Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011

ÚLTIMA HORA!

Lula da Silva, a nova contratação do SLB
SEGUNDO FONTES FIDEDIGNAS DA RTP1, RTP2, SIC, SIC NOTÍCIAS, SIC RADICAL, SIC MULHER, TVI, TVI24, LUSA, PLAY BOY, PIDE/DGS, BENFICA TV, E...POR AÍ FORA, O PRÓXIMO CANDIDATO Á PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA DO BRASIL, SERÁ LUÍS FILIPE VIEIRA, VULGO O ORELHAS, OU PARA OS BEM INFORMADOS, O MOÇO DOS "PNEUS"! 

A BOA NOVA, EXPLICA A VISITA INESPERADA DO EX-PRESIDENTE LULA DA SILVA AO PALÁCIO DE BELÉM - QUEREMOS DIZER -, AO ESTÁDIO DA LUZ, QUE LULA DA SILVA APROVEITOU PARA LOUVAR EUSÉBIO DA SILVA FERREIRA, POR TODOS OS SERVIÇOS PRESTADOS À CAUSA COLONIAL, E CONVIDÁ-LO PARA MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS DO BRASIL. 

EM CONTRAPARTIDA, CAVACO SILVA ACEITOU SEM DEMORA A PROPOSTA DE SUA EXA. O ORELHAS, PARA DIRIGIR, A PARTIR DE AMANHÃ O CLUBE DOS 6 MILHÕES.

TEMENDO AS CONSEQUÊNCIAS DE UM VAZIO DE LIDERANÇA QUE A SAÍDA DO HOMEM DOS PNEUS PODIA CRIAR NAS PERFORMANCES DESPORTIVAS DO GLORIOSO, CAVACO, JÁ CONTRATOU LULA PARA PONTA DE LANÇA DO BENFICA [VER FOTO DE VIEIRA A ENTREGAR-LHE A CAMISOLA].


A BEM DA NAÇÃO

RUI  GOMES DA SILVA

Descrença

Quem costume visitar este blogue, terá talvez reparado que são cada vez mais espaçadas as minhas intervenções. Há razões, de ordem pessoal e familiar, impeditivas de maior assiduidade, mas estas não são as únicas, nem talvez mesmo as principais.

O que se passa é que cada vez estou mais descrente no futuro deste país. Portugal caminha aceleradamente para se transformar na Albânia do oeste europeu. Um país que actualmente vê os seus indicadores de riqueza material em contínua degradação, aumentando deste modo o fosso que o separa dos valores médios dos seus parceiros europeus. Durante alguns anos julgámo-nos europeus de pleno direito e euforicamente fomos induzidos a viver acima das nossas possibilidades, tanto individualmente como a nível do Estado. Afinal de contas, vemos agora, foi um doping, mas como todo o doping resultou durante uns tempos e depois veio a factura para pagar : a ressaca! Dizem que a procissão ainda vai no adro, e que o pior está para vir. Se já está mau como está, como virá a ser?

Moralmente também nunca estivemos tão baixos. Tudo o que é ética, códigos de conduta, princípios morais, foi lançado às urtigas, juntamente com um dos pilares da Democracia, a Justiça. Vale tudo, desde que se "tire vantagem". Por outro lado a nossa sociedade civil vive um sistema de castas não declarado, em que há brâmanes e há párias, um pouco como na Índia. Para complicar a situação, começam a aparecer sinais de que a Maçonaria, essa entidade difusa e misteriosa que se julgava adormecida, está afinal bem viva e condiciona a vida pública de uma forma que não se julgaria possível. Como se não bastasse o regime tipo mafioso dos nossos partidos políticos, surge agora um novo factor perturbador!

Os governos há muito que dão sinais da sua incapacidade de lidar com a complexidade da situação, até porque a maioria dos seus elementos vêm demonstrado não estar à altura das necessidades, notando-se uma patente deterioração no decorrer das últimas dezenas de anos.

O Povo, esse continua a fazer jus ao seu epíteto de " povo de brandos costumes" e continua apaticamente como se não fosse nada com ele!
O PR é um mero jarrão decorativo. Pode não gostar-se de Mário Soares, mas há alguma comparação entre a sua combatividade e o consulado abúlico do actual presidente?

Qual a solução para esta situação, que implica que muita gente comece a aceitar soluções políticas que teria repudiado há algum tempo atrás? Haverá possivelmente respostas não convencionais, difíceis, dolorosas, mas não impossíveis. Talvez volte ao tema.

Apesar do Tua, ainda nos resta isto

Régua

Comboio e [a destoar] o inevitável mamarracho



O "crime" de Ricardo Carvalho e os media

Habituados que estamos a ver altas figuras da nação a assumir ciosamente as suas responsabilidades, entre as quais pontuam o desapego pelo poder, a fobia às offshores, e o regular cumprimento de promessas, compreendem-se as declarações de Paulo Bento dirigidas a Ricardo Carvalho, aconselhando-o a pedir desculpas aos portugueses. Sim, porque o que Ricardo Carvalho fez, foi gravíssimo, é imperdoável, e os portugueses não estão habituados a tamanhas traições... 

Se Ricardo Carvalho tivesse imitado o Sá Pinto, pregando um murro na cara ao Artur Jorge [então seleccionador], ou o seu colega de equipa Pepe, que pontapeou como um doido um adversário na cabeça quando este ainda se encontrava no chão, ou então o genial João Pinto [do Benfica], que ao serviço da selecção encostou docemente o punho no estômago de um árbitro, isso sim, seria irrelevante. Agora, bater com a porta, com ou sem razão, e abdicar da selecção, isso é crime, é um verdadeiro acto de deserção. Não se faz, repito. Nós não estamos habituados a essas poucas vergonhas.

Justificam-se portanto, aquelas maratonas de debates, as aberturas e fechos de telejornais, até altas horas da madrugada na RTPN [N de nazi], esmiuçando o acto tresloucado do jogador, na patriótica tentativa de encontrar pena ajustável a tamanha barbárie. Irradicado da selecção, já está. Agora, é preciso fazer tudo para impedir R.Carvalho de jogar no seu clube para que a Justiça seja feita. Eu acho que não chega, R. Carvalho merece a forca [sem cedilha]...

Muito patriótico, por exemplo, foi o nome que hoje o JN entendeu dar a uma  conspiração. Chamou-lhe estratégia. O JN não podia encontrar melhor eufemismo para a reunião que os Presidentes do Benfica e do Sporting tiveram ontem num hotel de Lisboa para cozinharem o apoio à candidatura  do insuspeito Fernando Seara à Federação Portuguesa de Futebol. É do Benfica, como se sabe, fanático e intriguista, possui portanto o perfil indicado para o cargo. Mas, haverá algum mal em apoiar um suspeito candidato a um lugar que devia ser só para gente insuspeita? Não, claro. Isso, era se a reunião tivesse sido convocada com o FCPorto e o Braga, e o candidato à Federação se chamasse, por exemplo Victor Baía. Nessa altura, tal Fénix renascida das cinzas, caía o Carmo e a Trindade, e lá tínhamos nós de aturar umas doses maciças de fóruns sobre promiscuidades e transparências "sistemáticas", nos canais centralistas. Exactamente como acontece com os árbitros. Se é de Lisboa e benfiquista, ou sportinguista, pode apitar os jogos do seu clube contra o FCPorto, logo é sério. Se o árbitro é do Porto e é portista, nem pensar! É garantido que é gatuno.    

É assim, nestes charcos de imoralidade institucional,  que os media sobrevivem, com truques de linguagem, procurando transferir seriedade para coisas que não são para levar a sério. 

Prova-se assim, claramente,  que os media há muito deixaram de prestar serviço público para antes se prestarem a enganar o público. O que, vendo a coisa pelo lado optimista, podia constituir uma grande oportunidade para a blogosfera do Norte se unir e organizar e roubar-lhes o lugar. Nós, fazemos melhor. 

Terça-feira, 6 de Setembro de 2011

Faça feliz o seu médico

Joana Lopes dá, em entreasbrumasdamemoria.blogspot.com, uma boa ideia, inspirada na sempre inspiradora dra. Manuela Ferreira Leite que, no "Expresso", viu o óbvio ululante que só o esforçado (e "competente", dizem eles) ministro das Finanças não viu: com o fim das deduções de despesas de saúde no IRS, para que é que havemos de pedir recibos?, e, visto que, não exigindo nós recibo de, por exemplo, uma consulta médica, o médico poderá poupar em IRS e IVA mais de 50%, porque não pedir-lhe um desconto?, ou, no caso de pessoas tímidas como eu, ficar-se apenas por uma gentileza no momento do pagamento: "Não, Sr. Dr., não passe recibo, para que quero eu o recibo?".

Não sou dado a assinar petições mas assinaria uma apelando à desobediência civil (já que há muito perdi também o hábito dos "tumultos" de rua, como Passos Coelho diz) intitulada: "Não peça recibo ao seu querido médico. Você não ganha nada com isso, e ele ficará mais feliz".

Talvez, quem sabe?, quando chegar ao Ministério das Finanças a conta da receita fiscal, o dr. Vítor Gaspar descubra (ele e o primeiro-ministro, que já consegue vislumbrar o "princípio do fim da crise" em 2012 mas não vê o que tem debaixo dos olhos) que o que entrou pela porta do fim das deduções de despesas de saúde saiu, multiplicado, pela janela da evasão fiscal.

(Agora, antes que ler poesia seja tributado, vou continuar a ler "Punto cero", de José Ángel Valente).

Manuel António Pina [JN]

Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011

Haverá bons ditadores?

Foi Conselheiro de Estado, hoje tem
um resort de luxo em Cabo Verde
Cada vez me convenço mais que é por causa do  nosso conformismo ancestral, pela passividade com que aceitámos as coisas mais abjectas, que continuamos a ser desrespeitados e a ser tratados como gado.

Se cada um de nós fizesse uma retrospectiva cuidada do que têm sido as prestações dos vários governos ao longo destes 37 anos de democracia [já só faltam poucos mais para ultrapassar os de ditadura], compilando as promessas não cumpridas e as mentiras praticadas, teríamos vergonha de votar e de continuar a dar ouvidos aos rapazes da política. Nesse capítulo, e no que me diz respeito, não me pesa a consciência, pois desde que Mário Soares me ensinou que os políticos não são para levar a sério, deixei de entrar nessas brincadeiras. O tempo tem-me dado razão.

Passado todos estes anos, o balanço do regime democrático é simples de fazer: incapazes de produzir a nossa própria riqueza e de a distribuir, só tivemos arte para modernizar o país com os fundos da União Europeia em auto-estradas, e pouco mais. Paralelamente, assistimos ao enriquecimento súbito de muitos políticos e ao empobrecimento galopante da população. Demos conta que a Justiça não castiga quem merece mais castigo, como sejam, governantes e seus cumplíces. Entre a ditadura e este modelo pífio de democracia, houve quem conseguisse transformar uma revolução que se queria séria, numa fraude, através de uma estratégia tão simples quanto hábil, que consistiu apenas em deixar o povo falar.

Os políticos do pós 25 de Abril, alguns dos quais fizeram oposição ao regime de Salazar e Caetano, perceberam que na Europa já não era possível continuar a governar-se com ditaduras musculadas, e por isso, espreitaram a oportunidade para lhes ocuparem o lugar. Foi o que acabou por acontecer. A repressão do regime anterior, entrara em desuso, e era condenada praticamente pelos países mais avançados do Mundo, e Portugal tinha obrigatoriamente que se "democratizar". 

Decorrido todo este tempo, podemos resumir a mudança de regime, ao seguinte:  permitiu-se a organização e a constituição de partidos políticos, a seguir, seduziu-se o povo dizendo-lhe o que ele precisava de ouvir, depois, chegou-se "democraticamente" ao poder, e finalmente...  reinou-se. Uma vez ocupado o 'poleiro', terminaram-se as promessas, e tratou-se rapidamente da vidinha [deles]...

Efectivamente, tem sido isto que os políticos de hoje têm feito, e continuam a fazer com a política. Não esperemos que sejam eles a admití-lo, não sejamos ingénuos... A verdade, é que as únicas coisas que mudaram em relação ao regime do passado, foram o nome e a ferramenta. De resto, estamos praticamente na mesma, ou talvez pior.

Hoje, cairia muito mal à Europa, que o governo de um país não concedesse ao povo o direito de votar livremente. Então estabeleceu-se que isso seria suficiente para lhe transmitir a convicção de viver em democracia. A ferramenta então usada foi o voto,  o voto que domou a voz do povo sem a calar. Um paradoxo, isto? Talvez. Mas então, alguém será capaz de explicar por que é que este novo Governo, empossado  ainda há 3 mêses, renunciou a todas as promessas que fez? A resposta lógica é fácil. Exceptuando a hipótese remota [até ver], de entretanto o povo se revoltar, os governantes do pós 25 Abril assimilaram cedo [e irresponsavelmente], ser possível trair o povo e aguentar o impacto, pelo menos um mandato, sem correrem o risco de serem destituídos. Para o segundo, logo se verá, será apenas uma questão de talento oratório... O povo, merece-os, tem-se mantido ao seu nível. Permissivo e apático.

Ainda esta manhã sorri para o jornal, quando "democraticamente" me informava que um Chefe de Divisão da Direcção Geral de Veterinária foi condenado por subornos de empresários, mas...  ficou em liberdade. Isto, repete-se, e repete-se.

Perante estes cenários, às vezes, gostava de acreditar na existência de bons ditadores, mas não acredito. O problema, é que, o que vemos, leva-nos quase ao desespero e à suspeita de que aquilo que este exército de irresponsáveis estão a fomentar é um perigoso caldo de cultura para o despertar de um ditador. E eu, que considero fundamental a Autoridade com Justiça, temo os bons ditadores.

Sábado, 3 de Setembro de 2011

Os colunistas portistas de A Bola e similares

Há muito que ando para falar no assunto, e vai ser hoje mesmo. Antes porém, devo reconhecer não ser a pessoa indicada para falar dos meus incontornáveis defeitos, mas acredito não ser do tipo de homem facilmente consensuável, embora, quando tal é possível, e dependendo do quê, procure consensos.

Não sou consensuável* pela  resistência que ofereço às 'moralidades' impostas pela comunicação social, e à sua irresistível tentação para manipular a opinião pública. Este caso muito recente do atleta e grande profissional Ricardo Carvalho, que até já foi tratado pelo seleccionador por desertor, é paradigmático, mas é apenas mais um, entre centenas deles, com critérios de avaliação diferentes, consoante o nome, ou as origens  do "réu". Não confundam, porque não se trata de tribunais, com juízes, togas e tudo, trata-se de justiceirismo, feito a partir de estúdios de rádio e televisão, com o apoio editorial dos jornais.

Não queria perder muito tempo a especular sobre conceitos de "deserção", porque às tantas ainda vou magoar certa gente graúda que desertou efectivamente do país, e fugiu a uma guerra, a que chamaram colonial, mas que outros [a grande parte], acreditavam travar contra o terrorismo e com elevado sentido pátrio... Decorridos 37 anos, receio ser necessária mover outra "guerra", agora dentro de portas, para apurar as verdadeiras razões de muitas deserções, cinicamente baptizadas de políticas, para  pôr a casa em ordem. Mas isso, é apenas um cenário hipotético. Pelo menos, por enquanto.

Voltando a Ricardo Carvalho, que continuo a estimar e respeitar como nunca na vida respeitarei determinados jornalistas, com nome e rosto bem conhecidos, não ouso sequer julgá-lo pelo que fez de errado, num momento de algum descontrole emocional [mas se calhar justificado], pelo peso preponderante de grande profissionalismo e carácter que exibiu na sua honrada carreira. Coisa que, muitos dos que agora o querem queimar na fogueira da Inquisição Centralista, já deram provas sobejas de não possuir.

E é, baseado no histórico já antigo de justiceiros como estes, que sou absolutamente contra a colaboração em jornais como  A Bola, ou o Record, de figuras públicas adeptas do FCPorto, mesmo que em teoria seja para o defender. Sem ofensa para a mais antiga profissão do mundo, ninguém que frequente os espaços onde ela acontece se livra de passar por 'colega' de ofício da dita cuja se a assiduidade for muita.

O eufemismo aplica-se perfeitamente a quem se arrisca a navegar nesse tipo de águas fétidas, a troco de umas democráticas avenças. Não me estou a ver a colaborar num jornal cuja direcção desde há muito escolheu o Futebol Clube do Porto como alvo a abater e tudo tem feito para denegrir a sua imagem. Esses ambientes, dos jornais e estúdios de tv, há muito que ultrapassaram a sadia rivalidade clubista, transformaram-se numa nova moda de caça ao homem. O processo Apito Dourado prova-o, e apesar de já ter sido julgado, a saga continua, como se pode constatar no Trio de Ataque e noutros programas do género. Portanto, quem entende que, nestas condições manifestamente discriminatórias para o FCP, está a defender o clube, engana-se, e engana todos os portistas.

Da participação de Rui Moreira num desses programas inquisitórios contra o FCP, a que mais apreciei e o honrou, foi justamente a daquela noite em que se levantou para abandonar o estúdio. Em vão, esperei que Miguel Guedes lhe seguisse o exemplo, ou que a aceitar substituir Rui Moreira, o fizesse sob determinadas condicões, como seja, a garantia da parte da direcção da RTP de que não se repetiria a linha programática  antiga.

O que vemos agora, dá-me razão. Nada mudou. Os ataques e as acusações continuam.

Só me espanta,é Rui Moreira ter escapado ao estigma de desertor. Teve sorte...

*Não faço ideia se o termo consensuável existe, sei que o que existe é:  consensual. Mas, o que pretendo aqui significar com consensuável é algo como isto: alguém vulnerável a falsos consensos.

Sou revivalista, sim senhor

Bom fim de semana!

Sexta-feira, 2 de Setembro de 2011

Ricardo Carvalho, esquece este país

Tenho um problema comigo, que não o devia ser: não gosto da ingratidão e muito menos da cobardia.

Embora não vomite com muita facilidade, enoja-me nauseabundamente a patriotice de ocasião dos assalariados de todas as rádios e televisões do país.

Quem são afinal estes jornalistas de meia-tigela, cheios de rabos de palha, paus mandados, lambe-botas miseráveis e desonestos para criticar Ricardo Carvalho? Haverá porventura algum que se lhe possa comparar, em carácter e hombridade, para andarem agora a diabolizar a decisão do rapaz de sair extemporaneamente da selecção?

É preciso ter lata. E isso, é talvez a única coisa que não falta aos jornalistas. Raios os partam, vermes!

Um abraço para ti, grande Ricardo Carvalho, eu estou contigo!

PS-Lamento o carácter radicalista do meu comentário, até porque há jornalistas por quem tenho apreço, como é explícito e implícito do post anterior. Mas a verdade, é que os bons jornalistas nada têm feito para se livrarem do contágio epidémico daqueles que andam a queimar a reputação da classe. Lá diz o ditado: quem cala, consente.

Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

Está quase? Só pecará por tardio


A guerra cidadãos-Estado

Infelizmente já é tarde. Mesmo que o Governo prometa que vai cortar cegamente em tudo e mais alguma coisa, algo se quebrou de forma muito séria na relação entre os cidadãos e o Estado. Não há uma moral de Estado, não há um bem comum evidente para os sacrifícios. Esta decadência já vem de longe e atingiu o zénite com Sócrates. Depois, a famosa frase com que Passos Coelho derrubou o anterior Governo - "há limite para os sacrifícios" -, por antítese a todas as medidas que vem tomando, fez emergir uma falta de confiança e um desespero que leva as pessoas a interiorizaram a sensação de que os políticos estão a arruinar-lhes a vida. Sem que compreendam verdadeiramente como isso sucede. Ouvem falar de défice, de dívida, de milhões e milhões, mas interrogam-se - porquê? O resultado está aí: uma guerra subterrânea entre os cidadãos e o poder. Uma sensação de que o país não vai ajudar a cumprir os objectivos do plano da troika. Porque não consegue. E talvez já não queira. O tempo é outro: salve-se quem puder.

Isto traduz-se em coisas muito concretas: são os multibancos que 'não funcionam', são as facturas que estão cada vez mais difíceis de emitir, os "ricos" que pela calada já perceberam que têm de ir para outras paragens, ou as empresas que lentamente deslocalizam os lucros. A guerra fiscal traduz-se em pequenos-grandes gestos. Perdeu-se o respeito pelo Estado a partir do momento em que este usa o seu poder para esmagar o cidadão - rico ou pobre. Sem aviso. Sem moral.

Vale tudo. Aumentos de impostos em cima de aumentos. Transportes mais caros, novas portagens, taxas moderadoras, menos medicamentos, mais IVA, IMI... Despedimentos com indemnizações reduzidas de forma retroactiva. Fim de isenções fiscais - educação, saúde, habitação. Redução de deduções das empresas... Um clima de terror fiscal, que promete piorar - basta ser preciso mais. E vai ser, porque as pessoas vão fugir da falência pessoal e o país não vai arrecadar em impostos o que as projecções macroeconómicas prometem. Um parêntesis: o que dirá a troika dos desvios? E os mercados, os ratings? Portugal não cresce? O défice não diminui? Apertem: mais medidas, mais repressão fiscal. Em termos macroeconómicos, sempre o mesmo movimento: transferir dinheiro da economia privada para o Estado.

Dois argumentos legitimam, na perspectiva do Governo, este extenso caderno de maldades em tempo recorde: o Executivo vai realmente endireitar o Estado e, além disso, os impostos extras servem para socorrer os mais necessitados. Mas há dois grandes problemas nesta equação. Primeiro, toda a gente sabe que não é possível endireitar radicalmente as contas públicas sem que o Estado diminua funções e despeça massivamente funcionários. Como não o pode fazer, vai simulando. Uma reestruturação à superfície, que nunca chega ao fundo do problema. Até hoje sempre foi assim.

Segundo problema: não faz sentido confiar apenas no Estado para o socorro dos mais pobres. Sem se "privatizar" o combate à pobreza - ou seja, colocar a sociedade civil a tratar dos seus próprios problemas, através de dinheiro dos impostos entregue ao Banco Alimentar, AMI, Cáritas, etc. - ninguém acredita que estes impostos extras cheguem realmente onde deviam. Mais: o dinheiro que entra no fisco para combate à pobreza é em boa parte engolido pela máquina que tem como emprego combatê-la...

Os números da execução orçamental dos próximos meses vão dar ideia que país Pedro Passos Coelho tem pela frente. Se a confiança e o consumo continuarem a cair (como se começa a confirmar mês após mês) e o desemprego subir mais do que o ministro das Finanças previu ontem, os portugueses vão fazer-lhe sentir da pior maneira que há mesmo limites para os sacrifícios. É imperioso dar um pouco mais de tempo na concretização do ajustamento para que as empresas não fechem e a conflitualidade não rebente com a paz social do país. Isto não se mede em números mas é essencial. Se o Governo perder o equilíbrio dos portugueses, perde tudo. E está quase
[JN]

Nota de RoP

Absolutamente de acordo com o teor deste artigo.

Caricaturando os governantes do país, vejo um mastodonte com forma de homem [o Governo] a tentar asfixiar o zé-povo, e este a espernear quase a sufocar, e o mastodonte, bruto e insensível, a insistir a apertar-lhe a garganta, convencido, apenas porque o zé ainda não morreu, que lhe vai salvar a vida. Isto, é de loucos. Mas é a real politique.