10 agosto, 2015

Eu, treinador de bancada, penso de que...



...nada me impede - como diria o saudoso professor Hernani Gonçalves que tive o prazer de conhecer pessoalmente no final dos anos oitenta - de dar uns "bitaites" sobre o que penso acerca das tarefas de um treinador de futebol, sem que isso me torne numa espécie de José Mourinho frustrado.

Vem isto a propósito das prestações da equipa do FCPorto na pré-temporada e dos jogos que pudemos observar durante o respectivo estágio e que, pelo que vou lendo na blogosfera portista, anda a preocupar muitos adeptos. Do meu ponto de vista, e pelo que li, não me parece que essas preocupações sejam exageradas, apesar de ainda agora estar a começar o campeonato. Há limites para tudo, até para a paciência e  dar tempo ao tempo.

Como muitos desses adeptos, essa inquietação prende-se com o modo (ainda) algo instável de jogar da equipa do FCPorto e com alguns vícios verificados na época passada, que parecem manter-se, e que trouxeram alguns amargos de boca ao nosso clube, não obstante a boa prestação na Champions League, o mais grave dos quais foi a impossibilidade de conquistar qualquer troféu.

De positivo para a nova temporada, além da contratação de alguns bons jogadores, é não vermos tanta contenção de bola na rectaguarda, nem tantos passes lateralizados ou atrasados, apesar de, aqui e ali, se notar uma certa tendência para emperrar o jogo nas laterais. Dado, mais uma vez, termos contratado cerca de 8 novos jogadores, excluindo os que transitaram da equipa B, receio que para o treinador isso possa significar uma tarefa acrescida em termos de adaptação ao seu estilo de jogo, facto que tive oportunidade de enunciar pouco antes da época terminar como um eventual problema.

Acho muito interessante os comentários portistas que vou lendo sobre esta matéria (alguns dos quais subscrevo), para ultrapassar a questão relacionada com a (ainda) baixa profundidade do jogo portista e que explica a falta de golos. Uns, reclamam um ponta de lança de créditos firmados, outros, bons extremos, que saibam subir e cruzar com qualidade para a área, e outros um médio ofensivo para desbloquear as defesas contrárias e com isso criar desequilíbrios. Para mim, acho que algumas destas opiniões são aceitáveis e se justificam. O mistério para mim, é desconhecer o que pensa Lopetegui e a estrutura directiva sobre este assunto, já que a este nível, não sei até que ponto o treinador pode "burilar" tecnicamente os jogadores que tem para as tarefas, em que o plantel, chamemos-lhes assim, está mais "manco".

Já no que concerne a equipa B, constituída por jovens com grande margem para evoluir, não penso o mesmo. O treinador tem outro tipo de responsabilidades, é mais um corrector de hábitos, e movimentos. O treinador dos B tem naturalmente menos pressão, dispõe de mais tempo, e porventura de mais liberdade para "educar" os seus pupilos, para lhes corrigir os defeitos e as tendências para fazerem as coisas à sua maneira, para o individualismo exagerado, para jogarem sem levantar a cabeça, para recearem rematar de primeira, etc., etc., etc. Tudo isto, repito, até prova em contrário, é um dos trabalhos básicos mas fundamentais de qualquer treinador do escalão  júnior. Ora, não é essa conclusão que retiro quando vejo as equipas de Luís Castro a jogar. Sigo amiúde os jogos da B, e noto pouca ou nenhuma evolução de ano para ano no modo de jogar de alguns jogadores, com demasiados toques, pouca objectividade e uma parcimónia irritante para atacar a bola na hora H. O ano passado, estive desde o início à espera de ver esses vícios corrigidos com o avançar da época, e fiquei completamente defraudado. 

Não conheço o Luís Castro, por isso, não tenho nada contra e até tenho uma óptima impressão dele enquanto pessoa, mas sinceramente, não posso deixar de apontar-lhe o dedo acusatório pela lenta evolução de muitos jogadores da cantera portista com talento para dar e vender, mas que precisam urgentemente de alguém que lhes diga o que devem e não devem fazer, e que os saiba disciplinar como mandam os livros, caso não lhe obedeçam...

Se porventura estiver enganado, se a um treinador de júniores não é exigido o trabalho que atrás enunciei, espero que alguém mo comunique, porque nesse caso, até eu sirvo para treinador.  


1 comentário:

Anónimo disse...

Luís Castro, é um treinador como lhe dizer, um pouco manga de alpaca, muito maneirinho para trabalhar miúdos na fronteira de serem homens no futebol. Muito educado com um futebol à imagem de Lopetegui, será que ele é o indicado para ensinar e tirar defeitos as jogadores que já pensam que são craques que jogam numa divisão cheia de manhas, com muitos jogadores em fim de carreira...

Quanto ao Porto Canal em relação ao FCP tudo na mesma, nem é carne nem é peixe. No que toca ao FCP tudo muito politicamente correcto sem grandes informações do clube, o presidente quase não utiliza a estação televisiva para falar aos sócios, em fim, nos 45 minutos à Porto é para dizer muito pouco ou quase nada...

Abílio Costa