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19 agosto, 2012

Iremos sofrer como o ano passado, ou é só o 1º. jogo?



Na época passada escrevi aqui no Renovar o Porto - e menos enfaticamente, na blogosfera portista -, que não acreditava na capacidade real de Victor Pereira para treinador do FCPorto.  Agora, não vou repetir o que escrevi nessa altura, mas pelos sinais que os primeiros jogos da equipa me dão, acrescidos dos que o treinador transmite cá para fora, quase que o podia fazer sem mudar muito o conteúdo. 

Antes de prosseguir com a minha premonição, insisto dizendo que nada de pessoal me move contra Victor Pereira, e que sei muito bem separar os sentimentos das competências. E, embora discorde daqueles que subestimam a opinião dos adeptos, chamando-lhes ironicamente "treinadores de bancada" - mas sem eles próprios se furtarem a fazer esse papel -, evitarei entrar em detalhes de ordem técnico-táctica na fundamentação das minhas opiniões. É pois, tempo de mostrar mais respeito pela opinião dos adeptos [nos quais eu me incluo], e de admitir que se tanto e tantos gostam de futebol, é porque alguma coisa devem perceber sobre o assunto. Isto, claro, descontando aqueles que vêm o futebol como uma doutrina fundamentalista que tudo justifica na procura cega e obsessiva de victórias. Como qualquer adepto, prefiro victórias a boas exibições, porque além de moralizarem servem para ofuscar os maus espectáculos, mas o padrão de exigência não pode nem deve ficar-se por aí. Em competição, é da condição humana querer mais e melhor, como reza, aliás, o lema olímpico: "mais rápido, mais longe e mais forte".

Ora não foi nada disso que vi este fim de tarde em Barcelos. O que vi, foi uma réplica angustiante do cenário do campeonato transacto. Uma equipa lenta, que continua refém das iniciativas individuais dos jogadores, sem uma marca forte do treinador, nem um estilo de jogo bem definido. Os lances são demasiadamente afunilados pelo meio, os laterais raramente sobem à linha a cruzar, e quando o fazem, as bolas são repetidas vezes dirigidas para a terra de ninguém tornando impossível rentabilizar o trabalho do ponta de lança que é marcar golos [confirma-o o único golo marcado à Académica por Jackson Martinez para a Taça]. Continuamos a observar má qualidade no tempo e na direcção dos passes, uma desesperante inépcia no remate, e os jogadores a atrapalharem-se uns aos outros na grande área. Tudo, insuficiências do passado recente...

A época ainda agora começou, estarão alguns já a zurzir [armando-se em mais portistas que eu]. Pois é, mas acontece que eu não sou masoquista, e não estou para destruir o meu sistema nervoso a ver jogos desta natureza. Já me bastou o ano passado. É certo que ganhámos o Campeonato, com seriedade e justiça, mas com muito pouco brio, convém admitir. O FCPorto, habituou-nos a funcionar como tónico contra as desconsiderações e sacanices dos governantes, e não como estímulo pró-depressivo. Se os próximos jogos forem uma continuidade do ano passado [e de hoje], deixo esse espectáculo para outros mais masoquistas. Eu passo.

Quem conhece o FCPorto, já sabe, tem de contar com arbitragens duvidosas. Na dúvida, o prejuízo reverte quase sempre contra nós. Não vale a pena queixarmo-nos dos árbitros no fim dos jogos se no princípio dissermos que não comentamos arbitragens. Se o FCPorto não jogar o suficiente para superar as asneiras dos árbitros, bem podemos arrumar as botas que não ganhámos nada. Há muitos anos que a sina é esta. Portanto, Victor Pereira só tem uma solução que é colocar os jogadores certos no lugar certo e ensinar-lhes a jogar em equipa [se souber]. Para já ainda não vi nada de especial. Ganhámos a super-taça, está bem. E o resto? Teremos este ano o mesmo futebol do ano passado? Se sim, eu não serei espectador.

Disse a época que passou que não me importaria de engolir sapos se Victor Pereira me surpreendesse pela positiva, é verdade. Mas, apesar de ganharmos o campeonato, ainda não estou convencido. Portanto, o sapo fica para o futuro, lá mais para diante. E, chegados lá, o que eu realmente queria era não ter razão, e que além de termos acumulado muitas victórias, tivéssemos também para recordar exibições convincentes. Eu gosto de futebol. Do bom, se não se importam.

17 fevereiro, 2012

Um FCPorto atípico, que não se encontra

Escusado será dizer, que como portista e portuense, estou completamente decepcionado e triste com o resultado do jogo de ontem contra o Manchester City. Resumidamente, poder-se-ia dizer que este jogo não foi mais do que a enésima réplica de exibições anteriores, com a diferença não despicienda de esta vez ter sido disputado contra um colosso [desportivo e monetário], do futebol mundial. O FCPorto realizou uma primeira parte de qualidade, com os jogadores concentrados, rápidos e pressionantes, e uma segunda, igual a muitas que temos visto este ano, lenta, nervosa e desconcentrada. 

Corroborando embora, aquela ideia dos adeptos que acham que se deve apoiar o treinador, este ou qualquer outro, enquanto estiver ao serviço do clube e for cronologicamente possível vencer as provas em que participa, não deixo por isso de pensar que até para a solidariedade clubista há limites que não devem ser ultrapassados, sob pena de perdermos o nosso sentido crítico. Senão vejamos: em qual das partes do jogo de ontem e de outros [como o de domingo contra o União de Leiria], devemos reconhecer os méritos e os deméritos do treinador? Na primeira parte, que levou os adeptos a acalentar a esperança de podermos dobrar este importante obstáculo, ou na segunda que a deitou por terra com requintes de masoquismo impróprio para cardíacos? Suponho que é aqui que podemos encontrar um ponto consensual, ou seja, que a confiança e desconfiança dos adeptos num treinador se alicerça na regularidade exibicional das equipas. Ora, é precisamente isso que não tem acontecido esta época, porque, como sabemos, os jogos têm duas partes de 45 minutos...

Já aqui escrevi [e não me devo ter enganado] que a explicação parcial pelo mau início da época foi condicionada por um conjunto de circunstâncias mais aleatórias do que é habitual no FCPorto, que tiveram início na saída abrupta de Villas Boas e culminaram nas contratações tardias de jogadores como Danilo e Alex Sandro, já para não especular sobre o aproveitamento de outros como Iturbe, ou sobre a contratação de um ponta de lança de qualidade garantida. Quando isso acontece - e no FCP, felizmente não acontece muitas vezes -, as decisões do presidente ficam automaticamente limitadas, tanto em termos de oferta/procura de contratações, com em termos temporais. Estranhamente, creio que pela primeira vez, tive a sensação que algo não ia correr "normalmente" esta época, porque aconteceu um conjunto de peripécias e indefinições [como a própria permanência de Falcao], que não são habituais no nosso clube. 

Apesar do acima exposto, agora, pouco há a fazer a não ser aguardar por melhores dias. Os jogadores e o próprio treinador disseram que ainda nada está perdido e isso só lhes fica bem, mas para ultrapassar obstáculos o FCPorto habituou-nos a contar não apenas com a força de vontade mas, sobretudo, com uma organização de excelência e apostas de risco calculado. Este ano, pelas razões já apontadas, as coisas não se passaram assim. Resta saber, se ainda vamos a tempo de ganhar qualquer troféu interessante. 

27 novembro, 2011

O FCPorto ganhou mas não me acalmou...

Considero perigoso confiar demasiado no rifão que diz que "tudo está bem quando acaba bem", pela simples razão de que, em futebol, o conceito "tudo" só é para levar a sério no fim de cada  época. Ora, como a época de futebol ainda nem sequer chegou a meio, não considero que a victória desta noite do FCPorto contra o Sporting de Braga, possa dar sólidas razões aos adeptos portistas para levar ao espírito da letra o velho adágio popular.

Terminado o jogo, e ainda mal refeito dos 2 golos consentidos praticamente nos descontos do término do jogo, confesso que só os 3 pontos da victória conseguiram atenuar o meu desagrado pela partida que tinha acabado de ver. Na primeira parte continuei a ver sinais muito preocupantes de falta de concentração em alguns jogadores que só não teve consequências desagradáveis porque o Braga não foi a equipa aguerrida do costume. Foi com um Braga abaixo do habitual rendimento que o FCPorto se defrontou em casa, mas o que seria se tivéssemos jogado com uma equipa mais forte e dinâmica? Pois... Reconheço, que aqui já estou a entrar no condicional e muito relativo mundo dos "ses", mas se pensarmos bem o raciocínio não é assim tão descabido nem insensato.

O que quero dizer é que Victor Pereira continua a ser muito lento a recuperar as performances da equipa. Espero vivamente que atalhe caminho, caso contrário, nem o reforçar de confiança que Pinto da Costa lhe transmitiu o pode salvar. A atitude dos jogadores mudou um pouco, é verdade, já não ficam paralisados, mas os movimentos e as desmarcações continuam atabalhoados. Os passes longos e curtos, continuam a levar  força a mais, ou a menos e os passes para o adversário ainda não acabaram.

Na primeira parte, as jogadas principiavam na defesa com os jogadores a lateralizar muito o jogo, mais pela esquerda que pela direita, com o Álvaro Pereira a despachar a bola para a frente onde ninguém estava para a receber, criando um futebol demasiado feio e previsível que arrasava com os nervos a qualquer um.

Sem querer meter a foice em seara alheia, como espectador, ninguém me pode impedir de pensar que um grande jogador como é Hulk tenha já esgotado a sua margem de progressão. Insisto em pensar que ele não está a ser devidamente instruído no sentido de dosear as suas enormes qualidades individuais com o colectivo, o que é uma pena. Já na época passada, houve 2 ou 3 jogos apenas, em que tive a esperança de ver Hulk transformado num jogador mais completo, mas sem sucesso. Paradoxalmente, é ele quem tem resolvido alguns jogos, mas também é por ele que se têm perdido outros lances que podiam dar golo se tivesse a inteligência de entregar a bola a jogadores melhor colocados para finalizar [como foi ontem a jogada em que ofereceu o golo a Kléber]. 

Isto é recorrente, mas eu não estou certo que Victor Pereira o tenha preparado mentalmente para mudar um pouco a sua forma de jogar, porque Hulk só muito pontualmente é que joga para a equipa, embora teime em jogar pela equipa. E o curioso, é que  ficámos com a sensação de não ser difícil convencer o jogador a alterar a sua forma de jogar, até porque Hulk brilha, e marca muitos mais golos, quando dá golos a marcar. A equipa solta-se, aumenta os indíces de confiança e os adversários deixam-no mais liberto de marcações.

Podia ir por aí fora e falar de outros jogadores que precisam urgentemente de ser corrigidos, mas fico-me só pelo mais preponderante, exactamente porque tudo leva a crer que Hulk já interiorizou demais a responsabilidade de carregar a equipa às costas, o que em certos casos tem sido negativo e o leva a exagerar. Apesar de tudo, ontem, foi o melhor jogador em campo, juntamente com Defour, James, Fernando e Maicon.

Resumindo: não gostei do jogo, apenas do resultado. É imperioso que o treinador trabalhe mais célere e melhore a qualidade de jogo, da qual são indissociáveis o bom passe, o controle de bola, o poder de antecipação, a sintonia dos movimentos de desmarcação, a concentração e a garra. Podia colocar este item [o da garra] em primeiro lugar, mas sinceramente não acredito que uns tolinhos a correr atrás de uma bola, sem saber o que fazer com ela do princípio ao fim do jogo, seja suficiente para fazer deles campeões. Além disso, gosto de bom futebol num estádio, porque para ver ópera o recinto chama-se teatro, e porque é só mesmo no teatro que a ópera existe.

02 novembro, 2011

Apoiar,não é engolir em seco


Fiquei agora a saber pela voz de Victor Pereira que o bom profissional é aquele que produz muito... Nem mais, nem menos. Imaginemos portanto, um cozinheiro. O homem, farta-se de trabalhar, mas é lento, e atabalhoado. Para fritar batatas, usa uma panela com água, em vez de uma fritadeira com azeite, ou óleo. Não tempera os alimentos, e dá-lhes tempo a mais, ou a menos, de apuro, sem nunca acertar no ponto.

Deve ter sido inspirado nesta estranha maneira de produzir que o treinador do FCPorto fez estas declarações no fim do encontro de ontem com o Apoel do Chipre para a Liga dos Campeões:

"hoje fomos Porto, trabalhámos muito, quisemos vencer e terá sido isso que nos penalizou. Depois do empate quisemos continuar atrás da victória. Isto caracteriza a nossa alma, mas há momentos em que temos de usar mais a cabeça. O resultado não traduz o que se passou no jogo".

Teoricamente ainda nada está perdido, mas realisticamente, perante a inexistência de fio de jogo  da mesma equipa que venceu a última Liga Europeia tem vindo a demonstrar, não se notando evolução de jogo para jogo que nos faça alimentar a esperança, vai ser uma tarefa complicada...

Para o adepto portista, sabendo do que se alimentam os vampiros dos clubes centralistas que passam o tempo a inventar casos, queimando rios de tinta para tentar desestabilizar o FCPorto, é muito ingrato criticar um treinador, que sendo ele muito competente ou um aselha, é o nosso treinador em exercício. Esta ambivalência emocional é um sentimento terrível, porque se por um lado queremos deitar cá para fora o desgosto provocado pelas más exibições, por outro, podemos involuntariamente estar a contribuir para adensar os problemas. Mas, pergunto: não será também contra natura ficarmos em silêncio fazendo de conta que não vimos, o que vimos? Confesso que não sei bem como encontrar a atitude certa.

Victor Pereira, com este tipo de declarações irrealistas, está a confirmar as minhas suspeitas e as de muitos adeptos, que não tem perfil técnico, nem psicológico, para treinar o FCPorto. O que a equipa ontem fez em campo, é o que vem fazendo há várias jornadas, sem que se note que os erros cometidos repetidamente nos jogos anteriores sejam corrigidos, o que quer dizer uma de duas coisas: ou Victor Pereira não percebe o que se está a passar e não diz nada aos seus pupilos, ou se percebe, não é capaz de lhes transmitir o que é preciso fazer em campo.

Não entro na barafunda de criticar os jogadores, porque é para os preparar e disciplinar que o treinador lá está. Não caio muito menos na tentação de criticar a SAD, ou Pinto da Costa, pelas razões que já aqui e aqui apresentei.

A partir de agora, como adepto, só me resta fazer  votos para que no futuro próximo as minhas suspeitas se traduzam em muitas victórias, e que Victor Pereira me prove que estava enganado. Mas, tenho fundamentadas dúvidas que o consiga.

28 setembro, 2011

Um FCPorto, sem fôlego nem alma

O que vou dizer a seguir, é para ser avaliado à luz da opinião de um fervoroso adepto portista, orgulhosamente habituado a viver muito mais a alegria das victórias, que a decepção das derrotas. Pudesse esse adepto sentir o mesmo orgulho pelo(s) Governo(s) do nosso país, e a felicidade ganharia  o estatuto de eterna, e absoluta...

Hoje, o FCPorto foi perder à Rússia, coisa que também não tem sido habitual nos últimos anos. Apesar do Zenit ser uma equipa poderosa, em circunstâncias normais o FCPorto não deixaria escapar mais uma victória. Já sei que o FCPorto não pode ganhar sempre, que as outras equipas também lá andam com o mesmo fito, só que, o FCPorto habituou-nos há muito a reduzir a equação 1X2 a um singelo, mas consolador 1 no Dragão, e 2 fora. Também não vou dizer que me irritou solenemente a saída de James Rodriguez, que é para mim o melhor jogador do plantel do momento, nem confessar o que senti com a asneirinha da praxe de Fucile, e tão pouco o aparente défice físico e anímico do grupo de trabalho, porque essas são conjecturas das quais me posso vir a arrepender no caso de um rápido regresso às performances desejadas.

Não falarei tão pouco, sobre tácticas e estratégias, apesar de ter a minha própria opinião sobre os timings que definem as opções e a liderança de um treinador. Mas vou só dizer, que a pré-época, com o tardio fecho do mercado, foi para mim a mais preocupante a que assisti, desde há muitos anos. E preocupante por quê? Porque, começar a preparar uma época com alguns jogadores com a cabeça numa hipotética transferência milionária [Rolando, Fernando, Falcao e A.Pereira] e outros contratados a recuperarem de lesões [o caso de Alex Sandro], e outros ainda que só vão chegar em Janeiro [Danilo], e ainda mais outros que precisam de se adaptar ao futebol europeu [Iturbe e Kelvin], diga-se de passagem, não é o quadro mais brilhante!

Acresce a estes "pormaiores", que o facto de alguns jogadores terem chegado ao clube quase sem tempo para descansar [Álvaro Pereira e James R.] por obrigações com as respectivas selecções, mais a saída inesperada de um treinador, que dizia estar no seu banco de sonho e que acabou por capitular aos petrodólares de Abramovich, são problemas pesados demais para qualquer administração, mesmo das mais organizadas, como é a do FCPorto. 

Bem podem os adeptos mais inconformados argumentar que a culpa é do sistema de jogo, da falta de um ponta de lança creditado, ou que o treinador não serve, mas todos estes factores juntos podem explicar por si só o menor rendimento da equipa por esta altura. Creio que a razão desta insegurança - que acredito irá ser brevemente ultrapassada -, tem a ver com a indefinição angustiante vivida na pré-época, onde normalmente o plantel já está definido, incluindo o próprio treinador. 

Antes de criticarmos a SAD e Pinto da Costa por, ocasionalmente, o clube  passar por estas situações, devemo-nos lembrar é da facilidade com que certos atletas e treinadores [Mourinho e Villas Boas], faltam aos seus compromissos com o clube e o abandonam assim que algum milionário lhes pisca o olho... É para esses "ídolos" de pés de barro que devem apontar as espingardas, porque Pinto da Costa, esse, nunca vai trocar de clube.

PS-Este post não visa desresponsabilizar, quer as prestações do técnico, quer dos jogadores, mas apenas avivar a memória dos adeptos para uma ocorrência nunca antes vista, e para a qual não é justo responsabilizar a Direcção do Clube, pois não foi da sua responsabilidade a decisão de prolongar a abertura do mercado de transferências até 31 de Agosto, quando a pré-época já estava lançada desde o início do mês. Se me disserem que esta situação é irrelevante para construir uma equipa, então, deixem os mercados funcionar à vontade [sem prazos]. 


19 setembro, 2011

Um FCPorto sem pressão, nem pontaria

Farto e enojado de aturar estas hordas de políticos vigaristas que dominam o país, e revoltado por não ver um só,  a ser, como se impunha,  exemplarmente condenado pela Justiça, hoje, vou-me concentrar outra vez no futebol.

Em vésperas da recepção ao clube do regime neo-colonialista, o FCPorto tinha ontem um jogo crucial contra o Feirense, em Aveiro, que era imperioso ganhar. Os adeptos esperavam um FCPorto empenhado, disposto, desde o 1º. minuto, a não dar tréguas ao adversário, procurando alcançar o mais cedo possível um resultado que lhe pudesse garantir alguma tranquilidade na preparação do jogo da próxima 6ª feira contra o seu principal adversário. Mas, malogradamente, não foi isso que aconteceu.

Desta vez, pareceu-me que o treinador Victor Pereira improvisou um pouco demais,  parecendo também esquecer-se, da imagem de marca da equipa nos últimos anos, que é a chamada pressão alta. Ontem, o FCPorto pressionante, pura e simplesmente não exisitiu. O que se viu foi um grupo de homens a correr, quase sempre extemporaneamente e sem critério atrás dos adversários, que ainda por cima revelavam um domínio de bola acima da média para um clube recém chegada à Liga principal. Resultado: perda de dois pontos, incluindo a ausência de James Rodriguez, um dos atletas da equipa mais influentes da actualidade.

Sem querer entrar em questões de ordem técnico-táctica, a verdade é que ninguém consegue entender que depois de retirar um ponta de lança [Kléber] não o tenha imediatamente substituído por outro [Walter], que estava disponível no banco e que tanta falta fazia [e fez]. Hoje, Victor Pereira, não foi, decididamente feliz. 

Nada está perdido, o campeonato ainda está a arrancar, mas como diz o ditado, candeia que vai à frente... As candeias porém, agora são duas, o Braga está muito forte, e o clube dos túneis vem ao Dragão na próxima jornada.

Agora, Victor Pereira não pode falhar. Tem de ganhar, para tudo voltar à normalidade portista. O FCPorto, felizmente, não é como o país, nas mãos de oportunistas e incompetentes. Pode escorregar pontualmente, mas saberá sempre levantar-se. E sexta-feira é isso mesmo que vai acontecer.

08 agosto, 2010

01 outubro, 2009

FCPorto e a Champions League

Luís Freitas Lobo, é um comentador de futebol por quem já tive mais apreço [muito mesmo]. Ao contrário do que é habitual, a experiência, que costuma adicionar aos nossos conhecimentos um "must" de simplicidade e sensatez, não está a surtir esse efeito em LFLobo. E é pena, porque quando começou de mansinho a fazer comentários sobre futebol, vi-o como uma lufada de ar fresco no paupérrimo universo de comentadores do futebol jogado.
Ontem, apesar do futebol trapalhão do FCPorto até aos 72 minutos, LFLobo só tinha elogios para os jogadores do Atlético de Madrid. Parecia que só existia uma equipa em campo. Eram só mimos com adjectivos sublimes para os jogadores do Atlético e da própria equipa. Em relação aos jogadores do FCPorto não lhe consegui ouvir uma só palavra positiva. Eu, não sou comentador desportivo, mas vou dizer o que os meus olhos viram, procurando dentro do limite do possível, ser o mais coerente possível com o que penso de Jesualdo.
Como todos os espectadores se devem ter apercebido, a 1ª. parte do FCPorto, foi um susto. Tomás Costa, foi um susto e o Raul Meireles - a jogar mais à frente - a procurar emitá-lo, com passes desastrados, pouca consistência física e falta de garra na hora de finalizar os passes de bandeja que o esforçado [mas algo anarca] Hulk lhe ofereceu. Foram 72 minutos à Jesualdo.
Como disse em post anterior, considero algo tardias as decisões de Jesualdo. Tivesse ele pensado nas substituições um pouco mais cedo, talvez não houvesse necessidade de deixar os adeptos à beira de um ataque de nervos, sujeitos a sair do Dragão com a segunda derrota na League. Com a saída de Tomás Costa, a entrada de Guarín e o recuo de Meireles [onde é mais produtivo], a equipa parecia outra, que teve a sorte e o talento de marcar o golo da vitória a parcos minutos do fim.
No entanto, e apesar da sofrível 1ª. parte, não vi no Atlético de Madrid o esplendor que Luís Freitas Lobo tão calorosamente descreveu. Tem muito bons jogadores, sim senhor, mas para uma equipa "brilhar", às vezes basta que a outra se deixe ofuscar. Foi, na minha opinião o que aconteceu ontem no Dragão com o FCPorto. Isto, descontando a ausência [por lesões ou castigos] de jogadores-chave, como são Fernando, C. Rodriguez e Varela.
Eu discordo um pouco do lugar comum besta versus bestial de que costumam responsabilizar os adeptos. Ontem, Jesualdo, nem foi uma coisa nem outra. Foi pouco arguto até aos 72 minutos e lúcido quando procedeu às substituições, porque objectivamente, teve bons resultados. E teve a "sorte" de ter tido o contributo precioso de Falcao com um golo soberbo. Isto, foi resultado do talento individual do jogador, não do técnico. Ponto.
Mas, não havia "nexexidade" de arriscar perder a partida permitindo que o FCPorto andasse perdido, aflito mesmo, durante tanto tempo. Repito: para decisões tão in-extremis, é preciso ter sorte.
O melhor jogador durante toda a partida, mesmo durante o pior período de jogo, chama-se Fucile. Os segundos exequo, Falcao eHulk. Por último, todo o sector defensivo.
PS-Descansem os meus amigos dos blogues futebolísticos que não pretendo fazer-lhes concorrência. Este é o tipo de coisas que não pode explicar-se num simples comentário.

22 janeiro, 2009

António Pedro Vasconcelos, o realizador/actor

Assisti, via Net, à repetição do programa Trio de Ataque da RTPN (N, de Notícias...), e mais uma vez, confirmou-se o que já vem acontecendo há largo tempo: há um menino bonito da casa (subsidiada pelo Estado/RTP), chamado António Pedro Vasconcelos a quem os moderadores têm a rasteira missão de privilegiar os tempos de antena.
Se os leitores se derem ao trabalho (chato) de cronometrar os tempos de audição de cada convidado, percebem, sem dificuldade, que aquele cineasta de consumo interno está, além do clube que representa (o Benfica), também a ser levado ao colo pela comunicação social. Não se distraiam portanto, porque, não são apenas os árbitros as bestas negras do futebol português. A RTP (e não só) faz o resto.
Rui Moreira, cujo carácter admiro, por ter a capacidade de tolerar o intolerável (passe a redundância), já deve ter percebido que, independentemente das eventuais palmadinhas nas costas da RTP e de tratar os seus colegas de debate amavelmente por amigos, não é propriamente a pessoa mais estimada naquele covil de cobras.
O JP Vasconcelos, é das pessoas mais desonestas que conheço, mas também a que melhor o dissimula, talvez por força da sua experiência como realizador de cinema e da tarefa de ensinar os actores a fazer de conta que são personalidades que, na realidade, não são.
No meio daquele ambiente aparentemente cordato, relativizando o papel de cada um de defensor do respectivo clube onde, naturalmente, cada qual puxa a brasa à sua sardinha, sobressai o papel do moderador que, nunca sendo capaz de o ser verdadeiramente, não deixa de desempenhar um excelente papel de ama seca invisível do Benfica.
Reparei, particularmente, num episódio desta raposa moderadora (que não fica nada atrás no sectarismo, de Carlos Daniel), quando "deu" 17 segundos a Rui Moreira para falar, alegando falta de tempo, e quase lhe cortou abruptamente a palavra para a passar imediatamente para a jóia da coroa, JPVasconcelos e deixá-lo falar à vontade ....
Outra atitude, muito pouco moderadora, de Hugo Gilberto, verificou-se, quando Rui Moreira relembrou a "Calabotagem" - facto que irrita notoriamente JPV - e o levou a lançar um daqueles à partes pouco recomendáveis a moderadores sérios dizendo ironicamente: "o Rui Moreira inventou uma nova palavra no léxico do futebol português" ou esta,"o Rui Moreira já lançou aqui algumas alfinetadas". Só ele, Hugo Gilberto, é que não ouviu falar de Calabote, o que, para um jornalista desportivo é um perfeito atestado de ignorância (ou de clubite aguda camuflada).
Mas, o que mais enoja em JPVasconcelos, é aquele hábito cínico - para ser persuasivo -, de elogiar a boa educação e o civismo de Rui Moreira e logo a seguir dizer, quando este lhe fala daquilo que ele não gosta de ouvir: "lá está ele a fazer ruído". Decididamente, esta gente não tem emenda. Não tarda muito, acusa Rui Moreira de ser mal educado por defender as suas ideias. Para esta gente, boa educação é subserviência, é a aceitação silenciosa das suas "verdades".
APVasconcelos, que gosta muito de dar-se ares de paladino da honradez, teve o descaramento de dizer que "se um dia tivesse o Presidente do seu clube, ouvido em escutas, e suspeito de corrupção que pedia imediatamente a sua demissão".
Rui Moreira, esqueceu-se de lhe recordar que há uma denúncia supostamente de investigadores da PJ, entregue na Procuradoria Geral da República sobre Luís Filipe Vieira, que ainda não teve qualquer resposta. Essa denúncia, de funcionários da PJ, é tão credível como as que foram levantadas a Pinto da Costa, partiram de simples suspeitas e muito mal fundamentadas, porque até ao momento a montanha pariu um rato. No entanto, a Procuradoria ainda não deu qualquer explicação sobre o assunto. Por quê? Se não tem credibilidade, porque ainda não o disse publicamente? E seria bom recordar que as acusações de que LFV é alvo, são realmente graves, onde o tráfico de estupefacientes é uma das mais perturbantes.
Sinceramente, tenho uma grande estima por Rui Moreira e acho que é demasiado sério e civilizado para se prestar a um convívio tão pouco elevado. Tenho a ideia de que a sua educação não sobrevive ao cinismo da entourage de um programa subvertido como é aquele. Mesmo dizendo o que é preciso, mesmo sendo pertinente, o "sistema" (que está ali e não noutro lado) abafa-o.
Alguém percebe por que é que o António Pedro Vasconcelos está no meio, entre Rui Moreira e Rui Oliveira e Costa? Alguém percebe, que sendo o FCPorto tri-campeão nacional em título, se dê mais tempo de antena ao Benfica?
O António Pedro Vasconcelos, seguramente percebe. A seriedade feita de encomenda para o Benfica acalmar-lhe-ia a consciência. Com essa, convive ele bem.
PS
Por toda estas pulhices centralistas, só descansarei quando no Porto se criar uma comunicação social francamente regionalista, onde a prioridade seja dada em exclusivo às coisas do Porto e do Norte.
Aqui, garanto-vos, eu fecharia completamente as portas a esta "democracia". Mandava-a de férias. Pelo menos, restava-me a honra de não brincar com a Democracia, a verdadeira. E se o Poder Central não sabe ser democrata, e nos quer fazer crer que é, eu não me daria a esse trabalho, nem à vergonha de mentir ao país.

12 janeiro, 2009

Jesualdo Ferreira e o actual Futebol Clube do Porto

O futebol, como desporto de eleição a nível mundial, pelo seu poder de atracção popular, é um dos temas que mais paixões desperta. As paixões trazem as críticas, as críticas os críticos, e os críticos, os críticos dos críticos. Talvez seja isto que explica a venda fácil dos jornais desportivos, incluindo a dos pasquins arbitrários que por aí vemos (que me recuso a ler, e ainda mais a comprar), sem ponta de seriedade editorial .
Ontem, o meu clube de eleição, o FCPorto empatou com o Trofense em casa, coisa que já está a tornar-se demasiado rotineira este ano para os saudáveis hábitos antigos que não "permitiam" que alguém mandasse no jogo e o vencesse para além do clube anfitrião. Neste grande clube, há muitos anos que se instalou (e bem) uma rotina de domínio sobre os visitantes, resultante de um sentimento misto de revolta e injustiça que transcendem largamente a mera competitividade desportiva. O FCPorto, mais do que um factor alienante, foi, para as populações locais, pela mão de Pinto da Costa, no pós 25 de Abril (agora também do país), a única instituição da cidade que conseguiu superar o domínio neo-imperial de Lisboa e a subserviência dos sucessivos representantes políticos, exclusivamente interessados em governar a sua vidinha miserável de paus mandados.

Um pouco off topic, mas a bem da justiça, há que o reconhecer, apenas outra instituição extra futebol, tem, nos anos recentes, dado passos significativos para contrariar a obediência canina às iniciativas despóticas do poder central e ao marasmo instalado, chama-se: Associação Comercial do Porto, e o seu timoneiro, Rui Moreira. Isso é indesmentível e perceptível em qualquer local, incluindo aqui, na blogosfera, onde é frequentemente solicitado, desafiado mesmo, para se candidatar a todo o tipo de cargos que vão da política local (Câmara do Porto), à nacional (fundar um novo partido), até ao desporto (Presidente do FCPorto, após a saída de Pinto da Costa). Tem sido ele quem tem sabido congregar todas as outras entidades e associações nortenhas de relevo, e levar a cabo as iniciativas mais pertinentes para o Porto e para toda a região Norte, como é a conhecida questão do Aeroporto Sá Carneiro. Até o quezilento Rui Rio, como Presidente da Junta Metropolitana do Porto, está a retirar dividendos políticos com o seu dinamismo. E esse, é o meu único receio...

Mas, voltemos ao futebol e aos críticos. Os adeptos gostam de futebol. É, pois, natural, que percebam também alguma coisa do ofício e que, sem quererem propriamente tirar o lugar ao treinador de facto e de direito, gostem de opinar sobre o assunto, porque, afinal, o que pretendem é ver bons espectáculos e que o seu clube ganhe, de preferência, sempre.

É do conhecimento público, que a maioria dos adeptos portistas não vai muito à "missa" do treinador Jesualdo Ferreira, apesar dos categóricos 20 pontos a que deixou o adversário mais próximo no campeonato passado, mas tal, só prova que os números nem sempre podem servir de explicação para tudo, especialmente, para a qualidade. Se a teoria fosse fiável, o Benfica, com os seus improváveis 6 milhões de adeptos, seria a melhor equipa portuguesa, e como se sabe não o é, há já muitos e benditos anos...

O problema maior de Jesualdo não é empírico nem do foro técnico, é um caso de complementaridade que estabelece a diferença entre os bons treinadores (mas, «normais»), e os treinadores extraordinários. Falta-lhe aquele must, que faz a diferença. Em primeiro lugar, penso que comunica mal com os jogadores, e comunicar bem quer dizer fazer com que os jogadores cumpram regularmente as sua directrizes.

O jogo de ontem foi mais um entre muitos, mas noutros, em que até saiu vencedor, voltou a verificar-se o mesmo problema. Os jogadores estiveram toda a 1ª. parte a jogar a passo, a um ritmo enfadonho, sem chama nem velocidade em que a previsibilidade foi o dominador comum. Resultado: os golos não apareceram. Para mim, banal «treinador de bancada», é incompreensível que Jesualdo não saiba, ou considere importante, transmitir para dentro do campo e em tempo útil, sinais de inconformismo com a forma de jogar dos seus pupilos, de modo a obrigá-los a alterá-lo muito antes do tempo se esgotar. Nota-se em Jesualdo uma tolerância excessiva que em nada se recomenda. José Mourinho (e não só), quando as coisas não estavam a correr como ele pretendia, enviava bilhetinhos para o terreno de jogo que pouco tempo depois se traduziam numa mudança radical do ritmo ou estratégia do encontro. A passividade de JF, nestas situações é recorrente, coisa que não me parece um pormenor irrelevante. Chega a ser irritante.

Outro aspecto em que é notória a falta de mecanismos da equipa, é o da chamada (e necessária)pressão alta. Já o ano passado se notou essa lacuna. A equipa dá imensos espaços ao adversário e corre mais atrás da bola do que do jogador que a tem. Um único jogador o fazia (e bem): Lisandro Lopes. Só que, isso era (e é) resultado da garra individual do atleta, não de um sistema devidamente treinado, caso contrário, todos os jogadores o sabiam executar. É essa falta de treino adequado que explica vermos frequentemente os n/ jogadores a correrem de forma algo anárquica atrás da bola sem a conseguirem interceptar e quando o conseguem perderem-na logo a seguir, nos ressaltos. Os tempos são desajustados com as acções.

Boby Robson - um dos treinadores que mais gostei de ver treinar o FCPorto - tinha esse tal must que falta a Jesualdo. Era um prazer observar o seu trabalho de mentalização aos jogadores. Ouví-lo gritar aos atletas "confiance!" no momento do remate. Quando repetiam o exercício raramente falhavam a bola. Outra aspecto que soube impor no âmbito mental, foi o da procura rápida do primeiro golo, logo seguida da busca do segundo, como forma de consolidar prematuramente os níveis de confiança à sua equipa, ao mesmo tempo que desmoralizava a dos adversários.

Em Jesualdo, há uma ilusória postura asséptica que não corresponde a um controle efectivo dos acontecimentos. Quando as coisas correm mal, lembra-se finalmente de comunicar, mas quase sempre fora de tempo, para o exterior e para se desculpar, quando a comunicação deve ser uma constante no seio dos jogadores, no balneário e nos treinos, e realizada com eficácia.
A procissão ainda vai no adro, já sabemos, mas apesar disso, tenho a certeza de um factor que, nesta hora, deve dominar o sentimento dos portistas em relação a Jesualdo Ferreira. Chama-se: insegurança.

11 agosto, 2008

Só um pouco mais de azul, para animar...


Lazio bella a metà, il Porto vince 2-1


OPORTO, 10 agosto - La Lazio esce sconfitta dalla trasferta portoghese contro i campioni del Porto che si aggiudicano l'amichevole per 2-1. Un altro ko come con il Liverpool ma, questa volta, bisogna aspettare il secondo tempo per vedere la Lazio convincente di Anfield Road. I primi 45 minuti di gioco, infatti, sono tutti dei padroni di casa che sorprendono i bianconcelesti con un uno-due micidiale nei primi 20'. Ad aprire le marcature è Alves con una grande punizione al 15'. Dopo 3' arriva il raddoppio firmato da Lucho Gonzalez. Lazio sorpresa e poco reattiva. In avanti Foggia e Makinwa non riescono a pungere.



(In Corriere dello Sport)