27 setembro, 2009

Futebol

Ontem, o FCPorto ganhou ao Sporting mas, mais uma vez, apesar da vitória os adeptos portistas saíram decepcionados com a exibição da equipa.
Durou cerca de meia hora o melhor futebol produzido pelos dragões, sendo que os primeiros 10 minutos prometeram muito mais do que aquilo que acabou por acontecer. O penalti bem assinalado pelo árbitro e melhor defendido por Rui Patrício, ou mal marcado por Falcão [como queiram], foi o ponto de partida para uma exibição frouxa e insegura da nossa equipa.
É sempre uma grande consolação chegarmos ao fim do campeonato com o troféu nas mãos e sentirmos o dever de gratidão para com o técnico, mas nem por isso somos obrigados a reconhecer qualidade nos espectáculos a que assistimos quando, como ontem, ficamos sempre com a sensação de quem acabou de contemplar uma obra inacabada.
O campeonato ainda vai no início, mas esta sensação de "que falta de algo mais" na equipa do FCP foi também sentida muitas jornadas na época transacta e durou quase até ao fim. Os adeptos podem não ter sempre razão, algumas vezes ser até injustos com o treinador, mas apreciando o futebol de qualidade, têm todo o direito de o criticar, porque não são seres acéfalos e pagam bilhete ou quotas. Portanto, deixemo-nos de proteccionismos excessivos, quando achamos que devemos criticar.
Há jogadores no FCorto, muito apreciados por alguns adeptos e críticos, dos quais, nunca fui grande fã, mesmo quando estão em forma. É o caso de Raul Meireles. O ano passado vi-o fazer bons passes de longa distância, alternados com maus de curta. Este ano, nem uma coisa nem outra. Falha passes a pouco mais de 2 metros, e o pior é que coloca a bola nos pés dos adversários... É inacreditável. Tem um remate relativamente forte, mas tecnicamente não tira disso partido, porque na maioria dos casos chuta para as nuvens ou muito ao lado da baliza, talvez por estar demasiado preocupado em levar as mãos à cabeça a seguir.
Em suma, para lhe reconhecer as qualidades que tem, teria de ser mais regular. Devia passar melhor mais vezes, do que falhar, e acertar mais vezes na baliza do que errar. É este o prisma pelo qual aprecio um jogador, independentemente das qualidades técnicas e individuais que possa ter. E não devo estar só nessa apreciação. A prova? Chama-se Lisandro Lopes, um jogador que foi evoluindo desde que chegou ao FCPorto, esforçado, concentrado, a quem se toleravam os [poucos] dias menos bons, porque era humano. Nunca critiquei Lisandro!
Quanto ao Jesualdo, continuo convencido que é vítima das suas ideias tácticas, não obstante, até ao momento, lhe tenham rendido juros. Há movimentos de transição defesa/ataque que estão muito perros e algo lentos conjunturalmente, notando-se nos jogadores alguma confusão nas linhas de desmarcação acontecendo chocarem entre si algumas vezes, ou então, interromperem-nos bruscamente com paragens quando é recomendado prosseguir em direcção à baliza ou passá-la ao colega melhor colocado.
Tenho alguma dificuldade em atribuir "culpas" aos jogadores, porque tecnicamente há alguns com muita qualidade a quem vi fazer coisas fantásticas na pré-época e que não enganam ninguém. Belluchi é um deles. Valeri, não estará ainda bem entrosado com o n/ futebol, mas parece-me melhor que o Raul Meireles. Falta-lhe tempo de jogo.
Depois, há um detalhe fundamental nesta equipa que me parece que já devia ter merecido uma atenção especial pela parte do treinador que é a questão do remate. Está a rematar-se muito mal. O Fucile que é um bom jogador, sendo lateral podia chutar muito melhor. Em Portugal parece que os laterais não sabem fazer golos. Por que será? Quando chutam, raramente acertam com a baliza. Já pensaram no potencial desperdiçado? Só porque um jogador é defesa, não deve ser intensivamente treinado também no exercício do remate? Vejam o Bruno Alves! É o único que o faz e ninguém me tira a ideia de que o mérito é exclusivamente dele.
Ou seja, se há jogadores com mais jeito natural para rematar do que outros, os menos habilidosos não deviam merecer treino específico para melhorar as performances nesse aspecto? Isto faz mais sentido ainda sabendo nós que os clubes portugueses não têm capital para comprar jogadores já feitos, completos. Se Jesualdo pede tempo para "construir" a equipa e os jogadores, estaremos nós a notar alguma evolução concreta neste capítulo?
Enfim, gostei do resultado, mas como adepto de bom futebol, fiquei desconsolado.
PS-Antes que alguém apresente casos pontuais só para me contrariar, ressalvo que as minhas observações são bem explícitas. Refiro-me a rotinas estabelecidas, não a um ou outro golo fortuito, marcado pelos laterais e pelo próprio Raul Meireles...

6 comentários:

Rui Farinas disse...

Caro Rui Valente,assino por baixo tudo o que escreveu. Imagino que esteja preparado para ser lançado às fogueiras da inquisição por todos os que acham que não se pode ler os livros proibidos,ou seja que ninguém se pode desviar da "verdade" oficial,como nos regimes do tipo coreano.
p.s. Conto publicar hoje um post também sugerido pelo jogo de ontem,embora num registo diferente do seu. Um abraço.

dragao vila pouca disse...

COMPLETAMENTE DE ACORDO.

Foi exactamente assim que me senti à saída do Dragão. Ah, mais uma nervoseira que demorou a passar.

Ó Rui Farinas quem fala verdade não merece castigo. Essa do lançamento para a fogueira...francamente.

Um abraço

Anónimo disse...

estou parvo com o que leio por aqui.

vou hibernar

não há paciência...

Rui Valente disse...

Amigo Rui Farinas,

não me importo se ser lançado "às fogueiras", porque tenho a certeza que em boa consciência, há um grande número de portistas a pensar assim, só que não se manifestam com receio de serem catalogados de anti-portistas.

Isto também é democracia.

Um abraço

Rui Valente disse...

Anónimo, esteja à vontade, hiberne,tape os olhos e os ouvidos, mas por favor não se mate, senão perde o anonimato...

Rui Farinas disse...

Caro Vila Pouca,o seu blog é do mais equilibrado que existe. O seu portismo não interfere com a lucidez do seu raciocínio e por isso acho que não lançará ninguém para a fogueira,mas sabe bem que andam por aí uns Torquemadas...
Um abraço.