14 julho, 2015

Político, e atrasado mental?


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«Primeiro-ministro comparou a vitória portuguesa sobre a Troika com a "vitória" dos portugueses contra os castelhanos na Batalha dos Atoleiros. Espanhóis parecem não ter gostado.» Ler o relatório clínico aqui.

O homem deve estar completamente passado da cabeça. Mas não terá ele ninguém na família, no ciclo de amigos, ou mesmo no partido (aqui será mais difícil), que lhe digam, que por declarações bem menos graves, está muita gente internada em hospícios para doentes mentais? 

Estarão todos a fechar mal a porta, ou será pandemia europeia? 

Cada vez admiro mais o povo grego.

13 julho, 2015

O pasquim do JN e o novo filão chamado Iker Casillas


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Dadas as relações de proximidade entre o Jornal de Notícias - agora mais pasquim que nunca - , e Jorge Nuno Pinto da Costa, conselheiro editorial do mesmo, só falta entregar o Dragão de Ouro a toda a administração do JN e respectivo corpo directivo pelo excelente trabalho ao serviço do FCPorto: aqui, aqui, e aqui.

A isto, chama-se solidariedade à moda do Porto. Como, as tripas...

12 julho, 2015

Rui Moreira: “Devíamos falar menos sobre a Grécia porque também vivemos na rua dos pobres”


ENTREVISTA


Rui Moreira critica o Governo e o Presidente por “falarem de mais” sobre a situação da Grécia, assumindo o papel do “pobre-sério” que se procura destacar do “pobre-ladrão” sem se aperceberem que, no final, ambos podem estar ligados pelo mesmo destino.
A poucos meses da primeira metade do seu mandato na Câmara do Porto, Rui Moreira sente-se bem na pele de presidente e congratula-se com as transformações que conseguiu em matéria de cultura e de coesão social. Em parte, ancora o seu sucesso numa boa herança de Rui Rio, mas opõe ao seu antecessor um estilo de governação mais aberto e dialogante, no qual a vontade de “dessacralizar” a imagem do presidente, aproximando-a dos cidadãos, é primordial.
Moreira vai manter-se neutro nas legislativas e nas presidenciais, garante que se se recandidatar será novamente como independente e considera que Portugal só poderá recuperar parte da soberania perdida com a entrada no euro e com a “abdicação” ao memorando da troika se a Europa caminhar no sentido do federalismo. Até lá, quem determina o grau de austeridade não serão nem os eleitores nem o próximo Governo
Sente-se bem na pele de presidente-rei?
Não acho que seja um presidente-rei, mas gosto imenso de ser presidente de câmara.
Presidente-rei no sentido de quem cultiva uma faceta popular, que gosta de eventos com muita gente, que não limita ao gabinete.
Nesse sentido, acho que sim. Nós dissemos várias vezes que íamos tentar dessacralizar a visão que a cidade tinha dos anteriores presidentes de câmara, e não apenas do meu antecessor. Queríamos ter pelo contrário um modelo mais nórdico, mais anglo-saxónico em que o presidente da câmara é apenas ‘mais um de nós’. E nesse sentido acho que temos feito um pouco isso, quer eu, quer os vereadores.
A vontade de manter esse contacto com a população resulta da constatação que vive em estado de graça?
Não sei se é um estado de graça. Espero que seja um estado normal em que o presidente de câmara, que tenta interpretar a cidade, consegue viver. Se não for assim, não faz sentido. No dia em que eu tiver medo de sair à rua, nesse dia tenho de me ir embora.
Está coligado com o PS e, teve o apoio do CDS e a sua candidatura foi impulsionada por destacados militantes do PSD. Como vai gerir este saco de gatos nas legislativas?
Nas legislativas não vou gerir coisa nenhuma. Já disse que o presidente da Câmara do Porto não apoiará nenhuma candidatura, não é isso que me preocupa no dia-a-dia.
Mas, pessoalmente, qual é o programa político para o país que mais o atrai?
Nem sequer vou responder a isso. Se não estaria a fazer o que disse que não faria.
Esse distanciamento não torna a relação com o seu parceiro de coligação PS mais difícil? 
Não, isso ficou claro a partir da primeira hora. Fui eu quem ganhou as eleições e convidou o PS, não foi o PS quem ganhou as eleições e me convidou a mim.
Em relação à austeridade: acha que Portugal vai ter condições nos próximos anos para a aliviar significativamente?
Vai depender do que suceder na Europa. Isso não vai ser decidido pelo Governo português. Tudo aquilo que tem sido dito pelos vários partidos, e não apenas por aqueles que são candidatos à vitória, pressupõe sempre que nós temos hoje uma soberania total. Mas os países europeus, principalmente os que têm a nossa dimensão, perderam e abdicaram dessa soberania quando entraram para o euro e ao mesmo tempo não construíram uma outra soberania, que seria a soberania federal. A Europa dos directórios, que eu temi e sobre a qual eu escrevi mutas vezes no PÚBLICO, é que vai determinar se vai haver mais austeridade ou não. O Governo português, qualquer que ele seja, pode determinar onde é que vai aplicar a austeridade: se é aqui ou se é ali.
Actualmente temos em Portugal dois discursos políticos em confronto: um que aceita a austeridade como uma coisa natural e outro que promete luta contra essa austeridade, dizendo que é possível criar condições mais suaves para o país. Qual destas teses lhe parece mais consistente?
Eu creio que essas narrativas podem ser atractivas para as eleições importantes que aí vêm. Mas enquanto não percebermos o que vai acontecer à Grécia – e o que vai acontecer com a Grécia é algo que nós não conseguimos determinar -, eu entendo que os portugueses não devem fazer a sua escolha em função de que se vai ou não vai aliviar a austeridade. Eu pelo menos não o vou fazer. Pela simples razão de que isso não é determinado pelo eleitorado português. Não vão ser os nossos eleitores nem os nossos governantes que vão sair das próximas eleições que vão determinar isso.
Portanto, para si a Grécia é o mais importante assunto da política interna portuguesa?
Com certeza. Em que nós temos muito pouca intervenção. Não vamos ser ouvidos nem achados sobre a Grécia, mas o que vai suceder na Grécia e as consequências que virão a ter na Europa e na futura soberania da Europa é que vai determinar o caminho que o próximo governo português vai ter que seguir.

07 julho, 2015

Uma ditadura vestida de democracia


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Que  bom  seria   se   os  portuenses (todos)  acordassem  da  letargia em que  se   deixaram   mergulhar    e começassem   a  criar  barreiras aos avanços    da      política   de   terra queimada gerada pelo centralismo. 

Falar de centralismo, ainda é para muita gente uma abstracção. Por isso,  e  antes de  mais,  é  preciso interiorizar    que   para   haver centralismo tem de  haver centralistas, homens e mulheres com cargos destacados na política,  na sociedade civil e empresarial, que com ele pactuaram e que decidiram desenvolver as suas actividades da forma mais injusta e desonesta que se pode imaginar, que foi, entre outras cedências,  concentrar e transferir para Lisboa as sedes das suas empresas.  Falar de centralismo, é uma conversa longa, com muitas aplicações. É por exemplo, permitir que através de manipulações legais, um Governo eleito pelo país e para o país, desvie fundos destinados a regiões já de si empobrecidas, para outras mais ricas (Lisboa) com o consentimento de uma União Europeia caduca e ditatorial. 


Durante os anos que se seguiram à revolução dos cravos, permitimos muitas asneiras à classe política, por ainda termos pouca experiência democrática, e talvez por pensarmos que o próprio regime teria capacidade para se auto-regenerar nas situações mais difíceis, e que tudo acabaria por voltar à normalidade com as correcções devidas. Era mentira. A democracia é uma escultura que pede permanentes retoques, ajustamentos, regulamentos, não é, nem nunca será, obra acabada. Não se governam povos em regimes democráticos sem cuidar da democracia. Foi isso que nos aconteceu. Lenta, mas eficientemente os inimigos da democracia fizeram dela a arma quase perfeita das novas ditaduras, transformaram-na no melhor sedativo para controlar o povo, mas nem mesmo assim abdicam de recorrer à política do medo e da coacção.

Numa ditadura "clássica" a liberdade dos cidadãos era condicionada e politicamente perseguida por polícias políticas (PIDE-DGS). Nas ditaduras modernas como a que vivemos, temos a liberdade intelectual mais solta, mas mais condicionada, economicamente. Os sistemas bancários e políticos permitem (até ver) o espirro da revolta, o grito, mas fecham-nos o acesso ao nosso dinheiro se recusarmos as políticas de especulação financeira por si geradas. Outrora, no Estado Novo, havia censura, mas apesar disso, o Porto teve  liberdade bastante para implantar as sedes dos seus bancos, rádios e jornais dentro da própria cidade, e a partir daí, abrir filiais por todo o país. Que terão a dizer sobre isto os políticos de hoje?

Hoje, na nova ditadura, os Bancos com sede no Porto já não existem. As rádios  de referência morreram e os jornais também. O JN foi ocupado pelos lacaios do centralismo, e os portuenses parecem nem se importar... 

Ironia das ironias, a influência das novas ditaduras chegam a todo o lado. Foi a partir do momento que o FCPorto decidiu comprar o Porto Canal que o homem que tão bem liderou o FCPorto durante tantos anos, lhe virou as costas. Se, sem televisão própria, sabia defender o clube, com ela, cala-se e perde campeonatos. O mesmo jornal onde consta o seu nome no grupo do Conselho Editorial não arrepia caminho para colar o seu nome e o de Antero Henrique às ilegalidades do dono da  empresa de segurança (SPDE), e já é a segunda vez que publica as fotos dos dois com o referido segurança. E o senhor Pinto da Costa permite, cala-se,  não tem qualquer reacção... Isto é surreal, isto é intolerável.

Desportivamente, o balneário do próximo plantel parece não necessitar de limpeza. Quaresma e Helton (escrevam o que vos digo) se ficarem no clube e o treinador decidir dispensá-los como titulares, são meninos para desestabilizar o grupo de trabalho. A vinda anunciada de Casillas pode ser muito mediática, mas não será a mais ajustada à disciplina que atrás falei. 

Tenho a sensação de que a confiança que durante muitos anos mantive em Pinto da Costa se está a esmorecer. Espero que isto passe, e que ele me surpreenda. Mas algo me diz que tal já não vai acontecer. Se o Porto já não o que era, talvez  o FCPorto, ou Pinto da Costa estejam, sem saber, a seguir pelo mesmo caminho. 

06 julho, 2015

A Grécia e nós

Panteão Nacional
Enquanto uns (talvez os mesmos que não querem saber da regionalização para nada), rezavam aos santinhos para que o SIM ganhasse o referendo na Grécia, outros, como é o meu caso, torciam para que fosse o NÃO o vencedor. 

O NÃO venceu, e ainda bem. E digo ainda bem, não porque o voto no NÃO vá resolver de per si a situação miserável em que a banca internacional com "ajuda" de vários governos corruptos, deixaram a Grécia, mas sim por obrigarem a União Europeia e o Banco Central Europeu, a travar e repensar a estratégia de chantagem que estavam a seguir, e que ninguém pode imaginar quando e como iria acabar. O povo da Grécia pôs a União Europeia em respeito, ao contrário dos seus anteriores governantes que a conduziram ao estado calamitoso de dependência a que chegou.

Os gregos, ao contrário dos portugueses, submissos com os poderosos e valentões com os frágeis, lutaram e souberam ser suficientemente inteligentes para fazerem a opção correcta que - nunca se sabe -, se ainda não vamos ter de lhes agradecer... Nós, entretemos-nos a fazer do orgulho um adjectivo de banalidades, uma expressão fútil. Levámos o corpo de um jogador de futebol para o Panteão Nacional, só porque foi um bom jogador, e sobretudo porque através dele há quem queira imortalizar um clube. 

Meu avô, que arriscou a vida e lutou pelo país vários anos, que comandou tropas em Timor, Angola e Moçambique, que correu perigos (sim, no plural) sucessivos de vida, que sofreu atentados, que nunca se deixou corromper pelo poder, que teve a coragem de chamar à barra do tribunal alguns senhores poderosos do Estado Novo de honestidade duvidosa, mereceu por isso que o seu nome  fosse gravado numa rua do Porto, e mesmo assim parece não ter feito o bastante para ser sepultado no Panteão Nacional... 

Pela óptica desta canalhada de agora, que gastou horas e dinheiro a promover um clube de futebol com a morte de um simples futebolista, o Cristiano Ronaldo, que comparativamente a Eusébio foi muito mais longe na fama (porque é disso que trata), terá também seguramente reservado para si um lugar no Panteão... Por que não? E por que não Rosa Mota, Carlos Lopes, e Fernanda Ribeiro? Qual é o critério que os separa? A côr da camisola?

A quem se destina o Panteão:
Criado por Decreto de 26 de setembro de 1836, o Panteão Nacional destina-se a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao País, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade.

Nota do RoP:
Eusébio, foi o jogador benfiquista que mais respeitei e admirei até hoje. Não é a sua pessoa, o seu talento de jogador, ou o ser humano que está aqui em causa. É o critério da escolha, da decisão,  e o oportunismo político que o centralismo dele procura obter. 

Viva o povo da Grécia! Viva o Tsipras! Abaixo este Portugal de cobardes! Viva o Coronel Almeida Valente! 

27 junho, 2015

Jornal de Notícias. De Lisboa, para a província...



É inacreditável o que está a acontecer ao Porto, e aos nortenhos em geral. Nunca como agora - pelo menos nos meus anos de vida - o Porto foi tão desprezado pelos governantes. O artigo de David Pontes que publiquei anteriormente traduz apenas uma suma de muitos episódios lamentáveis, cada qual o mais humilhante. Mas, apesar das muitas lamurias dos autarcas regionais, não há um só que se atreva a romper com a muralha castradora das conveniências políticas para afirmar sem rodeios que a hora de exigir a regionalização chegou. É agora, ou nunca! Os argumentos para a obrigação de o fazerem muito antes nunca faltaram (desde 1976), até por se tratar de um dos princípios fundamentais da Constituição mais desdenhados pelos governos desde a sua aprovação (2 de Abril de 1976), e também porque o reservatório dos argumentos que os sustentam corre o risco de um dia explodir de cansaço e revolta.

É tempo para avançar de vez com a implantação das regiões. Provem que amam a democracia, que respeitam a soberania popular. Agora, acabem com esta continuada e desprestigiante (ouviu sr. Cavaco?) afronta à Constituição Portuguesa porque não o fazendo, darão também o direito moral aos cidadãos de afrontarem e desrespeitarem qualquer representante do Estado, seja ele 1º. Ministro ou Presidente da República. Não há soberania quando se trai por omissão ou propósito o seu documento maior, a sua Carta Magna. 

A Regionalização nunca foi para mim a panaceia para todos os males do nosso país, nem é qualquer termo mágico que uma vez proferido tudo resolve. Não. A imperiosidade da competência governativa mantém-se, mas é mais controlável. A grande virtude (quiçá a única) da Regionalização consiste na aproximação do poder aos cidadãos, com os seus problemas específicos. Para funcionar, é fundamental que goze de alguma autonomia política, caso contrário é mais um embuste. A promessa de descentralizar, como o tempo o  confirma, é apenas uma forma cínica de conservar o centralismo, a discriminação, o racismo entre regiões e povos do mesmo país. Não colhe, nunca colheu para mim, o suposto argumento que regionalizar é dividir, que é ferir a coesão nacional. Quando leio, ou oiço, este tipo de argumentação, não penso coisas nada boas sobre quem a apresenta. Pelo contrário, o centralismo, a macrocefalia do poder concentrado na capital é que está a fazer esse triste e miserável papel, e quem não o reconhece, é quem está irresponsavelmente a semear cisões, injustiças e revoltas. Quem defende este regime é um traidor, é um português falhado. Esses sim, são os verdadeiros apátridas, aqueles que querem moldar o cérebro de um transmontano ou minhoto ao "patriotismo" veiculado pelo cobarde poder dos media da capital.

Os media, sempre eles... Repararam bem no estilo do actual JN? Então, que tal? Tinha, ou não tinha razão quando deixei de o comprar? Cada vez se parece mais com o Correio da Manhã (hoje a capa saiu com a foto de L.Filipe Vieira, imaginem)... Por que será? Sonhei? Vi fantasmas? Não! É mais uma pata centralista no nosso pescoço, assim mesmo, nas nossas barbas e com o nosso miserável consentimento.

E o Porto Canal o que faz? Que serventia real tem para nós? Que trabalho de vulto, que objectividade podemos vislumbrar naqueles embalados de cópias, de programação, com horários part-time? Lisboa agradece. Não só o revigorar do fado  (muito presente agora), como as honrarias vip que continuam a dar aos lisboetas mais fúteis. Esquecem os Germanos Silvas, ou então convidam-no para falar do seu FCPorto, como se fosse essa a sua maior virtude, ignorando as suas esplêndidas qualidades de historiador, das quais nunca se lembraram. O Hélder Pacheco, outra figura culturalmente rica do Porto, só lá foi uma vez, nem mereceu uma entrevista, ou até mesmo um programa. Rui Moreira, é simplesmente assunto tabu. O Presidente da Câmara do Porto não comparece no único canal da região, porque sim. Não precisam de dar explicações aos portuenses. Para quê? Dá-se-lhes injecções de portismo, fala-se-lhes do Museu, que o futuro pode esperar e eles acham que para quem é bacalhau basta. Muito respeitáveis, sim senhor...

Agora, Pinto da Costa zanga-se com as pessoas erradas e escolhe mal os amigos...Mas que raio, que estranha doença, dominará a sua cabeça ?

Nota do RoP:
Antes que seja tarde, que alguém saque argumentos maliciosos para ver se me apanha em contra-mão, faço questão de explicar (se fôr caso disso) que o facto de continuar a publicar alguns artigos do JN não retira nenhuma coerência às minhas convicções sobre o reforço do seu alinhamento aos valores centralistas. Deixei de o comprar diariamente, logo, não ganham mais um cêntimo comigo.

Os jornais, todos eles, mascaram a sua falta de independência permitindo a publicação de uns artigos avulsos como o de David Pontes. Eles (administradores e directores) sabem como enganar a plebe: vendem o peixe que querem vender (o centralismo), e depois apresentam na montra uns camarõezitos inofensivos para poderem dizer que são democratas. Mas não são.  

Compare-se agora em baixo, o Artº.256º da Constituição de 1976 sobre as regiões administrativas, com este outro já à medida dos eternos manipuladores da Lei, com a abstracta revisão constitucional de 2005 (Artºs. 255º e 256ºs, aqui...


Decreto de Aprovação da Constituição nº CRP 1976 de 10-04-1976

PARTE III - Organização do poder político
TÍTULO VIII - Poder local
CAPÍTULO IV - Região administrativa
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Artigo 256.º - (Instituição das regiões)


       1. As regiões serão instituídas simultaneamente, podendo o estatuto regional estabelecer diferenciações quanto ao regime aplicável a cada uma.
       2. A área das regiões deverá corresponder às regiões-plano.
       3. A instituição concreta de cada região dependerá do voto favorável da maioria das assembleias municipais que representem a maior parte da população da área regional.
Início de Vigência: 25-04-1976

26 junho, 2015

As provocações não param. Haverá ainda quem não apoie a Regionalização?





David Pontes
A humilhação dos autarcas


O processo decorre em três atos, não ligados entre si, mas com traços comuns, que revelam uma tendência preocupante na nossa democracia. Mas antes das conclusões, alinhemos três episódios.
Primeiro, o das águas. Imaginem que são sócios de uma empresa e que o vosso sócio maioritário determina não só que a vossa empresa vai ser extinta, como vai ser integrada numa empresa muito maior. Sobre isto não têm direito a manifestar qualquer opinião. Aborrecido, não é? Muito mais se vocês forem sócios em representação de uma sociedade muito mais alargada (a dos eleitores) a quem só podem expor o vosso incómodo perante as ordens que vêm de cima, ou melhor dizendo, do centro? Foi isso que aconteceu com os autarcas na concentração das concessionárias da captação e distribuição de águas, no que muitos veem como uma antecâmara para a privatização.
Segundo ato, o dos transportes. Convocaram o vosso representante para uma reunião de um organismo que tem a morte anunciada (Autoridade Metropolitana dos Transportes do Porto) e ele é surpreendido pela agenda de uma reunião em que se decide entregar a concessão de linhas à STCP por dez anos, coisa que antes era feita após discussão com os municípios, numa concessão renovada de seis em seis meses e partilhada com empresas privadas. O representante dos municípios votou contra, mas a sua presença validou uma reunião em que os representantes do Estado votaram a favor em claro benefício dos privados que vão ficar com a concessão.
Vamos para o terceiro e final ato. No âmbito do próximo quadro comunitário de apoio os municípios que estão sob a circunscrição da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte são convidados a subscrever um Pacto para o Desenvolvimento e Coesão Territorial a que corresponderá um pacote de mais de 400 milhões de euros a que as autarquias ou as suas associações deverão apresentar projetos. E qual não é a surpresa quando se descobre que cerca de metade destas verbas estão destinadas a investimentos em infraestruturas que, apesar de se encontrarem geograficamente nos municípios, são da responsabilidade do Estado? Afinal, já não são 400 milhões, pois não? E ainda são os municípios que têm de entrar com a comparticipação nacional...
Não é difícil encontrar mais histórias como estas, o difícil mesmo é entender os serviços mínimos do Conselho Metropolitano do Porto ou da Associação Nacional de Municípios perante a irrelevância e a humilhação a que estão sujeitos aqueles que é suposto representarem.

25 junho, 2015

A solidão das lutas


Hoje quem luta e quem reivindica está sempre sozinho. Pode contar consigo ou com os seus e nada mais. Os mecanismos clássicos que geravam solidariedade foram erodidos na sociedade durante várias décadas e praticamente destruídos pela crise do "ajustamento". Há excepções, mas esta é a regra. 

 Isto significa que todas as lutas parecem ser corporativas, mesmo quando não o são. Esta "corporativização" dos conflitos sociais enfraquece o seu impacto, dá-lhes uma dimensão que parece, vista de fora, egoísta, e dificulta, quando não impossibilita, qualquer solidariedade activa. Cada um, a seu tempo, quando precisa de lutar, protestar, pura e simplesmente levantar-se e dizer que "não", vai pagar na sua solidão a indiferença que teve pelos outros. 

(Sábado)

23 junho, 2015

S. João no Porto. Esqueçam Passos e Cavacos, e divirtam-se

O típico São João no Porto, que decorre na noite de 23 para 24 de Junho, é uma festa popular, em celebração do São João Batista. Esta é uma das maiores e mais divertidas festas da Europa.


barco-rabelo
roda-gigante
baçao


Off topic

Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, criticou as opções de investimento em Portugal que comparou a uma "mesa de bilhar sempre inclinada para o mesmo buraco".

"Uma mesa de bilhar sempre inclinada para o mesmo buraco". Foi assim que Rui Moreira caracterizou as decisões de investimento tomadas em Portugal, durante a conferência de aniversário do Jornal de Notícias, esta quinta-feira, na Casa da Música.

"Leixões é a principal porta para as exportações nacionais mas a prioridade é construir no Barreiro", criticou o autarca.

Rui Moreira referiu ainda que "é uma vergonha" que o Compete não fique numa região de convergência e afirmou mesmo que fica com a "impressão que há uma mão negra para que Portugal continue a ter regiões de convergência para atrair verbas" que o autarca diz que depois não beneficiam estas zonas.


O presidente da Câmara do Porto disse ainda que é apoiante da regionalização mas salientou que neste momento isso não está nas agendas políticas, nem o eleitorado concorda porque está "desgastado pela crise".


Nota de RoP:

Pela parte que me toca, a Regionalização é sempre oportuna. Podia ser para ontem.

22 junho, 2015

Nós, os eternos imaturos, num país de sabichões






INÊS CARDOSO

O oó e a política


É um momento que dura breves segundos, mas suficiente para causar no mínimo um sorriso. "Façam um bom oó", diz candidamente o chefe de Estado aos jornalistas, para evitar perguntas aborrecidas sobre política interna. Foi na última semana e, mudando de geografia, também a diretora do FMI recorreu à infância para falar de coisas sérias. "Temos de recomeçar o diálogo, mas com adultos na sala", afirmou Christine Lagarde após mais uma ronda de negociações fracassadas sobre a crise grega. Espera-se que para a cimeira extraordinária de hoje todos tenham deixado o bibe em casa.
Não há posição mais cómoda do que pensar que o outro, o que pensa de maneira diferente, está sempre limitado por problemas de imaturidade. Infantilizar os eleitores é, aliás, uma estratégia comum perante resultados indesejados e uma tentação quando as sondagens não revelam o expectável. Como é possível que tantos portugueses admitam mais do mesmo, depois de anos de extrema dureza?, ouviu-se nos últimos dias questionar. E como pode explicar-se que sobre temas da maior importância, como a Segurança Social, os eleitores digam que não influenciam o sentido de voto?
As sondagens, já se sabe, falham com frequência. Há largos meses e muita campanha por correr até às legislativas e resta saber se passam, acima do folclore, ideias claras sobre o que se pode esperar de cada proposta. Mas há, muito para além do simplismo redutor das tendências de voto, sinais claros na sondagem publicada pelo JN de que os eleitores não são propriamente crianças.
Há, desde logo, um número expressivo de indecisos. Um em cada quatro inquiridos admite que não sabe em quem votar. Somemos a este indicador quantitativo outro qualitativo, com as palavras mais escolhidas para classificar os principais candidatos: "mentiroso", "incompetente" e "oportunista" são das que têm mais peso, com uma única exceção pelo meio ("bom").
Olhando para as entrelinhas das respostas, resulta claro que uma grande parte das pessoas está convencida de que não há, no panorama das propostas a votos, nada de diferente ou alternativo. A falta de confiança nos políticos é uma das mais evidentes leituras a fazer e deve envergonhar todos os que levam a vida pública a sério.
O eleitorado não anda, na verdade, a dormir. Falta é assistir a uma qualificação das propostas e dos protagonistas políticos que torne mais empolgante o momento da escolha. Que permita, depois da ida às urnas, uma noite de oó descansado.