29 setembro, 2016

As coincidências não acontecem por acaso

Lendo as declarações de Júlio Magalhães publicadas no Jornal de Notícias de hoje percebemos a força do título deste post.

O director do Porto Canal parece ter-se especializado na arte de fazer seus, sucessos alheios, ou na melhor das hipóteses, de grande parte deles. Não é a primeira vez que, servindo-se das audiências ocasionadas seguramente por uma maioria de adeptos portistas, decide transformá-las de forma aleatória em audiências do canal, o que não corresponde integralmente à verdade. Esta visão, é tanto mais distorcida quanto incoerente, se atendermos às suas próprias afirmações de considerar o Porto Canal "generalista", e não um canal misto como é, dado a sua forte componente desportiva. São aproveitamentos desta natureza que fazem abortar a melhor das ideias. Se adivinhasse esta salada russa, nunca teria concordado com a opção de canal generalista/desportivo.

A cisma (ou complexo de inferioridade) de J. Magalhães querer separar o Porto Canal da celagem regionalista pode transformá-lo num canal demagógico. Se por um lado reconhece - sem nunca proferir a palavra - a macrocefalia dos canais lisboetas, por outro, persiste em dar-lhes palco, chama-os a si com muita honra (como costuma dizer), qual menino bem comportado. Se quisesse ser coerente, não desperdiçava tempos de antena com figurinhas da capital que nem sequer gostam do Porto, e que até têm contribuído para a sua discriminação, e ocupava-o prioritariamente com gente do interior nortenho, do Minho a Trás-os-Montes, e... do Porto.

O director do Porto Canal age como um meio-Cristo, tolerante com quem não o quer, e pouco cooperante com quem devia. Não foi por dar a outra face que Pinto da Costa (seu actual patrão) chegou onde chegou. Talvez seja por agora ter perdido essas características que o clube está como está, triste e indefeso. Talvez seja também este o modelo que Júlio Magalhães pretende implantar no Porto Canal para o afundar.

Há notoriamente uma ideia poética de fazer televisão que não se coaduna com o país real. Ele não deve ler jornais. Se o fizesse, verificaria que estão todos sediados em Lisboa e que actuam com o mesmo espírito centralista e egocêntrico das televisões. Espírito esse que o Jornal de Notícias resolveu agora imitar, traindo a memória dos seus fundadores, reforçando a cobertura a sul e à capital, numa clara atitude de subalternidade à sombra de um pluralismo que Lisboa não pratica.  

Que serventia poderá objectivamente prestar ao Porto uma televisão acrítica, não reactiva, incapaz de promover debates sérios e contínuos para desmascarar os impostores, tendo de mais a mais, uma componente social desportiva, quando não quer tirar partido dela para defender o FCPorto de arbitragens fraudulentas? Que lugar terá afinal o Porto nos critérios do seu director? E quem quererá um canal passivo, e contemplativo com os seus inimigos?  Não bastará o exemplo comprovadamente falhado de Pinto da Costa com resultados miseráveis para o FCPorto (e humilhantes para os portistas) desde que optou pela via cobarde (sim, cobarde!) do silêncio? Pretenderá também ele contribuir para esse peditório, em vez de o combater? Mas que raio de lutadores são estes? De que massa serão feitos? Tencionará também dar cobertura  aos nossos rivais lisboetas (porque não também promover) quando diz que "tenciona dar mais voz ao desporto nacional" e nos lembra que o FCPorto "não joga sozinho"? Desconfio sempre deste tipo de linguagem, para mim, é como uma premonição para mais cedências ao centralismo.

Lá diz o povo, e é verdade, que quanto mais nos baixámos, mais se nos vê o traseiro. Não será este o exercício prático que o Porto Canal nos reserva?

Não queria acabar sem dedicar umas linhas de justiça e reconhecimento a quem tem contribuído pela positiva para o sucesso relativo do Porto Canal.

Ponho à frente do pequeno plutão o Joel Cleto e o seu excelente programa "Caminhos da História", o "Mentes que Brilham", o "Consultório" (de utilidade pública), e o"Mundo Local".  É possível escapar-me mais um ou outro. Para o caso, é irrelevante.

O fundamental, quanto a mim, está por fazer, e pelos sinais de fumo que nos chegam, não é para amanhã.


20 comentários:

António Correia disse...

Boa tarde.
Sou portista há 67 anos.
Faço minhas as suas palavras.
Continue a remar contra a maré...
Cumprimentos.

Miguel Lima disse...


ainda vamos ver o "chouriço" do gosma da Selva lá pelos estúdios da Senhora da Hora...

abr@ço
Miguel | Tomo III

dragao vila pouca disse...

Não é com esta gente, seguramente, que vamos dar a volta ao texto. O combate não se faz com gente medrosa, politicamente correcta e com medo de queimar os dedinhos junto dos amiguinhos da capital do império.
Abraço

Rui Valente disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rui Valente disse...

Vila,

A esta hora, a Ana Guedes cavalga na onda elogiosa do seu Porto Canal. São só flores e "medalhas de mérito"...

Não discordo da iniciativa de dedicarem esta semana a transmissões fora do Porto dos telejornais em várias cidades nortenhas, bem pelo contrário, aprovo incondicionalmente.

O que já não aceito é a postura de meninos bem comportados que permitem que a sua região e cidade estejam a ser constantemente humilhadas pelos canais de Lisboa centralistas. E não é só no desporto.

Se pensam que assim vão ser reconhecidos bem podem esperar sentados.

Um abraço

jchs disse...

O Rui Valente "bate" no Júlio Magalhães como se ele fosse o responsável máximo do canal.

Acontece que não é.

Acima dele está o Manuel Tavares (ex-director do Jornal de Notícias), presidente da Porto Média, que passa sempre entre os pingos da chuva, e, ainda mais acima, o presidente Pinto da Costa, que o Rui Valente, bem, também critica.

O Júlio Magalhães, como director-geral, não tem mais do que cumprir as ordens que vem de cima.

Claro que na parte operacional, por exemplo na escolha de convidados, ele poderia impor as suas directizes, e neste ponto tendo a concordar com o Rui Valente. Acontece que nesta matéria o Júlio Magalhães parece-me que pretende ser muito abrangente, inclusivo e aberto, se fosse ao contrário também acabaria por ser criticado. No fundo são opções, e no final acaba-se por ser preso por ter cão e por não ter.

Anónimo disse...

O Porto Canal é um fiasco, Com alguns (poucos) programas como diz que se pode ver, o resto é um vazio de ideias.
Quando o sr PC deixar o FCP em paz e vier alguém com outra visão de como servir o FCP, o clube vai ter que ser independente em relação a um Canal, que seja só seu como têm os outros clubes.

Abílio Costa.

Rui Valente disse...

Jchs,

Concordo com parte da sua observação. Hierarquicamente o Manuel Tavares tem mais responsabilidades.

Mas, o JMagalhães tem o pelouro de Director Geral, que lhe dá alguma autonomia, e aqui lá esbarrámos nós com o empreguinho, ou seja, no sacro-santo alibi de não podermos rejeitar determinado tipo de trabalhos porque os malandros dos patrões podem-se zangar, pôr-nos na rua e lá se vai a estabilidade familiar. O que está a acontecer é uma vergonhosa abdicação da liberdade. Aí reside o problema.

Se formos por aí, então temos de bater no principal responsável/patrão: o senhor Pinto da Costa.

Anónimo disse...

COSTA DO CASTELO
O Porto Canal dá muito jeitinho para lá se meter uns familiares uns amigos, por isso é que o FCP lá tem o Canal, e quem paga? O FCP, e assim sustenta toda aquela casa da paródia e afins.

jchs disse...

Na minha modesta opinião, o verdadeiro problema do PCanal tem a ver com o conceito idealizado, que resumidamente consiste em ser simultaneamente 1)um canal generalista 2)um canal desportivo do FCP 3)um canal low cost.

Ora, isto é manifestamente impossível, é tentar a quadratura do círculo. Por isso, não caio na tentação de criticar os seus profissionais, que fazem o que podem nas condições que lhes dão, muito fazem eles.

Quem tem que definir políticas para o canal é a direcção do Clube.

Quanto ao Júlio Magalhães não o critico, pois, no fundo, acaba por trocar um lugar estável, bem remunerado e de prestígio na TVI, por um lugar onde são mais os problemas do que as mordomias. E, quer se queira, quer não, o canal acaba por beneficiar da sua reputação no meio.

Rui Valente disse...

Caro Jchs,

afinal você concorda comigo na questão do modelo de tv escolhido. De início até concordei com a ideia, mas sempre imaginei que essa ambivalência não nos colocasse entraves à liberdade de expressão. Por que raio pensa que não se vê massa crítica no Porto Canal, nem mesmo para defender os interesses do clube quando os de Lisboa dizem e fazem os que lhes apetece contra nós? Por que acha que devo poupar o Júlio Magalhães, é algum menino? Ele é muito bem pago para lá estar, ou julga que está a fazer-nos um grande favor?

Lembre-se de isto: o Porto e o FCPorto nunca conseguirão impor-se pela subserviência. Se hoje somos um país "independente" é porque alguém se sacrificou para isso. A comparação pode-lhe parecer absurda mas nós estamos a ser colonizados no nosso próprio país. Os homens vêem-se nestes momentos. E actualmente não temos ninguém que nos defenda, nem Pinto da Costa nem ninguém

Artur Matias disse...

O porto canal deveria ser um bastiao de defesa da descentralizacao que se procura. E tinha todas as condicoes para o ser, mesmo sendo semi desportivo, semi low cost, etc. Mas na realidade, sem ser o conteudo desportivo e um par de programas, tudo o resto é uma anedota. Com apresentadores empurrados a pressao, etc. Da pena ver, dado outros bons que por la existem.

Anónimo disse...

Nao percebo porque se discute tanto o porto canal!
Nao serve para nada, e so os velhinhos é que dão atenção aos programas que la passam!
Quando pinto da costa sair o julinho também sai de lá e ponto final fica resolvido e já não falta muito, não vale a pena perder tempo a discutir esse assunto! sdf

Rui Valente disse...


Se não percebe porque se discute é porque não quer perceber. A perspectiva é justamente procurar reverter esta situação, deixar de ser um canal coxo, para ser um canal útil para os portuenses.

Gostava de ter as suas certezas quanto à solução do problema...

ega disse...

Enquanto Portuense e Portista convicto não me entusiasma nada a ideia de um canal FC Porto. Seria redutor e abrutalhado.
Pelo contrario, a ideia preconizada para o Porto Canal - apoiada desde sempre por Pinto da Costa - parecia-me (e continua a parecer) boa e inovadora. Há vinte anos atrás seria difícil, eramos um clube praticamente confinado á Cidade e seus arredores. Isso mudou entretanto. Alargamos em muito a base de apoio, principalmente nas gerações jovens e no género feminino. Por isso estou convicto que a ideia continua com pernas para andar, fazendo bem com pouco, podendo ser uma espécie de locomotiva para a região e a cidade. O problema - e ele existe - são as pessoas e as respectivas estrategias. Gente como Manuel Tavares ou Julio Magalhães, eles próprios produtos do centralismo castrador e submisso, jamais serão capazes de implementar idéias inovadoras capazes de prender gente nova ao ecrã.
Sendo, neste momento, um crítico veemente a este Pinto da Costa amorfo e cansado, não o culpo directamente pelo estado do Porto Canal, apenas penso que se enganou na escolha das pessoas para gerirem esta empresa.
Acredito que com gente nova e corajosa poderemos, com muito trabalho, fazer uma coisa parecida com aquilo que a TV Galiza conseguiu: um verdadeiro canal de televisão que já ultrapassou a barreira regional.

Dragão Maronês disse...

O Porto Canal é uma salada sem tempero.
Tem alguns programas que acho excelentes, como o "Caminhos da História" que é dos melhores programas do género da TV portuguesa e o Imperdíveis. Gosto também das transmissões dos jogos das várias modalidades do nosso club que é o principal motivo que me leva a sintonizar o Porto Canal. Penso que essa treta de se fazer do Porto Canal um canal generalista para o todo nacional, não tem pés nem cabeça e Pinto da Costa de há uns anos atrás não permitiria seguramente
tal disparate.
O Pinto da Costa parece ter perdido a tesão, a nossa equipa de futebol também e o Porto Canal assim é um canal murcho.

Anónimo disse...

Nao percebo porque se discute o Porto canal não porque não quero, mas porque nao da mesmo!
Pinto da costa foi reeleito e muito bem pelos sócios do clube, ora a ideia do nosso presidente para o porto canal é precisamente para a qual julio magalhaes trabalha, estão os dois em sintonia e julio Magalhães não aceitaria um projecto como o porto canal, caso o presidente tivesse outra ideia para o canal senão a que esta em ser posta em pratica!
Independentemente do sucesso do canal ser maior ou menor, esta direcção do FCP pretende um canal do clube nos termos em que está e se os sócios não estão de acordo, a solução é mudar quem esta a frente do clube e que tenha uma ideia diferente para o canal!
Simples! Discutir o que? O que todos nos sócios quisemos? Reverter o que? O que foi estabelecido e sempre afirmado por pinto da costa?
SDF

Deacon Blue disse...

Bom dia,

Nas diversas incursoes que vou fazendo pelo Porto Canal, normalmente desisto ao fim de uns minutos (fora as boas execepçoes referidas pelo R. Valente), e desisto porque fico incomodado com o amadorismo dos intervenientes e dos programas. Parece que recuo 20 anos atrás...

Dá dó ver aquilo!

Em abono da verdade, a minha televisao actual passa em 80% por canais de series e o resto desporto e noticias, sobretudo debates.

DB

Rui Valente disse...

SDF

É impressionante a ingenuidade de certos portistas como você! O presidente foi reeleito, logo, não há discussão! Não pode haver contestação. Esta forma de ver as coisas no contexto actual parece uma provocação, é como ver nascer o rastilho de um incêndio e ficar à espera que ele aconteça.

Já disse, escrevi-o imensas vezes, que quando o FCP adquiriu a maioria das acções do Porto Canal achei razoável a versão generalista/desportiva. Isto, porque pensava que havia um projecto bem delineado para conviver pacificamente com essa realidade. Pelo que vi no passado e continuo aver agora, é que o sector generalista do canal se sente estupidamente na obrigação de passar conteúdos desportivos dos outros clubes, incluindo dos nossos maiores rivais de Lisboa, coisa que por lá só fazem para nos diminuir e prejudicar. Não tarda, começam a fazer entrevistas às vedetas da capital.

Por outro lado, queria saber que credibilidade têm Pinto da Costa e Julio Magalhães para se queixarem do centralismo se em vez de o combaterem, começando por rejeitar os seus defendores, abrem-lhes as portas! Mas o que é isto? Anda tudo doido e querem-nos contagiar, ou são masoquistas? Que portistas são estes?

Que decepção!

Anónimo disse...

Blogger ega disse...
Enquanto Portuense e Portista convicto não me entusiasma nada a ideia de um canal FC Porto. Seria redutor e abrutalhado.
Pelo contrario, a ideia preconizada para o Porto Canal - apoiada desde sempre por Pinto da Costa - parecia-me (e continua a parecer) boa e inovadora. Há vinte anos atrás seria difícil, eramos um clube praticamente confinado á Cidade e seus arredores. Isso mudou entretanto. Alargamos em muito a base de apoio, principalmente nas gerações jovens e no género feminino. Por isso estou convicto que a ideia continua com pernas para andar, fazendo bem com pouco, podendo ser uma espécie de locomotiva para a região e a cidade. O problema - e ele existe - são as pessoas e as respectivas estrategias. Gente como Manuel Tavares ou Julio Magalhães, eles próprios produtos do centralismo castrador e submisso, jamais serão capazes de implementar idéias inovadoras capazes de prender gente nova ao ecrã.
Sendo, neste momento, um crítico veemente a este Pinto da Costa amorfo e cansado, não o culpo directamente pelo estado do Porto Canal, apenas penso que se enganou na escolha das pessoas para gerirem esta empresa.
Acredito que com gente nova e corajosa poderemos, com muito trabalho, fazer uma coisa parecida com aquilo que a TV Galiza conseguiu: um verdadeiro canal de televisão que já ultrapassou a barreira regional.

30/09/16, 23:23
..............

É isto.