14 junho, 2017

Queremos mesmo descentralizar?


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Como era previsível, a campanha de intoxicação dos media centralistas já começou. Como não nos podem calar, agora vão fazer tudo para nos descredibilizar. Reacções bem características dos ditadores e de quem sente o poder fugir. Agora, já não se trata de uma campanha premeditada e ofensiva contra o FCPorto, como foi a do Apito Dourado, trata-se de uma estratégia de defesa típica de vigaristas, que é inverter o sentido dos factos, ou seja: os criminosos somos nós.

Bom, mas isso era o que se esperava. Nada de novo, portanto. Agora, como tudo isto é uma consequência dos 4 anos de silêncio do FCPorto, que não quis denunciar mais cedo as arbitragens e o sectarismo que os órgãos de comunicação social lhe tem dispensado, há que prosseguir com as acusações, porque tem motivos acrescidos e demasiado graves para as levar a cabo. 

Como portuense e portista que sou, tudo que se relacione com a defesa da minha cidade e do FCPorto, é mais que um dever, é uma questão de honra. Tenho procurado não me deixar dividir entre as duas coisas. e de certa maneira penso que o tenho conseguido, porque para mim ambas estão fundidas por natureza. Todavia, não sei se posso dizer o mesmo do Porto Canal. Explico-me.

Talvez por efeito dos acontecimentos dos últimos tempos, com a descoberta escabrosa da troca de emails entre árbitros e o Benfica, ouvimos falar finalmente no Porto Canal, de um tema para nós já antigo, que é a cumplicidade dos media com esse clube. Francisco J. Marques disse mesmo que os media tinham sido capturados pelo Benfica, incluindo os estatais. A revelação é de estranhar, por tardia. 

Os leitores do Renovar o Porto são as melhores testemunhas de que neste espaço tenho dedicado parte considerável do meu tempo a falar dos media e da sua indesmentível ligação ao centralismo, assim como da promoção despudorada que têm feito ao Benfica. Há quase 10 anos que este blogue não fala de outra coisa. Já nem incluo os artigos que antes disso publiquei sobre o tema no extinto jornal Comércio do Porto!  A questão que deixo no ar é a seguinte: por quê só agora? Estaremos todos a falar a mesma linguagem, disponíveis para nos unirmos com o mesmo espírito de revolta, ou corremos o risco de amanhã quererem passar uma esponja nestes assuntos por já não serem convenientes? 

É que, face ao que está a acontecer, continuo a achar estranho (é a palavra mais simpática que encontro) que o Porto Canal não tenha ainda concebido um programa específico para debater esse tema tão importante para o Norte e para o país como é o tema da Regionalização/Descentralização. Falo de um programa com pessoas do Porto e do Norte verdadeiramente empenhadas na causa, e não simples deputados que mais não fazem do que se apoucarem mutuamente sem qualquer interesse público. Também reconheço mérito nalguns programas de proximidade do Porto Canal, com alguns autarcas do interior, e espero que se mantenham, mas é preciso debater mais, esclarecer, acabar com as dúvidas que ainda pairam na cabeça de muitos nortenhos contaminados pela lisboetização dos media.

Deixemo-nos de bajular os betinhos e as betinhas de Lisboa, por favor. Não sejamos provincianos chamando a nós os mais "genuínos" do país... Não é com essa gente, por mais colunáveis que sejam, que podemos mudar as coisas! Não é uma questão de discriminar, é um critério de prioridades na ocupação do espaço televisivo. Mas, se quiserem pôr as coisas nesses termos, também pergunto o que têm feito os lisboetas senão discriminar-nos?  Não é uma questão pessoal, é uma premência de objectividade. Em vez do Joaquim de Almeida, da Catarina Furtado e o marido, convidem o reitor da Universidade do Porto, o jornalista David Pontes* do JN, que é dos poucos que há muito escrevem contra o centralismo. E Rui Moreira, por que é que não vai com mais assiduidade ao Porto Canal, sendo o autarca da cidade do Porto? E por que é que Correia Fernandes, da Câmara da Maia, nunca foi ao Porto Canal (nunca o vi lá). Qual é o critério do Porto Canal, se uns vão com frequência e outros não vão nunca? E nós, grande público, os espectadores que tanto dizem estimar, não temos direito a uma explicaçãozinha? Que raio de serviço público é esse?

O que pretendo acentuar é a incongruência que há entre o que afirmamos necessitar com urgência (descentralizar) e o que nos dispomos a contribuir para lá chegar. Deixemos de uma vez esses complexos de dependência, de procurar atrair ao Porto individualidades sobejamente conhecidas que nada acrescentam às nossas vidas.

Sejamos mais Porto, e menos pacóvios, por favor. Ainda há muito por fazer, e lutar pela nossa autonomia é sem dúvida a causa mais importante.

* David Pontes colaborou (e bem) como moderador num programa interessante do Porto Canal. Chamava-se Pólo Norte, e abordava o centralismo e as questões de ordem regional. Subitamente, acabou, sem mais explicação. Que falta de ética!

4 comentários:

Rui Valente disse...

Caro Rui Valente,
Em primeiro lugar permita que mais uma vez destaque a sua luta em prol do Porto, da sua gente e do FC do Porto. Bem haja. Na verdade, apesar da indignação de muitos, alguns que só agora estão a despertar para a realidade do País. Mas, infelizmente, depois disto irá continuar tudo mais ou menos na mesma. É a minha convicção. E porquê? Porque num País absolutamente centralizado e onde a maioria dos deputados e autarcas eleitos fora de Lisboa se submetem “ caninamente “ ao poder da CORTE dificilmente alguma coisa mudará. Só a título de exemplo : os mais ferozes inimigos do FCPorto são alguns políticos eleitos pelo círculo do Porto: Manuel Santos (PS) e Sílvio Cervan ( CDS ). Infelizmente a luta não é só contra Lisboa, é praticamente contra quase todo o País que “ dobra a espinha” perante a capital. Infelizmente, porque isto não é um País a sério, tenho sérias dúvidas que que a divulgação destes factos por Francisco J. Marques tenha quaisquer consequências práticas porque a maioria do poder político, judicial, comunicação social e desportivo é controlado pelo SLB. Quanto muito, o PODER desenvolverá novos e mais sofisticados métodos de controle. O FCPorto só conquistou o poder porque se revoltou. Mas a “revolução “ levada a cabo pelo FCPorto não foi obra exclusiva de Pinto da Costa. José M. Pedroto teve o papel determinante, basta lembrar que deu a cara e atacou directamente Américo de Sá por ter capitulado ao poder de Lisboa. Por isso só acredito no Porto cidade e no Porto clube quando tiverem líderes capazes de enfrentar o poder central e não pessoas do politicamente correcto e à espera de um futuro lugar na corte. O que o Porto região precisa é de um F.C.Porto forte e que se afirme como bandeira da luta contra o centrão . Desde há muitos anos que sou simpatizante do Barça (desde os tempos de Kubala) e como um dos meus filhos está a viver na Catalunha, agora tenho oportunidade de ver com mais frequência os seus jogos e o que me encanta é o lema “ MÉS QUE UN CLUB “. O Barça simboliza a luta da região contra o poder de Madrid. Era o que eu gostava de ver no meu Porto. Para já, o meu contributo será este: não votarei em quem quer que seja para representar a minha região até que haja uma efectiva regionalização. E gostaria de ter líderes a apelarem ao boicote às eleições legislativas até se concretizar a regionalização. Como se costuma dizer “palavras leva-as o vento “ são precisas acções que incomodem o poder. Como disse uma vez o Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins “ o Poder só se incomoda quando é incomodado “ . Por falar em vento, é preciso que os portugueses se convençam que o ditado “ de Espanha nem bom vento nem bons casamentos “ está obsoleto. A realidade é que de Lisboa é que não sopram os bons ventos.
Cordiais saudações portistas.
Jorge Monteiro

Rui Valente disse...

Guilherme de Sousa Olaio

Caro Rui Valente,
Acompanho com regularidade os seus escritos e partilho globalmente dos seus pontos de vista.
Sabe o que penso, porque já o afirmei diversas vezes, sobre os "Glitter`s" do Porto Canal e do provincianismo que deles exala. Todavia, no tocante à programação do Clube creio ter vindo a melhorar.
Quando coloca a questão se "Queremos mesmo descentralizar?" eu pessoalmente não tenho dúvidas. NÃO QUERO! Participar no embuste que é proposto aos municípios, só tem uma finalidade: Colocar mais umas pazadas de entulho sobre a, há muito, enterrada regionalização.
A soma dos acontecimentos que nos vão menorizando, dia a dia, são suficientes para me convencerem que só uma próxima geração será capaz de levar adiante tal desígnio, inscrito numa Constituição tão ungida, mas não cumprida.
Talvez no futuro se avance para um outro patamar de combate. A nossa Península é rica em exemplos de luta pelo respeito das identidades culturais dos seus povos. Só encarnando a determinação autonómica (independentista) da Catalunha, conseguiremos um dia fazer renascer PORTUCALE.

Cumprimentos

Rui Valente disse...

Caros Jorge Monteiro e Guilherme S. Olaio

Eliminei involuntariamente os vossos comentários, mas consegui recuperá-los no correio de emails. Por essa razão, tive de repescá-los do correio electrónico e inserí-los de novo aqui.

As minhas desculpas

Rui Valente disse...

Caros amigos,

Estou na mesma onda que a vossa. A regionalização é a melhor de todas as saídas, mas isso ainda vai ser mais complicado do que a descentralização. Mais uma vez o António Costa fez borrada com as desculpas esfarrapadas que apresentou para justificar a opção de Lisboa como candidata à implantação da Agencia Europeia do Medicamento. Mais uma vez, traiu-se a si próprio e traiu quem lhe deu o voto.

Sempre interiorizei como certo que da parte dos políticos nunca houve vontade nem simpatia pela regionalização. Por isso é que não me importo nada de fingir que não os topo e ir conquistando alguma autonomia, com aquilo a que eles chamam descentralização. Os autarcas do Norte parecem estar mais activos e unidos, mas ainda não "matam".

Enfim, como o país está como está, ou isso. ou a revolução. Mas eu não posso fazê-la sozinho... :-)