05 novembro, 2009

Abaixo os círculos uninominais!

Confirma-se que na proposta de governo do PS não consta a introdução dos círculos uninominais. Acho que é uma decisão sensata. Começa-se por aceitar uma ligação quase pessoal entre os deputados e os seus eleitores, dá-se um pouco de latitude na permissão de eles representarem e defenderem os seus eleitores e as áreas geográficas que os elegem, e corre-se o impensável risco de, sem se dar por ela, acabar por se cair na regionalização, essa ideia funesta que mina a coesão da Pátria e a solidariedade inter-regional, e que acaba com a "teta" em que Lisboa mama, com as indiscutíveis desvantagens que daí resultariam no "efeito de difusão" indispensável ao progresso do país. Isto sem falar na dificuldade que seria colocar os desempregados dos partidos como candidatos a deputados, nos círculos eleitorais que estejam mais à mão, com óbvias consequências negativas na taxa de desemprego nacioanal. Aplauda-se pois tão patriótica decisão.

4 comentários:

zangado disse...

A criação dos círculos uninominais seria uma das formas de aproximar eleitores e eleitos e responsabilizar os segundos pelo que fazem ou não pelos círculos e eleitores que os elegeram. Nos E.U.A. e Inglaterra, por exemplo, os eleitores escrevem ao deputado do seu círculo e ele sabe que será responsabilizado pelo que fizer e, daí, poder ganhar ou perder as eleições seguintes. O único problema é a situação desvantajosa dos pequenos partidos e um certo caciquismo.
Mas isso, já temos muito em POrtugal. E temos pior: centenas ou milhares de indivíduos (as) que vivem à custa da políica, como deputados, administradores e gestores nomeados pelo Estado, acessores, consultores e muitos outros que vivem à nossa custa. É uma vergonha ver tantos pára-quedistas serem escolhidos para candidatos a deputados por terras que nada lhe dizem e por pessoas por quem nada fazem. Muitos são de Lisboa e arredores ou lá fixados e são eleitos por Braga, Santarém, Aveiro, Guarda, Algarve e por aí adiante. Veja-se a atitude vergonhosa de João de Deus Pinheiro que só esteve uma manhã como deputado. Manuela Ferreira Leite, que o escolheu, também é culpada dessas e outras vergonhas, como Paulo Portas ao escolher Ribeiro e Castro para chefiar a lista do distrito do Porto. Devia pô-lo em Lisboa, se o queria candidatar. É gente dessa que defende os portugueses que não moram em Lisboa e arredores?
Regionalização já é pouco, precisamos de autonomia efectiva, senão teremos de começar a pensar na Independência do Norte, senão esta região morre de vez. Portugal Norte é tão natural como se vê na Coreia e se viu no antigo Vietname. Se o Kosovo, sem qualidades e antecedentes, passou a não depender da Sérvia porque teremos de continuar a depender de Lisboa que só nos rouba?
Falta-nos uma Frente de Libertação de Portugal Norte. Venha ela ou nunca mais poderemos viver melhor. Só com o IRA a Irlanda conseguiu a independência, senão ainda hoje eram os ingleses os seus senhores. Ora nós não queremos mais o domínio lisboeta ou espanhol. Quem o quiser que vá para lá e nos deixe livres desses colonizados que só têm traído a nossa região.
Passam a vida a falar em democracia, mas onde está ela?

Rui Valente disse...

Zangado,

tem TODA a razão!

victor sousa disse...

mas o efeito de difusão funciona. Pelo menos a Ovar "chegou"...

Miguel Pereira disse...

Zangado,

Subscrevo completamente a ideia mas deixo aqui uma pergunta. Quem é que é eleito pelo eleitorado portuense? (ou nortenho no seu geral?)

Como é possivel que presidentes da camara que alinham totalmente com a politica do governo central vençam com amplas maiorias? Como é possivel que os politicos eleitos no Norte, pelo Norte e para o Norte sejam os primeiros a sufragar as ideias que prejudicam...o Norte?

Onde está esse grande movimento social nas ruas, nas reunioes camararias, na imprensa contra a privatizaçao do aeroporto, a falta de elementos culturais e sociais chaves no norte ou a "fuga súbita" de fundos europeus para obras de maior dimensao da "patria"? Meia duzia de palavras para encher paginas de jornais. E ponto final!

E mais, o que mais me doi, é que o Norte nao precisou de ajuda de Lisboa para se auto-destruir. As empresas que teimaram em nao renovar-se e cujos "donos" preferiram os milhoes de uma fuga airosa a arcar com a responsabilidade social do cargo. As autarquias e os seus contratos com empresas de construçao civil. O abandono de politicas sociais em zonas chaves do Grande Porto e o abafar total de um espirito de empreendimento e cultura na cidade mais dinamica do oeste peninsular. Enfim, custa ver que o poço onde está o Norte é também da sua responsabilidade.

Sou totalmente a favor de uma plena regionalizaçao igual ao modelo autonomico alemao ou espanhol. Mas estou consciente de que as gentes que estarao por detras desses postos trabalharao primeiro para si, e logo depois para o Norte.

um abraço