26 setembro, 2016

Como se avalia um treinador?

A qualidade de uma marca só pode ganhar prestígio após muitos anos de testes, dependendo do produto. Alguns desses produtos, como sapatos e vestuário, podem ser os próprios consumidores a reconhecer-lhes a qualidade, usando-os.  Numa fábrica de calçado, por exemplo,  a produção passa sempre por vários sectores, começando previamente pela qualidade das matérias-primas, passando pelo design, pelo operário e finalmente pelo controle de qualidade. Já com o produto futebol a coisa não é tão simples. É talvez o único artigo que o consumidor não pode testar pelos seus próprios meios, a não ser no final de cada época, o que diga-se de passagem, é demasiado tarde para se precaver... Além de que, se o consumidor de calçado sempre pode mudar de marca, o adepto de futebol normal nunca muda de clube. E por que será?

Porque, se em cada início de época não conhece o valor do treinador e de uma grande parte dos jogadores, também não tem meios para avaliar as suas respectivas competências, excepto nos dias de jogo. Se jogam bem e ganham, não há problemas nem lugar para os porquês, apenas confiança no futuro. Quando não jogam bem e fazem maus resultados, levanta-se a suspeita e a curiosidade de conhecer as causas, instala-se. É o meu caso. E nem sequer estou a referir-me especificamente ao plantel da equipa principal do FCPorto. Refiro-me a todos os escalões de futebol, desde a formação aos profissionais, baseado nos muitos jogos que venho acompanhando.

Não devia dizer o que vou dizer, mas como há sempre quem confunda a crítica construtiva com óperas e ballets, adianto desde já que não a publicaria se visse o contrário daquilo que vejo. Portanto, como quero o melhor para o FCporto não me parece estimulante contentar-me com o sofrível. E o que é que mais critico nos nossos jovens atletas da formação que porventura devia ser extensível aos treinadores?

Primeiro: evolução com bola. O uso e abuso, de toques e mais toques na bola, depois da recepção até esbarrarem nos adversários e perderem-na, em vez de a passarem ao companheiro livre de marcação e melhor colocado.

Segundo: gestão da velocidade. Por que é que em Portugal a velocidade de jogo é tão lenta, e tardia? Por que é que só se aceleram os jogos quando já pouco tempo resta para o seu fim?

Terceiro: remates. Neste capítulo, sucede o mesmo que na evolução com bola. Contam-se às dezenas as situações em que os jogadores optam por "preparar" a bola quando esta devia ser rematada espontâneamente. O que acontece na maioria dos casos é nem sequer terem tempo para chutar, por terem-no oferecido à defesa contrária para se reorganizar, gorando assim a oportunidade de marcar.

Quarto: concentração. Quantas e quantas vezes os jogadores que têm bola são surpreendidos e desarmados pelas costas por não se darem ao cuidado de olhar com atenção para a zona periférica em que se encontram? A lentidão dos movimentos, tem também estes inconvenientes...

Quinto: desmarcações. Este aspecto está muito pouco desenvolvido. Não são raros os momentos em que o jogador que ganha a bola e desencadeia um contra-ataque, não tem a quem a passar por não haver quem se desmarque para a receber.

Sexto: força muscular/remate fraco. É outro ponto a reflectir. Grande parte dos jogadores nacionais são fracos nesta vertente. Raramente vemos jogadores com boas características para chutar e não me parece que seja um problema genético.

Enfim, se o que acabo de expôr fosse a excepção e não a regra, estas seis observações não fariam qualquer sentido nem me atreveria a cità-los, porque não tenho vocação para ficcionista. O que gostava de esclarecer de uma vez, e não vejo como - porque não sei com que convicção os treinadores corrijem e ensinam os jogadores da forma mais útil a toda a equipa -, era saber qual é efectivamente a sua influência, ou a falta dela,  nos treinos.

No futebol, só no fim do campeonato podemos avaliar a sua eficácia. No entanto, durante o seu longo percurso podemos ver as "amostras" através das exibições, sem contudo podermos saber com exactidão onde estão os erros. É estranho que tenha de ser assim, porque hoje em dia o futebol é uma indústria cara. Não pode pois, dormir em serviço, como paradoxalmente vem dormindo o patrão do FCPorto.


2 comentários:

Deacon Blue disse...

Boa noite,

Dos seis pontos referidos, no jogo de hoje, nem um, unzinho tem nota positiva.

Evoluçao na degradaçao!

E nao me venham falar da 2ª parte que jogou melhor!

Tanga!

Até quando o gozo?

Abraço
DB

Anónimo disse...

Há treinadores que são lideres e inteligentes há outros que são treinadorzinhos que lhes disseram pagas o curso e és treinador. Como tudo na vida há treinadores craques, bons e maus, agora um clube como o FCP precisa de um treinador que tenha dado provas, ou que vejam o seu valor não encima do joelho mas muito bem pensado.
O presidente está em desespero porque não ganha nada desportivamente e financeiramente a bater no fundo. Nós imaginamos qual o motivo da sua recandidatura, diz que sai aos 80 anos, mas o que é isto meus senhores "diz que sai aos 80 anos!" Então um clube com a grandeza do FCP se compadece destes caprichos!...
Ontem mais uma vez viu-se que este FCP está doente e já começa a incomodar quem gosta e ama o clube sem contra partidas, há que dar um murro na mesa antes que as coisas piorem mais.

Abílio Costa.