28 setembro, 2016

Estou farto

Sempre acreditei mais na força da competência que na competência da força. Foi com esse espírito que alimentei aquilo a que muitos chamam optimismo, ou confiança. Era assim que via cada jogo do FCPorto, porque acreditava no savoir-faire de quem dirigia este clube. Por isso desvalorizava o mau feitio de Pinto da Costa, porque sabia que era por aí que os seus adversários podiam atacá-lo, explorando-lhe as contradições, vasculhando-lhe a vida privada à lupa, promovendo investigações, violando o segredo de justiça, publicando escutas e pressionando as instituições judiciais até parirem o "processo Apito Dourado", que se revelou inconsequente. Inconsequente na acusação, mas eficiente nos efeitos secundários, ao que parece...

A verdade é que nunca imaginei que o mau feitio de Pinto da Costa se virasse contra os próprios adeptos e chegasse a ponto (agora falo por mim) de não suportar ouví-lo. Na actualidade, cada vez que abre a boca parece-me uma provocação. Só que, ao contrário de antigamente, que mexia com a dor de cotovelo dos clubes da capital do império, agora, provoca os portistas com frases ambíguas que os deixa à beira de um ataque de nervos. Ainda há pouco o ouvimos no Porto Canal (sempre, tarde e a más horas), a reconhecer que o FCPorto tinha batido no fundo, que estava a trabalhar para termos de novo uma equipa à Porto, e agora sai-se com a conversa de estarmos num período de transição, que mais não é que uma desculpa para a eventualidade de uma nova época de angústia e humilhação. Nestas condições, as probabilidades do insucesso se estenderem às modalidades e aos escalões da formação são muitas. O contágio negativo resultante de uma liderança fraca, é o inverso de uma liderança forte que motiva e empolga, costuma é ser mais rápido.

Por tudo isto, não vou perder o meu tempo nem manter a minha confiança a quem já não a merece. A partir do momento em que Pinto da Costa desistiu de liderar, sem o assumir, e sem perceber os danos terríveis que está a causar ao FCPorto, que são os seus adeptos, tudo o que vier a acontecer para o bem e para o mal, é mero totobola. Fazendo figas para que nos calhe a chave da sorte, não serei eu a felicitar Pinto da Costa. Ele é o principal problema do clube. Ser  grato pelo que ele fez no passado sou, o que não penso é que a gratidão deva  sobrepôr-se ao FCPorto, nem que navegar serenamente na sua decadência seja a melhor forma de continuar a merecê-la. 


1 comentário:

Anónimo disse...

Todos nós que gostamos do FCP estamos fartos de discursos da treta, de se jogar tão mal mas que o próximo jogo vai ser diferente e voltarmos a jogar na mesma, um futebol com os mesmos vícios e pecados e nada é corregido.
Alguém que se agarrou ao poder e não sai vive do passado pouco interessado com o presente e muito menos com o futuro.

Abílio Costa.