02 novembro, 2009

SCUT´s e portagens

Tendo passado há poucos dias pela A41( antigo IC24) lá avistei as tenebrosas estruturas metálicas que nos lembram que, supõe-se que brevemente, vamos sofrer mais um assalto à nossa carteira, perpetrado pelo Estado. A contestação às portagens nas SCUT's é generalizada mas, por muito que pareça estar a contradizer-me, só parcialmente alinho nela. Como neste país a opinião - e a asneira - são livres, sirvo-me dessa prerrogativa para explicitar o que penso.

Numa situação ideal, uma AE não deveria ter portagens, assim como, por exemplo, a gasolina não seria taxada com altos impostos, os serviços médicos ou o ensino seriam gratuitos, o imposto sobre prédios não existiria, etc, etc. Mas porque estamos num mundo real, e a realidade diz-nos que somos um país pobre que vive de subsídios, eu acabo por aceitar, por muito que me desagrade, que tenho de pagar para circular nas auto-estradas. O problema que se põe é que a contestação se dirige, parece-me, às SCUT's e não às AE de um modo geral.

São dois os argumentos contra as portagens nas SCUT's. Primeiro dizendo que elas são acessos cómodos e rápidos a regiões deprimidas e carentes que, por serem pobres, deveriam estar isentas de mais um encargo. Terá lógica pedir o benefício da isenção de portagens antes de pedir para elas, por exemplo, electricidade e gás mais baratos para minorar as deficiências de aquecimento nos invernos, gasolina a preços subsidiados, Imposto Automóvel e de Circulação a metade dos valores normais, etc, etc? O segundo argumento usado é que normalmente não há vias que constituam verdadeiras alternativas às SCUT's.

Para mim, a real alternativa é muito símples. Se vou fazer um percurso entre A e B, tenho de escolher. Por um lado tenho a estrada convencional, onde vou ter segurança diminuída - cruzamentos, ciclistas, peões, loucos em excesso de velocidade ou fazendo curvas na contra-mão - tensão psicológica e cansaço acrescidos, tempo de percurso aumentado, talvez maior consumo de combustível. Pelo outro lado tenho a AE, mais segura, mais rápida, mais relaxante, mas com o óbice de ter de pagar para nela circular. Qual escolher? Cada um fará a sua opção, mas feitas as contas penso até que a AE com portagens não ficará mais cara.

Se esta é a minha visão do problema, porquê então ter escrito que vamos sofrer mais um "assalto à carteira"? É porque sou total e irredutivelmente contrários às portagens em vias que se possam considerar parte integrante da rede urbana ou suburbana das grandes aglomerações. Acho que é um roubo portajar, por exemplo, a A41 até Alfena, a A28 até ao Mindelo, a A29 até Espinho, a A4 até Ermesinde. Isto no que ao Porto diz respeito, porque Braga, Guimarães, Viseu e outras cidade, terão certamente posições similares quanto a sua própria rede suburbana.

Penso que a contestação organizada contra a totalide das SCUT's está votada ao malogro. Um objectivo mais limitado baseado no alargamente do conceito de "vias de interesse urbano" para as quais se reclamaria isenção de portagens, teria certamente mais probabilidades de êxito. Resta também saber o que pensa o sucessor do ministro "Jamé".

3 comentários:

Rui Valente disse...

Estou parcialmente de acordo com a sua opinião Rui, só chamo a sua atenção para o facto de as antigas estradas nacionais estarem completamente degradadas e algumas mesmo inoperacionais, o que resulta numa coacção do Estado perante o utilizador, "empurrando-o" paras as AE para obrigá-lo a pagar portagens.

dragao vila pouca disse...

Rui Farinas, o problema é que eles gostam de brincar com a nossa inteligêngia. Por exemplo: a estrada nacional 13, Porto/Viana, é alternativa à A 28? Claro que dizer isso só por desconhecimento ou para gozar connosco.
Agora o seu raciocínio faz sentido desde que hajam de facto alternativas e no exemplo que dei não há. Quem não se recorda do tempo que se gastava, do Porto, já não digo para chegar a Viana, mas Esposende?

Um abraço

Rui Farinas disse...

A grande dificuldade é definir se outra via é ou não uma real alternativa à SCUT. Não há um critério indiscutível, trata-se de uma questão subjectiva. Reparem, caros Rui Valente e Vila Pouca, que no limite podia chegar-se à conclusão que só se poderia portajar uma SCUT se ao lado houvesse uma AE, porque esta sim, é indiscutivelmente uma via alternativa. A minha convicção é que dadas as circunstâncias que apontei no post, teremos de conviver com portagens em todas as SCUT's, mas com recusa absoluta de pagar portagens em vias suburbanas das grandes e médias aglomerações. Sei bem que esta opinião vai contra o sentir da maioria, mas é realmente o que eu penso.

Um abraço