07 janeiro, 2016

A suave beleza da monarquia

Tenho por hábito inscrever, num armazém de memórias com pretensão a diário, a forma como as acontecências quotidianas me vão marcando. Recuperei de 1 de Dezembro passado, esta pérola de fervor patriótico.
“O governo de Passos Coelho, tocado pela centelha nacional-socialista, de obediência cega à führer Merkel, proclama a dignidade do trabalho e institui o Arbeit macht freicomo supremo desígnio da nação. Segundo os heroicos patriotas do PC e Bloco, Passos alienou a lusa pátria ao imperialismo teutónico e, no sentido de combater a preguiça congénita dos portugueses, reduziu-lhes os feriados nacionais.
Pôr o país a trabalhar mais está bem; anular-lhe a história, isso é que não. O 1º de Dezembro é intocável. Viva a monarquia, abaixo o rei. Hoje, que se comemora a restauração da independência e a morte dos que se venderam a Espanha.
Que lógica assiste a esta proclamação paradoxal? Porquê uma monarquia sem rei? Esperem que eu explico esta minha serôdia aderência a um projeto pró-monarquia. Os que me conhecem como indefetível republicano tenderão a classificar-me como louco ou traidor. E, para traidor, só a solução que os conjurados utilizarem com o Miguel de Vasconcelos – lançamento do alto das ameias da liberdade. Perguntarão alguns:
- Quais as vantagens da restauração da monarquia?
- A melhoria da competitividade empresarial que nos permitisse ombrear com as maiores potências económicas do mundo? A resposta é não.
- A atenuação dos impostos usurários que tendem a reduzir a classe média a um novo lumpemproletariado? Também não.
- A erradicação do nepotismo que vinga na classe política e que é causa de favorecimentos vários que optam pelo amiguismo em detrimento da competência? Não, outra vez.
- A criação de um escol de políticos com elevada dimensão patriótica, com vida social e profissional relevantes e que entrem na política com espírito de missão? Mais uma vez, não.
- A criação de uma escola que respeite os valores que sedimentaram, para o bem e para o mal, a idiossincrasia que a história nos inculcou? Redondamente, não.
- A promoção de um sistema universal de saúde que não permita que nenhum cidadão, legal ou ilegal, preto ou amarelo, rico ou pobre, novo ou velho, fique sem os cuidados de saúde quando deles necessite? Outra vez, não.
- A responsabilização da família na formação dos filhos que evite que a escola se torne num gueto de irresponsabilidade que amedronte professores e funcionários? Não, também aqui.
- A procura de finanças públicas justas que coloquem o Estado ao serviço do cidadão, evitando todos os desperdícios, e que, adequados investimentos públicos e privados, concorram para a melhoria da saúde económica do país? Também isso, não.
Então por que carga de água quererás tu a monarquia?, perguntariam os meus interlocutores já desnorteados.
- Por causa da bandeira. Sim, vocês já viram como a bandeira monárquica é linda. Uma bandeira azul e branca que nos extasia os olhos e aquece a alma. O símbolo central realça a conjugação de duas cores tão perfeitas. Instaurando a monarquia, o azul e branco constituir-se-iam como as cores da nação. Depois, fazia-se outra revolução e mandava-se o rei para o exílio, ali para os arrabaldes sul de Vila Franca de Xira e recuperava-se a República sem as cores cruentas e sanguinárias que caracterizam a bandeira republicana. Verde e vermelho, não podem dar uma bandeira estética e eticamente aceitável.
A monarquia é a solução transitória para Portugal se tornar num país eticamente saudável e esteticamente admirável. Uma república com bandeira azul e branca realiza a utopia da perfeição. Tenhamos coragem de a implantar.

[ José Augusto Rodrigues Dos Santos/Porto24]

Nota de RoP:
Como terão reparado, o artigo não é de agora. Inseri-o, não por ser apologista da monarquia (tal como o autor), mas por partilhar com ele o gosto pela bandeira monárquica, bem mais bonita e elegante que a da República, que acho de um mau gosto inominável. 

1 comentário:

Anónimo disse...

Realmente... Não é por ser Azul, mas parece que os monarcas tinham melhores gostos. As cores da nossa bandeira da república são feias, se calhar era tempo se fosse possível claro, de mudar com outras cores.
O hino também deixa muito a desejar, lá com a cantiga às armas contra os canhões marchar marchar. Por ter a minha opinião não deixo de ser mais ou menos patriota, sem o Centralismo seria mais como é óbvio.

Abílio Costa.