02 abril, 2017

Dar a outra face não é a solução

Ainda há no universo portista adeptos muito ingénuos. A continuarem neste registo complacente, qualquer dia só vão considerar más arbitragens quando forem os árbitros a marcar golos contra o FCPorto pelos próprios pés.

A pior coisa que pode haver numa sociedade - e o desporto faz parte dela -, é os cidadãos habituarem-se à sua degradação, qualquer que seja o sector onde está instalada.

Uma parte considerável dos árbitros portugueses são mesmo desonestos, mas não propriamente burros. A esperteza deles, diga-se, é do tipo saloio, mas em Portugal, pela tradição permissiva das suas gentes na coisa pública, é suficiente para serem bem sucedidos. Se há coisa que eles sabem fazer, é olhar pela sua vidinha, é agradarem de preferência aos poderes instalados ainda que isso lhes custe a má reputação que hoje têm. O lema instalado é: o que conta é o pilim... E assim é, porque quem devia dar o exemplo, faz precisamente o mesmo.

Dizem  os portistas mansos que o árbitro de ontem (Carlos Xistra)  não foi dos piores, mas falta-lhes explicar em que aspecto específico, porque discordo completamente se a referência tiver a ver com a arbitragem propriamente dita. A arbitragem foi má, porque não diferiu de muitas outras em que independentemente da evidência da falta, o árbitro não hesitou em apontar para a marca de grande penalidade (foi categórico) a uma simulação de Jonas. Agora, se se referiam à componente teatral, aí sim, podemos dizer que o árbitro foi um grande artista, sem que isso justifique os cartões amarelos mostrados exclusivamente a jogadores do FCPorto quando os batoteiros se fartaram de dar porrada. A isso não se chama boa arbitragem em país nenhum.

Se abomino a mentalidade vigarista e trauliteira dos benfiquistas e da turba que lhes dá corpo, não sou eu que vai pedir para os emitarmos, mas também não precisamos de fazer de passarinhos. O que gostaria de ver no Porto Canal, para além das reclamações legítimas que têm feito das arbitragens (já lá vão 3 anos de malfeitorias), era ver mover aos infractores as respectivas acções jurídicas daí decorrentes. Como é?  Vamos ficar-nos pela constatação de factos? De que provas mais precisaremos para além das imagens para metermos em tribunal esta gente?

Fico estupefacto quando vejo alguns comentadores do FCPorto lamentando-se, por exemplo, do tratamento dado aos adeptos portistas em certos estádios com as entradas tardias de uma, ou mais horas, e ficarem-se pelo lamento. Mas que raio de solidariedade é a do FCPorto que se basta em confirmar ocorrências, em vez de as contestar a quem de direito? Pergunto: se algum de nós, em vez de ir ao futebol, fôr ao teatro, ou ao cinema, pagar o bilhete, e nos fecharem as luzes a meio do espectáculo dando-o como terminado, não existirão leis neste "Estado de Direito" que contemplem a indemnização devida? Então, por que é que aceitamos ser tratados desta maneira? Acham porventura que é assim que nos vão respeitar?

Sinceramente não aprecio mesmo nada esta nova maneira  do FCPorto estar no desporto! Creio mesmo que este papel manso e vulnerável só nos tem trazido dissabores, que se reflecte até na forma de jogar dos nossos jovens atletas. Parece que lhe falta ambição, força física mesmo no sentido lato, ainda que o discurso pareça forte. Detesto a conversa politicamente correcta, a linguagem do dizer as coisas, e o seu contrário, para manter a reputação intocável e disponível para outros palcos (clubes, e estações media)... Não soa a nada, ou melhor, soa a oportunismo.

6 comentários:

Jorge Vassalo disse...

Subscrevo tanto, mas tanto, caro Rui!

Grande abraço, que nunca se cansem os seus dedos!

Jorge Vassalo

marujo88 disse...

Estou de acordo com tudo o que escreveu Rui, mas infelizmente vai continuar tudo na mesma.
Abraço
Manuel da Silva Moutinho

Anónimo disse...

Rui, concordo plenamente consigo, e até digo mais, não é só alguns portistas que dizem que arbitragem foi razoável, o próprio presidente e também o treinador, era melhor que não falassem da arbitragem antes de verem bem os lances e tudo que lá se passou no jogo e depois falassem a frio.

Claro que houve uma grande Xistrada no aspecto disciplinar como técnico onde o FCP foi penalizado. Os vermelhos que deram pau, que um jogador investiu à marrada ao nosso treinador e não levaram um único amarelo, os jogadores do FCP levaram cinco. Tecnicamente um penalti por marcar à entrada da área ao Soares, um fora de jogo tirado ao Jota quando se isolava, é escandaloso...

Como é Possível ver um ministro das finanças ao lado de um ladrão e caloteiro que lesou o país em milhões, e depois não querem que digam nada desta promiscuidade. Infelizmente temos um clube neste país, clube esse do regime, que faz tudo o que quer, um presidente que enquanto lá estiver continua a sua saga de lesar o país e toda a canalha política lhe beija a mão.

Abílio Costa.

Rui Valente disse...

Abílio,

tudo é possível, meu caro.

Estamos em Portugal, o tal país das descobertas de novos mundos mas que deixou muitos herdeiros completamente diferentes, como crápulas, infiéis e rufias.

Nestes aspectos, podemos dizer, sem errar muito, que a diferença de classes quase nem se nota...

Soren disse...

Caro Rui, quando ouvimos o presidente e o treinador a dizer que a arbitragem foi boa... quando no pênalti o Felipe toca a bola e quando os lampiões não tiveram um único amarelo e o Jonas acabou o jogo. O Eliseu fez umas 6 faltas que não foram assinaladas etc etc.

Faz cair por terra toda o esforço de comunicação feito no Porto Canal nos últimos meses. É gozar com a nação Portista. Mas como ninguém entrega o cartão de sócio como protesto, não vamos sair da cepa torta tão cedo.

Rui Valente disse...

Olá Soren!

é como diz, agora ninguém pode confiar nas declarações do presidente, porque está manifestamente apartado da realidade do clube.

Lamento dizê-lo, mas neste momento só está a contribuir para a estagnação do clube. Nota-se e contagia-se em diversos aspectos. E o problema é que os adeptos não se atrevem a assumí-lo.