco! Que orgulho! Desculpem-me, mas também tenho direito a uns assomos de vaidade.
    

2 comentários:

Anónimo disse...

Infelizmente para os portugueses, a grande maioria dos ladrões e corruptos vêm da classe política.
Esses sim, frequentam bons restaurantes são medalhados e ainda recebem as mensalidades do Estado para que nunca lhes falte nada.

Qual o nome apropriado ao ministro das finanças, que nos rouba todos os dias.
Que nome ou adjectivo podemos dar, um 1º ministro incompetente.
Cavaco, que não passa de um simples cavaco de lenha sem vida e sem chama.
Para que servem as instituições do estado, exemplo o Tribunal Constitucional?..

Ontem Mário Soares, (também cheio de pecados) disse: Este governo, é mais odiado do que os governos de Salazar. Sr doutor, então quer dizer que Salazar era um ditador, este é um pulha!...

O PORTO É GRANDE, VIVA O PORTO.




dragao vila pouca disse...

Rui, com uma ou outra excepção, são sempre os mesmos convidados e eles dizem sempre a mesma coisa. Rangel é apenas mais um do circulo e que amanhã vai fazer o mesmo...

Abraço