10 fevereiro, 2014

Gostava de ser formiguinha

Para quem não leu a entrevista de Júlio Magalhães à M & P, poderá lê-la  aqui



Sobre a referida entrevista tenho a comentar o seguinte:

começando pela questão do estigma chamado FCPorto que Júlio Magalhães quer eliminar com receio que o Porto Canal seja considerado um canal do clube. Vamos lá ver se nos entendemos: então o FCPorto já  não adquiriu 97% da parte do capital detido pela Mediapro? Falta, ou não, pagar em 3 anos apenas os restantes 3%, ou ainda não pagou nada? O Jornal de Notícias ter-nos-á informado mal? E se o fez, por que é que não houve um desmentido com a respectiva correcção? Ou, a versão do jornal Económico é que conta? Qual delas é para considerar?

Admitindo que a notícia do JN estava correcta, quem é afinal o detentor da maioria do capital? Não será o FCPorto? E se fôr, porque raio é que não há-de assumi-lo? Por ser um canal generalista? Então, o FCPorto investe num canal de televisão e tem de omitir a sua propriedade? Por quê? Será - como imagino -, por questões estratégicas? Pensará Júlio Magalhães porventura que se explicar muito bem aos mercados que o Porto Canal é um canal generalista e não exclusivamente dedicado ao desporto que os investidores vão ignorar o nome do proprietário (FCPorto) e começar a encharcar com dinheiro os cofres do canal? E o FCPorto vai na conversa? 

A mim, estes "estigmas" fazem-me pensar no pior, isto é, que Júlio Magalhães pode não estar preparado para agarrar o projecto Porto Canal pelos "cornos", e teme entrar em choque com os poderes centralistas e seus representantes. A preocupação de J.M. (e do FCPorto) com os financiamentos, é compreensível, mas seguidista. Na entrevista dada à M&P, além de mostrar disponíbilidade para dar maior atenção ao Norte e ao Porto, Juca não revela como pretende superar a concorrência em criatividade, que era aí que se devia apostar para atrair mais investidores. 

Tenho noção da importância para um canal que precisa de se afirmar das entrevistas com figuras ligadas ao poder político (J.M., entrevistou Passos Coelho, Seguro e outros), mas o patamar de exigência devia passar por figuras credíveis da região, cujo currículo e competências merecessem o benefício da dúvida, e não tanto pelos detentores do poder que as aproveitam só para promover a imagem e a dos respectivos partidos. Passos e Seguro, são mais do mesmo. Nem o Norte nem o país precisam deles. Júlio Magalhães espera o quê desta gente? Ainda por cima, quando Passos Coelho concedeu a entrevista num Hotel de luxo do Porto... Talvez para  mostrar solidariedade com  a coerência e o espírito austero do 1º. Ministro...

Já louvei aqui o que se fez de bom no canal e repito para não gerar polémicas: Pólo Norte, Caminhos da História, Pena Capital, Valter Hugo Mãe,Territórios, Mentes que Brilham, Porto Alive, etc., são programas para manter e melhorar, mas, e aquelas horas imensas sem programação, darão audiências ou afugentam-nas?  E já agora pergunto: se é a falta de financiamento a causa das gravações, será boa estratégia pensar que as audiências dispensam uma palavra, uma explicação?

Júlio Magalhães diz que tem propostas "magníficas" para novos programas "e muita gente de Lisboa conhecida que quer trabalhar aqui" (acredito), mas que não tem dinheiro para lhes pagar...Fala de programas âncora, que precisa deles, não de um Big Brother (porque custa muito dinheiro), mas algo que tenha esse tipo de impacto... É de prever mais do mesmo. Assim sendo, a tentação pela vulgaridade televisiva está à bem à vista, o que é lamentável. É assim, a prostituição intelectual ainda dá dinheiro, e até parece infundir "respeito". Magalhães diz também que (cito) "não tenho nada contra Lisboa, que considera aliás, que as pessoas do Porto e das regiões são as piores", que são "muito piores, que se deixam enredar na teias do poder". Em certa medida acho que tem razão (sobretudo quando aponta o dedo aos políticos, empresários e jornalistas), mas conviria ser mais assertivo e menos categórico. Pergunto: essas pessoas do norte terão nome? Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo, será um desses políticos/comentadores/políticos, do Norte, ou será do Sul? Em que quadro qualitativo o colocaria o J. Magalhães? No dos melhores?  E em que área geográfica?

Só gostava era de ser formiguinha para sondar o que pensará o Juca de gajos do Norte como António Sala e João Malheiro (do Norte) para lhes ter franqueado simpaticamente  as portas do Porto Canal. Gostava de saber também em que patamar de prestígio coloca o Bagão Félix (do Sul) para vir falar a um canal que pretende lutar contra o centralismo. Provavelmente, Bagão Félix converteu-se ao regionalismo e o Juca não nos disse nada.  Mas, será que Juca lhe falou do centralismo?

Não estará o bom do Juca, sem se dar conta, a fazer a mesma figura dos piores homens do Norte? A propósito: o que pensará ele do nortenho e jornalista Carlos Daniel? Pertencerá ele ao grupo restrito dos melhores?

Como gostava de ser formiguinha...  


7 comentários:

Anónimo disse...

O JM quer fazer do Porto Canal um grande canal nacional, tem orgulho nisso, tudo bem! mas, se quer fazer um Canal para os amigos do centralismo e anti/FCP que o faça, agora o FCP, só pagará o tempo de antena que tem, e não sustenta essa gente que tanto mal faz ao clube à cidade e ao Norte. Pela entrevista, provejo um divorcio anunciado para mais tarde.
JM não pode dizer assim tão mal das outras canais concorrentes, porque segue, ou quer seguir o mesmo caminho.

Ontem li no JN uma entrevista do vereador Manuel Pizarro, de vários assuntos falou do Bolhão: Diz ele manter-se-à como um grande mercado de frescos O Bolhão mesmo ao abandono e cheio de andaimes mantem-se um grande centro de atração turística, não haverá cobertura cobertura do mercado do bolhão.
-Ó Pizzarro, aceito como um grande mercado de frescos, mas com os andaimes mantem-se um grande centro de atração turística! só se for de terceiro mundo! e depois não vai ter cobertura! quer dizer só vai funcionar de verão!?.
Se for só para dares uma caiadela, não gastes dinheiro no mercado, vê-se mesmo, que não conheces nada daquilo e do valor daquele património para falares assim tão ligeiramente, tenho pena.

O PORTO É GRANDE, VIVA O PORTO.

marujo88 disse...

Está tudo dito, é uma vergonha estes gajos dizerem que defendem o Norte, e na primeira oportunidade, vão a correr buscar os maiores defensores do centralismo para dentro do canal, exemplo mais recente, Bagão Félix.
Aliás o Júlio Magalhães nem sequer é do Norte, portanto está tudo dito.
E não digo mais, senão teria que ser desagradável, e eu respeito muito este blogue.
Abraço
Manuel Moutinho

Silva Pereira disse...

Boa tarde,

Excelente, nada a acrescentar.

Nota: no meio disto tudo espanta-me a postura do FCP até parece o marido enganado que é o último a saber

Rui Valente disse...

Caros comentadores e amigos,

desculpem algum atraso na publicação dos vossos comentários, mas há mais vida para além do Renovar o Porto.

Espero que compreendam.

Um abraço a todos

Rui Valente disse...

Porto Grande Viva o Porto,

penso que interpretou mal Manuel Pizarro. Penso que o que ele quis dizer com a não colocação de cobertura no Bolhão, é que a ideia peregrina de cobrir o mercado iria retirar a genuidade do mesmo, o que não significa que não se criem melhores condições e conforto para os mercadores trabalharem (pessoalmente também concordo). Normalmente, quando se mexe muito no que está bem, estraga-se. Assim como discordo da construção de um parque automóvel subterrâneo, porque além de encarecer muito a obra não creio que haja dinheiro para tanto. Ainda havia outro inconveniente que era o de atrair automóveis para o centro da cidade. Agora que o Bolhão precisa de obras profundas, isso precisa. Aquilo assim não é nada.

Quanto ao ter dito que "com os andaimes o Bolhão era um centro de atração turística, ele queria seguramente dizer: "mesmo assim, com andaimes, o Bolhão atrai turistas".

Não estou a ver que os queira deixar lá, como é óbvio. Nem me passa pela cabeça tal coisa.

Paulo Moreira disse...

Parece-me que o Porto Canal só vai avançar e melhorar quando o Júlio Magalhães sair de lá.
É preciso alguém que defenda verdadeiramente o Norte, sem receios de nada e de ninguém.

victor sousa disse...

não tivesse o homem uma estratégia de afirmação pessoal, e esses convites assim a modos de quem diz: "tás" a ver?!Aqui não somos sectários!
De outro modo, não convidava gente do perfil do Malheiro ou Salas. Que têm estes indivíduos de relevante, a não ser ajustarem-se à estratégia do Juquinha?