24 junho, 2019

HÁ UM CLUBE DA CAPITAL A FAZER OFERTAS PORNOGRÁFICAS NA FORMAÇÃO"

José Tavares:
JOSÉ TAVARES

O coordenador de formação do FC Porto concedeu uma entrevista ao jornal portuense O JOGO onde se mostrou preocupado com o atual panorama da formação de jogadores em Portugal.
Sem nunca mencionar o nome do Benfica, José Tavares critica a 'aposta cega na formação' de um 'clube da capital' e acusa mesmo esse emblema de fazer 'propostas pornográficas' a jovens de 12 e 13 anos do FC Porto.
"Vivemos em Portugal um momento muito interessante para futebol português e para o futebol de formação. É um momento interessante porque parece que muitas coisas estão a correr bem, e cada vez temos mais jogadores portugueses no topo do mundo, a nossa seleção principal voltou a ganhar títulos, o FC Porto está sempre a discutir os lugares cimeiros na Liga dos Campeões, mas a formação requer bastantes cuidados a longo prazo. Para mim, é preocupante perceber que há um clube da capital que tem uma aposta desmedida e uma aposta cega na formação", começou por dizer José Tavares, coordenador da formação do FC Porto.
"Quando se oferecem valores de três dígitos às famílias de jogadores de 12, 13 anos como prémio de assinatura, a este nível são ofertas pornográficas. É preocupante saber que tipo de jogadores vamos ter daqui a 10, 12, 15 anos e que tipo de valores os jogadores vão começar a ter, isto quando se perde a essência do jogo. É preocupante quando começam a adulterar os princípios pelos quais se devem reger. Parece que não há ética só porque alguém acha que tem de ter os melhores", acrescentou José Tavares.
"Quem quiser refletir sobre a formação, não a curto prazo, mas a médio e a longo prazo, tem de se dedicar a isto, nomeadamente as instituições que regulam o universo da formação em Portugal, porque podemos estar a cometer erros muito graves fruto desta pornografia financeira para jogadores com 12, 13 anos e para famílias, algo que pode não correr muito bem", frisou o coordenador da formação do fC Porto.
"[Se estou a falar do Benfica?] Estou a falar de um clube da capital que dizem que tem uma aposta cega na formação e que oferece quantias astronómicas e pornográficas a jogadores de 12, 13 anos do FC Porto e de outros clubes", atirou José Tavares.
"[A formação do FC Porto tem sido pouco valorizada?] O FC Porto tem um caminho, independente dos nossos adversários. Acreditamos no que fazemos, nas nossas propostas de jogo, no talento que temos e na nossa cultura única no mundo. Não queremos ter sucesso na formação, ganhar um título ou ganhar um jogador. Queremos que a equipa A tenha sucesso", sentenciou José Tavares sobre o assunto.

23 junho, 2019

Marcelo não tira conclusões sobre Pedrogão?

Daniel Deusdado


1 Há três temas decisivos para o nosso futuro que não têm contado com o Presidente. Comecemos pela floresta. Marcelo fez um justo ultimato ao Governo exigindo meios de socorro eficazes de forma a que não morram pessoas com os incêndios florestais. Desde aí o Governo concentrou-se, no essencial, a despejar todo o dinheiro que for preciso para evitar novas catástrofes humanas. Mas isto não resolve o problema na origem porque a floresta não se altera num ano, nem em dez.
Só Marcelo pode colocar a urgente mudança do perfil do território no centro das questões essenciais para Portugal. Mas sobre isto... quase zero. Não tem o poder executivo, sim, mas não pode fazer de conta que a floresta é um desígnio nacional. Não é.
Muita gente está a lutar por uma verdadeira mudança, mesmo que isso seja contra uma rentabilidade imediata. Ainda por cima, há um sistema de gestão no Ministério da Agricultura e nos fundos europeus de "business as usual", como se nada tivesse acontecido nesta tragédia em que se transformou o território nacional.
Além disso, há milhões para comunicar, via marketing, as virtudes de uma floresta de monocultura. Em cima disto, os prémios de arte e os textos supostamente jornalísticos sobre o "papel" (vejam-se as iniciativas da Navigator) literalmente compram (por omissão, obviamente) o silêncio dos mais importantes órgãos de comunicação nacional sobre estes temas. Como sobreviver a esta ditadura?
Nesta matéria, a posição do Presidente é de um enorme vazio porque só ele pode refazer este equilíbrio. A nossa paisagem está cada vez mais pobre e perigosa, mas a situação serve na perfeição o negócio da indústria das celuloses. E esta paga o que for preciso para fazer prevalecer a opinião de que é uma indústria fortemente exportadora e geradora de emprego, neutralizando qualquer reflexão sobre as consequências.
O resultado é deixar-nos a todos as centenas de milhões de despesa da Proteção Civil e um facto consumado: uma floresta sempre pronta a explodir. Na semana em que passam dois anos sobre Pedrógão, de que lado está o Presidente?
2. Marcelo tem um passado cinzento de proximidade com a banca e por isso não tem coragem de entrar a fundo nos temas que marcam a agenda. A total perda de controlo nacional da banca (a Caixa é já e apenas uma caricatura) joga pouco com a ideia repetida pelo Presidente de que, quando querem, os portugueses são dos melhores do mundo. Depois da tragédia da supervisão no Banco de Portugal, e face ao papel ridículo das empresas de auditoria neste descalabro, somos realmente bons em quê no mundo financeiro?
3. A sustentabilidade poderia ser a grande vocação diária do Presidente, fosse qual fosse o setor na agenda. Há uma ciclópica mensagem de mudança em todas as tarefas diárias, desde a saúde aos transportes, do apoio social ao trabalho industrial, dos serviços ao mar. O Presidente poderia fazer essa pedagogia do dia-a-dia com pequenos e grandes exemplos.
Não há planeta sem outra consciência e outra atitude. Muitos portugueses já compreenderam isso e não necessitam dos políticos para encontrar esse desígnio. Por isso mesmo, Marcelo escusava de ter ouvido a constatação da falta "desígnio" da sua Presidência durante o 10 de Junho quando tem esta responsabilidade intransferível. Mas o Presidente acaba por ficar disperso pelo todo e pelo nada, como se ele próprio fosse a missão. Será ele capaz de se reinventar para algo maior do que a espuma do tempo e do abraço?

21 junho, 2019

Cândido Costa é um hipócrita


Há gente que de tanto se esforçar para parecer o que não é, acaba por deixar cair a máscara de hipocrisia que tenta encobrir durante a vida inteira. Mas é difícil enganarem todos, nem que digam as coisas mais mirabolantes sobre o seu portismo. Ser sócio, jogador, ou mesmo dirigente, não é certificado qualificativo de adepto, seja de que clube fôr. 

Os comentadores que costumam por aqui passar devem-se lembrar bem do que opinei sobre a personalidade de Cândido Costa, quando ainda era comentador num programa desportivo do Porto Canal. Dizia eu que aquela forma exagerada de falar sobre o FCPorto, cheia de adjectivos dignos de telenovela, cheirava-me a graxa da foleira. Pensava cá para mim, deves estar a querer candidatar-te a um lugar cimeiro no clube, ou no Porto Canal... Se, como foi por ele dito uma vez, fez parte da claque dos Super Dragões, não é bom sinal, porque os Super Dragões costumam ser cautelosos com o tipo de gente que escolhem para os acompanhar (digo eu)...

Esta gente só quer é mesmo dinheiro. A Maria, do Porto Canal, que nos surpreendeu inicialmente, não descansou enquanto não foi para Lisboa para trabalhar na TVI que tão mal disse (e continua a dizer) do Porto, e do FCPorto (clube de quem disse também ser  adepta). O argumento é sempre o mesmo, vão olhar pela vida... Percebe-se bem, o "cacau" é a primeira terra natal desta gente. Ok, mas então não falem de orgulho, porque por dinheiro qualquer garoto sente orgulho, mas não confundam as coisas. 

Agora, é o Cândido Costa. É inqualificável o papel de murcão  oportunista a que se presta só para ganhar a vida. Não sei como é que há tantos portistas a venderem-se como prostitutas só para ganharem uns cobres, mesmo sujeitando-se a ouvir o pior sobre o F.CPorto. Isto de falar em portismo é fácil, mas às vezes tráz água no bico. O Cândido, esse, não engana ninguém. Serão as escolhas do Porto Canal, ou do FCPorto? Que rumo está a levar esta gentinha. 

Por este  andar, cheira-me que Pinto da Costa só sairá do clube quando bem lhe apetecer, quer o FCPorto perca, ou não. A  gratidão tola tem destas incongruências.

20 junho, 2019

Okey, temos toda a razão. Mas porquê não chamar o Presidente da FPF à responsabilidade?

Resultado de imagem para fernando gomes fpf
Fernando Gomes, um Presidente â
condição?

O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol aplicou uma multa de 14.340 euros e uma suspensão de 94 dias ao diretor de comunicação e informação do F. C. Porto, por declarações no programa "Universo Porto da Bancada", do Porto Canal, relativas às arbitragens dos jogos do Benfica.
Através do Twitter "FC Porto Media", já esta quarta-feira, os azuis e brancos reagiram em seis diferentes publicações. "A maior infração que se pode cometer no futebol português é dizer uma verdade inconveniente. Francisco J. Marques foi punido com 94 dias de castigo por delito de opinião, por criticar as arbitragens que erraram a favor do Benfica na reta final da época", pode ler-se logo a abrir.
Seguiu-se, depois, nova publicação com referência ao Benfica: O diretor de Informação e Comunicação do F. C. Porto começou hoje [quarta-feira] a cumprir castigo, que termina a 20 de setembro, por emitir opiniões, apenas e só. Isto acontece na mesma altura em que há jogadores a confessarem ter sido subornados sempre pelo mesmo clube e nada acontece".

As restantes foram feitas no mesmo tom de defesa a Francisco J. Marques e ataque ao principal rival, Benfica.





18 junho, 2019

Rui Pinto mais inteligente que a Justiça portuguesa

Ana Gomes

Ana Gomes reagiu esta terça-feira à detenção de Michel Platini por suspeitas de corrupção relacionadas com a atribuição da organização do Campeonato do Mundo de 2022 ao Qatar.
A ex-eurodeputada associa o caso às denuncias do Football Leaks.
"O Football Leaks ainda só começou... mesmo com o Rui Pinto preso", escreveu Ana Gomes, numa publicação partilhada no Twitter.
Recorde-se que o antigo presidente da UEFA foi detido na manhã desta terça-feira. Platini foi levado para o gabinete Anti-Corrupção da Polícia Judiciária francesa (OCLCIFF).

17 junho, 2019

Desabafos

Não me apraz nada continuar a constatar factos. Sobretudo tratando-se de factos que nos deixam decepcionados, vazios de expectativas optimistas. Em toda a minha vida, incluído o "tempo da outra senhora", como português, nunca me senti tão enojado e revoltado com este país, como nos últimos anos. Este então, é o pior, dos piores anos.

Não temos Porto, nem temos o FCPorto a que estávamos habituados. E isso sucede porque as pessoas do Porto perderam, ou parecem ter perdido as raízes que outrora os ligavam à cidade e ao clube de uma forma muito peculiar e bairrista.

Não reconheço estes portuenses. É que ainda não entenderam que a sua cidade está a ser preenchida de escumalha vermelha. Cuidado com essas amizades... Parece um pesadelo não surgir uma única pessoa relevante, com ligações à cidade e ao clube com coragem para desafiar o Governo a ponto de o contestar sem qualquer parcimónia!

Nem o "velho" Pinto da Costa tem semelhanças do que já foi. Hoje, é uma sombra de si próprio. Um homem vencido e distante. Parece mais um político de ocasião, do que o grande líder que já foi. Dele já não se pode esperar nada. Quis que o FCPorto tomasse conta do Porto Canal para o tornar no canal mais pobre do país, mesmo com promessas sucessivamente falhadas de progresso. Aquilo parece uma empresa gerida por anarquistas. O pessoal, tanto entra em cena, como de repente desaparece. Os espectadores já nem sabem quem são, nem quantos são os colaboradores regulares daquela casa.  Repetem-se programas 4 e cinco vezes, num curto espaço de tempo, sem se importarem com a péssima  imagem que isso deixa no grande público. O director-geral não existe, ou se existe é só para vincar o seu estatuto de director-geral em roda-pé. É um vaidoso com sorna, e sem ideias. Mas o patrão ainda é pior porque também não se prenuncia sobre o presente e o futuro do Porto Canal. Tem a postura dos políticos contemporâneos, o laissez faire, laissez passer da moda, sem as preocupações típicas de líderes. 

Mas o problema maior não é o que ele faz, ou não faz, é o futuro próximo do FCPorto que está em causa, assim como o estado de espírito dos verdadeiros adeptos do FCPorto. A mim, preocupam-me esses, os que amam acima de tudo o clube, e não o presidente. Esta mania de alguns continuarem presos ao passado de Pinto da Costa confundindo-o com o passado do FCPorto, está a enfraquecer todos,  clube e adeptos. Eles não querem perceber que é ele e os seus adjuntos da SAD que não têm capacidade para defender o FCPorto. Nem mesmo a lavagem ao cérebro que o mundo corrupto do Benfiquistão continua a fazer ao país através dos media os demove da apatia em que mergulharam. Podem dizer o que quiserem, mas que esses tenham dado a cara pelo clube foi coisa que ainda não aconteceu, transmitindo até a ideia de estarem ao lado do governo. Se não o contestam frontalmente é porque o temem, e quem teme irresponsáveis tão poderosos e não pensa em afrouxar-lhes o poder, é porque não se sente por eles prejudicado. Até é possível que pessoalmente se sintam bem,  mas não são eles que me preocupam, é o clube. E não me preocupam justamente por pouco ou nada terem feito actualmente pelo FCPorto!

Um dia há-de ser feita história. Tenhamos essa esperança, acreditemos que ainda sobram alguns puritanos sem complexos por se manterem honestos, de escreverem a verdade dos factos, e lançarem para a lixeira a falsidade que domina hoje o país. Desportiva, política e socialmente.

   

15 junho, 2019

Dedicado aos cobardes que por aqui passam


Quando vieres aqui destilar a azia que os meus artigos de provocam, nunca te esqueças que além de estares a acusar-te a ti mesmo de cobarde, e de seres amigo dos que vivem do crime, talvez te faça bem  perceberes que ninguém te lê.

E quanto mais vezes recorreres à cobardia, mais me alegro de ser diferente de ti.

Logo, não és ninguém. Para ti, sombra vermelha, aqui deixo o teu retrato de anónimo:


A corrupção é pior do que a prostituição. Esta pode colocar em risco a moral de um indivíduo, a primeira coloca em risco a moral de todo o país. 

Victor Hugo

14 junho, 2019

Uma ave rara, ou mais uma farsa?

Humberto Brito*
Os últimos dias foram pródigos em notícias visando autarcas e autarquias envolvidos num conjunto de práticas de natureza criminal, designadamente atos de corrupção.
Sempre defendi que na vida como na política não somos todos iguais. Contudo, não posso deixar de me indignar contra todos aqueles que, eleitos e legitimados pelo voto popular, mancham a atividade política. Uma atividade que devia ser nobre. Como nobre deve ser o caráter dos que se dispõem a servir os seus semelhantes.
Porque somos eleitos para servir e não para ser servidos. Somos eleitos para defender o bem público e o superior interesse da comunidade. Somos eleitos para servir de exemplo à comunidade.
A classe política nunca mereceu grande aprovação por parte da população. O rótulo de desonestidade sempre esteve colado a todos aqueles que se propuseram contribuir para transformar a sociedade criando melhores condições de vida aos seus concidadãos. Esta sempre foi a minha interpretação da vontade dos homens e mulheres que querem servir a comunidade.
Sempre lutei contra o preconceito de que os políticos são um bando de malfeitores.
Mas hoje, no somatório das notícias vindas a público e das que se avizinham, sinto-me indignado e envergonhado.
Se Portugal precisa de uma operação mãos limpas que seja feita! Que se separe o trigo do joio. Não é possível continuar a trabalhar com a sombra de que somos todos iguais. Que somos todos desonestos. E que se afaste definitivamente a escumalha que se arrasta pela política em jogos de interesse e prática de crimes que a todos enojam! Todos têm a obrigação de denunciar atos ilícitos! Para que haja decoro e decência!Lutei por isso! Lutarei sempre por isso!
A bem do meu concelho. A bem de Portugal!
*Presidente da Câmara de Paços de Ferreira
Nota de RoP: 
Somos um país tão causticado pela mediocridade, e pela falta de valores éticos, que qualquer futilidade nos serve para apelarmos ao orgulho. Entristece-me ouvir alguns portuenses pronunciar esta infeliz palavra com o Ó aberto como se tivessem nascido no sul... Enfim, cada um absorve os sons conforme os ouvidos que tem. Só lhes falta chamar Uscar ao Óscar. Mas, não é de pronúncias que quero falar, é de méritos. Se fôr sincero o artigo acima, se o Presidente da Câmara de Paços Ferreira fôr mesmo um político íntegro, faço-lhe uma vénia por ter a coragem de fazer o que poucos políticos fazem: censurar a sua própria classe. Com absoluta razão.  Mas censurar não chega, este país precisa de ser varrido desta gente, nem que seja à força. 


11 junho, 2019

Parabéns aos portistas que foram ontem manifestar-se

É assim, e tem de continuar assim, se o Governo não fizer o que é preciso fazer


É assim mesmo, grandes portistas! Lutem, indignem-se com os maus agentes públicos! Em democracia não vos podem impedir de se manifestarem, mesmo que seja contra a Justiça! Em democracia não vos podem bloquear os sentimentos de revolta nem de manifestar os vossos protestos, sobretudo quando eles são completamente justificados. Impedirem-nos do acesso à justiça é próprio das ditaduras, e é isso que muitas decisões judiciais andam a fazer com o Porto,  o FCPorto e o Porto Canal! Não há juíz nenhum neste país que me faça pensar o contrário. 


A Justiça não é exercida por deuses, nem por anjos. Os juízes não passam de seres humanos como nós, e é preciso que todos não se esqueçam dessa condição. Os piores Juízes (que os há), são aqueles que interiorizam o poder que têm como autoridade pública para julgarem os outros, motivados pelas suas simpatias pessoais. Esses, nunca na vida deviam ser Juízes, porque para o serem de verdade, não podem deixar-se influenciar por caprichos próprios, nem por leis estapafúrdias.

Bravo portistas, estou e estarei sempre convôsco! 

PS-Espero não ter sido os apêlos à revolta que aqui fiz num post recente que vos inspirou. Se foi, muito bem. Se não foi, ainda melhor!   


10 junho, 2019

Não me conformo viver num regime que se diz democrático sem se assumir como ditador que é


Nunca me imaginei a falar de Salazar como vítima do que quer que fosse. Meu pai não gostava dele, nem muito menos do desprezível Cardeal Cerejeira, seu íntimo amigo e apoiante do Estado Novo. Duas personalidades mesquinhas que fizeram de Portugal o país retrógado e reaccionário que ainda é. Foi um ditador que conseguiu manter o país na miséria e no obscurantismo durante décadas, razões pelas quais exacerbei com aquilo que pensava vir a ser a revolução do 25 de Abril, um país finalmente livre e democrático. Enganaram-me!

Hoje, decorridos 45 anos dessa teórica democracia, mais quatro que os 41 anos de Estado Novo, esgotaram-se os argumentos sempre usados pelos políticos para justificarem a incapacidade crónica de fazerem o país avançar, à medida que o tempo passava. Decorreram todos estes anos com os pretextos do costume dos governantes como desculpa do baixo nível de vida do país, e que foram mantendo, acompanhado de uma incessante degradação económica e social.

Foram anos regressivos, não de progresso humano. A tecnologia nem sempre é progresso, está provado que muito desse progresso acaba por se transformar num autêntico cancro para o mundo. O petróleo trouxe-nos a mobilidade cómoda, mas também nos envenenou o planeta. E fico-me só por aqui. O progresso só fará sentido quando o homem viver com mais dignidade e a paz em todo o mundo se instalar. Sem isso, não há progresso, há a eterna treta do poder vigarista.

Voltando ao Estado Novo de Salazar e Caetano, a essa época cinzenta da nossa história, não há motivos válidos para a referenciar com saudade, mas merece a pena recordar que apesar dos Calabotes dessa época serem factuais, também não foi esta postiça democracia que os suprimiu. É também por isso que não vivemos uma Democracia a valer. É que uma  Democracia de verdade serve também para transmitir segurança à população, nunca o medo. O medo é característica própria dos regimes com tendências ditatoriais.

Sem tencionar mudar de assunto, importa dizer que só a permissividade pode conceber que um clube se coíba de fechar as portas do seu estádio a gente e organizações desportivas que o discriminam, nem mesmo que seja para servir de palco da final de uma competição europeia! A mim, a selecção não me diz nada! Uma selecção a sério não divide clubes, nem jogadores, cria condições para os unir, que é coisa que não faz a Federação. 

Mais uma vez, o FCPorto deixou-se enredar numa ratoeira de consideração hipócrita, cujo objectivo é procurar branquear os desaforos causados durante anos seguidos por essas instituições. Olhar para aquela gente na bancada, cínica e desonesta, como pessoas de bem, é aceitar a hipocrisia como prenda. Não corroboro nesta estratégia de defesa do FCPorto - se é que podemos considerar estratégia -, porque não lhe tem dado qualquer vantagem. 

Permitimos que um gang de mafiosos conseguisse levar a melhor sobre nós (as vítimas), com a prepotência de juízes altamente duvidosos. Eu gostava de lhes ver a cara para saber o que ela vale, é bom conhecermos os rostos de quem não podemos confiar. As leis dos homens não são garantia de justiça, mas devia ser. 

Servir a lei pode ser uma grande oportunidade para alguns refinarem o carácter, mas para outros também para o perverter. O estatuto é só isso, estatuto.