07 junho, 2010

Hoje, no PortoCanal, às 23H30


Caros amigos, hoje (07-06-2010), pelas 23h30 não percam a entrevista ao Doutor Pedro Baptista e ao Doutor Anacoreta Correia, no programa "Analise do Dia".


Para quem não assistiu à entrevista do Dr. Pedro Baptista ontem à noite, poderá vê-la  aqui.

06 junho, 2010

A nossa ideologia

Tenho a impressão, para não dizer a certeza, que o início deste Movimento está a criar uma dinâmica que ameaça tornar-se imparável. Os nossos adversários, que estão atentos e já o perceberam, irão tentar tudo para nos descredibilizar e em última análise, nos destruir.

Uma das críticas que já apareceu é que somos um partido sem ideologia, como se eles, os outros, tivessem princípios dignos dessa designação. A prática corrente desses partidos é uma noção elástica, recauchutável, e finalmente descartável das suas "ideologias". Quem tem telhados de vidro não devia atirar pedras aos dos vizinhos.

O peculiar funcionamento dos partidos políticos portugueses é, em minha opinião, a causa primeira da baixa qualidade da democracia em Portugal - que certamente o Eça classificaria de "democracia traduzida em calão"- e acredito que é também a causa da contínua degradação da qualidade dos nossos governantes, na medida em que os melhores não se sentem tentados a misturar-se com tão fracos personagens, abrindo assim caminho para "carreiristas" aventureiros. Governantes de baixa qualidade não podem produzir governação de alta qualidade, e é por isso que, crises mundiais à parte, hoje estamos como estamos.

O Movimento Pró-Partido Norte propõe-se contribuir para mudar esta lamentável situação, incluindo óbviamente a substituição do actual super-centralismo político e económico, por um mais saudável, justo e moralmente aceitável policentrismo. Por outras palavras, o Movimento pretende claramente defender e ser a voz do Norte, mas não enjeita responsabilidades em relação a todo o país, e por isso será mais que um simples partido local. Nós queremos, entre outros objectivos, terminar com a actual divisão de portugueses : uma minoria de colonizadores e uma maioria de colonizados.

Os nossos detractores dirão que isto é um programa, não uma ideologia. Eu digo que é uma ideologia, e digo mesmo que vale muito mais que as ideologias "faz-de-conta" que os outros partidos apregoam.

Lembrete

Caros amigos, 

Hoje, no programa Grande Plano, pelas 21h30, não percam a entrevista que o Dr. Pedro Baptista irá dar ao Porto Canal.

O Porto e o Douro

Devido à minha ausência do Porto e da internet, só agora tive oportunidade de ler no blog Regionalização um texto intitulado "New York Times Cativado Pelo Douro", publicado no dia 1 ou 2 deste mês. T

Trata-se da crónica do redactor especializado em turismo daquele jornal, referente a uma viagem que fez ao Porto e ao Douro. Recomendo vivamente a sua leitura, que me fez sentir orgulhoso de ser nortenho e portuense, sentimento que certamente desencadeará em todos os nortenhos que o leiam.

Regionalização da culpa

Chegou a mim uma imagem com uma temática que já tenho vindo a pensar em escrevinhar por aqui há bastante tempo mas que, por falta de oportunidade, nunca me cheguei à frente. Hoje não escapa. Os dados referem-se a 2005:


Comecemos pelo início.

Quando se diz que o Norte trabalha para que o Sul descanse à sombra da bananeira, apreciando e abusando da riqueza produzida pelos primeiros, essas acepções resultam normalmente em riso ou incredulidades de variada índole. Afinal de contas, como pode o Norte ser o motor da riqueza e, ao mesmo tempo, as estatísticas oficiais mostrarem o oposto? Seria curioso entrar por aí - e certamente o farei a breve trecho - mas fiquemo-nos para já pelo tema quente da actualidade: a dívida nacional. Analisarei a questão do PIB e afins num outro dia.

Já expliquei variadas vezes que o nosso problema não é a dívida pública, mas a dívida privada. Ao lado dos 120milM que o Sector Público deve, há ainda 260milM oriundos das famílias e empresas por aí espalhadas. A questão central é: onde andam elas espalhadas? Será que veremos, mais uma vez, centralismo? Será que até na dívida há centralismo?

Segundo o Boletim de Abril do Banco de Portugal (Maio só sairá daqui a uns dias, mas não constituirá surpresa), a resposta é positiva: o distrito de Lisboa tem uma dívida privada (109 mil milhões) que representa 42,7% dos 255 mil milhões que os privados devem ao exterior. Em segundo, vem o Porto com apenas 15%, seguido de Setúbal e Braga com 5% cada. Atente-se: mesmo com as populações mal distribuídas (facto bem sabido), a desproporção na responsabilidade da dívida é absolutamente pornográfica, sendo ainda mais desigual e injusta do que as injustiças que já todos conhecemos.

Repare-se que aqui não falamos de dívida pública. É que, muito embora os investimentos públicos sejam quase todos sulistas, ainda nem toquei nesta análise que faria descambar ainda mais a lógica desnivelada do crédito.

Falemos agora do défice comercial - isto é, a diferença negativa existente entre aquilo que anualmente importamos face ao que anualmente exportamos. Lisboa representa 80% deste défice. 80%. 4 em cada 5 euros de défice comercial é provocado por Lisboa. Imagine-se o que seria se Lisboa deixasse de adquirir uma pequena parte do que importa: era imediatamente visível um aumento de um par de pontos percentuais no crescimento económico nacional.

O Norte virou-se para o exterior porque Lisboa o rejeitou e o abandonou desde cedo. Virou-se por necessidade, porque tinha de se desenmerdar e porque é composto por gente com garra, empenho e capacidade de trabalho. O Norte representa hoje 50% das exportações nacionais (já foram 2/3 há poucos anos) e ainda assim tem de trabalhar duplamente para compensar os desvairios e vícios da capital do império da treta. Ou seja, anda o Norte a trabalhar, a suar e a esforçar-se para que os seus impostos e os seus rendimentos gerados pela exportação sirvam para financiar luxos desproporcionais da capital, ano após ano. Lisboa vira as costas para o Norte na altura de o apoiar e desenvolver, mas vem sempre com a mão firme para apanhar os rendimentos que lhe suportam a boa vida. É um país a dois pesos e a duas velocidades. Não admira que já se fale em guerra civil.

A minha ideia (e proposta) era autonomizar as regiões portuguesas. Só era preciso um ano (e não mais) para que Lisboa se afundasse repentinamente e se tornasse um protectorado do FMI, tendo de desvalorizar salários para metade para readquirir a competitividade que não tem e reformular completamente o seu estilo de vida. Não é que eu odeie os lisboetas; só acho é que as pessoas precisam de aprender.
 
[de Luís Oliveira, blogue: Tragédias Comuns]

04 junho, 2010

David Bowie - Heroes




BOM FIM DE SEMANA

Santísses

O semanário Grande Porto, representado pelo director-interino Rogério Gomes, "sentou-se hoje à mesa" com o advogado João Anacoreta Correia e o ex-vice presidente do Parlamento Europeu, Manuel dos Santos, para recolher a opinião de ambos sobre o neófito Movimento Pró-Partido do Norte.

O critério habitual seguido nestas entrevistas é, como já devem saber, o de juntar duas figuras públicas cujas ideias sobre o tema em discussão sejam antagónicas, ou então, apenas não consensuais. Do ponto de vista democrático, a ideia é de louvar. Do ponto de vista objectivo, em casos como este, duvida-se. Por quê? Porque no caso de Manuel dos Santos, é por demais previsível a sua linha de pensamento. Ou seja, Manuel dos Santos, é o modelo típico do político carreirista, homem fiel ao aparelho partidário, de quem nunca se pode esperar grande entusiasmo pela mudança, mesmo que seja para melhorar qualquer coisa. Senão, notem bem no que disse:
  • O contrato político só deve ser alterado quando consideramos que não funciona. Mas concordo que as verbas do QREN não foram aplicadas como eu esperava.

    • Os líderes desse Movimento têm de ter credibilidade e só assim podem fazer com que os partidos políticos se preocupem mais com os problemas das regiões.
    O que será para MS um contrato político funcional? O deste Governo, ou  qual outro? Mas vá lá que, ainda assim, conseguiu discordar com o desvio [eu diria mesmo, roubo] das verbas  do QREN para Lisboa. Convenhamos, que seria excessivo se não o fizesse, embora duvide que ficasse muito mal com a sua consciência cívica de homem nortenho...

    Suponho que estaria a pensar na sua própria credibilidade, quando questionou a credibilidade dos líderes do Movimento, e confesso que não percebi patavina deste diamante: "só assim podem fazer com que os partidos políticos se preocupem mais com os problemas das regiões." Só assim como? Clonando a credibilidade do senhor eurodeputado, ou respeitando o direito dos cidadãos ao livre arbítrio de
    definir o seu próprio destino político?  E já agora, por que não, com um Movimento, ou um Partido novo?

    Entrevista no Porto Canal


    Caros amigos, 

    no próximo domingo (06-06-2010) no programa Grande Plano pelas 21h30, não percam a entrevista que o Dr. Pedro Baptista irá dar ao Porto Canal.

    02 junho, 2010

    Hoje, na TVI 24, às 22 horas

    Caros leitores,

    Hoje, 02-06-2010 na TVI 24, não percam a entrevista com o Dr. Anacoreta Correia, pelas 22H.

    A «música» dos bardos regionalistas

    Ainda ontem manifestei aqui a minha antipatia pelas generalizações, e decorridas 24 horas  já tenho motivos de sobra para a reforçar.

    A Porto Canal transmite às 3ªs feiras à noite, pelas 22 horas, um programa com a coordenação de Jorge Fiel, que conta com a participação de três convidados residentes, um dos quais é um senhor advogado cujo nome prefiro não citar.

    Pois, foi este mesmo senhor que ouvi no programa da semana passada usar dos tais clichés que abomino, do tipo: "a culpa do país estar como está, é de todos nós"..etc.,etc,etc. A seguir,  procurou apresentar exemplos [sem grande sucesso, diga-se], enfatizando a fraca participação de cidadania dos nossos compatriotas, o que  até seria aceitável se não abusasse do plural. Ignorou, que há quem não se sinta confortável incluído nesse lote generalista de cidadãos indiferentes. Bastaria acompanhar o que se passa na blogosfera e nas redes sociais, para perceber que algo está a mudar no país [e no mundo] ,e que ainda há quem procure contribuir para a sociedade para lá das paredes de um escritório de advocacia...

    Mas, o melhor estava para vir. No programa de ontem, Jorge Fiel lançou o tema do Movimento Pró Partido do Norte para a mesa e, para minha surpresa, o protagonista que se diz defensor da regionalização, que na semana passada se queixava do baixo empenho dos nortenhos pela coisa pública, não concorda agora com a criação de um partido para defender a região! Jorge Fiel, perguntou-lhe por quê, se os partidos que existem na Assembleia se desinteressaram completamente da temática. A resposta chegou camuflada da ambiguidade tradicional daqueles que gostam de dizer que estão, sem nunca quererem estar. Primeiro - disse -, porque achava que não era necessário criar um partido para regionalizar, e depois, porque não gostava de alguns dos protagonistas...Uma senhora, que também participava no debate, ainda lhe lembrou que, para já, se tratava apenas de um Movimento, mas pouco adiantou.

    Não imagino o que terá aquele senhor contra os protagonistas deste Movimento, nem a quais se queria referir, mas o que retiro da sua opinião é que se trata de alguém melindrado  com qualquer situação de ordem pessoal ou política, que não resistiu à crítica fácil sem se dar conta que estava a opinar em público, e se esqueceu das suas próprias contradições [pouco antes, tinha dito que o maior problema dos nortenhos era a inveja]...

    A ajudar à missa, teve um mediático comentador [benfiquista e monárquico], que pelas mesmas ou outras razões, alinhou pelo mesmo discurso pessimista.

    Razão teve Jorge Fiel, ao dizer que o nosso maior problema no Norte, é o excesso de individualismo, uma crónica tendência para nos dividirmos. Eu subscrevo as suas palavras. Neste momento, depois de tantos anos de um centralismo sufocante que está a levar à ruína a economia regional, é inaceitável que haja gente que não consegue ver o Porto e o Norte para lá das paredes de suas casas.

    01 junho, 2010

    Um sonho possível

    Como escrevia hoje no JN o prof. Alberto Castro, em Portugal, os "outros" são o problema, e "nós" as vítimas.

    Tenho sempre muita antipatia pelas generalizações, venham elas de que quadrante político vierem. Há quem goste de lançar para o ar alguns clichés perniciosos como alternativa à resolução de problemas complicados,  mas a verdade, é que esses clichés nem sempre emanam da população. Ao contrário do popular,  o populismo é uma invenção política.

    Os políticos, são sem dúvida a classe mais atacada pelas generalizações negativas, não apenas  da parte do comum cidadão, como pela dos próprios políticos, mas a questão que se impõe, é  saber se, face ao saldo das suas já longas governações [o 25 de Abril foi há 36 anos], merecem, ou não, a reputação trauliteirista que lhes foi inexoravelmente anexada, ao status.  Lamentavelmente, eu acho que [ainda] merecem.

    Talvez pareça despropositado colocar estas questões num post que pretende falar sobre um Movimento que resolvi apoiar sem rodeios desde a 1ª. hora , mas é o desejo de que ele venha a ter sucesso,  que dispare para uma dinâmica imparável de crescimento que me deixa a esperança de inverter a péssima reputação dos políticos.

    O Movimento Pró Partido do Norte  terá de ambicionar crescer sustentado em justas razões e sólidos alicerces, procurando corrigir não só as aberrações políticas de governações passadas com a região Norte, como propor sistemas de administração pública mais justos e menos despesistas. O facto de congregar gente de várias áreas políticas e partidárias só o enriquecerá e  tornará, provavelmente, menos "aparelhista" que os tradicionais. Será, na génese, um Movimento pluralista.

    Entre aquilo que separa hoje a esquerda e a direita, talvez não seja impossível uma recíproca aproximação ideológica. Talvez um «cocktail», com uma dose moderada de pragmatismo à esquerda, e uma pitada de sociabilização à direita, fosse o aperitivo ideal... Sinceramente, não me parece assim tão difícil.  Haja vontade. Com este espírito,  um bom projecto, doses industriais de seriedade, e uma noção correcta de serviço público, o Movimento Pró Partido do Norte não só poderá transformar-se rapidamente num Partido político regional, como propiciar uma forte adesão a nível nacional. O Porto, e toda a região Norte , efectivamente, são quem tem mais razões de queixa, mas outras regiões do país também as têm.

    Gostaria de continuar a ver unidas pessoas de  áreas ideológicas distintas, como algumas que estiveram presentes na reunião do Grémio Literário do Porto. Se tal não for possível no futuro, façamos votos  ao menos, para que o Movimento Pró Norte tenha valido a pena. Eu quero acreditar que vai valer. 

    MPPN com ideias corajosas


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