01 junho, 2017

FCPorto, uma família de barões e súbditos?

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É difícil encontrar uma única explicação para a forma como os adeptos do FCPorto sentem e vivem o clube.

A situação deprimente que se instalou de há quatro anos a esta parte, não é a mais indicada para a concórdia. A vertente gregária do futebol, por vezes é volátil e enganadora. Quando as coisas correm bem durante longo tempo, instala-se o optimismo, o espírito de confraria, a comunhão de afinidades de que falei há uns dias atrás. Mas quando os momentos de tormenta se instalam, deixam de ser momentos para se contarem por anos. Aí, ninguém tem autoridade para negar aos adeptos o direito de questionarem o que aconteceu. Nem mesmo o presidente!

E questionar, é isso mesmo, procurar saber através das fontes possíveis, as causas que podem estar por detrás destas repetidas crises. Saber o que se passa através das fontes possíveis, não é o mesmo que saber de fonte segura.

Para evitar problemas, devia ser o presidente a explicar o porquê de tantas falhas, mas como ele pensa que não tem de o fazer, deixa o terreno livre à especulação. Pergunto: de quem será a culpa, se amanhã lhe chegarem informações falsas? Confundirá o senhor Pinto da Costa o FCPorto com uma empresa familiar? Se confunde, tem de haver alguém que o esclareça, porque os sócios pagantes têm direito a saber como anda a ser gerido o clube!

O FCPorto é uma sociedade anónima desportiva, com responsabilidades de gestão e organização, mas inclui outro tipo de sócios com objectivos distintos não menos relevantes, como apoiar as equipas e dar mais voz ao clube. Merecem pois mais respeito.

Não adianta, e cai muito mal, andarmo-nos a enganar uns aos outros. Nestes momentos (anos) menos bons, é natural que se criem clivagens e preconceitos. O Porto Canal é propriedade do FCPorto, e os colaboradores da área desportiva são seus assalariados. Daí compreender-se que preservem uma certa moderação crítica no que toca a gestão do clube. Mas já não se aceita que se dirijam aos adeptos para lhes sugerir como devem, ou não devem apoiar o clube, que blogues, ou que rádios devem seguir. Porque antes de serem adeptos são cidadãos livres. Pela minha parte, e sem falsas modéstias, posso mesmo garantir, sem risco de me enganar, que sou bem mais criterioso e exigente nas minhas escolhas do que muita gente que serve o FCPorto e o Porto Canal.

A blogosfera portista é mais antiga e diversificada do que Francisco J. Marques imagina. Por muito bem intencionadas que sejam as recomendações, como foi a de José Cruz no último programa do Universo Porto da Bancada, ela podem soar a "encomenda" nos espectadores mais atentos, e até nos adversários. Pode mesmo passar a ideia de cartilha com cores azuis e brancas... É preciso pensar melhor... 

Confesso que este desencontro entre gente que devia estar unida no que é essencial, por partilharem os mesmos gostos (já não digo interesses), tanto pelo clube como pela cidade, me deixa algo decepcionado. Tudo por uma tremenda falta de sensatez, e uma mal disfarçada soberba.

O FCPorto e o Porto Canal, não estão tão bem como se  imagina, marcam passo e estão a vulgarizar-se. O patrão é o mesmo, e isso explica tudo, ou quase tudo o que vem acontecendo.   

31 maio, 2017

O que me preocupa para lá dos bastidores do FCPorto


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Uma questão de Justiça

O que me preocupa e também muito me desgosta tem um nome, chama-se Portugal.

Um país, cujos representantes máximos teimam em perpetuar o clima de mediocridade cívica e intelectual de onde nunca chegou a sair, e que ainda por cima se gaba disso, nunca será um país evoluído.

Nem o 25 de Abril de 1974 serviu para aprendermos a valorizar a liberdade e a perceber a vulnerabilidade de uma democracia pobre de valores. Não soubemos robustecer a coesão nacional, nem tão pouco soubemos eliminar os fragmentos da sociedade pidesca que precedeu a revolução.

Portugal é um país habituado a auto-elogiar-se quase sempre à sombra do êxito individual de terceiros, talvez para encobrir as suas vulnerabilidades enquanto comunidade. O pior de Portugal não é a pequenez territorial, é a pequenez da mentalidade dos governantes e do consequente contágio popular. Da política, o composto que melhor souberam absorver foi a hipocrisia.  Não querem desistir dele...

Compreendo que, ditas assim, estas palavras possam transmitir a quem as lê sentimentos pouco simpáticos, mas a intenção não é essa. Não podemos avaliar um país movidos por rasgos de nacionalismo infantis, na maior parte das vezes forjados e veiculados pela classe política. A par disso, temos os media, os principais artífices, os veios transmissores de toda a demagogia. Ser patriota, não pode ser o que eles querem que seja, mas sim um conjunto idóneo de valores e percepções que depois de bem pesado, só a cada um de nós compete avaliar. 

Importa portanto reter, que quando falamos da trilogia dos três éfes (fado, futebol e fátima) não estamos simplesmente a citar rifãos do passado, estamos a afirmar uma prática de métodos pidescos que ainda hoje são postos em prática pelos governantes. Do segundo éfe da trilogia, ainda é no Benfica, que os regimes lançam âncora para alienarem parte considerável da população de forma a manterem-na devidamente embrutecida e controlada. É precisamente isso que ainda acontece hoje, e que a extraordinária visibilidade do futebol não pode mais encobrir. Que o diga o FCPorto...

Há uma agravante em relação ao passado fascisante no actual regime. A trilogia adquiriu um novo e poderoso parceiro. Não tem éfe, mas tem um C e um S e chama-se comunicação social. Quadrilha, assenta-lhe que nem uma luva. É outro monstro a combater, mas em democracia, democracia mesmo, é combatível. Assim queiramos nós.

Regressemos agora aos bastidores do FCPorto. Sendo o que atrás foi descrito pura realidade, grave, e facilmente comprovável com factos, continuo a pensar que o nosso clube não deve condicionar os seus legítimos protestos a uma denúncia pública num programa televisivo, por mais pertinente que ela seja (e, é). O FCPorto pode fazer a revolução sem revolucionar, desde que esteja disposto a tal e leve o caso às instâncias mais dignas da Justiça. Cá dentro, ou na comunidade europeia se preciso fôr, pois é a Democracia e os padrões elementares da ética que estão em causa.

Convém também tornar claro, que o FCPorto na sequência do logro em que se transformou o futebol português,  foi assaltado também na sua tesouraria como empresa e local de trabalho para muita gente.

Pessoalmente, encaro este caso como um crime de lesa-majestade praticado a céu aberto. Mantê-lo apenas enquadrado num programa televisivo arriscamos a banalizá-lo e a esvaziá-lo da muita razão que tem.  

30 maio, 2017

Mais do mesmo na próxima época, ou o sangue na guelra vai ressuscitar?

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Não batemos no fundo, pois não?
Escrevi aqui,  e  reiterei várias vezes,   que  a falta de liderança no FCPorto era um  facto consumado, e que o presidente Pinto da Costa já não era a mesma pessoa enquanto líder. Não o fiz de supetão,  mantive  a  moderação que entendi  adequada durante as duas primeiras épocas falhadas, na expectativa que  tudo  não  passasse de um mau momento, de uma fase menos feliz. Enganei-me.

Nos últimos anos, e em função do que pude observar, como contratações de treinadores sem perfil (nem currículo) para treinar o FCPorto, como a aquisição cara de alguns jogadores que nunca chegaram a provar qualidade que justificasse o seu preço, comecei a reforçar a ideia de que o problema estava no homem do leme. Finda esta época, não só reforcei essa convicção, como a tomei como dado adquirido indiscutível. Que me desculpe o homem que tão bem soube gerir o FCPorto, mas parafraseando as suas próprias palavras, o clube está primeiro.

Também falei de algo relacionado com as consequências da perda de líderança num grande clube como FCPorto. Uma delas, foi recear que o efeito dominó contagiasse as modalidades e a formação, e foi isso mesmo que acabou por acontecer. Tivemos resultados decepcionantes nos juvenis. O contrário, é que seria de admirar. Curiosamente, a equipa B só se sentiu confortável fora de portas, a ponto de conquistar um troféu europeu, e não foi pela falta de qualidade dos adversários, foi porque em Inglaterra os árbitros, arbitram mesmo... 

Ninguém me convence que um líder passivo e sombrio, como é hoje Pinto da Costa - com 4 campeonatos seguidos falhados -, possa ser uma boa fonte de inspiração "guerreira" para atletas e treinadores. De mais a mais quando as estruturas federativas e disciplinares do futebol profissional (e não apenas) foram ocupadas de forma ostensiva e provocadora, por membros afectos ao Benfica que nem sequer se deram ao cuidado de dissimular ao que iam. Em quem se podiam os jogadores inspirar, se viam o clube a ser prejudicado em todas as modalidades e escalões, jornada pós jornada, se o comandante da "fortaleza" não abria a boca para a defender?

É isto que muitos adeptos parecem ainda não ter entendido, o que pode ser muito negativo para o FCPorto. Há ainda alguns portistas, que lá no fundo preservam a réstea esperança de na próxima época as coisas poderem voltar à normalidade, e às victórias. Mesmo com o presidente alheado da liderança efectiva...

Os portistas esquecem-se, que os slogans não se inventam porque sim, tem de haver um líder a alimentá-los, a dar-lhes pragmatismo. Num passado relativamente próximo, a expressão "contra tudo e contra todos", só ganhou alma porque o líder tratava de a transmitir, mas isso agora acabou. Percebo a tese de alguns que dizem, que mesmo assim, com os árbitros contra nós, podíamos ganhar. Eu corroboro nisso, mas só em parte. Para tal acontecer, devíamos pelo menos ter tido a sorte de ter um bom treinador, e nem isso tivemos. E também, porque não se pode considerar bom treinador um homem que falhou repetidamente  quando era fundamental ganhar, e quando o adversário directo perdia pontos. Um treinador que, com razão para protestar muitas arbitragens, consentiu-as com o seu silêncio. Se a tudo isto juntarmos o principal problema (a falta de liderança no tôpo da pirâmide), convenhamos que é profundamente irrealista esperar dos jogadores a força e a determinação que o líder desistiu de transmitir.

Salvo uma súbita volta de 180º, palpita-me que nada irá mudar. Nem mesmo o programa Universo Porto da Bancada terá qualquer utilidade se continuar no registo que sabemos, que é constatar factos de gravidade extrema para o FCPorto sem os apresentar a quem de direito, que é a Justiça civil. Às vezes, deixa-nos a impressão que aquilo não é para levar a sério. Hoje à noite, talvez tenhamos a confirmação.

OBS-
No início da época, achei que todas as modalidades, à excepção do Basquete, tinham bons planteis e treinadores, incluindo Moncho Lopez que admiro particularmente. Mantive essa opinião até há pouco tempo. O basquete que me parecia pior apetrechado de jogadores, foi sempre em subindo e está qualificado para a final. Tanto o andebol, que para mim tem o melhor plantel nacional, bem como o hóquei, pareciam-me sérios candidatos ao título, no entanto as coisas parece terem-se complicado. Será tudo azar?


29 maio, 2017

Os bons conselhos do Presidente da República pecam por defeito e demora

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Sorrir não chega senhor Presidente 

Foi sem grande surpresa, mas com algum desapontamento, que há poucos dias ouvi o senhor Presidente da República, proferir estas palavras àcerca do assassinato (leu bem, assassinato) de um adepto do Sporting:  "o futebol tem de ser um palco de civismo!". 

Foi lindo, sim senhor, mas não chega. Pessoalmente, considero demasiado supérfluas estas palavras, sobretudo tratando-se de (mais) uma morte provocada por um adepto benfiquista.

Se Marcelo Rebelo de Sousa tem surpreendido pela positiva grande número de portugueses, não se pode dizer que neste caso tenha sido feliz. Aliás, acho mesmo que, tanto ele, como o próprio primeiro-ministro António Costa, já tiveram muitas oportunidades para exercer a chamada magistratura de influência e pôr côbro à pouca vergonha que grassa no futebol português, mas infelizmente, nenhum a quis aproveitar.

Por quê, excelências? Nem a morte de um ser humano vos desperta para a realidade do país? Apelar ao civismo chega a ser provocatório em determinadas situações, como me parece ser o caso. Meus senhores, neste caso concreto para V. Exas. dou nota zero! Se a morte tivesse sido causada por um adepto portista o comportamento seria o mesmo? Pergunto.

Quantas pessoas mais terão de morrer para V.Exas. finalmente começarem a encarar estes casos com a gravidade que eles justificam? E o que têm a dizer sobre a prostituição que invadiu os órgãos de comunicação social, onde, entre outras coisas, se promove a insídia que conduz à violência? Estarão aí os palcos de civismo que o senhor Presidente reclama? Ou já terá falado com Pinto Balsemão e demais congéneres, no sentido de reverter a situação? Algo me diz para não acreditar nesta hipótese... Por que será? Eu respondo: é que, a ambos falta coragem, e verdadeiro sentido de Estado, para tanto. 

Valem, o que valem, consoante o gosto, e grau de exigência dos avaliadores. Os meus, no que aos atrás citados protagonistas respeita, anda cada vez mais por baixo.

Por que será que ninguém consegue convencer-me que o país onde nasci se chame Lisboa? 


26 maio, 2017

E depois do adeus?

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Era mais que previsível: Nuno Espírito Santo deixou o FC Porto. Fomos daqueles que de há muito criticava seriamente a competência e perfil do treinador para dirigir uma equipa da grandeza do FC Porto.
Isto quando a sua estrutura e funcionalismo adjacente se mantinha muda e queda em relação à eficiência do técnico. Esta, optou por uma estratégia cega de apenas insistir nos desmandos da arbitragem, desfocando o núcleo da acusação que era uma incapacidade quase congénita de entender que um qualquer treinador não pode orientar uma equipa da grandeza do FC Porto como se o fizesse com uma que lute para não descer ou que combata pela Liga Europa.
Os resultados estão à vista: mais uma época sem ganhar nada! Isto embora o próprio técnico clamasse pela necessidade imperiosa de vencer algo.
Ou seja, como S.Tomé, os adeptos deviam olhar para o que ele dizia e não para o que fazia…
Mas foi só ele o culpado? A responsabilidade recai, em primeiro lugar, para quem o escolheu, pois devia saber que não tinha o perfil para vingar no FCP. Devia saber que em época e meia no Valência obteve 25 empates!
Ora, nos dragões, um empate equivale a uma derrota. E nunca o avisaram que sem esta ideia não pode liderar o clube!
Assim, sendo este o seu perfil, dificilmente servia para liderar os dragões. Noutros tempos, o líder portista não autorizaria esta contratação. Agora, não sabemos o que se passa na direção do clube…Por isso, nos abstemos de tecer comentários.
O próximo treinador terá de ser alguém com títulos ou que tenha dado provas de ser um ganhador. Exibições e resultados é o que se exige!
Não pode é, como aconteceu com o agora ex, jogar às arrecuas no último jogo quando nada havia a perder nem a ganhar.
Mais que Espírito Santo o FC Porto precisa de alma. Ao fim e ao cabo, a tal mística que só os títulos dão. E que se perdeu.
Será que vai voltar? Aguardemos…
(de: Manuel L. Mendes/Porto24)

25 maio, 2017

Palpita-me que a inveja da partirarite não vai compensar...

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Obs. de RoP:
Quero-me rir se o cerco cerrado que os dignos autarcas da CMPorto estão a montar a Rui Moreira não passar de um grão de areia a querer parir uma formiga... 

24 maio, 2017

Baluartes tardios é melhor que nada, mas não brilham

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Numa época em que a tecnologia  da comunicação atingiu padrões nunca antes imaginados, é lamentável e um tanto paradoxal que a vertente humana da proximidade esteja a perder o melhor que ela pode dar, que é a genuidade. 

Com todos os inconvenientes que o clubismo do futebol comporte, isso também também pode funcionar como factor congregador. É talvez o único fenómeno global capaz de dissipar, ainda que por momentos, as assimetrias sociais. Creio não me enganar se disser que todos nós, portistas, vemos espontaneamente um amigo em cada pessoa vestida com a camisola do FCPorto, sem nos ralarmos com o seu estatuto social.

O contrário também é verdade, olhar na rua para um tipo vestido de vermelho, faz-me logo mudar de passeio. Assim como ver alguém a ler A Bola, me leva a concluir tratar-se de alguém intelectualmente limitado e de formação duvidosa. Que querem, é o fruto dos anos que essa gente mesquinha consumiu a semear ódio. De uma coisa podemos estar certos, são eles que nos discriminam, são eles que injuriam, e é por causa deles que os incompetentes dos políticos nos desgovernam. Mas, há entre nós quem não seja muito diferente...

Como ontem foi dito no Porto Canal, no programa Universo Porto da Bancada, os portistas e os adeptos de outros clubes nacionais - à excepção do clube beneficiado -, andam a pagar as falcatruas do presidente do Benfica quando (digo eu) deviam unir-se para acabar com essa brincadeira. Brincadeira é como quem diz, com essa humilhação nacional.

É neste ponto preciso que encontro algumas divergências com o que Francisco J. Marques tem vindo a fazer ultimamente. A época terminou, e não me parece que faça sentido continuar com aquele modelo de programa. O campeão, está encontrado, com as tropelias que sabemos. Por isso, só fará nexo manter o programa se fôr para lhe acrescentar qualquer coisa, por exemplo, para comunicar aos adeptos o que pensa o FCPorto fazer para se defender dos danos causados.

Estou-me a repetir, mas a culpa não é minha, é do FCPorto, mais precisamente de quem o dirige. Salvo melhor interpretação, os factos que sustentam as queixas portistas não são para esquecer, nem muito menos para conceder aos transgressores mais uma época de tolerância, porque aqui não existe o benefício da dúvida, como aliás provam, e bem, as imagens do Porto Canal.  E, das duas uma, ou estamos a falar a sério de coisas sérias, ou o programa UPB não vai passar disso mesmo, apenas um programa.

Os jovens do site portista Baluarte, tão veemente elogiados por Francisco J. Marques, são benvindos à comunidade, mas não descobriram a pólvora, porque na blogosfera não faltam blogues que se anteciparam na denúncia destas poucas vergonhas. E não creio que fique bem a alguém com a responsabilidade de FJMarques tecer loas à formação académica dos autores do Baluarte, quando o que está em causa é a defesa do FCPorto, e não um concurso de bloggers portistas. Pela mesma ordem de ideias, também os bloggers teriam legitimidade para escolher outro juri. Agindo desta maneira, um tanto incauta, FJMarques está a discriminar todos os bloggers portistas que gratuitamente, repito, gratuitamente, passaram anos a defender o clube e... o seu PRESIDENTE!

São atitudes desta natureza que nos devem fazer reflectir sobre o que descrevi no início deste artigo, quando expus a ideia, algo ingénua, é certo, de pensar que o clubismo é um fenómeno que efemeramente atenua certos tiques elitistas... Diga o que disser, Francisco J. Marques não foi correcto com muitos portistas, entre os quais me incluo. Por mais voltas que dê, duvido que algum dia o programa UPBancada permita uma crítica frontal e construtiva ao presidente do FCPorto, porque pelo que me é dado perceber, não há liberdade para tanto. 

23 maio, 2017

Vamos falar claro sobre o centralismo?



É verdade. Quando este monstrozinho estende as garras, quando começa a arranhar bem fundo o povo do futebol, aí sim, o centralismo existe mesmo, adquire importância, e desperta a atenção que afinal sempre devia merecer. Não será por acaso, embora não deixe de ser um sinal de inépcia, que lisboetas e benfiquistas são maioritariamente contra a regionalização. Uns, porque beneficiam directamente com isso, e outros, porque ignorando o mal que provocam às  suas regiões de origem (alguns são do Norte), optam por estar com o clube. Num país de gente civilizada isto é impossível.

Mas, afinal, o que é o centralismo? Por que só agora é que começamos a ler comentários sobre o assunto, quase em exclusivo nos blogues portistas? É simples: porque sofreram na pele o efeito da sua acelerada implementação. Centralizar, é antes de tudo fazer batota no modo de governar um país, é tornar a desonestidade uma coisa natural. É discriminar, é exercer a injustiça em todas as suas vertentes: na ética, na moral e no exemplo. No futebol, o centralismo tem mais dificuldade em se esconder (que o diga, António Costa), e só por isso é que já começa a levantar suspeitas e... apreensão.

Chamemos os bois pelo nome, e não tenhamos medo de ser politicamente incorrectos. Os leitores acham que são os adeptos comuns, os que seguem o FCPorto no futebol, nas modalidades, em casa ou nos estádios, quem têm o dever e as ferramentas para lutar contra o centralismo? Seguramente que não. Nós, aqui na blogosfera, só podemos dar um pequeno contributo, porque os meios são escassos e de irradiação restrita. Mas, o FCPorto, que é propritário do Porto Canal e tem recursos financeiros, podia, ou não fazer muito mais pela descentralização?

Eu, não só o afirmo, como tenho a certeza que podia fazer mais. Promovendo debates temáticos com protagonistas livres, sem amarras a jornais, a negociatas obscuras, a compromissos não declarados, a conveniências. A verdade, é que o Porto Canal limita-se a ser simpático com outras regiões, deslocando para lá repórteres, abrindo agências, mas não promove o tema, não o desenvolve, denunciando a perversidade do centralismo. Não informa.

Algumas vezes até, roça a contradição, chama a si protagonistas indesejáveis, alguns dos quais anti-portistas e anti-regionalistas que nenhuma relevância têm para o país. Não é selectivo, não inova, nem agita. Não desafia os políticos, não os persuade a aderir em favor da causa, limita-se a ouvir calmamente a sua linguagem trapaceira e defensiva.

O Porto Canal precisa de temas? Mas, é coisa que não falta. Que pergunte aos políticos, sem lhes dar ensejo a respostas manhosas, como explicar que a segunda cidade do país tenha perdido protagonismo e até autonomia, com o 25 de Abril,  com a "democracia", comparando com o passado salazarista? Perguntem-lhes se isso é evoluir, ou regredir, se é uma vantagem, uma conquista da Democracia? Mas não aceitem nunca a negação dos factos.

Bancos, como o BBI (Banco Borges & Irmão) e o BPM (Banco Pinto Magalhães) puderam abrir as suas sedes no Porto, agora, em liberdade, nada têm. Rádios, jornais, tudo se esfumou, até o JN agora está nas mãos de lisboetas. Querem audiências no Porto Canal? Pressionem-nos, obriguem-nos a largar a máscara, vão ver que aos poucos as coisas mudam. Saber quem é responsável por esta regressão, é fundamental, e embaraçá-los também. Políticos ou empresários do norte, forcem-nos a tomar decisões, em vez de possibilitar desculpas. Incomodem-nos!

Têm medo? Por quê, se em Lisboa há carta branca para produzir o que de mais ordinário e divisionista existe na programação televisiva do país? Se fôr preciso, apresentem provas, como fazem agora no futebol com o Universo Porto da Bancada, é tão simples. 

É que, se o senhor Pinto da Costa voltar a queixar-se do centralismo e a permitir ao mesmo tempo a entrada em estúdio (ou no Dragãozinho) a gente que não merece o mínimo de respeito, a centralistas doentes, então teremos a prova acabada que nunca mais restauramos o Porto da dignidade que o simbolizou.

Não me esqueço. O presidente Pinto da Costa disse que não lê blogues, mas talvez aprendesse alguma coisa se soubesse que aquilo que o Universo Porto da Bancada está agora a fazer, já nós aqui e noutros blogues denunciamos. E de borla... Se quiserem podem pegar nas ideias acima expostas e avançar. 

Prometo que não cobro royalties. Mas, mexam-se! Com o tempo, vão chegar à conclusão que o silêncio às vezes pode ser veneno. 

22 maio, 2017

O Porto, precisa de um FCPorto mais político

Já me tenho interrogado várias vezes da razão que me leva a envolver-me de forma tão intensa com o FCPorto. A primeira resposta que encontro tem a ver com o gosto pelo futebol e a relação feliz que o nome deste clube tem com a cidade onde nasci. 

Começou muito cedo esse amor, ainda na infância. E não estava só, partilhava-o com os amigos daquele tempo maravilhoso. Eramos enraizadamente Porto, sem ainda sabermos a dimensão genética do termo, mas tínhamos todos bem dentro de nós o mais importante: o sentimento. Outros clubes existiam, mas para mim só o Porto interessava. Nem o efémero sucesso europeu do Benfica beliscou o meu gosto, continuei sempre fiel ao clube da minha querida e única cidade. Curiosamente, numa época em que era proibido falar de democracia, nunca senti a repulsa que tenho hoje por esse clube, e até gostei que tivesse ganho os dois únicos troféus europeus que tem no palmarés.

Mas hoje, o meu interesse pelo FCPorto é mais amplo, mais circunspecto, mais político, se assim se pode dizer. E é essa vertente da paixão, mais racional e pragmática, que gostava de ver consolidada em todos os meus amigos portistas, porque isso ajudá-los-ia a distinguir o sentimento da razão, quando é preciso separá-los, sem nunca os danificar. Respeitando os sentimentos de cada um, talvez tenha chegado o momento de não confundir o FCPorto com Pinto da Costa. 

Ninguém que acompanha este blogue me pode acusar de não ter elogiado o trabalho notável do ainda presidente do nosso clube. Quando nos tentaram matar com o processo Apito Dourado, defendi-o com unhas e dentes porque sabia que aquilo de que o acusavam outros faziam pior, e que não era mais do que uma conspiração nojenta do regime. Promovi uma petição para afastar Carlos Daniel e Cª. da RTP,  pelo trabalho imundo e cobarde que fez ao nosso clube, sendo ele funcionário do Estado. Enfim, não fiz mais porque não pude. 

Portanto, nada que eu possa dizer de negativo de Pinto da Costa reporta à pessoa em si mesmo, mas ao papel dele enquanto presidente nos últimos anos. Importa desde logo questionar, que justiça analítica pode haver quando se concentra num só homem o sucesso de um clube, assente no  mérito e na liderança, a ponto de ser quase endeusado, e se desprezam essas prerrogativas para não termos de aceitar que esse homem atingiu o princípio de Peter? Porque já não revela as mesmas faculdades. Se é evidente que o clube que ele tanto ajudou a progredir se descaracteriza a olhos vistos? Que deixou de ser respeitado? Em futebol, num clube com o histórico do FCPorto, quatro anos de insucessos podem mesmo conduzí-lo à falência. E neste capítulo, não vou alongar-me mais.

Se bem entendo, os adeptos vivem o temor de vazio. Receiam que a saída de Pinto da Costa possa provocar o caos, mas esse é um risco que temos de correr, e quanto mais tarde o fizermos pior. Já lá vão 4 anos a perder, e não foram só troféus. Foi prestígio, e internamente, respeito! Esta é para mim, a falha mais grave e intolerável de Pinto da Costa para com o próprio clube. 

Dizem alguns, com meia razão, que ninguém aparece a candidatar-se ao lugar de presidente. Pergunto: mas não será exactamente por respeito ao actual que isso acontece? Aliás, devia ser Pinto da Costa a assumir a responsabilidade pelo que se está a passar e promover eleições, reconhecendo que já não tem condições físicas e anímicas para liderar. Neste contexto, era assim que ele devia agir, evitando que os pontenciais candidatos viessem a ser acusados de querer desestabilizar o clube. Não o fazendo, é muito provável que isso possa mesmo acontecer. Não é impossível.

Agora, há sem dúvida um aspecto fundamental que não podemos negligenciar e que exige critérios escrupulosos, que é saber quem lá vamos meter. Candidatos, descansem, não vão faltar, e os oportunistas vão estar em maioria. Portanto, nada de votar como se vota na política, sem sabermos de que planeta virá o candidato. Este país está cheio de corruptos e oportunistas (mesmo no Porto), e se não tivermos muito cuidado na escolha até podemos lá meter, sem sabermos, um vermelho... Estes gajos qualquer dia dizem que o Porto é deles. Têm lata para tudo. 

Surriparam-nos rádios, bancos, jornais, e negaram-nos televisões. Só lhes falta mesmo é roubarem-nos a alma. Esqueçam as lendas da história. Esqueçam o síndrome da hispanofobia. Os maus ventos e maus casamentos, sopram todos de Lisboa, a cidade mais torpe e divisionista do mundo. Será por isso que eles nos querem invadir? 

Queira Deus que nunca mais lá tenha de pôr os pés. Nunca lhe sentirei a falta, até morrer. 

20 maio, 2017

Recapitulando erros dos dirigentes do FCPorto

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Os portistas estão cansados de escândalos. Mesmo que habituados a ver os rivais de Lisboa usarem todo o tipo de estratagemas para os derrubarem, sempre puderam contar com a combatividade do presidente para encabeçar a defesa do clube. 

Esse cansaço nunca os impediu de aguentarem escândalos como o processo Apito Dourado e os efeitos secundários dos respectivos cães de fila instalados na comunicação social, mantendo-se sempre ao lado de Pinto da Costa, apoiando-o mesmo quando ele se rodeou de companhias pouco recomendáveis. Tudo aguentaram, confiando que o homem do leme nunca fosse baixar a guarda e desistisse de zelar pelos interesses desportivos do FCPorto. Os portistas sempre souberam estar à altura do presidente que tinham. Nada mais se lhes podia exigir, foram PORTO, na interpretação mais pura do termo. Só que, mais uma vez, o presidente não correspondeu, e hoje é ele que não está à altura dos adeptos.

Os protagonistas deixaram de cavalgar a mesma onda. Uns (os adeptos), continuaram a puxar pelo clube, a gastar o que não tinham, para acompanhar o FCPorto em todo o lado, os outros (dirigentes), não responderam à altura das circunstâncias, fechando-se em si mesmo, e afastando-se, numa altura em que os adeptos mais precisavam de os ouvir.

Arbitragens metodicamente prejudiciais para o FCPorto e descaradamente favoráveis ao Benfica, a par de alguma instabilidade exibicional produziram efeitos psicológicos no trabalho dos jogadores resultando na perda de mais um campeonato. Tudo isto misturado com o silêncio do presidente e a postura demasiado permissiva do treinador, incapaz de reagir às adversidades com a contundência que se impunha tornaram impossível criar nos jogadores a mentalidade combativa que se esperava, acabando por fracassar nos momentos cruciais.

Pessoalmente, não tenho a menor dúvida que a intimidação foi a chave mestra da estratégia para perturbar o trajecto competitivo do FCPorto. Inspirados no historial passivo dos dirigentes portistas patente nas últimas 3 ou 4 temporadas, os árbitros sentiram-se confortáveis para prejudicar o FCPorto. É mais que óbvio que não o fizeram por mero sadismo, fizeram-no por clubite, e sobretudo pela falta de personalidade que parece ter-se instalado nas pessoas com cargos de responsabilidade deste país, ou seja, optaram por ajudar o clube política e mediaticamente mais "poderoso".  

Começaram por quebrar o lado combativo dos nossos jogadores, marcando faltas sucessivas sempre que davam luta. Bastava acentuarem um pouco a agressividade para imediatamente lhes serem exibidos cartões. Isto passou a ser uma constante nos jogos do FCPorto e os adversários foram os segundos protagonistas a percebê-lo interpretando a situação como um salvo-conduto para infringirem as regras do jogo sem a devida punição. A partir daí, todos os adversários copiaram a "táctica" da sarrafada, provocando faltas sucessivas, dentro e fora da área, a maioria das vezes sem qualquer admoestação dos árbitros. O silêncio dos dirigentes do FCPorto fez o resto, funcionando como estímulo para complementar os assaltos à mão armada praticados pelos adversários. O que podiam eles (dirigentes) esperar de um país como Portugal, onde a aversão à legalidade faz a regra?

Tarde e a más horas  (repetirei isto até que a voz me doa), alguém dentro da administração, por iniciativa própria ou de terceiros, decidiu então ordenar a realização do programa Universo Porto da Bancada onde se pôs a nu as arbitragens miseráveis e toda a incompetência dos órgãos federativos, numa espécie de remissão pelas falhas inexplicáveis, presidente incluído.

Sintetizando, nem o programa Universo Porto da Bancada, sendo pertinente, será suficiente para remediar o que já não tem remédio, nem terá qualquer utilidade objectiva se não fôr acompanhado de uma acção judicial empenhada às mais altas instâncias da Justiça. Será uma vergonha, o fiasco assumido por quem devia liderar em vez de simular liderança. Será cuspe solto pela boca de Pinto da Costa sobre o seu próprio currículo. Mas isso, é um problema seu. Cuspe no FCPorto, é outra conversa, pode ser traição.

O FCPorto não é propriedade privada de Pinto da Costa, Família & Companhia. É dos sócios, e de todos os portistas. Nunca imaginei ter de escrever um memorandum destes.

PS-O grave deste divórcio mal assumido entre adeptos e Pinto da Costa, é o efeito dominó que ele provoca nas outras modalidades (o FCPorto perdeu por um golo no andebol com os adeptos do pó, e o árbitro mais uma vez deu uma grande ajudinha).   

19 maio, 2017

Campeonato no papo, surge a justiçazinha...

VIEIRA INVESTIGADO HÁ 8 ANOS EM BURLA AO BPN

Inquérito Empresa do presidente do Benfica recebeu mais de 12 milhões de um crédito obtido deforma fraudulenta por outra sociedade
Clicar na imagem para ampliar (com cuidado, corre risco de contaminação)

Coincidências, meus senhores, tudo não passa de coincidências... 

Numa jornada em que o Benfica já não corria o risco de perder o campeonato (porque já estava ganho com a dignidade que sabemos), são marcados dois penalties limpos a favor do FCPorto. Antes disso, foram poupados aos nossos adversários umas dezenas deles ainda mais evidentes, a par de multiplas faltas para cartão amarelo e vermelho igualmente evidentes... 

A outra coincidência, foi a publicação desta notícia apenas agora... Uma investigação com a idade de 8 anos só foi anunciada depois de garantido mais um nobre campeonato para o clube do regime.

Palavras, para quê? Apenas concidências...

17 maio, 2017

Partidites e intriguices

Rui Moreira

Como as ovelhas não se tosquiam a si próprias, também os partidos políticos considerar-se-ão sempre insuperáveis. À medida que acentuam a indisponibilidade para se auto-regenerarem, mais frequente é o discurso da insuperação. Entende-se o instinto de defesa, mas lamenta-se que seja tão básico. 

Os políticos padecem todos de um grande defeito: acham-se mais inteligentes do que na realidade são. Se fossem inteligentes tinham mais respeito pelo povo, e governavam melhor. Não é preciso ser-se sobredotado para perceber que para atingir determinado desígnio, seja este de cariz ideológico, social ou político, é sempre indispensável uma organização. Se lhe chamamos "partido", movimento ou associação, é irrelevante, porque o que interessa é a reputação que lhe damos enquanto parte activa da mesma. Em vez de se acharem incompreendidos e insubstituíveis, os actores públicos deviam, antes de mais, interrogar-se sobre a ideia que eles próprios têm do serviço público, e só depois decidirem se têm ou não, perfil para a função. Cá para mim, suponho que nunca se deram a esse trabalho...

Mas, vamos à política que nos interessa.

Rui Moreira tem feito um trabalho apreciável na Câmara do Porto, é um facto, sobretudo na área cultural. É quase consensual. Não tem qualquer comparação com Rui Rio, para melhor, claro. Mas, ainda tem muito para fazer. Povoar mais o centro do Porto, restaurar o mercado do Bolhão (em curso) e prosseguir na reabilitação urbana que, reconheça-se, nunca foi tão dinâmica como agora.

Rui Moreira quis entrar na política livre do estigma negativo dos partidos e consegui-o. Foi suficientemente hábil para aceitar o apoio dos partidos, sem nunca dar sinais de lhes querer prestar vassalagem. Neste difícil percurso soube entender-se com Manuel Pizarro, e este com ele. Tudo parecia funcionar bem, até que de Lisboa começam a ouvir-se do PS umas indirectas pondo em aparente concorrência a importância de Moreira versus PS. Do PS Porto, o vermelho Manuel dos Santos atiçou mais a fogueira insinuando, entre outras aldrabices, que Moreira tinha a promessa de António Costa que lhe garantia um lugar no Parlamento Europeu.

Resultado: Rui Moreira decidiu avançar sozinho para as próximas autárquicas, arriscando-se a perder a reeleição. Por seu turno Pizarro, encurralado, vê-se na obrigação de concorrer à Câmara, agora contra o seu anterior Presidente. Tudo isto ainda está muito mal contado, mas seja como fôr, os directórios patidários voltaram a provar a sua veia corporativista na procura desesperada de lugares, sem levarem em consideração o mais importante: os portuenses.  Por outro lado, o PS acabou por lançar para a fogueira Manuel Pizarro, colocando-o nitidamente entre a espada e a parede, forçando-o a cortar relações políticas com Moreira.

Mesmo assim, conhecendo o que são os partidos em Portugal, com os militantes sempre mais atentos ao ego e à ambição do que aos problemas do povo, considero corajosa a decisão de Rui Moreira, porque corre sérios riscos de perder a Câmara.  Sejamos realistas: é impossível ser-se totalmente independente na vida, e na política a impossibidade é ainda maior. Agora, o que não podemos negar é que não falta coragem a Rui Moreira. 

Esta, é seguramente a faceta que mais aprecio do homem.   


15 maio, 2017

Esclarecimento


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Há coisas, por mais naturais que pareçam que custam muito a compreender. Admito que o problema possa ser meu, mas até prova em contrário, enquanto não encontrar explicação para o que não compreendo, considero inválida a hipótese da culpa ser minha.

O que não compreendo é o seguinte:

nos últimos tempos tenho lido com frequencia na blogosfera portista, a questão do poder no futebol. Mais da parte dos comentadores, que propriamente dos autores dos blogues. Umas vezes, na forma de lamento quando se trata do FCPorto, e outras, em jeito de despeito por esse poder estar agora concentrado no Benfica. 

Vejamos. O Benfica nunca perdeu esse poder, sempre o teve. Só se pode entender esta linguajem por profunda ignorância. Comparar o poder (perdido) do FCPorto com o poder do Benfica é, desculpem-me o termo, uma estupidez. Faz-me lembrar os centralistas, com a treta do portocentrismo...

Se me disserem que Pinto da Costa perdeu a fibra que o caracterizava, que já não interfere nas lutas complicadas que sempre rodearam o FCPorto, nem o defende como outrora, só posso concordar. Agora, que queiram comparar a performance branda de um líder cansado com o poder efectivo do "homem do pó", é um absurdo. Como absurdo é comparar o centralismo do Terreiro do Paço, com essa coisa patética chamada portocentrismo

Para acabar com comparações destas é preciso perceber de uma vez por todas que todos os organismos do poder (político e outros) estão fixados e centralizados em Lisboa, de outro modo não faria qualquer sentido falar-se da regionalização e descentralização. Pela mesma razão se inventou essa expressão ilusória do portocentrismo, que não é mais que uma forma ardilosa de comparar duas cidades com poderes incomparáveis.  O poder que ainda resta ao Porto e ao Norte é mais a nível empresarial e até esse soçobrou aos tentáculos do centralismo (ex. Sonae/Público/Rádio Nova).

Posto isto, resta-me esclarecer duas coisas muito sérias:  
  1. o poder de que o FCPorto precisa não é poder, é justiça. Não é canalha a brincar com ela. Para a ter, tem de contestar energicamente as actuais lideranças dos respectivos organismos, exigir a sua demissão, e requerer para os seus lugares pessoas sem ligações comprovadas a clubes. 
  2. os que confundem o poder da personalidade de um homem (já gasto), com o poder cobarde um ex-presidiário marginal, protegido por poderes efectivos da política, da finança e da comunicação social, que olhem para as coisas como elas são, sob pena de estarem a comparar um David debilitado com um exército de corruptos.

Mesmo assim, por David já não ser o mesmo, a hora é exclusivamente dos sócios do FCPorto. Cabe-lhes a eles reclamar os seus direitos e pensar se querem mais 4 anos de decadência...

PS-Completamente de acordo com a postura da claque "Colectivo 95" e absolutamente contra a retirada do seu cartaz por parte do FCPorto. É inqualificável.