29 março, 2012

A Regionalização que os desastrados governantes não querem


Li no Relatório da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa sobre a Regionalização, de 14/09/2007, da autoria do espanhol Lluís Maria de Puig, o seguinte:  "alguns dos estados membros da UE foram confrontados com reinvindicações linguísticas, culturais e de identidade, relacionadas com grupos étnicos, comunidades históricas e minorias nacionais, que procuraram fazer valer o direito de ter uma palavra a dizer em assuntos políticos e culturais."

Se pensarmos que estas iniciativas acontecem em países que já deram os primeiros passos na regionalização e que outros mais avançados fazem frequentes adaptações estatutárias para aperfeiçoar o processo de regionalização, enquanto em Portugal os governos se preocupam mais em adiá-lo para não o concretizar, podemos ter uma ideia realista do fosso regressivo de desenvolvimento em que nos continuamos a afundar.

Nesse relatório é também dito algo curioso, que devia fazer corar de vergonha os nossos governantes e que é o seguinte: é irrealista supor que estes movimentos de identidade irão diminuir ou extinguir-se. Pelo contrário, a globalização tem acentuado nas pessoas a vontade de retorno às raízes, de promover um sentimento de pertença a uma comunidade ou grupo mais próximo do local ou da região.

Depois de ouvirmos este tipo de declarações, ficamos com a sensação de viver noutro planeta, e com uma ideia mais clara do atraso em que se encontra a nossa população das coisas da cidadania e da cegueira dos nossos políticos, o que explica de certa maneira, o desprezo e o completo desrespeito que os sucessivos governos têm dedicado aos nortenhos.

Nos próximos posts farei pequenos apontamentos sobre a especificidade da regionalização dos vários países, de modo a criar nos leitores uma melhor percepção do nosso atraso neste domínio em relação ao resto da Europa.

Para começar, apresentamos o conjunto de países que fazem parte da UE e de outros que estão a negociar a adesão:

EstadosNa língua local*
 AlemanhaDeutschlandDE
 ÁustriaÖsterreichAT
 BélgicaBelgië / Belgique / BelgienBE
 BulgáriaБългарияBG
 ChipreΚύπροςCY
 DinamarcaDanmarkDK
 EslováquiaSlovenskoSK
Eslovénia EslovéniaSlovenijaSI
 EspanhaEspañaES
 EstóniaEestiEE
 FinlândiaSuomi / FinlandFI
 FrançaFranceFR
 GréciaΕλλάδαGR
 HungriaMagyarországHU
 IrlandaÉireIE
 ItáliaItaliaIT
 LetôniaLatvijaLV
 LituâniaLietuvaLT
 LuxemburgoLuxembourgLU
 MaltaMaltaMT
 Países BaixosNederlandNL
 PolóniaPolskaPL
 PortugalPortugalPT
 Reino UnidoUnited KingdomGB
 República ChecaČeská republikaCZ
Roménia RoméniaRomâniaRO
 SuéciaSverigeSE
Em negociação
 CroáciaHrvatskaHR
 IslândiaÍslandIS
República da Macedónia MacedóniaМакедонијаMK
 TurquiaTürkiyeTR

UE-EU-ISO 3166-1.png
Sobre esta imagem
Região ultra-periférica da União Europeia
FrançaGuiana Francesa (GF ) - Guadalupe (GP) - Reunião (RE) - Martinica (MQ)
PortugalMadeira (Mad) - Açores (Azo)
EspanhaIlhas Canárias (Can)
(*)= ISO 3166-1



1 comentário:

Anónimo disse...

Os governantes portugueses não querem a regionalização, pelo simples facto de assim poderem governar a seu belo prazer.
Só os ditadores é que gostam de governar centralizando tudo.
Esta democracia é uma hipocrisia, está cheia de charlatões, vigaristas e oportunistas.
Já não tenho pachorra para ouvir estes políticos aldrabões.
Esta gente não tem sentido de Estado.

O PORTO É GRANDE, VIVA O PORTO.