Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

Foz Tua, a próxima vítima da ingovernabilidade



APOIEMOS ESTA GENTE, É IRRESPONSABILIDADE CIVIL PERMITIR QUE O PAIS PERMANEÇA NAS MÃOS DE CANALHA!


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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011

Se eu fosse...


... um patriota, devia andar babado com a elevação do fado a património da humanidade, apesar de viver numa cidade onde o fado ainda não conseguiu superar em popularidade as tripas à portuguesa e o FCPorto.

Se eu fosse um patriota, fazia da movida portuense o dia-a-dia dos tripeiros no desemprego.

Se eu fosse um patriota, transformava os prémios Pritzker de arquitectura, atribuídos a Ávaro ZizaSouto Moura,  na fase terminal da reabilitação urbana do Porto.

Se eu fosse um patriota, acreditava que a Lonely Planet - a melhor editora em guias de viagem -, que nomeou o Porto como o 4º. melhor destino do mundo, irá beneficiar muito o sector da restauração e da hotelaria, apesar do aumento do iva para 23%.

Se eu fosse patriota, tornava a loja do melhor chocolate do Mundo [como é pequeno o Mundo para nós], na suprema realização dos "poucos" sem-abrigo que vagueiam pelo burgo.

Se eu fosse patriota [dos bons], com tanta coisa positiva, jurava a pés juntos, ser redondamente falso  que Portugal é o país europeu com o maior fosso entre ricos e pobres, "orgulhosamente", à frente de Israel e EUA...

Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011

Porto, só meio optimismo

A "movida" do Porto chegou às páginas do New York Times, através de uma reportagem do jornalista de viagens Seth Sherwood que elogia a nova oferta cultural, turística e de lazer da cidade.

"Um novo quarteirão 'à pinha' de vida nocturna está a ganhar forma, e uma florescente cena criativa que tem de tudo, desde um emergente centro de design a uma vanguardista Casa da Música desenhada por Rem Koolhaas, um espaço de concertos deslumbrante", descreve Sherwood.

O jornalista, baseado em Paris, afirma que a "segunda maior metrópole de Portugal" já não precisa de se "encostar" à reputação do famoso vinho digestivo com o mesmo nome.

"E há grandes notícias para os enófilos também. Com a emergência da região do Douro como berço de vinhos tintos premiados -- não apenas o Porto --, o Porto (conhecido também como Oporto) pode agora inebriá-lo com uma miríade de 'vintages', novos restaurantes ambiciosos e até hotéis vínicos temáticos", realça o repórter.

No artigo "36 Horas no Porto, Portugal", já disponível online e a ser publicado na edição de domingo do New York Times em papel, são apresentados 11 pontos de passagem/paragem de um percurso pela cidade que começa às 18 horas de uma sexta-feira e termina ao meio-dia de domingo.

Um "passeio barato (2,50 euros)" de eléctrico entre a Praça do Infante e a Foz marca o início da viagem, que é seguida de uma Super Bock saboreada numa explanada à beira rio e de um jantar de Francesinha, "a sanduíche local não aprovada por cardiologistas". 

[Fonte: Porto24]

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Concordo totalmente com Germano Silva quando diz que o Porto perdeu muita da sua identidade. Apesar do fluxo crescente de turistas, devido, principalmente, às óptimas funcionalidades do aeroporto Sá Carneiro, que proporcionou todas as condições para a instalação da base de companhias de vôos low-cost, e do Metro do Porto, que lhe deu complementaridade, a cidade do Porto continua a viver de fogachos de alguma iniciativa privada, e pouco mais. É preciso esclarecer que, nada deste aparente progresso se deve a iniciativas da responsabilidade da actual CMPorto. Pelo contrário. Uma das razões, para o atraso económico e social do Porto, é a falta de um autarca dinâmico e de vistas largas para a cidade. A outra razão, é o centralismo e a sua sofreguidão de eucalipto que tudo seca em redor. 

Tal como o Douro, com os seus cada vez mais prestigiados vinhos, tem cada vez menos gente, o Porto vem perdendo habitantes de ano para ano, e ao contrário do que para aí se diz, não será a movida que irá  fazer regressar habitantes à cidade, assim como não é o excelente vinho do Porto, que vai repovoar o Alto Douro. Todas estas notícias, aparentemente contraditórias, deviam obrigar governantes e empresários a repensar a ideia de progresso. O progresso, ou o bem estar [se preferirem], das populações não está directamente ligado ao sucesso das iniciativas empresariais. É preciso começar a falar claro e não ocultar os factos. E se os factos nos têm ensinado que por cada máquina inventada há dezenas, se não centenas e milhares, de pessoas desempregadas, isto diz-nos que uma empresa que produz muito não é propriamente uma empresa que emprega mais gente. Portanto, acabe-se com a demagogia de relacionar o empreendedorismo com a prosperidade dos povos. Empreender é necessário, mas sustentar a prosperidade de um negócio com benefício para todos não é bem o que tem acontecido. 

Por vezes, dou comigo a pensar se não será uma criancice entusiasmarmo-nos demais com certos sucessos momentâneos,  ou mesmo com algumas distinções que nos chegam de fora e suavizam a chaga que é, continuarmos a ser um dos países mais pobres, e pior governados da Europa. 

Para mim, o problema vai muito para além da má construção da nossa Democracia e da baixíssima qualidade dos nossos políticos. O capitalismo, definitivamente, tal como está, não é regime para levar a sério. A crise global está aí, a berrar, para quem a quiser ouvir.  
 

Tristezas não pagam dívidas


Os meus amigos já o sabem há muito tempo, mas agora tenho de o dizer em voz alta para a mobília ouvir: não vou à bola com o fado e está a fazer-me um nervoso miudinho a histeria, disfarçada de consenso nacional, gerada pela gentileza da UNESCO em incluir a canção de Lisboa na lista de 90 obras-primas consideradas património oral e imaterial da Humanidade, em que figuram as festas funerárias dos indígenas mexicanos, o teatro de marionetas siciliano e os tambores da aflição, uma dança de cura popular entre os tumbuka, uma tribo do Norte do Malawi.

O fado, que bebe a alma e mergulha as raízes na indolência dos cânticos mouros, veste-se de negro para cantar o luto, o sofrimento, a dor, a desgraça, o amor perdido, o ciúme doentio, a miséria e a saudade, ou seja, é uma canção em permanente marcha atrás, uma antologia de valores que detesto e de sentimentos perniciosos que abomino.

Ao apregoar a submissão aos ditames do destino, o fado foi, de braço dado com Fátima e o futebol, uma das fundações do aparelho ideológico do Estado Novo, que reabilitou e integrou um género musical que medrou nas casas de prostituição dos bairros pobres da Mouraria e Alfama.

No tempo em que o vinho dava de comer a um milhão de portugueses, o fado era a peça fundamental da doutrina da resignação de um povo anestesiado pelo religião e que, na sua doce e alimentada ignorância, rejubilava com as vitórias internacionais da nossa selecção no hóquei em patins, modalidade a que mais ninguém ligava pevas.

Sei que o fado se renovou, com a transfusão de vozes novas como as de Camané, Aldina Duarte, Ana Moura, Mariza ou, mais recentemente, de Carminho. Sei que mesmo nos tempos da Outra Senhora o choro da guitarra acompanhou belíssimos poemas do Ary dos Santos, do David Mourão Ferreira ou do O'Neil. Não me atrevo a beliscar sequer o tremendo talento de Amália. E se me oferecerem o Fado, do Malhoa, vou logo a correr pendurá-lo na parede da sala. Mas isso não chega para me fazer gostar do fado, uma canção triste que não rima comigo.

Não gosto do fado, como também não gosto do Benfica - clube cujo fado, desde a maldição de Bella Gutman, é não ter imagens a cores dos seus êxitos europeus para mostrar aos adeptos que não os puderam viver por terem 50 anos ou menos. Mas isso não me impede de reconhecer o talento de Eusébio, elogiar a liderança de Borges Coutinho ou admirar a resistência dos seus adeptos às adversidades.

Tenho um enorme pó à fatal e indolente resignação face ao destino que é o programa de vida do fado. Em vez de nos agarrarmos ao passado e de fazermos uma festa com a bondade da UNESCO em acolher o fado numa lista étnica (uma distinção de importância equivalente à vitória do Benfica na Taça Latina), devemos olhar para o futuro. O povo está coberto de razão quando diz que tristezas não pagam dívidas. E nós temos uma data delas para pagar.

Nota de RoP:

Outro portuense e português, que [como eu] não vai à missa  do fado. Se a distinção da UNESCO fosse pela negativa, no sentido de considerar o fado como símbolo do centralismo português ainda fazia sentido. Mas tratá-lo com honrarias imateriais da humanidade, só mesmo em Lisboa. 

Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

Bom fim de semana

Rui Rio, já tem perfil de líder? Ou, mudaram-se os "ventos"?

Face ao currículo de Rui Rio, avaliado à distância de quem nada lhe deve, tanto no sentido lato como de portuense,  acredito mais depressa nas opiniões dos seus opositores camarários do que nas dele. E não é por uma questão de má fé, é porque o que leio e oiço das vozes do ex-vereador Rui Sá, e do Arqº. Gomes Fernandes [por exemplo], sobre os muitos problemas que envolvem a cidade, são argumentos mais condizentes com a realidade do que os apresentados pelo Presidente da Câmara.

Se tivesse que inventar um adjectivo curto e sintético para qualificar Rui Rio, chamar-lhe-ia o presidente Nim. Nunca conheci homem tão inseguro àcerca de tudo e de nada como Rui Rio. Se prestarmos bem atenção ao seu discurso depressa descobriremos essa faceta do seu carácter. Aliás, pode estar aí a explicação para nunca dar andamento às tarefas sob sua responsabilidade. O Mercado do Bolhão não ata nem desata, o do Bom Sucesso, idem aspas. Com a piscina do Fluvial tudo se encaminha para ter o mesmo fim. Não se lhe descortina uma ideia, um plano para tirar a cidade do marasmo em que se atolou desde que é Presidente. Tudo para ele é uma dúvida. A desconfiança é a sua imagem de marca.

Não admira pois que sobre a Regionalização, ele que foi, e continua a ser, um tímido centralista, se mantenha "dividido" na matéria. Surpreendentemente, ou talvez não, descobriu agora a peregrina ideia de lançar mais confusão para a já polémica divisão territorial com a criação de uma região para o Porto e outra para Lisboa. Mas, como não podia deixar de ser, também sobre isto não está muito seguro...

Mais estranha do que as hesitações de Rui Rio, foi a ideia do semanário Grande Porto convidar Rui Rio para a tertúlia no café Astória, dadas as suas conhecidas posições pró-centralistas e a sua inconfessável ambição noutras cadeiras de poder. Acresce, que o actual Presidente da CMPorto, além de não ser homem de grandes convicções, não gosta muito de ser convencido, razão pela qual me parece um tanto oportunista esta aproximação de um jornal que tanto o tem criticado. Estas mudanças súbitas de comportamento costumam ser um mau sinal para o público, porque normalmente trazem consigo uma viragem na linha editorial, ou, na pior das hipóteses, uma intenção velada de colagem ao poder local. Se a ideia fôr preparar o terreno para a candidatura de Rui Rio a líder de uma eventual região do Norte [ou do Porto], o mínimo que me ocorre dizer é que muito mal acerta quem tão mal escolhe. Rui Rio, é co-responsável pelo processo de aceleração de empobrecimento e da redução de protagonismo da cidade do Porto. Votar nele para líderar uma região, seja ela do Norte ou do Porto, é engrossar a fileira de cidadãos responsáveis pela discriminação a que a cidade tem sido sujeita, esses sim [e não todos] cumplíces por más decisões eleitorais. 

Por este caminho o jornal Grande Porto vai acabar por perder leitores, e eu serei seguramente dos primeiros.