06 junho, 2017

Revelações selectivas


OS FAMOSOS CMEC
Quando a EDP era pública investiu na construção e manutenção de várias centrais elétricas. Quando preparava a venda da empresa a privados, o Estado criou os Contratos de Aquisição de Energia (CAE), que obrigavam à compra de toda a energia produzida naquelas centrais e barragens.
Depois da privatização, a propaganda do capitalismo popular depressa terminou (chegou a ter 800 mil pequenos acionistas) sob a pressão dos grandes interesses financeiros e a empresa acabou nas mãos do Estado chinês. Mais, a liberalização do mercado que, garantiam, ia trazer a Portugal as maravilhas da concorrência, não resolveu nenhum problema. O mercado continuou concentrado, dominado pela EDP, e a conta da luz astronómica. Porquê? Porque os donos da EDP instalaram-se no melhor de dois mundos: lucros privados com subsídios públicos. A partir de 2007, por ação de governos do PS e depois do PSD, os CAE dão lugar aos Custos de Manutenção de Equilíbrio Contratual (CMEC) a pagar pelos consumidores para sustentar os lucros da empresa. Em poucas palavras, são contratos que garantem que a rentabilidade daquelas centrais da EDP não será inferior a 14% ao ano.
Descobrimos então o segredo do sucesso da EDP, a empresa que lucra mil milhões ao ano, e do seu supergestor milionário, António Mexia. O truque são estas rendas excessivas que a EDP coloca na fatura com a cumplicidade dos governos. Os CMEC já chegaram a atingir um terço dos lucros da elétrica. É também por isto que pagamos uma das eletricidades mais caras da Europa. A promessa de "capitalismo popular" da privatização da EDP mostra a sua verdadeira face: os cidadãos são postos a pagar o suposto sucesso dos gestores no mercado livre.
A investigação judicial que agora decorre, e que constituiu como arguidos o superadministrador Mexia e outros três altos responsáveis da EDP e da REN, é mais uma página desta longa história. Da justiça só podemos esperar que faça o seu trabalho, de forma isenta e célere. Do ponto de vista político, o essencial mantém-se: as rendas da energia são excessivas, resultam da promiscuidade entre política e negócios e têm de ser finalmente cortadas. O acesso automático à tarifa social, proposto pelo Bloco, pôs a EDP a assegurar um desconto significativo para mais de 700 mil famílias carenciadas. É um passo, mas está muito longe de ser suficiente. Basta olharmos para o peso dos custos energéticos na economia das famílias e das empresas. É preciso coragem e vontade política para cortar nestes subsídios e colocar um ponto final no rentismo do setor elétrico.
(de: Mariana Mortágua, no JN)
Nota de RoP: Esta menina, como toda a gente ligada aos partidos, da esquerda à direita, às vezes dizem coisas interessantes e fortemente credíveis. Só têm, um problema: todos sofrem de amnésia quando o vigarista se chama Orelhas. Por que será? Penso, penso, e volto a pensar, e não consigo imaginar... 

3 comentários:

Anónimo disse...

Neste país de ladrões não acontece nada porque todos têm telhados de vidro. Eles são todos amigos, a justiça ausentou-se para algures e toca gamar, roubar, desviar e quem vier atrás que feche a porta.
O Orelhas vale azevedo 2 pode roubar vigarizar à vontade desde que ele dei-a alegrias estes parasitas todos da esquerda à direita, ninguém o vai trair, até porque os chefes são todos vermelhos, é o clube do regime está tudo dito.

Abílio Costa.

Anónimo disse...

Também porque os supostos politicos do Norte, se vendem por um prato de lentilhas. Não denunciando constantemente esse verme das orelhas, são cúmplices do estado salazarento.

Soren disse...

Anónimo das 16:40, tem toda a razão. A região Norte e a sua vermelhagem é conivente com o atraso social que se vive em Portugal.