05 outubro, 2017

Sobre Francisco J. Marques, no Observador



Francisco J. Marques tornou-se jornalista, tal como Nuno Saraiva, no começo da década de noventa. Chegou ao Público precisamente no ano da fundação do jornal: 1990. Esteve lá até ao dia 31 de dezembro de 2002. Pelo meio, um mês no jornal O Jogo e seis no 24 Horas, voltando sempre à redação-mãe.
Foi Manuel Queiroz o seu editor nos primeiros tempos de jornalismo. Ainda hoje trata Francisco J. Marques por “Chico”. “Ele começou comigo, começou. Primeiro como colaborador, depois a tempo inteiro. O Bruno Prata era amigo do Chico e apresentou-mo certo dia. O Chico fazia desporto, sobretudo desporto, porque tinha uma cultura muito grande a esse nível, mas como era o começo e ainda tínhamos pouca gente, tinha que fazer de tudo um pouco.” Queiroz elogia-lhe a organização. E recorda a timidez. “Ele sempre foi um tipo sério, em quem se podia confiar. E tinha uma coisa que eu e outros jornalistas do Desporto não tínhamos: sempre foi muito bom com jornalismo de dados, nunca se enganava com números. O Francisco era um tipo extremamente organizado no trabalho. Muito, muito organizado. Mas no começo sentia que ele era mais um jornalista de ‘secretária’ do que de entrevistar pessoas. Não sei se era tímido ou se não. Mas não era de contacto fácil no começo – isso era uma característica da personalidade dele. Nunca foi um jornalista de ter muitas fontes, não ‘sacava’ notícias como os outros, mas se lhe pedisses um trabalho ele entregava-to a tempo e horas”, conta.
Marques trocaria o Público pelo Jornal de Notícias. Na redação do Porto trocou também o Desporto pela Sociedade. Assumiu a editoria a 1 de fevereiro de 2003, dia em que Carlos Cruz foi detido e o vaivém espacial Columbia se desintegrou em pleno voo.Mais tarde (entre 2008 e 2011) foi editor de Desporto da Agência Lusa, cargo onde viveu os piores dias no jornalismo, sendo à época acusado de ser próximo do Futebol Clube do Porto. O Benfica apresentou mesmo uma queixa à Entidade Reguladora da Comunicação Social, acusando o então editor de “jornalismo tendencioso”. Francisco J. Marques nunca escondeu a sua preferência clubística. Mas sempre garantiu que o clube com quem mais diferendos teve enquanto jornalista foi precisamente o Futebol Clube do Porto. Ao mesmo tempo, nunca escondeu que nenhum outro como o Benfica o tentou “penalizar” tanto enquanto foi editor da Lusa — garantindo que é o clube da Luz quem está por detrás de uma alegada pressão do então Primeiro-ministro José Sócrates com vista ao “saneamento” de Marques.
“Sempre soube qual era o clube dele, sempre soube que era portista. Os jornalistas têm clube — e nós sabíamos o clube uns dos outros. Mas isso nunca interferiu com o trabalho dele”, explica Manuel Queiroz. “Lembro-me perfeitamente da acusação que lhe fizeram enquanto foi editor de Desporto na Lusa. O João Gabriel [então diretor de comunicação do Benfica], particularmente ele, atacava muito o Chico. Porquê? Porque o cargo de editor de Desporto da Lusa é importante. Tem-se acesso a coisas. Ele foi muito maltratado. E injustamente — porque a postura dele sempre foi a correta. Se tivesse que dar uma notícia, fosse sobre o Benfica, fosse sobre o Futebol Clube do Porto, uma notícia incómoda ou não, o Chico dava-a e pronto”, acrescenta convictamente o jornalista.
Marques sempre acusou Luís Bernardo [hoje diretor de comunicação do Benfica e à época assessor do Primeiro-ministro José Sócrates] de estar envolvido na pressão política feita para que o editor de Desporto fosse afastado da Lusa. Contactada pelo Observador, fonte próxima de Luís Bernardo nega as acusações. E reage: “Isso é completamente falso. E não tem fundamento. Perguntem ao Domingos Andrade [à época diretor de informação da Lusa, hoje diretor adjunto do JN] se houve alguma pressão. Não houve! Agora, que ele [Francisco J. Marques] fazia um bocadinho de ‘clubite’, fazia. E que houve queixas, claro que houve. E uma chamada de atenção… Um órgão público como a Lusa não podia tomar partidos. Tudo o mais é uma fantasia. Luís Bernardo nem sabia bem quem ele era”.
Francisco J. Marques tem 51 anos. Nasceu a 13 de maio (sendo por isso batizado Francisco) em Miranda do Douro. Apesar de não ser um “marreta” no futebol, o único desporto federado que praticou durante anos foi o xadrez, no Clube de Propaganda da Natação, em Ermesinde. Abandonou a modalidade quando chegou ao Público e os horários (e distância) se tornaram inconciliáveis. O ídolo maior de Marques no desporto não é, curiosamente, um futebolista e menos ainda um praticante de xadrez; diz-se um “federerista” convicto, sendo adepto de ténis e do tenista suíço Roger Federer, mas igualmente de futebol americano e dos Saints.
Quanto a Nuno Saraiva, a idade varia. Sim, varia. Nasceu a 22 de julho de 1971. Mas no cartão de cidadão surge 72. Porquê? Um esquecimento por parte dos pais na maternidade e a burocracia que se lhe seguiu explicam o facto de só ter sido registado um ano depois do nascimento.
A reunião de maio no Altis foi importante para o retomar das relações institucionais entre Sporting e Futebol Clube do Porto. “Concluída esta reunião, verificámos que há caminho que pode e deve ser feito em conjunto, considerando que é muito mais aquilo que nos une [o recurso ao vídeo-árbitro, a divulgação dos relatórios de jogo, a revisão do regulamento disciplinar da Liga de clubes ou a legalização das claques de futebol] do que aquilo que nos separa”, explicaram os clubes em comunicado. Mas também é verdade que poucos meses após a reunião, em agosto, Nuno Saraiva e Francisco J. Marques se desentenderam em público. Ou melhor, nas redes sociais.
Foi logo após o triunfo do Sporting frente ao Vitória de Setúbal — com um penálti de Bas Dost nos minutos finais. “Se tivesse marcado o lance do Coates podia discutir-se, mas este é a brincar. Se o VAR não serve para corrigir…”, escreveu Francisco J. Marques no Twitter. “Acho que ainda vamos assistir a um momento histórico e inédito: o Francisco J. Marques em sintonia com o António Rola [ex-árbitro e atual comentador da BTV]! Como diria o Scolari: “Hummm, e o burro sou eu?!”, respondeu Nuno Saraiva no Facebook.
Francisco J. Marques tem passado os últimos meses a denunciar no Porto Canal um alegado esquema de favorecimento das arbitragens ao Benfica. Tiago Girão apresenta o programa “Universo Porto”. Confessa que, mesmo tendo sido jornalista de Desporto na SIC durante anos, nunca havia contactado com Francisco J. Marques antes de se cruzarem no Futebol Clube do Porto. E garante que o que o diretor de comunicação dos portistas faz no programa é uma “extensão” do que fazia como jornalista – o próprio Francisco J. Marques admite que o faz é um jornalismo “mais militante”, mas ainda assim de “investigação”.
“Vejo o que ele faz no programa como jornalismo, sim. O programa vai fazer um ano em antena, sou eu quem o coordena, e até hoje nunca colocámos uma peça no ar sem antes fazer o contraditório, sem confirmar com fontes se é verdade ou não. É muitas vezes o próprio Francisco quem o pede. Essa veia jornalística dele está lá toda, intacta. Ele quer sempre a verdade e o rigor em tudo quando faz no programa. E se alguma coisa for para o ar de forma incorreta, não é a primeira vez que no programa seguinte admitimos o erro e repomos a verdade dos factos”, lembra o apresentador do Porto Canal, que todas as semanas dá a cara pelo que é emitido no programa. A divulgação de e-mails do Benfica envolvendo nomes de árbitros tornou-se na última grande polémica do futebol português — e aqui, o contraditório (o clube da Luz) não tem sido propriamente protagonista.
O tom de Francisco J. Marques no “Universo Porto” (mas igualmente no Twitter) é quase sempre sarcástico e, até, agressivo. “Agressivo? Ele não é agressivo. O que mais destacaria na postura dele é o sentido de justiça. No programa e fora dele. É sensível e justo. Se alguma vez se exalta ou é incorreto com alguém, o Francisco é o primeiro a inverter a situação e a admitir que não esteve bem. Mas destacaria, isso sim, e uma vez que se fala de ‘agressividade’, o sentido de humor dele. É um humor refinado e que nem toda a gente entende ou gosta, um humor muito próximo daquele que por vezes lhe vemos no Twitter ou no programa”, contrapõe, em sua defesa, Tiago Girão.
Manuel Queiroz garante que o “Chico” é exatamente o mesmo que conheceu ainda no Público. “Se está diferente agora? Não concordo. O Chico sempre foi como jornalista o que agora é como diretor de comunicação. Não acho que seja agressivo; é, isso sim, assertivo. E naquilo que tem denunciado no Porto Canal, geralmente acerta e confirma-se que é verdade. O Chico é dos tipos mais pacatos que conheço. Conheço-o há muitos anos e nunca o ouvi levantar a voz a ninguém, por exemplo. A personalidade dele não mudou só porque agora é diretor de comunicação e antes era jornalista. É tudo absolutamente igual; o que tem é mais holofotes do que antes ”, explica, acrescentando: “Ele tem acesso a informações que são relevantes, que são notícia. O que faz? Verifica-as e, quando são verdade, apresenta-as. Aquilo é a continuação do trabalho jornalístico dele na imprensa. Mas claro que agora tem uma ‘causa’ [Futebol Clube do Porto] e antes não tinha”.
A vida e rotinas de Francisco J. Marques alteraram-se drasticamente nos últimos meses, sobretudo desde que começou a divulgar no programa do Porto Canal e-mailsconfidenciais que envolvem dirigentes do Benfica. E sucedem-se as ameaças ao diretor de comunicação portista, o que o impossibilita, por exemplo, de visitar Lisboa ou de, como antes, “ir a concertos e jantar em restaurantes” — garante fonte próxima de Marques ao Observador, que acrescenta: “É constantemente insultado na rua”.
Mas não é somente na rua que Francisco J. Marques se diz vítima de ameaças. Nos últimos tempos, a sua conta de e-mail tem sido constantemente atacada, como o próprio denunciou no Twitter, por piratas informáticos, acrescendo a isso um facto mais sórdido: “as informações pessoais [do diretor de comunicação] têm sido partilhadas em sites de pornografia homossexual”, conta fonte próxima ao Observador, que diz que Marques não tem dúvidas de que o Benfica poderá estar envolvido em muitas destas situações que considera “graves”.
Ao Observador, fonte da direção do Benfica nega, contra-atacando: “Toda a gente sabe que o verdadeiro diretor de comunicação do FC Porto é o Manuel Tavares [ex-diretor de O Jogo e do JN]. É ele que coordena tudo. O Francisco faz o trabalho dele… Foi uma personagem criada — e onde se mistura o papel de diretor de comunicação com o de comentador. O rosto disto [Francisco J. Marques] é alguém que não tem muito a perder. É ele mas podia ser outro qualquer. Quando isto apertar, com indemnizações, processos-crime, o desgraçado é que paga. Está a dar a cara e será lançado aos lobos…”
Nota de RoP:
Excerto de um artigo de Tiago Palma, sobre Nuno Saraiva e Francisco J. Marques. Pela longa extensão, limitou-se a publicação conjunta ao Director de Comunicação do FCPorto.

04 outubro, 2017

Um político incompetente que mais parece um cumplíce

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João Paulo Rebêlo
(Secretário de Estado do Desporto)
Gosto de conhecer o rosto de quem se esconde, quando se impõe aparecer. Há rostos que se ocultam por timidez, outros por se acharem muito feios, e outros ainda, por mera cobardia. Normalmente são anónimos, daqueles que se fazem valentes e sabichões, sem sequer deixarem o apelido quando decidem comentar reactivamente.

Não deve ser o caso deste rapaz aqui ao lado, porque teve "coragem" para se dedicar à política e chegar a Secretário de Estado do Desporto, embora para isso, hoje, a boa coragem não faça parte do perfil exigível  a um político moderno. Mas, se ele não é cobarde, é no mínimo incompetente. A má "coragem" sim, é condição elementar para ser-se político.  

Sinto-me à vontade para pensar assim, porque quem ocupa um cargo como o seu não pode dar-se ao devaneio de repreender um ladrão de supermercado, e depois ficar mudo e indiferente com crimes muito mais graves. É uma incongruência absurda.  Revoltante, mesmo! Objectivamente, este senhor teve a má coragem de notificar o líder dos Super-Dragões por incentivo à violência com cânticos inapropriados, por um grupo avulso de uma claque legalizada. Mas já não teve a boa coragem para notificar o Benfica pela ilegalização das suas claques que ainda há poucos mêses assassinaram um adepto do Sporting. Mal comparando, decisões deste tipo, lembra-me de certo modo, o comportamento de Sócrates e as inéditas transferências bancárias, da sua conta própria para a conta de amigos. Sendo legal, é inusitado, nem parece sério para um 1º Ministro. Quando se trata do nosso próprio dinheiro, em circunstâncias normais pautamos sempre pela privacidade, e pela segurança.

O assunto do senhor Secretário dos Desportos, foi também ontem debatido  no Universo Porto da Bancada. Mas, continuo a pensar que é preciso ser mais contundente. Não basta dizer, "isto não se admite", "Ao Benfica tudo é protegido", etc.,  porque eles sabem muito bem que não estão a ser correctos. É preciso pôr os pontos nos "is", apelar à figura do 1º Ministro e pedir a demissão urgente desse seu colaborador pela sua incompetência e sectarismo. O Governo tem de passar a ser enfatizado, e a indignação tem de parecer proporcional à gravidade que o caso tem, caso contrário, estamos a contribuir para o arrastamento desta situação. Quanto mais cedo o fizermos, mais cedo o Governo tomará decisões. Assim, estamos a beneficiar os infractores, a dar-lhes tempo para manobrarem. Andamos à volta de um carrossel de indigências sem fazer tudo o que é preciso para o travar.

O pior que se pode fazer, é vulgarizar o programa, transmitir aos espectadores a sensação que aquilo não vai dar em nada, que é mais um programa de maldizer entre rivais. E não é.

03 outubro, 2017

Os nossos comentadores políticos e a Catalunha



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Ângelo Correia
(um lírico convencido)


"Notável", a reacção de algumas figuras da vida política nacional face aos acontecimentos da Catalunha. Quem não os conheceu, que os comprasse na hora certa, porque agora já pouco há a fazer.

Estes passarinhos, continuam por aí a desconsiderar-nos, semeando a genes de todas as rebeliões, tratando-nos com o cinismo e a discriminação do costume. 

São gente com responsabilidades (imerecidas) do passado, e também da actualidade, figuras que estiveram no poder, dos partidos do arco governativo, quem nos vem agora falar dos perigos da desintegração de Espanha e das consequências nefastas que a eventual separação da Catalunha podem causar, não só ao país vizinho como a Portugal. É esta incoerência absoluta, esta falta de honradez intelectual, que abomino nesta espécie de saltimbancos que fizeram de Portugal o país medíocre que ainda é. 

Se recuarmos no tempo, se olharmos para a história da humanidade com o realismo devido, depressa concluímos que nenhum povo é inocente nesta coisa de independências. Nenhum povo do mundo é exclusivamente pacífico. Os países ditos modernos foram outrora tão selvagens, como aqueles que hoje condenamos. Portugal construiu-se e cresceu com a invasão a outros povos.  Ceuta, foi a primeira vítima, depois seguiram-se outras regiões africanas, outros continentes, sempre com o mesmo espírito: poder, e riqueza. A nossa origem, como a de tantos outros países, é multi-racial. Ninguém é puramente nada!

Os muçulmanos apossaram-se, e criaram raízes em zonas consideráveis do sul, hoje parte integrante de Portugal, e nós portucalenses corremos com eles. Às vezes esquecemos-nos que D. Afonso Henriques (1º. Rei de Portucale), teve de lutar contra esses mesmos povos para prosseguir na sua campanha de ocupação e limpeza religiosa (a causa inspirava-se num desejo de Deus), entre os quais constavam reinos árabes como Beja, Évora, Elvas, e as hoje espanholas Sevilha e Badajoz...  Após muitos anos e batalhas perdidas e outras vencidas, nomeadamente com Castela, lá conseguimos instalar um período razoável de paz duradoira no célebre tratado de Zamora, com Leão e Castela.  

Pergunto: em pleno século XXI, estará algum país em condições de garantir que as suas raízes etnográficas originais são integralmente puras?  Nós portugueses, não temos, e os espanhóis também não. A Espanha contemporânea, como todos sabemos, tem pelo menos 3 grandes problemas regionais e étnicos: o País Basco, a Catalunha e a Galiza. Umas, mais que outras, as três regiões têm línguas e hábitos culturais muito distintos que lhes conferem diferenças relevantes com o resto de Espanha. O tempo consumido com as lutas que têm travado pela auto-determinação, com ou sem sangue, confere-lhes no mínimo, o direito a serem mais respeitados... As lutas dos outros povos, não são obrigatoriamente menos importantes que as nossas.

Em Portugal, a questão das etnias existe de facto (os nortenhos têm mais traços culturais com a Galiza do que com Lisboa e Sul do país). Mas é uma questão, não um problema, isto é, nunca chegou a ser encarado pelos portugueses como tal. Actualmente, já não é bem assim... Neste capítulo, o grande problema em Portugal têm sido os próprios governantes. Os que agora clamam pela coesão nacional, são os mesmos que passaram estes 63 anos a dividí-lo.

Os nossos governantes, em vez de aprenderem com o problema espanhol, de procurarem governar o pais com a sensibilidade que questões desta natureza recomendam, descentralizando, conferindo gradual, mas resolutamente mais autonomia às diferentes regiões, evitando manifestos arrogantes de poder e discriminações, não. Centralizaram-no mais. Do 25 de Abril para cá, o sentido foi invertido. Passamos a viver no país mais centralista da Europa!

Como segunda cidade portuguesa, que se orgulha de transportar consigo o nome do próprio país (Porto, significa Portucale = Portugal), a "democracia" atraiçoou-a. Não a Democracia verdadeira, mas seguramente esta que os nossos políticos fizeram o favor de ultrajar Esta imitação reles de democracia a que eu chamo sem rebuço ditadura, retirou ao Porto muito do protagonismo que tinha. E não o fizeram por acaso.

Acabaram com importantes recursos indígenas, como jornais sediados na cidade, Rádios, Bancos, Companhias de Seguros, enfim, um sem número de meios fundamentais a qualquer autonomia. Todos sabemos disso, mas não é nada que choque os centralistas. Continuam empenhados na senda das promessas falsas, apenas promessas. Agora, temem (pudera!) que Portugal venha a sofrer com a eventual independência catalã, e querem, "querem muito", a coesão nacional, tratando-nos como parentes menores. 

Qualquer vulgar ladrão quer muito ficar com o que não é seu, não é verdade? Qualquer vigarista finge que não percebe que o é, não é assim? Que terá isto de original, para não dizer inteligente?

Estes nossos políticos devem estar mesmo a ficar com as cuecas sujas, tal é o medo de perderem a mama do absolutismo pós revolucionário. Então, toca a deitar a baixo a Catalunha. Como se tivessem alguma coisa a ver com o assunto. Não têm. Para já, até andam com muita sorte. 

Meus caros, agora é que os gajos de Lisboa e sus muchachos obedientes vão enxovalhar a Regionalização. Melhor pretexto não podiam ter.

Já agora, e se fossem cuidar dos paióis de Tancos? Ouvi dizer que ainda se vê por lá algumas fisgas. Cuidado, que os catalães podem descobrí-las!

02 outubro, 2017

Eleições no Porto e Gaia, as mais genuínas

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Rui Moreira
Há quem procure desacreditar as candidaturas independentes, argumentando com a utopia dessa independência. É um argumento válido, mas também contraditório, porque quem defende essa tese, só pode ser naturalmente alguém que está, ou tem gente próxima, ligada a um partido político. Depois, porque o militante partidário que ouse pensar pela própria cabeça contra o establishment, arrisca-se a ser acusado de indisciplinado e consequentemente castigado.  Logo, estamos conversados sobre "independências".

Os partidos políticos, em vez de se virarem para os independentistas com slogans espúrios e gastos, deviam antes de tudo procurar descobrir as causas deste fenómeno recente.

Já aqui escrevi, vezes sem conta, sobre as razões do meu longo absentismo, não estando por isso mais disponível, nem paciente, para escrever com um post só para responder a cada comentário pseudo-iluminado que cai na minha caixa do correio. Quem quiser saber como penso, que se dê ao trabalho de ler um pouco mais do que o último post. Quem não quiser, então prefiro que não comente coisa nenhuma e me desampare a loja.

Mas, voltando aos partidos, e à sua lengalenga do costume, vazia e muito pouco inserida da realidade actual, seria bom que reflectissem para tentar saber por exemplo, por que é que o independente Rui Moreira, no Porto, e o socialista Eduardo Victor Rodrigues, em Gaia, venceram ambos, e  com maioria absoluta, as respectivas câmaras.

Ambos, tiveram o mérito de convencer os eleitores da sua área sem precisar de se confrontarem politicamente. O povo da região parece já ter percebido que mais do que os partidos, são as pessoas que os representam (ou não) que contam. É uma imbecilidade que um partido como o Bloco de Esquerda tenha como representante no Porto um político como Teixeira Lopes convencido de poder "roubar" votos a Rui Moreira, explorando o caso Selminho (já resolvido na Justiça), enfatizando-lhe as falhas, sem ter a dignidade de lhe reconhecer os méritos. Resultado: nem sequer conseguiu eleger um representante! Ilda Figueiredo, da CDU, ainda conseguiu um lugar, mas pecou pela mesma política do bota-abaixo.

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Eduardo Victor Rodrigues
O mal dos partidos, é desprezarem a sensibilidade popular, acharem que os eleitores ainda alinham pelo discurso negativo, pela má-língua, pela clubite partidária, em vez de apresentarem alternativas coerentes. Felizmente, parece que o bom senso do povo do Porto está a refinar-se. O mesmo se passou em Gaia. Eduardo Victor Rodrigues é dos políticos vinculados a um partido que mais admiro. Sucedeu a Luís Filipe Menezes, herdando uma dívida tremenda, grande parte dela já sanada, sem se perder nos queixumes usuais, com uma dignidade e uma honradez invulgar.

São exemplos destes, diferentes entre si, que deviam fazer reflectir os partidos. É também verdade que há sempre quem se aproveite das fragilidades "independentistas". No Norte, Valentim Loureiro e Narciso Miranda, borrifaram-se para os seus respectivos passados, nada recomendáveis, e lançaram-se à luta, mas desta vez o povo deu-lhes a resposta adequada. No Sul, em Oeiras, o ambiente e os ventos parecem mais "tolerantes" com a corrupção, e (pasmem) lá elegeram Isaltino Morais...   


Vejamos, como é que Rui Moreira vai governar a cidade com maioria absoluta. Confiemos no seu carácter. Pode não agradar a todos, mas já fez coisas muito interessantes, ao contrário de Rui Rio, esse sim, um oportunista e incapaz. 

Rui Sá, da CDU nunca lhe fez as críticas oportunistas que fez a Rui Moreira durante todo o ano. Talvez se sentisse melindrado por Rui Moreira ter acabado com a cultura Laferiana, bem à moda da Lisboa pimba...

Off topic:

O FCPorto mereceu ganhar em Alvalade. Belo espectáculo de futebol. Força Sérgio Conceição, a tua língua não tem sofisma. Que os Deuses te ajudem, tu mereces! 

29 setembro, 2017

Se o ridículo matasse



Podem acusar-me de tudo. De ser pouco dado a apreciações surperficiais, de ser dificilmente influenciável, de não me entusiasmar com ninharias, de não apreciar a classe política, de não acreditar em democracias que desprezam a lei, de me marimbar para a economia abstracta, ou de desprezar o politicamente correcto.  Porque tudo isso é verdade. Agora, o que não me podem dizer é que me ando a enganar.

Tenho uma noção realista do país em que vivo. Um país que foi incapaz de se educar, política e democraticamente, e que não soube extrair da liberdade de expressão o seu melhor, como ser criterioso nas escolhas que faz de quem se apresenta como capaz de o governar. Por isso, também é um pouco nossa a culpa, porque alguns (como eu), deixaram de votar por não terem em quem, ou seja, por não acreditarem nas propostas dos candidatos, mas também por não se destacarem muito dos que já conhecemos. Apesar disso, sempre prefiro não votar, do que votar em quem não tem perfil para governar com seriedade e competência.

Como estarão lembrados, escrevi aqui mesmo, ainda há poucos dias, que ansiava por saber os resultados da investigação da PJ no caso dos e-mails do Benfica. Ainda é cedo para isso, mas o facto de saber que houve um juíz de instrução que bloqueou a investigação depois de numa primeira abordagem ter concordado com a procuradora do Ministério Público, pode ser mau sinal. O Benfica tudo fará para atrasar, ou mesmo travar, o andamento do processo, podendo resultar em mais um caso falhado da Justiça, como aconteceu com o caso Sócrates e do Banif. 

Os investigadores estão a ser lesados no seu trabalho e na sua dignidade profissional, e os clubes também, particularmente o FCPorto, que tem sido, sem qualquer dúvida, o mais prejudicado. Em Portugal, a verborreia jurídica é muitas vezes responsável pelo branqueamento dos crimes de corrupção mais gravosos. A Justiça portuguesa não é tão eficiente quanto devia. Qualquer dia, para incriminar alguém só será possível com a presença dos juízes no acto do crime. 

Por esta andar, talvez ainda possamos assistir a um fenómeno insólito, mas muito portuga para provar a autoria de um crime: ver o assassino ligar ao juíz para o informar da arma, da data, da hora e do local, onde tenciona praticá-lo...   


27 setembro, 2017

Parabéns à equipa, e ao Sérgio Conceição!


Antes do primeiro golo, por volta dos 10/15 minutos de jogo, passei-me com uma asneira de Brahimi, quando no flanco esquerdo, ainda na área do FCPorto e perto da baliza decidiu entregar a bola ao adversário, que felizmente não teve a sorte de a aproveitar. Se ele soubesse quanto é melhor jogador, se soubesse decidir bem, entre o individualismo e o colectivismo, era mesmo um jogador fabuloso. A prova disso, foi passe longo e teleguiado que fez para Marega que originou o segundo golo de Aboubakar. 

Marega, o tal tôsco que alguns de nós criticamos, tem características que para mim são fundamentais num jogador: 
  1. É lutador, e fisicamente possante
  2. Faz tudo para se superar
Esteve na origem de dois tentos, e não foi só ontem, tem sido recorrente esta época. Isto, sem contar com os seus próprios e preciosos golos.

De todo o modo, a equipa esteve simplesmente soberba! Muito concentrada, quer táctica, quer fisicamente. Foi uma equipa. Uma grande equipa!

E que dizer de Sérgio Conceição, que ousou arriscar a inclusão do escondido Sérgio Oliveira? Um Sérgio Oliveira que jogou sobriamente mas sem cometer erros. O que vi dele neste jogo foi muito positivo.

Parabéns a vocês! À equipa! E ao Sérgio Coceinção, que cada vez irradia mais confiança.  

25 setembro, 2017

Talvez não fosse má ideia prevenir...


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Sempre estou para ver o que tencionam fazer os sócios do FCPorto, caso os seus dirigentes consintam que o escândalo dos emails venha a ser ignorado pela justiça civil. 

Pelo andar da carruagem, e apesar deste caso estar nas mãos da Unidade Nacional Contra a Corrupção da PJ, o  silêncio de cumplicidade dos media, a par do próprio poder político, não auguram nada de bom quanto ao seu término. Entenda-se como bom, um final célere para ser justo. A par do escândalo do BES, do drama crónico dos incêndios, e da trapalhada com o ex-primeiro Ministro José Sócrates, este, é sem dúvida o esquema criminoso mais alarmante e tentacular a que se assistiu na era pós Estado Novo. 

Sabemos que estes casos são muito complexos e levam algum tempo a apurar, mas também sabemos que os dados que têm vindo a lume são extremamente comprometedores para os suspeitos. Além dos dirigentes do Benfica, de outras pessoas e instituições, há toda uma mescla de cumplíces com responsabilidades directas, paralelas e incógnitas nesta rede, que não pode ser ignorada pela investigação. Portanto, não será para amanhã a divulgação pública deste processo. Aliás, a Justiça em Portugal nunca foi famosa por decidir rapidamente.

Como se isto não bastasse, continuamos a assistir a sucessivas tropelias em certas arbitragens que mostram à evidência os objectivos dos protagonistas. Há uma estratégia por demais descarada para continuar a ajudar o Benfica, e não é só nos jogos em que participa directamente, é também na eliminação de peças (jogadores) fundamentais das equipas adversárias.

A mais recente, teve como vítima o jogador Zainadine Junior, elemento preponderante da defesa do Marítimo e próximo adversário do Benfica... Espero bem que estes critérios sejam também avaliados pelas investigações da PJ, nem faria sentido que não os usassem. Numa investigação inteligente, tem de se procurar os objectivos que expliquem posturas e decisões suspeitas (como esta) para se chegar a uma conclusão. No futebol, ou noutra área qualquer quando os padrões comportamentais saem do registo normal, é fundamental unir as peças dos puzzles para se descobrirem os objectivos.

Concluindo: os adeptos, sobretudo os sócios, por razões óbvias, não podem contentar-se em discutir o clube nas redes sociais e nos blogues, têm de se fazer ouvir.  No contexto actual, mais que um direito inalienável, é um dever.  Os dirigentes não têm motivos para sorrir, mas estão acomodados, os adeptos sofrem e não têm outras compensações a não ser os êxitos do FCPorto. 

Propor uma Assembleia Geral para saber o que a SAD tenciona fazer com o escândalo dos e-mails, e dentro de que prazo, é imperativo. Por que se não houver resposta, com a lentidão do processo BenficaGate e a continuidade da azáfama cartilhista que continuamos a observar, bem podemos esperar pela aplicação dos jogadores e pela sagacidade do treinador que é capaz de não bastar.

  

23 setembro, 2017

Benfica, tudo faz para lançar areia para os olhos do país!



COMUNICADO


O FC Porto lamenta que, mais uma vez, usando da mais requintada hipocrisia, o SLB tenha aproveitado a nomeação do presidente da FPF para a comissão executiva da FIFA para cavalgar o apelo à concórdia que Fernando Gomes lançou na edição de hoje da imprensa desportiva, a partir da sua nova posição de relevo no plano do futebol internacional e com a qual o FC Porto já se tinha congratulado publicamente. 

A desfaçatez com que o SLB usa e abusa da propaganda para tentar puxar o lustro à marca contrasta com práticas repulsivas através das quais persegue benefícios próprios e não para o futebol português em geral. Este comportamento dúplice só tem sido possível através do estratagema de calar os pecados próprios em matérias de conflitualidade social, de que são prova agressões a árbitros e adeptos e até mesmo mortes. Por sua vez, este estratagema só tem resultado no interesse do SLB pela subserviência de alguns meios de comunicação social e pela cumplicidade de alguns agentes desportivos que, nas suas funções institucionais, deveriam zelar pela neutralidade de órgãos e institutos que regem e administram as regras do jogo e a justiça desportiva das competições.

Concordando com as preocupações do presidente da FPF, centradas na relação entre árbitros e adeptos, o FC Porto recorda que uma das condições para a pacificação reside na perceção que os amantes do futebol, os cidadãos em geral e, não menos importante, os investidores em particular possam ter de que o jogo, o espetáculo e a indústria do futebol assentam na verdade desportiva. E que deste ponto de vista caberá também à FPF encontrar forma de regular com transparência as regras do jogo, incluindo aquelas que, neste momento, não ajudam a uma boa perceção pública do futebol e da sua indústria, como é a situação sui generis da Liga portuguesa ter como operador televisivo dos jogos disputados pelo SLB em casa a própria televisão do clube, com os atropelos conhecidos.

Por último, o FC Porto espera que do apelo do presidente da FPF resultem rapidamente decisões práticas para o dia a dia do futebol português, sendo de toda a evidência que, em primeiríssima prioridade, deverá estar um dos maiores e mais óbvios problemas sociais e desportivos: a obrigatoriedade de tornar legais claques disfarçadas de grupos organizados de adeptos, o que tem permitido aos dirigentes alienar responsabilidades.

22 setembro, 2017

Ou vai, ou racha!

Acreditar na democracia portuguesa é uma ofensa aos povos do norte da Europa,
e a todos aqueles que se esforçam para a tornar autêntica. É também boicotar o trabalho dos que se empenham para a credibilizar contra quem usa essa tremenda impostura para dominar. Isto, a que levianamente alguns ainda apelidam de democracia nada mais é que uma grande vigarice que os mentores do 25 de Abril não souberam reprimir. A euforia com a queda do Estado Novo tolheu-lhes a lucidez de deixarem a democracia crescer sem a maturidade que só a boa educação permite.

Não sei se foram os descentes da PIDE que se infiltraram nos aparelhos partidários, se foram os governantes que se distraíram, ou as duas coisas ao mesmo tempo. O que sei é que, 43 anos de Liberdade não foram suficientes para blindar a democracia com a licitude e respeitabilidade que ela precisa. Edificar uma democracia sem estes "alicerces",  é tão irresponsável como entregar uma criança ao cuidado de um pedófilo, passe a analogia Nada, nem ninguém, me convence que o regime em que vivemos seja empenhadamente democrático, com tanta gente a violar, dia após dia, as regras mais elementares de qualquer sociedade civilizada. Com outra consequência, não menos humilhante: há quem se governe com esta situação.

Tendo disso consciência, cabe-me enfatizar as descobertas que Francisco J. Marques tem revelado no Porto Canal sobre a rede mafiosa benfiquista. E não é apenas por se tratar de algo condenável, é pela enorme gravidade que ela evidencia, e pelo contágio pernicioso dos maus exemplos que podem transmitir às novas gerações. Mesmo assim, penso que o FCPorto não está a tirar o partido que podia desta situação. Estou convicto que o Porto Canal podia chamar a si muito mais audiências e patrocínios caso alargasse a programação dentro deste mesmo tema. Podia ganhar muito dinheiro, sem precisar de inventar e de entrar pelo caminho da injúria.

É evidente que a escassez programática do Porto Canal é manifesta, e contrasta com a curiosidade pública que casos de corrupção como este despertam. No Porto, e no país inteiro. O interesse no evoluir das investigações é grande, e por isso pertinente que o Porto Canal explore este caso sem excessos nem tentações insídiosas, mas com plena convicção. O caso não é para menos, e ninguém de bom senso nos pode criticar por isso. Tenho a certeza que o programa Universo Porto da Bancada é actualmente o canal com mais audiências do país às 3ªs feiras à noite. E não são certamente apenas de portistas! Saiba o Porto Canal explorar o filão que tem à mão neste momento.

Episodicamente, queixamos-nos de o Porto não ter massa crítica, o que é verdade. Isto também tem a ver com o que já temos escrito. Lamentavelmente, os tempos são de conformismo, de grande míngua ideológica, e de  medo. Apesar disso, é pouco provável que algo possa impossibilitar o Porto Canal de realizar outros debates que contemplem o dossier BenficaGate como tema central. A qualidade dos convidados é fundamental, e teria de ser criteriosamente selectiva. Nem arruaceiros, nem gente híbrida. Prevaleceria o conhecimento da realidade, a frontalidade, e sobretudo um grande espírito de solidariedade entre os participantes. Fundamentalmente, devia destacar-se a indignação geral dos portistas, assim como o contraste com a indulgência dos órgãos federativos, responsáveis directos  por estes assuntos, forçando-os a intervir.

O facto de Fernando Gomes (da FPF), ter sido recentemente nomeado para director executivo da FIFA não deve impedir o FCPorto de o notificar pelo silêncio displicente com este escândalo, nem tão pouco de o coagir a responder, eventualmente com pré-aviso de participação do ocorrido à própria FIFA, porque é um dever seu! Não podemos aceitar posturas permissivas como a que ele tem tido, porque o silêncio perante um assunto tão grave, não é resposta que se dê. Julgo que quem terá mais a perder será ele, e não o FCPorto. A não ser que me escape alguma coisa...

O que custaria aceitar, é que o FCPorto deixasse fugir a oportunidade de se afirmar condignamente perante os sócios, os simpatizantes, e o Mundo. Se o polvo é gigante, e tem muitos tentáculos, não interessa. O que interessa é fazer lembrar ao país que se este assunto, com óbvios sinais de ilegalidades e conivências, não fôr resolvido com seriedade, é o próprio Estado quem bate no fundo. Se isso acontecer, o FCPorto poderá, se quiser, recorrer à União Europeia, e pelo menos embaraçar o governo português . 

O que já não se aceita, é que desista, caso se confirme a queda a pique da autoridade do Estado. Cai o Estado, levanta-se o FCPorto! É um momento que pode revolucionar para melhor o futebol português. Nós não podemos queixar-nos do polvo se não soubermos pô-lo no seu lugar, que é no fundo dos oceanos e não numa sociedade de homens civilizados. Se não quiserem lá ficar, a alternativa só pode ser a cadeia.

Okey, chamem-me sonhador que não levo a mal. Prefiro isso, a dizer que não vale a pena.

Nota:
Parece que prevejo a futilidade dos que andam na vida a enganar o mundo. Fernando Gomes. presidente FPF, escreveu um artigo n'A Bola que é um verdadeiro atentado ao carácter. Um vendido! Mais um, entre uma multidão. Qual Durão Barroso. 

21 setembro, 2017

Samarisação à moda de Carnide

Nova terapia massagista
entre jogadores adversários
(Nota do legislador:
prática só autorizada a jogadores do Benfica)

20 setembro, 2017

Anseio saber no que isto vai dar...

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Maria José Morgado
não tuge, nem muge

Sei que estou a ser demasiado repetitivo com os temas que escolho para escrever. A política, ou melhor, os políticos fazem parecer a política uma eterna discussão entre peixeiras, e francamente já pouco me motiva. Seja como fôr, é impossível dissociarmos tudo o resto da política, incluindo o futebol. Portanto, mesmo falando de futebol, estou implicitamente a falar de política.

Não é sadismo, não, mas cada vez gosto mais do manto revelador das traficâncias vermelhas do programa Universo Porto da Bancada. É de facto, verdadeiro serviço público de que o Estado português se devia gratificar, mas também vexar. Devia gratificar-se, por ter sido  o FCPorto, através do seu canal e do seu director de Comunicação, fazer o papel de investigador. Papel esse que caberia à Polícia Judiciária, e ao Ministério Público (ao Estado, portanto), e sentir-se vexado, por não ter sido ele (Estado) a investigar a rede Benfica como era seu dever.

Vai ser no entanto muito curioso ver como toda esta gente sairá deste imbróglio indecente sem pôr em causa a credibilidade do regime, e do seu sistema judicial. Há gente demais metida nesta rede malfeitora. Não será por ser o presidente de um clube de futebol o cabecilha e corruptor principal deste gigantesco gang, que os outros protagonistas podem dormir descansados, porque todos eles se deixaram dominar por ele. Uns, terão sido coagidos, mas outros cooperaram nesta trafulhice tremenda com prazer e arrogância, tal era o conforto que sentiam.

No lote imenso de colaboradores, cartilhados (ou não), constam profissionais e empresas de comunicação do Estado e privadas, árbitros, organismos desportivos, jornalistas, agentes da polícia, do Ministério Público, e comentadores. Nenhum destes pode afirmar, sem mentir, que enfrentou o caso agora divulgado, com seriedade e isenção, e no caso dos media, com o dever deontológico a que são obrigados. 

Por esta altura, nenhum se pode queixar, se amanhã forem publicamente acusados de cumplicidade criminosa.

Não sei no que isto vai dar. Sei, que muitos daqueles que viveram anos a eito apregoando a verdade desportiva, e agora mostram o valor real que lhe dão, vão ter de se retratar, perdendo a credibilidade, enquanto profissionais, e enquanto cidadãos. 

Dessa, não se livram.