08 fevereiro, 2016

É inútil fazer de conta que temos líder


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Agora, mais a frio. Desculpem se me recuso a inverter a ordem da pirâmide hierárquica, mas tem de ser assim. Foi assim que me ensinaram, é assim que deve ser.  Se o fizesse, estaria a ir contra as minhas convicções e a contribuir para adensar os nossos problemas, que já não são poucos. Sempre que se trata de avaliar uma organização, da mais sofisticada à mais simples, seja ela desportiva, empresarial ou política, a escala das responsabilidades mede-se na descendente. 

Pode afirmar-se, sem risco de equívoco, que o FCPorto acumula em si mesmo essas três vertentes (desportiva, empresarial e política), e nem creio ser preciso explicar porquê. É talvez por essas razões conjuntas que escrevo mais do FCPorto do que seria natural, caso vivessemos num país eticamente justo e respeitador dos valores da democracia. Não vivemos. E é por saber que não vivemos num país desses, que considero inqualificável o comportamento de Pinto da Costa e do corpo directivo do FCPorto.

Podem-me dizer que não é a Pinto da Costa que compete resolver problemas do fôro político, mas isso é não compreender uma realidade indesmentível: na sociedade contemporânea quase tudo é político, pouco sobra da generosidade e do desprendimento. Não falo de política no sentido partidário, mas sim do modo como avaliámos a própria política e os efeitos daí decorrentes. 

Pinto da Costa foi (foi) um competentíssimo dirigente desportivo que elevou o FCPorto ao  mais alto nível do futebol mundial, com recursos desproporcionais aos êxitos conseguidos contra adversários nacionais e estrangeiros económica e politicamente mais favorecidos. Lutou internamente contra a macrocefalia da capital e a discriminação consequente. Essa, foi a faceta política de Pinto da Costa que devia ser da responsabilidade dos vários governos.  Realizou negócios excelentes na compra e venda de jogadores e treinadores, com idênticos resultados no âmbito desportivo, provando habilidade na área empresarial do futebol.

Foi a  trilogia Desporto/Empresa/Política, porventura dissimulada, mas eficaz, que fez dele o líder do futebol português mais temido e invejado pelos adversários e respeitados pelos portistas. Provam-no, as perseguições com julgamentos na praça pública de que foi alvo, tendo como objectivo acabar com a supremacia nacional do FCPorto. 

O certo, é que, não obstante a absolvição no vergonhoso Processo Apito Dourado (para a Justiça Desportiva e Comunicação Social), os seus delatores continuaram (e continuam) a difamá-lo e a discriminar o clube como queriam, numa despudorada falta de respeito pelas decisões dos tribunais. Se foi por desgaste físico ou psicológico que Pinto da Costa mudou, não sei, o que posso dizer é que a vil estratégia resultou. Pinto da Costa claudicou. O silêncio, à mistura com o distanciamento dos adeptos, são a prova magnânima do que agora está a acontecer no escalão principal do futebol.

Na vulgar entrevista que deu ao Porto Canal, Pinto da Costa afirmou sentir-se em boas condições de saúde para se recandidatar à presidência, mas as alterações do seu comportamento apontam o contrário. Nada  nos garante que ele esteja consciente dessa mudança, e o que é mais grave, poderá não ter a noção do mal que está a fazer a todos os portistas, que são a alma do FCPorto.

Afinal, o que se passou ontem no Dragão no jogo com o Arouca, não foi mais do que o reflexo de outro triste episódio da capitulação do dirigente portista.

Seria mais cómodo, menos comprometedor, estar aqui a falar da aselhice de José Angel, da atitude inenarrável de Maicon, ou da recontratação de Varela, mas isso seria virar ao contrário o pico da pirâmide hierárquica a que me referi no início. Era estar a lançar para cima dos jogadores e do(s) treinador(es) erros e competências de outros departamentos, que em primeira instância pertencem à área administrativa. É daí que nasce a fonte de toda a instabilidade ilustrada no rosto dos jogadores. 

Ontem, pela enésima vez, os jogadores e treinador provaram o fel amargo do que é jogar num clube sem alma para se respeitar nem coragem para se defender das arbitrariedades e dos ladrões que enchameiam o futebol português.

Meus caros, esqueçam a garra, essa coisa de jogar à Porto, porque isso, para já, não existe. Veremos na próxima sexta-feira se estarei enganado e tudo não passa de pessimismo derrotista...

Off topic:

Gostei de ouvir Bernardino Barros, ontem na TVI24. Não se coibiu de usar, alto e bom som, o verbo roubar, quando se referia ao lance de golo anulado ao FCPorto pelo fiscal de linha. De tal modo, que o ex-árbitro Pedro Henriques se tomou das dores da classe, mostrando-se muito ofendido pelo uso da expressão, mas teve de engolir em seco. Não deixou de mandar um recado ao silêncio do FCPorto, o que se aplaude, tendo em conta o medo que se instalou nas hostes portistas.

O curioso (ou, nem por isso), é que Bernardino está mais à vontade na TVI que no Porto Canal. Por que será?


4 comentários:

marujo88 disse...

Ontem fui ao estádio e fiquei arrependido por ter ido, nunca pensei ver um espectáculo tão triste como aquele, desde o golo aos primeiros segundos de jogo até à roubalheira daquele filho da puta irmão de outro filho da puta que passou pela arbitrgem e agora é dirigente da mesma, até áquela vergonhosa actuação do Maicon,(dizem que estava lesionado), mais uma razão para não fintar o adversário naquele sitio do terreno.
Para terminar há muita gente no FCP que não merece o nosso esforço nem o nosso respeito.
Abraço
Manuel da Silva Moutinho

Anónimo disse...

O Guerreiro o General teve o seu tempo, hoje com a idade acomodou-se, há que dar lugar alguém mais novo que sirva o FCP e não se sirva dele.
Há muitos anos que o futebol está viciado por um Clube Batoteiro, mas houve tempo que o guerreiro o General tinha forças para destruir essa força maligna, hoje, nem coragem tem para falar aos adeptos, para se manifestar dos roubos das arbitragens ou pedir desculpa de tantos equívocos nas escolhas de treinadores e jogadores. Não é só presidente o principal culpado, por lá andam outros que também têm culpas no cartório... ficamos por aqui.

Costa do Castelo

Deacon Blue disse...

Caro Rui,

Aconteca o que acontecer, mesmo que ganhemos na sexta feira, nada garante que logo a seguir voltemos a baquear no jogo seguinte. Andamos nisto desde a epoca passada. Desculpe mas o proximo jogo ja e muito tarde para provar o que quer que seja, ou vamos acreditar pela milhesima vez em que???
Eu quando vi este filme a repetir-se, desliguei-me! Faltam sinais claros faceis de entender no futebol que as coisas estao a mudar porque tambºem, para alem de tudo, esta equipa de futebol tem uma qualidade fraca ao contrario do que se diz. Temos uma das piores defesas dos ultimos anos, redes incluido seja ele qual for.

Para alem disso, o clube esta esteril no poder do futebol portugues, nao tem influencia, nao tem peso, nao tem importancia, é desrespeitado todas as semanas.

O nosso clube pela vós do seu presidente, nao se da ao respeito, nao impoem respeito!!!

Isto esta uma bandalheira, mas bago é coisa que nao falta, e venham mais nao sei quantos jogadores...

O FC PORTO ESTA A ATRAVESSAR UM DOS PERIODOS MAIS NEGROS DA SUA HISTORIA!

SNR PINTO DA COSTA! E AGORA??? O QUE TEM PARA NOS DIZER??? OS ADEPTOS, SIMPATIZANTES E SOCIOS SAO CLIENTES ???? TENHA VERGONHA!!! E RESPEITE A ALMA DO CLUBE! O SR NAO É DONO DO CLUBE!

Deacon Blue

Anónimo disse...

Temos que apostar mais na formação e só ir buscar poucos mas bons jogadores para os lugares certos e deixar de fazer favores para com empresários e dirigentes que querem ganhar dinheiro à custa do clube, porque esse é que o grande problema.

Naquela equipa poucos são os jogadores que sentem o Clube. Será que o Comandante, anda assim tão distraído e ainda não reparou que o FCP está a perder a sua Identidade! Ou deixa as pantufas e dá corda aos sapatos, ou então pense duas vezes, porque essa de quem vier atrás e fecha a porta não é provérbio para esta grande enorme Instituição.

Abílio Costa.