22 janeiro, 2018

O Porto Canal do nosso descontentamento! É assim que se forja a união?


Quem enfiar o barrete que se assuma! Se quem concorda ser possível dar-se com Deus e com o Diabo e depois se queixa da hipocrisia dos outros, então é melhor ficar calado.

Antes de me explicar, reafirmo o que sempre prometi: nunca deixarei de dizer o que penso só para agradar a alguém. Gosto muito do FCPorto, será sempre o meu clube até morrer, mas não misturo esse amor com quem o dirige. Na melhor das hipóteses, não me custa nada reconhecer (até tenho muito prazer) o mérito a quem o dirige, desde que o faça com seriedade, competência e bons resultados. Foi isso que fiz com Pinto da Costa quando o merecia, mas não é isso que farei se esses pressupostos não espelharem a realidade. Antes de Pinto da Costa aparecer no FCPorto já eu era portista, e apesar de lhe reconhecer méritos passados, recuso-me a concordar com o modo quase ausente como agora tem gerido o clube. Não só não concordo, como não acredito que seja bom para o FCPorto. Aliás, para que não fiquem dúvidas, quaisquer que sejam as modalidades, os êxitos do FCPorto de ora em avante serão por mim atribuídos exclusivamente aos atletas e respectivos treinadores, e finalmente aos adeptos. Mais ninguém.

Voltando às explicações, começo por dizer o seguinte. Quando se toma uma decisão importante com traços de alguma ambíguidade, é preciso pensar bem para saber se não estaremos a meter um inimigo dentro de casa. Fui, como sabem, um apoiante da opção mista da linha editorial do Porto Canal. Sabia que não ia ser fácil, e que era preciso ponderar muito bem nos prós e nos contras dessa iniciativa, antes de seguir com o projecto. O FCPorto avançou, escolhendo para Director Geral alguém sem o perfil indicado para um cargo onde se exigia, além de dotes de comunicação, capacidade de liderança, e particularmente uma ampla visão política. Este projecto devia ter sido acompanhado de protocolos entre as autoridades das regiões para acautelar eventuais colisões, entre o desporto e a sociedade civil. Isso não foi feito, e como era de prever, as incompatibilidades estão a vir à tona de forma crescente. Mas, vamos a factos.

O Porto Canal decidiu realizar a Gala da "Braga Cidade Europeia do Desporto 2018", com Júlio Magalhães e Ana Guedes como apresentadores. Na plateia, encontrava-se o presidente da Câmara de Braga, político de quem (até ver) tenho a melhor opinião, mas também o bronco do presidente do Sporting de Braga e o inefável Hermínio Loureiro, pessoas conhecidas nas hostes portistas por serem de um anti-portismo primário e fiéis aliados do clube do regime. Como se isto não bastasse, o Porto Canal empenhou-se, com deferência, a entrevistar o Hermínio Loureiro como se nada tivesse contra ele, quando todos sabemos que tem. Pergunto: que interpretação podemos dar às prioridades do Porto Canal, quando elege gente desta estirpe para entrevistar? Ignorância pura e dura, oportunismo de jornalista amadora, ou hipocrisia profissional? 

Tenho a certeza que ninguém gostou desta deferência do Porto Canal, mesmo que a transmissão televisiva tenha sido paga para o efeito, tendo em consideração o clima crispado entre os dois clubes. Só a falsa ingenuidade pode explicar que uma coisa não tem a ver com a outra, porque por essa ordem de ideias teríamos de aceitar com igual disponibilidade a transmissão de um evento da mesma natureza se fosse o Benfica, ou o Sporting, coisa  que não faria o mínimo  sentido, como concordarão.

Importa também recordar que já não é a primeira vez que em Braga fecham as portas ao Porto Canal. De momento não recordo aonde, mas sei que isso aconteceu num jogo da formação e nas modalidades. Além de que, até prova em contrário, é o clube FCPorto o proprietário e maior accionista do Porto Canal. Como diria A. Guterres, é só fazer as contas...

Neste cenário incongruente, a roçar o absurdo, não sei que peso deva dar às próximas declarações do Francisco J. Marques e restantes comentadores do Universo Porto da Bancada quando falarem da hipocrisia de terceiros, sabendo que ela existe dentro de portas, com o país inteiro a contemplá-la. Mal de nós, se continuarmos a pensar que para nos afirmarmos ao país, como clube e como órgão de informação social, temos de vender a alma ao diabo.

Coragem, precisa-se, com carácter de urgência! 

OFF TOPIC:

O Expresso divulgou no sábado que o Novo Banco está a reestruturar a dívida de mais de 400 milhões de euros de Luís Filipe Vieira ao BES (recorde-se que Vieira é um dos maiores devedores a este banco que foi intervencionado pelo Estado e cuja ruína destruiu as vidas de tantos milhares de portugueses).
A operação de reestruturação é complexa. Basicamente, o Novo Banco decidiu entregar os melhores ativos de uma empresa de Vieira a um fundo, administrado por uma empresa chamada Capital Criativo, para que possa explorá-los e rentabilizá-los.
Curiosamente, a tal Capital Criativo é administrada por Nuno Gaioso, que é vice-presidente e administrador do SAD do Benfica de Vieira, e em parte detida por Tiago Vieira, que é filho de Luís Filipe Vieira.
Em síntese: o Novo Banco contratou um homem de mão de Vieira e uma empresa do filho de Vieira para gerirem a dívida de Vieira. Entretanto, os lesados do BES continuam a arder.
Se o Benfica é, desde o Estado Novo, um clube de regime, Vieira afirma-se, cada vez mais, como uma eminência parda deste regime: mexendo-se nas sombras, tudo lhe é permitido; várias das mais altas figuras do Estado prestam-lhe vassalagem; isto apesar de nada na sua vida pública indiciar que se trata de uma pessoa respeitável.
(Fonte: Baluarte Dragão)

Nota de RoP: a União Europeia saberá que tem no seu seio um país que dá aval a uma vigarice desta envergadura? 

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