16 outubro, 2011

Movimento global dos indignados. Para político reflectir...

20.000 euros mensais...
Louvam-se estas medidas. Mas serão suficientes?

Ver para crer, é o preceito que há muito impus a mim próprio para regressar - sem cepticismos -, ao mundo do segundo mais importante dever cívico, que é para mim, votar. O primeiro - lamento decepcionar os senhores da política -, é o da minha consciência. Modéstia à parte, acho que terei alguma razão, já que muito do que aqui venho escrevendo é seguido com alguma antecipação pelo que escrevem os jornais.

Sempre defendi a tese da inevitabilidade de uma nova ordem social para o mundo, de outros paradigmas de organização que privilegiassem a condição humana antes da economia, repensando e higienizando prioritariamente a Justiça. Infelizmente, essa hora ainda não chegou, mas começa a dar sinais de si. E são vários os sinais. Pela amplitude que está a ter em quase todo o Mundo, o  Movimento dos Indignados, é talvez o mais promissor dos sinais, porque, ao contrário do que vem acontecendo, não tem conotações de índole partidária ou sindicalista, revelando grande maturidade cívica dos cidadãos e uma desconfiança vincada para com os mercados financeiros, bem como com a passividade e a falta de ideias da classe política.  


600 euros por palrar
Se disse "ver para crer", no início deste post, foi porque a [boa] notícia da intenção do governo de reduzir os ordenados pornográficos de cargos directivos da RTP e de acabar com as avenças para intervenções de titulares de cargos públicos, não é garantia da sua execução. Portanto, há que ter cautelas, porque estamos habituados a que as promessas dos agentes políticos fiquem cronicamente pela metade, ou se anulem mesmo pouco tempo depois de serem anunciadas... Por isso, é preciso ver para crer. Mas não deixa de ser uma louvável decisão. Ontem mesmo, falei sobre o assunto aqui mais abaixo. 

Sobre a inimputabilidade que tem protegido os políticos de prestarem contas à Justiça por actos criminosos, também se vai falando com mais frequência. Manuel da Costa Andrade, professor de Direito Penal, apesar de dizer que a incompetência política não constitui ilícito penal, e que, mesmo que constituísse, só teria efeitos futuros, e não retroactivos, também lamenta que os governantes acusados de corrupção ou de gestão danosa raramente sejam condenados e que abusem das garantias de defesa. Tal como nós defendemos, Costa Andrade acredita que, se os crimes cometidos por políticos fossem devidamente punidos, seria uma vantagem para a Democracia. Agora, todas estas sensatas opiniões de gente qualificada, pouca valia terão se o Governo fizer ouvidos moucos da realidade e continuar a dar cobertura a um sistema de Justiça decrépito e disfuncional, como é o nosso.

Este devia ser despedido
Por mais competentes que sejam alguns directores da RTP [e alguns, não só não o são, como são desonestos], é inaceitável numa época de feroz crise global, que haja quem esteja a roubar ao Estado qualquer coisa como 15.000 euros mensais,  e leve 600 euros de avença por sessão [analistas políticos e comentadores].

Seria do interesse público, que isto terminasse de vez, ou então, esta gente que fala muito da crise, mas que dorme bem com ela, terá um dia de se confrontar com problemas mais graves do que o da privação de benesses imerecidas, como ter de lidar com a revolta popular que se avizinha.

D. JANUÁRIO SEM PAPAS NA LINGUA. MAIS UM "POPULISTA"...


6 comentários:

dragao vila pouca disse...

Rui, mas se eles estão agora a cortar tudo é por foi só derperdiçar e nós é que temos de pagar?
O povo cada vez mais pobre e os políticos cada vez mais ricos?

Então o nosso "amigo" Miguel diz que o Metro do Porto devia ser encerrado?
Será defeito de encabação ou ele é mesmo assim?

Abraço

Rui Valente disse...

Das duas, uma: ou Miguel Sousa Tavares tem duas personalidades, ou tem dois cérebros. Aborda assuntos sobre os quais faria bem melhor se estivesse calado. A saber:

-Regionalização
-Metro do Porto
-João Moutinho
-Walter
-Touradas

Sobre estes temas é um atraso de vida, quase um ignorante.

Um Aabraço

Fernando B. disse...

Esta de juntar as fotos do c. daniel e do m. mendes é bem bolada... um foi inventado pelo outro ! E em breve vão ser noticia!
Sobre o MST fiz um pequeno comentário no Dragão até à Morte, mas o artigo no Expresso de ontem só pode ser para rirrrrr...
Mas queria era colocar à sua consideração, sobre corrupção, a frase do Otelo (a 1ª em 37 anos que me fez pensar...), mais ou menos isto - " Se ele roubou, e fez o que está aqui à vista, pergunto, os que não roubaram nem fizeram nada de nada, onde está o dinheiro??? "
Em tempo:
1. Corrupção ou luvas é crime, ok? não extrapolar por favor.
2. Não sou dos que confundem "fazer" com betão...
3. Em Oeiras está uma obra notável de desenvolvimento, quase sem erros. Eu conheço bem.

Rui Valente disse...

Caro Fernando B,

o que a mim me importa é que a Justiça funcione sempre que haja razões sérias para tal. O folclore dos media também não me impressiona, mas gosto de o "peneirar", para extrair aquilo que realmente é importante.

Não acredito que sem um sistema de Justiça eficiente o país consiga sair da fossa em que está.

Cumprimentos

Anónimo disse...

Fica tudo na mesma, porque não há coragem. Todos têm rabos de palha e telhados de vidro e as leis com esta gente, já não se alteram. Os ladrões somos nós, eles são os salvadores da pátria os inteligentes.
Ser político é ter vidinha já bem orientada; ser rico é otimo porque ninguém lhes pede nada, com medo que ele ponha o dinheirinho lá fora.

MST só tem algo de bom que é ser portista. Mete o trombone em muitas coisas que não conhece... e depois não passa de um zero à esquerda.

O PORTO É GRANDE VIVA O PORTO

Anónimo disse...

uma vergonha nunca vem só. depois do mst, agora é o menezes que vem atirar-se ao metro. logo ele que gastou a massa toda em obras muitas vezes inuteis.....