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06 março, 2012

Um Porto Canal desnorteado, ou falta dinheiro?

Já chegamos a Março, e não se vislumbra nada de novo sobre a anunciada programação do Porto Canal para esta data. Admitindo existir algum atraso nos trabalhos, estranha-se a ausência de informação no sentido de tranquilizar os espectadores que continuam ansiosamente à espera da tal televisão inovadora, apontada ao Norte...

Com um pouco de vontade, a direcção do Porto Canal teria, pelo menos, dado um sinal de respeito pelos telespectadores que, nem sequer tiveram tempo, nem razões poderosas - à excepção das clubistas, e de alguns programas que, reconheça-se, já vinham da anterior Direcção -, para se sentirem fidelizados. Os noticiários estão longe de satisfazer, e ao fim de semana são servidos requentados, tal como a programação, o que, se não se arrepiar caminho, podem afastar definitivamente o público alvo.

Pessoalmente, já me habituei à ideia de que em Portugal as expectativas sobre as boas iniciativas devem de ser controladas com uma boa dose de modéstia, porque o aparato do que nos é anunciado* nunca corresponde ao "produto final", ficando quase sempre distante da realidade. Pelo pouco de "novo" que me é dado observar, receio que a linha editorial do Porto Canal não traga nada de verdadeiramente inovador aos nortenhos. Na política, os debates, limitam-se a copiar o que se faz noutros canais, e os protagonistas são exactamente os mesmos. Se é assim que tencionam ajudar a Região não terão grande futuro. 

Convirá recordar que o FCPorto tem a responsabilidade da gestão do Porto Canal desde Agosto passado, mas para já, mantém a parceria com os espanhóis da MediaPro [os donos do canal] assim como a opção de compra ao fim de dois anos.

Tenhamos pois um pouco mais de paciência, e aguardemos.  

* O "novo" Jornal de Notícias, que tanta propaganda fez à nova imagem, de novo, não trouxe realmente nada, excepto a côr. Muito vermelho, muito Sul e... uma cópia miserável do Correio da Manhã. 
Por este andar deixo de o comprar. Já faltou mais.  

20 fevereiro, 2012

Os debates do Porto Canal e da concorrência "convivem" em paz

Qualquer nortenho atento e de espírito independente, terá percebido que a massa crítica de Lisboa é tudo menos isenta. Tem uma visão redutora do país, e vive completamente despreocupada com as aparências, porque não precisa, não dá oportunidade ao contraditório, e está sempre a jogar em casa [como se diz na gíria do futebol], mesmo quando está fora de casa...

Fazendo uma breve sondagem pelos quatro canais sediados em Lisboa [RTP, 1 e 2, SIC, TVI e sucedâneos], encontramos uma série de programas de futebol [onde se discute mais de arbitragens e menos de futebol], com comentadores dos 3 clubes ditos mais representativos do país, votando quase ao anonimato todos os outros, o que revela de per si uma baixa noção de democracia das respectivas directorias. Mesmo assim, desses 3 clubes, um há que convive em clara desvantagem com os demais, que é o FCPorto, porque tem de combater com armas desiguais contra quatro opositores, e não apenas dois, como ingenuamente se faz crer: os dois adversários tradicionais [Benfica e Sporting],  o pivôt, e finalmente a produção. Nestas circunstâncias, que são recorrentes e de longa data, o FCPorto só pode contar com a capacidade de argumentação dos seus comentadores, e da sua combatividade, porque o resto, é tudo oposição, e da pesada... 

Os dois clubes de Lisboa uniram-se na conspiração "Apito Dourado", e unem-se sempre que não conseguem dar luta no campo de jogo, ao FCPorto. Paralelamente, o trabalho dos "moderadores" é tudo menos imparcial, dele se destacando um manifesto sadismo  em associar as victórias do FCPorto a erros de arbitragens, mesmo que - como vem acontecendo com assinalável frequência - o número de grandes penalidades não marcadas a favor do FCPorto justifique certificado de garantia. Por último, os outros opositores, são as régies das estações de tvs, os homens das câmaras, que tratam de encobrir, ou mesmo  privar, a boa visibilidade dos lances que possam dar razão ao FCPorto. Tudo isto é feito, nas barbas dos comentadores portistas que, com receio de serem dispensados, caso levantem demasiados "obstáculos", acabam por ser demasiado condescendentes com as trampolinices dos anfitriões. 

Por outro lado, o Porto Canal, até para debater futebol, optou por uma política respeitável de comentadores demasiado soft, mas sem retorno prático, dada a genética incapacidade dos nossos adversários em conviver com os bons hábitos  e a seriedade. Tarde ou cedo, o FCPorto irá compreender que para lutar contra esta gente vai ser preciso usar as mesmas armas, isto é, fingir que é democrático e escolher minuciosamente os alvos que quer atingir. A RTP, chama repetidamente aos seus estúdios, para debater futebol, gente ligada ao Benfica e ao Sporting, e contudo deixa passar a ideia que está a fazer um trabalho sério, ou se o não consegue, passa mesmo assim a mensagem que verdadeiramente lhe interessa. Nós podíamos fingir que entramos no jogo, e passar a insinuar, como eles insinuam quando eles insinuam, para ver como reagiriam. Talvez uma estratégia dessas pudesse provocar o contraditório e despertar consciências [se as houver]...  O Porto Canal, até ver, não está a tirar  o melhor partido da televisão na defesa do FCPorto. Eles lá para baixo, branqueiam a arbitrariedade da Comissão de Disciplina da Federação e dos próprios árbitros, que castigam sem pestanejar o FCPorto por dá cá aquela palha, e ignoram graves ilegalidades praticadas pelo treinador do Benfica com um despudor revoltante. O FCPorto cala, e quem cala, consente.

Talvez me esteja a escapar qualquer coisa, mas não me parece que a estratégia do silêncio venha a surtir efeitos vantajosos para o clube. O Benfica faz parte do centralismo, é seu irmão gémeo, e esse continua a não ser combatido com a agressividade que se impõe. Nós, no Porto, e em todo o Norte, não andamos propriamente a ser tratados democraticamente [e com respeito] pelo governo central em termos políticos,  e muito menos, com  atitudes afectuosas. No futebol passa-se o mesmo, ou pior. Somos discriminados, sem vergonha, nem pudor. Por que teremos nós, então, de continuar a apostar na parcimónia do politicamente correcto, quando estamos é a ser efectivamente agredidos? Que permissividade é esta que só agrava a nossa vida e a do nosso clube? Acho, que o que está faltar ao Norte, é mesmo agressividade. 

Infelizmente, a violência raramente cede ao verbo. Tal como o poder, ninguém dele abdica, passiva ou democraticamente.

O vídeo que aqui se pode vizualizar constitui outro traço marcante dos noticiários centralistas. O centralismo é como a água, infiltra-se por todo o lado.
          

03 fevereiro, 2012

Preocupações de Júlio Magalhães denunciam a cobardia das elites nortenhas


Suponho que valerá a pena ler as declarações de Júlio Magalhães proferidas 4ª.feira passada, na tertúlia do café Astória, no dia em que assumiu a direcção do Porto Canal para confirmarmos que o mal do Norte está nas suas elites:

«A RTP tem esvaziado a sua redacção do Porto e a primeira vaga de despedimentos já falada vai começar por esta delegação. São 400 no Porto mas esquecem-se que em Lisboa são 2000. E ao que sabe será uma saída forçada de 150 profissionais. A SIC fez um grande investimento num estúdio fantástico em Matosinhos mas agora não tem operacionalidade. E na TVI também houve esse esforço na minha direcção mas agora não se vê na nova grelha conteúdos que possam ser desenvolvidos no Porto», falou, munido de profundo conhecimento de causa. Mediante isto, Júlio Magalhães foi directo aos desígnios que o acompanham no projecto que acaba de abraçar.
  
«Está aberto o espaço e esta é uma possibilidade única de ter um canal do Porto aberto para todo o país. Queremos fazer do Porto Canal uma referência, também de serviço público, oferecendo amplitude de conteúdos em difusão por cabo. E, finalmente, quanto mais possível, dar expressão a vozes do norte de todas as áreas, chamando massa crítica e formando talentos», sublinha Júlio Magalhães, esperançado em dar a volta às dificuldades inicias encontradas, autêntico espelho fiel de um país dominado pelas directrizes da capital.

«Além de ser importante sensibilizar a norte algumas instituições para que deixem de estar de costas voltadas, o entrave maior que já comecei a sentir prende-se com a tentativa de estabelecer parcerias com empresas de cá, que me remetem para as suas sedes em Lisboa», relatou Júlio Magalhães, já desprendido «da cadeira do poder na TVI», desgastados por algumas lutas internas e apostado em dar um rumo mais revigorante ao Porto Canal e para isso apelando a uma maior união e cumplicidade em torno das novas ideias.»

Só espero é que Júlio Magalhães não caia no mesmo erro das elites nortenhas, e se lembre de convidar para o Porto Canal os despedidos da RTP, alguns dos quais são cúmplices do centralismo. Se não for cuidadoso no recrutamento e selecção de pessoal, arrisca-se a destruir o novo projecto do Porto Canal. Gente que se dá bem com Deus e com o Diabo, é do pior que há para o canal dar o tal salto de qualidade.

Espero também que não caia na armadilha de escolher como convidados, toda a comandita de figuras públicas e privadas, que nada de bom fizeram pelo Norte. Que deixe o Prof. Marcelo lá pela TVI, pois nunca o ouvimos preocupado com a discriminação centralista contra o Norte. 

Nós precisámos de despoluir o ambiente de protagonistas papagaios e fúteis, precisámos de esperança, de gente nova e descomprometida com o passado. Não precisámos de ouvir cassetes usadas.    

 

21 outubro, 2009

Fernando Tavares demitiu-se da direcção do Porto Canal

O director de Informação do Porto Canal, Fernando Tavares, demitiu-se segunda-feira do cargo que detinha desde o início das emissões do canal, há três anos, confirmou esta terça-feira à agência Lusa o próprio.

"Demiti-me mas, para já, não quero adiantar as razões", acrescentou Fernando Tavares.
O jornalista, que era responsável pela informação do Porto Canal desde a sua fundação, esteve anteriormente ligado ao processo de formação da NTV e foi, durante 11 anos, jornalista da TSF.
Fernando Tavares trabalhou ainda para a RTPN e foi um dos criadores do programa desportivo da RTP "A Liga dos Últimos".
Em Setembro, o director-geral do Porto Canal, Bruno Carvalho, cessou funções e assumiu a direcção de Conteúdos e Grandes Formatos da Media Luso.
Bruno Carvalho foi substituído pelo realizador Juan Figueroa, que já integrava a estrutura do projecto.
A Media Luso, uma participada do grupo espanhol Media Pro, é accionista maioritária do Porto Canal.
O Porto Canal iniciou as suas emissões a 29 de Setembro de 2006, apresentando uma grelha com 24 horas diárias de transmissão televisiva.
[Fonte JN]
OBS.-Vamos lá ver se esta notícia é apenas a sequência de um desajuste salarial, ou se o prefácio de mais uma golpada centralista. Estejamos atentos.

16 janeiro, 2009

Não quero acreditar que seja possível

No meu post de ontem mostrava indignação. Hoje trata-se de perplexidade.


O Alexandre Ferreira relatou-me agora a fantástica experiência televisiva que foi o debate no Porto Canal sobre o Aeroporto, em que acontece mais ou menos isto:

Guilherme Pinto, QUE TEM INSTALADO UM AEROPORTO INTERNACIONAL NO CONCELHO A QUE PRESIDE, afirma que a ANA não vai ser privatizada mas sim concessionada.

Rui Moreira explica que não é bem isso, ao que Guilherme Pinto responde algo como "Ah não tinha ideia..."

Não tive ainda oportunidade de ver o programa, mas vou verificar assim que tenha algum tempo livre.