20 novembro, 2016

Os adeptos do nim

Agora com mais tempo, volto ao assunto do post anterior. Aceitando naturalmente as diferentes opiniões, é inverosímel que, seja que portista fôr, não queira o melhor para o seu clube. Qualquer que saia deste perfil, só pode ser louco, ou... inimigo do FCPorto.

Certo é, que o temperamento e a inteligência, por não poderem ser naturalmente iguais, nem sempre são passíveis de gerar laços unanimes no modo de amar o clube, mas podia (e devia) muito bem conciliá-los.  Será assim tão difícil unirmo-nos pelo elo mais forte, que é o nosso portismo? Que interesse tem para um portista de gema medir o seu portismo com o de outros portistas, perder tempo com futilidades, se a nossa força e o nosso emblema comuns, só podem crescer unidos?  Então, tenhamos juizinho e aceitemos as ideias daqueles que, pensando sempre no melhor para o FCPorto, não se recusam a olhar para a realidade, e se dispõem a mudar quando percebem que esse momento chegou.

O que se está a passar no FCPorto não é muito diferente do que se passa na política, mas não devia ser assim. Primeiro, porque o amor a um clube é eterno, é uma emoção de paixão vitalícia, enquanto que a opção por votar no partido A, ou B - partidarites e interesses (inconfessáveis) à parte -, é uma decisão cívica, racional,  frequentemente variável. Em ambos os casos, há contudo uma coisa que não devemos nunca evitar de fazer, que é procurar fazer  sempre a melhor escolha, e no momento certo. 

Respeito - sem me atrever a discutir o portismo de cada um -, diferentes formas de avaliar a situação actual do FCPorto, mas já tenho alguma dificuldade em compreender a coerência daqueles que, admitindo os erros do presidente Pinto da Costa, ora se queixam dele, ora dos árbitros, ora se viram contra o treinador e jogadores, como se fossem departamentos com tutelas diferentes. Em termos institucionais, até é verdade, os problemas do clube pertencem ao clube, os da arbitragem são da responsabilidade da Federação Portuguesa de Futebol.  

Objectivamente, quando o organismo federativo (Comissão de Arbitragem da FPF) cumpre mal a sua função, ou não a cumpre de todo como é o caso, com benefício directo para uns clubes, e prejuízo para outros, cabe ao responsável máximo de cada clube zelar pela verdade desportiva (mas, onde é que já ouvi isto?), exigindo tratamento igual e a reposição atempada da normalidade. Ora, é aqui que esbarra a minha incompreensão com aqueles que insistem em criticar o treinador e os jogadores passando sempre por cima do presidente, com argumentos passadistas discutíveis (do género: antigamente também eramos prejudicados pelos árbitros e ganhávamos), parecendo querer poupar o principal responsável que é o presidente, como se não fosse ele o decisor-mor da escolha de treinadores e jogadores!

Há aqui um visível proteccionismo que já não faz sentido e que pode ter um efeito pernicioso no futuro próximo do nosso clube. Como é que se podem comparar coisas diferentes, em tempos e com líderes diferentes? Será que o Pinto da Costa dos bons velhos tempos de que todos nós gostávamos, tinha a mesma postura mansa e permissiva do Pinto da Costa de agora? Além disso, que obrigação imoral (diria mesmo, masoquista), tem o nosso clube de ter as suas equipas a lutar contra mais do que uma equipa (como mandam as regras), sejam as equipas intrusas os árbitros, ou a comunicação social?

Que raio de amor ao clube é esse que exige dos nossos atletas aquilo que o próprio presidente agora é incapaz de exemplificar para os motivar?  Desculpem lá, mas não alcanço a dimensão desse portismo servil, embora queira acreditar na sua boa fé. É que sem darem por ela, estão a dizer, que os nossos jogadores se tornem super-homens, que corram mais, que joguem mais, que dêem show de bola, que ganhem mais vezes que os seus adversários, com "armas" diferentes. Isso era antigamente. Hoje, os jogadores estão de passagem (mesmo os portistas) para quem lhes pague mais. O mercado ultrapassou o amor clubista. Mas, se quiserem insistir na demagogia, é convôsco. Só que depois não têm autoridade intelectual para culparem o treinador de gerir mal o plantel, nomeadamente no que concerne as performances físicas e psicológicas... 

A mim, não me diz nada a apreciação do portismo pelo tempo de cartão de sócio, ou até mesmo por ser sócio, ou não ser. Essas são opções muito pessoais que não desprestigiam nem dignificam ninguém. Aliás, não é por serem sócios que os sócios (passe a redundância) têm sido mais considerados que os simples adeptos. Explicações, nikles! E não me venham com as histórias bipolarizadas dos adeptos de victórias (os maus) e os das derrotas, como se fosse possível extravazar daí um certificado de pureza clubista.

Deixemo-nos de tretas e decidam-se, se puderem, a atacar já o mal pela raíz, antes que o FCPorto se torne num segundo Boavista, teso e quase esquecido. Promovam eleições calmamente, mas quanto antes. Avalizem muito bem a idoneidade dos putativos candidatos à cadeira de sonho (que hão-de aparecer), e votem.

Diz o ditado: o tempo, é composto de mudança.


FC Porto arrasa arbitragem: "É urgente acabar com esta pouca vergonha"

Nota de RoP:

Este título, mais do que sensacionalista, é um atentado à inteligência dos leitores de O JOGO. O FCPorto arrasa o quê, e quem, objectivamente? 

Infelizmente, agora não arrasa coisa nenhuma, limita-se a gemer como os cordeiros, retroactivamente...



9 comentários:

Deacon Blue disse...

Boa noite Rui,

Creio que as analises e diagnosticos sao já muito claros!
Com todo o respeito pelo seu trabalho aqui (que diga-se leio quase diariamente) e de uns poucos mais, acho que já chega!

É preciso ACCÇAO!E JÁ!

Acho que se devia de criar um movimento com alguém serio, credivel, com estatuto, para dar inicio à mudança.
Eu estou temporariamente fora do pais, mas apoiaria no que pudesse um movimento desse tipo!

Como digo, acho que andamos já as voltas e mais ou menos acabamos já por nos repetir....
Nao sei se é influencia da idade, do pais ou grupo onde trabalho a já longo tempo, mas nao sou muito apologista de persistirmos nas analises. Até porque o problema esta definitivamente/lamentavelmente encontrado!

Eu já aqui abordei este ponto de vista, ou proximo, e obtive "silencio"! Tudo bem! Espero que me entendam bem por um lado, mas por outro que tudo isto que homens como o Rui fazem quase diariamente, espero que nao se fique pelo computador ou conversas de caf+e, pois seria muito redutor!

Abraço
DB


Rui Valente disse...

Deacon Blue,

É preciso passar à acção, diz bem. O problema é dizer como. Pela minha parte, faço o que posso, não tenho condições para mais. Aliás, já sugeri uma ideia, que para começar me parece a mais indicada, e que consiste numa Assembleia-Geral convocada expressamente pelos sócios onde deviam ser exigidas explicações para esta forma permissiva de gerir o clube.

Seria um princípio. Depois, consoante a reacção, os sócios decidiriam como deviar agir a seguir. Não sei que idade tem, eu também não sou nenhuma criança e mesmo assim já ensaiei experiências - como lançar uma petição contra o trabalho sectário da RTP - e a adesão foi muito fraca. Portanto, pouco mais posso fazer do que sugerir decisões e dar ideias. Se o meu amigo tem outras mais válidas apresente-as por favor.

Por isso é que considero o envolvimento dos sócios fundamental, mais que não seja para mostrar ao Presidente & Compª que o FCPorto não é uma empresa particular sua(s) propriedade, é um clube com sócios pagantes. Às vezes dá-me a sensação que os sócios de demitem dos seus direitos legais e agem com uma passividade incompativel com o seu estatuto e contraditória com as sua reclamações.

Um abraço tb. para si

Felisberto Costa disse...

O problema não está na sucessão Pinto da Costa. Todos sabemos que o homem agora apenas e só procura viver uma reforma dourada.
O verdadeiro busilis está em quem de jeito, coragem e personalidade, apareça a dar a cara para fazer deste FC PORTO amorfo, triste e enfadonho, um clube vencedor!
Infelizmente entre as personagens que o poderiam ser, nâo vejo vontade. Ou então o centralismo está de tal maneira em alta, que essas mesmas personagens estão amedrontadas em o serem (presidente do FC PORTO, claro!).

Rui Valente disse...

Viva Felisberto!

Tenho consciência que para nós portistas, a actual situação é muito complicada de inverter. Digamos que, apesar de alguns sinais, fomos apanhados desprevenidos neste autêntico abismo, e ainda há quem tenha dificuldade em aceitar a nova realidade. De mais a mais, com um Presidente que durante tantos anos nos encheu de orgulho e brindou com épocas de sucessos.

Sei que esta situação lamentável custa a digerir, meu caro. Mas factos, são factos. Nem a sua genuína alma de dragão, o seu optimismo (que eu admiro) nada podem contra esta situação.

É verdade que de momento não se vislumbra ninguém credível que nos dê alento para apostar noutra pessoa, mas tenho a certeza que vão surgir muitos candidatos ao lugar de Pinto da Costa, resta saber se terão estaleca para o lugar. Mas isso, é um risco que temos de correr, de contrário arriscámo-nos a passar mais alguns anos sem nada ganhar.

Para evitar que tal suceda, cabe aos sócios dizerem "presente", nós somos parte integrante do FCPorto, queremos saber o que se passa, porque já não se defende o clube, porque não protestamos contra a discriminação que nos é feita, e porque estamos tão desmazelados com a constituição das equipas técnicas e a contratação de certos jogadores.

Enfim, penso que o momento é este, caso contrário podemos passar a ideia que estamos resignados, que na SAD (só) mandam eles.
E, como bem diz, o medo tornou invisíveis os potenciais candidatos, mas não são esses também que nos interessam (já basta o que andámos a aparentar agora). Creio que a haver candidatos sérios e válidos, eles só avançarão quando tiverem a certeza que o Presidente está disposto a abdicar do lugar.

Um abraço

PS-Tendo em consideração a bipolaridade da nossa equipa, calculo que os sofás de sua casa não estejam nas melhores condições...:-)

Felisberto Costa disse...

O problema, Rui, é que não foi só o FC PORTO que se perdeu! A maior associação de futebol do país também se finou!
Não há sangue novo. Apenas e só déspotas iluminados!

NA AFP temos o Lourenço Pinto, que também ele já é história!
Um personagem cinzento, sem chama que, apesar da maneira e do estilo, faz ter saudades do falecido Adriano Pinto, esse sim, um verdadeiro dirigente!
Lourenço Pinto que se deixou ultrapassar, ao ponto de neste momento, se não estou em erro, a nossa associação não ter um único clube na Taça de Portugal!!!
O Salgueiros desapareceu, o Boavista está em convalescença lenta. O campo do Progresso que já foi classificado como um "stadium" dos mais modernos do país está transformado em sala de chuto!
Caminhamos sozinhos contra tudo e contra todos!

E depois, por muito que me (nos) desagrade o centralismo estúpido e arcaico que ainda existe neste país, adoro ser português! E como tal, mesmo que falaciosamente diga que a selecção, a taça CTT, seja ela de futebol ou sameirinha, não me diz nada, a verdade é que fico fulo como os consecutivos jogos no Algarve, em Aveiro e em Lisboa!!!

Fico fulo por ver o Porto definhar lenta mas inexoravelmente nos corredores do poder, não por falta de capacidade, mas por um envelhecimento casmurro de quem agora vê o mundo através da poltrona, ao invés de escutar quem por ele ama e sofre. O que nos vale por um lado é que lá em baixo o Bruninho ainda não se apercebeu que seria bem melhor para ele aliar-se ao Vieira do que combatê-lo. Vá lá do mal o menos!

É caso para dizer, onde andas tu, portuense?

P.S. O sofá é novo! Espero que se aguente esta época, no mínimo!

Rui Valente disse...

Felisberto,

"E depois, por muito que me (nos) desagrade o centralismo estúpido e arcaico que ainda existe neste país, adoro ser português! E como tal, mesmo que falaciosamente diga que a selecção, a taça CTT, seja ela de futebol ou sameirinha, não me diz nada, a verdade é que fico fulo como os consecutivos jogos no Algarve, em Aveiro e em Lisboa!!!"

ESTA SUA FRASE É TÃO AMBIVALENTE QUANTO ESCLARECEDORA. EU PODIA DIZER O MESMO. SUCEDE QUE SE NO TERREIRO DO PAÇO NOS TRATAM COMO "RINGOS", ENTÃO PREFIRO ASSUMIR-ME EXCLUSIVAMENTE COMO PORTUENSE. SÃO ELES, E OS NORTENHOS QUE OS ACOMPANHAM NESTE CENTRALISMO COLONIALISTA QUE ME "AMPUTARAM" O NACIONALISMO. FUI VOLUNTARIAMENTE PARA O ULTRAMAR QUANDO ESTAVA FORA DO PAÍS E OUTROS FUGIAM DELE PARA NÃO COMBATER. SE FOSSE HOJE, NÃO REPETIA A GRACINHA, EXCEPTO SE OS "TERRORISTAS" FOSSEM OUTROS... NA VIDA, ESTAMOS SEMPRE A APRENDER.

Fernando B. disse...

Dificilmente os anos próximos serão de alegria e paz no nosso Clube.
Criar um movimento de Portistas, requerer uma AG apenas servirá para dar força ao "grupo" que tomou conta do Clube.
São umas largas dezenas que " envolvem JNPC " bem pagos, com mordomias inimagináveis.
Para acautelar a vidinha, têm uma guarda pretoriana, capaz de tudo!
Ponham os olhos no que acontece com o Canelas.

Anónimo disse...

O problema é de alguém que está agarrado ao poder e já sem voz para defender um FCP que é sempre penalizado pelas arbitragens, conselhos de disciplina, LIGA, FPF um Clube que serve sempre de exemplo a esta corja para ser severamente prejudicado, ninguém nos respeita e ainda para agravar situação o homem não acerta num treinador competente e em jogadores é o que se vê.
Num universo tão basto como é FCP, não haverá gente capaz mais nova com outras ideias que bata o pé há máfia instalada no futebol e que tenha coragem e não se covarde a ir a votos com Pinto da Costa e acabar de uma vez por todas com o mofo e lambe/botas de gente que parecem carraças à volta do presidente!?...

Rui Valente disse...

Viva,Fernando B.!

A guarda pretoriana pode intimidar, mas não deve, e um dia destes vai ter mesmo que optar entre quem lhe paga, e o FCPorto.

Se o FCPorto fôr mesmo ao fundo como tudo faz crer, não podem usar a força para eleger o futuro presidente. Os sócios são mais numerosos e não podem encolher-se. Se tal chegar a acontecer, a máscara do portismo cai-lhes. A pretoriana e a dos mandantes, porque se já andam envolvidos em casos com a justiça (ainda hoje o JN volta a associar Pinto da Costa aos SPED do Edu), não creio que queiram enterra-se em mais problemas, e os media centralistas agradecem e fazem o resto.

Mesmo assim, custa-me a acreditar que as coisas cheguem a esse ponto. Se chegarem, fica definitivamente tirada a radiografia do carácter de Pinto da Costa.