24 março, 2015

Cavaco Silva, barra BES

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Parece um presidente? De quê?

Se alguém disser, escrever, berrar, acusar até, que Cavaco Silva é cúmplice, por omissão, pelos maus tratos infligidos pelo Governo  à população, estará porventura a fazer algo indevido, a desrespeitar Sua Exa.?

Se alguém, porque confiou na palavra do Presidente da República, depositou e investiu nos Bancos (BES) as suas economias, e que passado algum tempo ficou despojado das mesmas, poderá afirmar, sem cair no ridículo, que o PR alguma vez usou da magistratura de influência para sugerir ao Banco de Portugal a reposição dos valores subtraídos? Não, não pode, bem pelo contrário!

Cavaco, induziu os depositantes em erro quando disse que (sic), "os portugueses podiam confiar no BES". Cavaco, é tão intelectualmente limitado, que ao proferir essas palavras estava a dizer aos portugueses (e aí sim, com sabedoria) que não podiam confiar no homem, nem no Presidente da República...

Cavaco é duplamente cúmplice e irresponsável: primeiro, porque influenciou, e segundo porque se demitiu de responsabilizar quem o influenciou a ele. Mas há ainda um terceiro grau de irresponsabilidade: decorridas todas estas peripécias, nem mesmo assim Cavaco foi capaz de abrir a boca para se redimir das suas leviandades perante os cidadãos

Ainda que mal pergunte: e agora, senhor Cavaco? Teria V. Exa. coragem para consentir a prisão dos depositantes se amanhã decidissem eles assaltar o BES? Teria sim, senhor, digo eu! A coragem dos fracos. Porque para decisões dessa "grandeza" nem é preciso ser corajoso!

23 março, 2015

Democracia, "por vezes num segundo se evolam tantos anos"

Talvez estejamos no mais baixo ponto de funcionamento da nossa democracia. Será a ausência do grande reformador o mais sério sintoma, presságio, de uma perturbação funcional da democracia?

1. Por vezes, a democracia também falha...
O processo de selecção da democracia deveria conduzir à escolha dos melhores. Por vezes, porém, conduz à escolha dos piores. Por vezes, a democracia escolhe pessoas que não prestam. Como é que a democracia nem sempre distingue, a tempo, e não segrega, os políticos de pouca diligência, de débil carácter, por vezes o puro sacana e velhaco, por vezes o venal? Para mim, isto é quase um mistério.
A democracia deveria ter mecanismos de alerta, e tem, mas funcionam mal e tarde. E por vezes, a democracia afasta os melhores e flagela o mérito, a honra, a rectidão. Por vezes, a democracia guia-se mais pelas belas palavras do que pelas boas ideias.
E, por vezes, fecha os olhos ao nepotismo, oportunismo, facilitismo, e a outras formas de corrupção intelectual ou material.
Por vezes, a democracia embarca em erros e omissões que nos desestruturam, por muitos anos. Por exemplo, tivemos a opção de uma entrada desproporcionada na moeda única. Foi logo no início dos anos 90, quando iniciámos as etapas da "convergência nominal". Escrevi então várias vezes, como outros fizeram, sobre as nefastas e longas consequências da opção, mas em vão.
Por vezes, a democracia tolera perigosos desvios à ética da responsabilidade de políticos que estão no topo das funções do Estado. Por exemplo, um dos maiores erros dos presidentes da República foi aquele, de 2004, em que o PR concordou que a democracia fosse subalternizada, diria, humilhada, pelo primeiro-ministro que trocou o seu lugar democraticamente eleito pelo lugar de chefe dos eurocratas.
Noutro campo, já não por vezes, mas em predomínio, a democracia cultiva o centralismo e está de costas voltadas para o bom princípio da subsidiariedade política. Somos um dos países de finanças públicas mais centralizadas de toda a UE. Ora, foi sob o manto deste centralismo que ocorreu o histórico colapso das nossas finanças públicas.

2. Por vezes, a democracia não equaciona "fins e meios"...
Por vezes, a democracia entra em negação e recusa ver a realidade. O exemplo mais flagrante é o da dimensão do Estado e da sua sustentabilidade, ou, por outras palavras, a questão dos "fins" e dos "meios". Há dez anos escrevi um livro sobre isto e dizia que o abismo estava perto, se não se fizesse a reforma estrutural do Estado. Debalde. O desabamento das finanças públicas e a troika surgiram em 2011, e a austeridade instalou-se por uns anos, que ainda não acabaram. Hoje, o nosso esforço fiscal é dos mais severos da Europa. Mesmo assim, a dívida pública está elevadíssima, porque, na implacável questão dos "fins" e dos "meios", estes são sistematicamente inferiores àqueles.
Percorri a constituição em busca da racionalidade dos "meios", mas nada. A democracia e a constituição sobrecarregam o Estado de "fins" e funções mas, no outro prato da balança que é o das finanças públicas, não encontramos uma única palavra sobre a temperança dos "meios".
Além disso, por vezes, a democracia convive com monstruosidades do despesismo, como certas obras em auto-estradas demasiado densas, ou certos equipamentos militares de motivação duvidosa, ou o enorme "défice tarifário" das energias, ou a extravagância de diversas PPP, etc. Por vezes, a democracia abre portas a "negócios públicos" que são péssima afectação de recursos do Estado e, pior, são plausível fonte de corrupção ao mais alto nível.

3. Por vezes, a democracia é tardia...
Regressemos ao início deste escrito. A qualidade das pessoas que andam na política conta muito. Todavia, penso que precisamos de subir bastante mais a montanha e tentar avistar lá de cima o que se passa. Já não é o político A ou B quem avistamos, já não é um Passos ou um Costa, pessoas de bem, o que mais importa. O problema essencial está acima disso.
O que está em causa é a democracia. Como sistema de sistemas(sistema de governo e de separação de poderes; sistema de mais ou menos presidencialismo; sistema eleitoral e sistema de partidos; sistema de instituições da República, etc.). Comoorganização e superestrutura, como rede de forças endógenas, como esfera de relações e escolhas, de poderes e contra-poderes. Como conceito e matriz constitucional. Como funçãoestabilizadora, mas, por vezes, capaz de destabilizar as coisas a fim de as re-estabilizar noutro equilíbrio...
Não vou falar em eficiência no sentido económico do termo, claro que não vou. Mas, no fundo, do que se trata é de uma espécie de eficiência da democracia, no sentido mais filosófico e qualitativo da expressão.
E chegamos ao âmago. Como hei-de compreender, nestes tempos da democracia, a absoluta ausência de um grande reformador? Como hei-de explicar, do ponto de vista do bom funcionamento da democracia, o quase "grau zero" de autêntico reformismo do Estado? Pois, pergunto, não foram estes quatro anos, em quatro decénios da democracia, a maior oportunidade reformista e o melhor ensejo social e político para chegarmos à solução estrutural da equação dos "meios" e dos "fins", de que tanto necessitamos? Não foi este o tempo mais propício para a democracia gerar a aparição do grande reformador?
Lamento dizê-lo, uma democracia que deste modo se desperdiça não pode estar bem. Tem dentro de si um "mal ruim", como se diz em bom pleonasmo popular. Desse mal ruim, provavelmente, as eleições de 2015 nada vão tratar e resolver, infelizmente. O que é grave e muito delicado. Sinto, como outros sentem, crescentes preocupações sobre a governabilidade da nossa democracia, embora acredite que a democracia também contenha, em si, sementes de regeneração. Só que, por vezes, é tardia, "por vezes ah por vezes num segundo se evolam tantos anos", veio-me à lembrança o belo poema de David Mourão-Ferreira.

(Miguel Cadilhe, no JN)

22 março, 2015

FCPorto ainda

Na continuidade do que anteriormente escrevi, só quero acrescentar que sejam quais forem os resultados desportivos no futebol e das restantes modalidades do FCPorto, não retiro uma vírgula ao que escrevi sobre a direcção do clube.

Se querem saber, penso mesmo que a indolência que se instalou em alguns adeptos, pouco eufóricos no apoio à equipa e estranhamente passivos com as arbitrariedades de toda a ordem infligidas ao clube, pode muito bem ser um efeito de dominó da fonte, isto é, do  Presidente. Todos sabem que quando uma liderança é frágil, seja em que negócio fôr, os resultados nunca podem ser positivos durante muito tempo, acabam sempre por se repercutir na produtividade e na moral de toda a empresa. Hoje o futebol está profissionalizado e os clubes são empresas que empregam muita gente. Por isso, se a liderança perde a eficácia, o resto vem por acréscimo.

Há no entanto factores que podem atenuar a queda, um deslize da concorrência, ou um conjunto circunstancial de situações que a retardam. Como atrás referi, esta falta de ânimo, de empenho, de vontade, constatável em várias modalidades, só pode encontrar explicação num liderança em perda.

Lamento ter de o dizer, mas é exactamente isto o que penso.  

21 março, 2015

FCPorto que não sabe aproveitar os erros dos adversários


Um FCPorto bipolar é o que temos visto esta época. Uns dias depois de uma jornada europeia espectacular contra o Basileia  e  posterior victória sobre o Arouca, com alguma dificuldade, que fez renascer a confiança aos portistas, o FCPorto não teve arte nem engenho para aproveitar a escorregadela do Benfica em Vila do Conde e ficar apenas a um ponto do rival regimental.

Para não me alongar mais, porque estou naturalmente insatisfeito com o resultado e com a exibição da equipa - lenta e pouco determinada -, cheguei à conclusão que, se equipas com um plantel muito inferior conseguem dificultar tanto a vida ao FCPorto, então se o Bayern de Munique quiser, nem precisa de atacar, basta fechar-se muito bem na defesa para passar nas calmas as duas eliminatórias. Isto, se o Bayern fosse equipa para se remeter à defesa, que não é de todo, como toda a gente sabe. Portanto, cuidado, podemos ter uma decepção muito grande...

Sem querer extrapolar para outras condicionantes, a verdade é que este ano, esta bipolaridade parece transmitir-se  a todas as modalidades (Andebol, Hóquei em Patins e Futebol Júnior). Parece faltar estofo e moral às equipas para, quando estão em vantagem no marcador, saber gerir essa situação e tirar partido dela sobre os adversários.

Só falando de hoje, vi os juniores sub-19 perderem a poucos minutos do fim com o Guimarães por 2-1, depois de estarem a ganhar por 0-1,  vi  o andebol com a equipa dinamarquesa do Skjern em que o FCPorto também esteve a ganhar por 23-20 e a poucos minutos do final deixou-se derrotar por 23-24. No hóquei o ambiente parece também não ser o melhor, e talvez tenhamos a confirmação já este fim de semana contra o Benfica para a Liga Europeia.

Ninguém de boa fé me pode garantir que a liderança frouxa e atípica de Pinto da Costa das últimas épocas não tenha reflexos no comportamento dos atletas. Na minha opinião, tem. Isto, já para não falar da permissividade do líder portista, quase cooperante  com as arbitragens hostis e abertamente sectárias com o FCPorto. 

Cada vez me convenço mais ter chegado a hora de Pinto da Costa passar o testemunho...


Links de interesse local







Sinais dos tempos

 

Serafim Ferreira foi jornalista no Jornal de Notícias. Podem ler aqui a notícia da sua morte. 

20 março, 2015

O nazismo da pasquinada



Falta o Record, para completar o leque dos pasquins ditos desportivos. Mas também não faz falta, porque, como toda a gente sabe, alinha pela mesma especulação dos que aqui estão plasmados. Pode, no entanto ler-se no Google a capa, que diz assim: "Lopetegui arrasa expulsões a favor do Benfica" (o link foi retirado...).
Como é simples de constatar, este lixo jornalístico, passa despercebido nas mais altas figuras da nação. Não sabem, ou se sabem, fingem que não sabem o que se passa. Mas podem ter a certeza, que se um dia algum adepto portista pregar uns murros bem dados nalgum dos responsáveis por estas provocações, essa figurinha imprestável chamada Cavaco Silva, sairá finalmente da sua carapaça de tartaruga para se insurgir contra a violência... Como lhe é habitual, sempre fora de tempo, sempre dentro da irresponsabilidade que o define.
Lopetegui, tudo tem feito para se esquivar das questões cretinas e descontextualizadas dos profissionais pasquineiros. Ele bem tenta pragmatizar as conferências de imprensa, mas quando responde, transcrevem as suas palavras como se tivesse sido ele a fazer as perguntas.  Então, o folclore transfere-se dos pasquins para os programas de televisão, onde tudo é feito para diabolizar o treinador do FCPorto, dando a entender que é ele quem está a tentar pressionar os árbitros. A ideia é essa. De jornalismo isto não tem nada. 
Isto é nazismo, à velha maneira hitleriana. 



18 março, 2015

Gráficos / Porto Canal


Sem ter qualquer conhecimento da fonte deste gráfico, não posso assumir a sua fiabilidade. No entanto, e independentemente deste detalhe importante, considero algo abusiva a comparação com as estações referidas. Primeiro, porque, ao contrário dos outros, o Porto Canal não é um canal  de âmbito exclusivamente desportivo, é generalista, por isso apelativo a um universo de espectadores mais heterogéneo, mais alargado.  Não quero com isto dizer que prefira o modelo dos canais acima referidos, bem pelo contrário, o que acho, e não me parece correcto, é que não se devem comparar coisas incomparáveis.

Sendo mais portista que português, e mais portuense que bom chefe de família [segundo os cânones bafientos do Estado Novo], gostava muito que o Porto Canal fosse a referência mediática que a cidade há muito precisa. Mas, por aquilo que venho observando, e que já aqui comentei, a coisa não aponta para esse caminho. 

Fora do âmbito desportivo, aboliram-se abruptamente e sem explicação, os poucos programas de interesse público (como o "Pólo Norte") e conservaram-se os medíocres (como o "Parlamento das Regiões), de chicana política imprestável, para os que se interessam a sério pelo futuro das regiões. De novo, ou original, nada digno de registo. Há uma clamorosa falta de ideias, e tecnicamente um aparente descontrole na supervisão. Ainda não é possível ao espectador com cabo consultar a programação, através das novas ferramentas dos servidores, por exemplo. Pelo que fui registando, preferem remeter para o site do canal toda a informação, o que não é nada prático, quando qualquer canal menor já o consegue fazer usando a tecnologia da NOS, ou da MEO. Ao fim de semana, à hora do almoço de sábado, não há telejornal, limitam-se a reproduzir o programa Territórios, empurrando os espectadores que querem ver as notícias para os canais da concorrência...

Vale portanto ao Porto Canal de Júlio Magalhães, os conteúdos desportivos do FCPorto, que não sendo extraordinários, sempre servem para aumentar as audiências e disfarçar o muito que ainda está por fazer em matéria de informação e programação geral. Há ainda um sem número de pessoas do Porto e de outras cidades do Norte que ninguém se lembrou de entrevistar ou mesmo para colaborar, e continua-se a convidar os mesmos de sempre da capital, numa clara manifestação de provincianismo que nada tem a ver com a hospitalidade que nos caracterizava.

Os presidentes de Câmara nortenhos, são quase sempre os mesmos (Guilherme Pinto, Ribau Esteves, os mais assíduos), os outros só aparecem remotamente. E sobre o Presidente da Câmara do Porto, continuamos sem saber por que é que ele nunca foi convidado, ou se foi, porque razão não aceitou o convite. Goste-se ou não, Rui Moreira é o actual Presidente da Câmara do Porto, e nada justifica que os portuenses não tenham merecido até hoje a menor explicação para essa ausência. Seria bom, que quando puxam dos galões do interesse público, da tal janela do Porto aberta para o Mundo, que os responsáveis alegavam querer fazer do Porto Canal, se lembrassem que os portuenses não são estúpidos, que merecem mais respeito, e vêem que essa janela continua fechada para o seu Presidente da Câmara.

PS-Sobre Rui Moreira, o seu portismo, e o seu apêgo à cidade do Porto, falarei um destes dias. Das suas divergências com Pinto da Costa, também, embora com reticências para ambos...

17 março, 2015

CA da FPFutebol é descarado e cínico!

O Jornal de Notícias está cada vez mais parecido com os pasquins de Lisboa. Não tarda muito, saio definitivamente da sua lista de leitores. Não é só pela notícia que aqui abordo, mas também por uma certa tendência para copiar o protagonismo do tom de vermelho  dos parceiros lisboetas. Veremos se isso não passa de uma fase infeliz ...

Fiquei fascinado com o cantinho da capa de hoje reservado à miserável arbitragem de Cosme Machado no jogo do FCPorto com o SCBraga para a Taça da Liga onde se pode ler à boa moda do Correio da Manhã, que o Relatório do Conselho de Arbitragem "arrasa Cosme Machado e dá razão ao FCPorto"(sic)Formidável, não acham? E sobretudo, muito oportuno, não é verdade?

Estes clones de políticos do Conselho de Arbitragem da FPF, trapaceiros e incompetentes, decidiram dar finalmente um ar da sua graça, depois de o clube do regime, que os controla, ter sido sistematicamente protegido pelas arbitragens com influência na classificação geral, para dizer que existe, e que até é eficiente...

Naturalmente que, para fazer "justiça", tinha de escolher um jogo da Taça da Liga, e com o SCBraga, porque os jogos do Campeonato e as arbitragens que levaram o Benfica ao colo e prejudicaram o FCPorto, foram todos impecáveis, como sabemos. Ou então, só lá mais para a frente, quando matematicamente já não fôr possível destronar o "glorioso" do trono do Campeonato, é que vão acordar e falar das más arbitragens.

Tanto cínismo!

PS:
Mesmo que a decisão do CA tenha derivado de uma queixa do FCPorto, a razão agora reconhecida  pelo CAR ao FCP, e a culpa do árbitro, pecam por omissão do CA. Além disso, prova que o FCPorto errou quando consentiu, durante vários jogos do Campeonato, sem um protesto, toda a pouca vergonha que sabemos e que colocou os vermelhos com alguns pontos à nossa frente, se calhar, irreversíveis. Não me revejo neste FCPorto patético.

16 março, 2015

Políticos, fora do futebol. NOW!


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Continuo a achar muito estranha, a forma como alguns (demasiados) avaliam a política e a própria democracia. Curiosamente, os cidadãos parecem dar-se mal com a moderação. Por vezes, sou tentado a pensar que as pessoas não sabem bem o que querem. 

No tempo do Estado Novo, autocrático e autoritário, ninguém usufruía de liberdade para votar porque simplesmente não lhe era permitido, a não ser que votasse no candidato pré-eleito. A Constituição da época, previa a realização de eleições legislativas e presidenciais, porém, os resultados eleitorais eram controlados de modo a garantir a victória ao candidato escolhido. Uma fraude, portanto. "Engraçado", que na Constituição Portuguesa de 1976 do regime em vigor, a que alguns (muitos) ainda chamam democrático, também lá consta um artigo (o 256º) no capítulo referente às Regiões Administrativas que obriga o Estado à instituição das regiões, e decorridos 40 anos, a reforma  ainda está por realizar. Nunca é oportuna, dizem os "democratas"... Outra fraude, portanto, mas agora com a marosca pintada de democracia...

Estes dois pólos de regime, aparentemente distintos, parecem convergir em muitos aspectos. A hipocrisia é apens um deles. Mas, para quem como eu viveu nos dois regimes, posso dizer sem receio de me enganar, que neste capítulo o actual regime é ainda mais hipócrita que o do Estado Novo, porque se abriga atrás de uma democracia postiça para fazer o mesmo [e até pior] que fazia Salazar, e assim se livrar da fama horrenda de uma Ditadura. Mas, é uma Ditadura! A única diferença, mesmo que pouco poderosa, é que hoje (e para já), ainda podemos dizer publicamente o que pensamos deles. Mas é pouco, muito pouco para uma Democracia autêntica.

Tenho uma ideia (vivida) da dificuldade que há em organizar um partido, ou Movimento político em Portugal, sobretudo quando escasseiam os recursos financeiros. Mas a verdade é que existem partidos políticos novos já formados, e outros, como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda, que praticamente nunca governaram. Uns, porque apostam mais na ideologia que no pragmatismo, ficando reféns dessa condição,  outros porque são incapazes de persuadir os eleitores das suas capacidades para governar, deixando transparecer algum conforto por  não ousarem ultrapassar a fronteira, de certo modo cómoda, de partidos da oposição.

Não tendo qualquer ideia do teor dos Estatutos desses partidos (dos outros, já conheço a resposta), há um ponto tremendamente importante (para mim, pelo menos, é), que gostaria de descobrir, que era saber se nesses estatutos consta alguma alínea que iniba os militantes de participarem como comentadores clubísticos, caso cheguem a deputados. Não preciso que me lembrem, que não seria por uma medida desta natureza que esses partidos passariam a ter credibilidade para governar, mas era um princípio, um pequeno passo, uma forma de dizer não à actual promiscuidade praticada  por políticos, e ex-políticos, curiosamente, dos partidos do arco da governação...

Quando mais acima dizia que os portugueses não sabem bem o que querem, era aqui que queria chegar. As leis, os regulamentos, os limites, são extraordinariamente difíceis de coabitar com a Liberdade, porque implicam compreensão e respeito, logo, contenção. E é aqui que as coisas se complicam (porque dá jeito a muitos pardais). Se uma simples alínea de um Estatuto sugere contenção, um sinal de Stop, logo se levantam os adeptos do "Je suis Charlie" a reclamar, para dizer que lhes estamos a coartar a Liberdade, os direitos... Mais parecem criancinhas de infantário. 

Termino, com esta questão: sendo o futebol um fenómeno universal, onde a paixão pode toldar a razão, por que é ainda não surgiu um líder político a colocar juízo na cabecinha dos candidatos aos órgãos do poder, e a exigir que nas fileiras do partido só entre gente com capacidade para entender que misturar o futebol com a política pode ser o primeiro passo para a sua própria descredibilização?

Das duas, uma: ou ainda não o fizeram porque "não se lembraram", ou querem fazer de mim um iluminado (que sei que não sou), ou em última hipótese, os políticos são mesmo todos iguais e ainda não entenderam a essência das diferenças, e das responsabilidades.

14 março, 2015

O asco na forma de humanóide

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Rui Gomes da Silva, vergonha dos políticos portugueses

Se alguém quiser saber por que é que os políticos portugueses perderam a credibilidade de uma grande parte da população, aconselho que acompanhe o programa "Dia Seguinte" transmitido pela SIC. A bem da saúde mental do ouvinte, recomendo que o faça apenas até ouvir este cavalheiro, e que mude de canal assim que der conta da mediocridade e falta de nível desta criatura.

Pois esta espécime de português rasca, trauliteiro, e intriguista, imaginem só, foi um dia ministro adjunto no governo de Santana Lopes e Ministro dos Assuntos Parlamentares. Ministro, é verdade! Mas, também é verdade que, depois de termos a governar-nos ex-políticos assassinos, vigaristas e traidores, já não temos motivos para nos espantar. Este, não saltou da política para a Banca, foi-se albergar curiosamente no clube que mais se assemelha ao  Governo... 

A última pérola deste foragido da justiça sortudo, além das muitas que debita no programa da SIC, foi insinuar que outro clube (o Sp. de Braga) não quis ganhar o jogo com o FCPorto, pondo em causa a honra do treinador, dos jogadores bracarenses e do próprio clube. Este imbecil, faz e diz o que quer, porque vive num país desautorizado por um Presidente da República meramente figurativo, por um 1º. Ministro que desconhece os seus deveres cívicos e fiscais, e por toda uma oposição, da esquerda à direita, incapaz de reagir às suas sectárias e ofensivas declarações quando fala do FCPorto, do seu Presidente e dos seus adeptos. 

Com esta desprezível casta de políticos, ainda haverá algum portista com vontade de votar? A este escroque, se um dia se cruzar comigo, provavelmente, será uma valente e ruidosa cuspidela que o espera.   

   

Lopetegui apoia indignação de Sérgio Conceição

Lopetegui apoia indignação de Sérgio Conceição
Julen Lopetegui

"Subscrevo por inteiro o que disse Sérgio Conceição. É curioso que alguém ponha em causa o profissionalismo das equipas e também não deixa de ser curioso ver quem o fez. Se fosse português, eu estaria preocupado. Este homem foi ministro...", afirmou Lopetegui, referindo-se a Rui Gomes da Silva, que esta semana insinuou que o Braga facilitou a vida ao F. C. Porto no jogo da jornada anterior, motivando uma resposta enérgica do técnico da equipa bracarense.

13 março, 2015

VEM que as eleições estão a chegar

Paula Ferreira
Houve um tempo em que o Governo desafiava os portugueses a abandonar a "zona de conforto" e a procurar saída no estrangeiro. Comecemos pela imagem: só por notório mau gosto se pode chamar zona de conforto a uma situação de desemprego. Por certo, o autor desta mensagem - um jovem secretário de Estado cuja notoriedade se resume à metáfora infeliz, replicada por vários membros deste Governo - nunca viveu num lugar tão amargo.
Os tempos mudaram, assim se faz a roda do mundo. As eleições legislativas aproximam-se. O mesmo Governo que exortava os portugueses a procurar a sobrevivência lá fora lança agora, de forma pomposa, "um programa estratégico para as migrações". Medida deveras inesperada, esta do Executivo do PSD/CDS. Prevê apoio ao regresso dos emigrantes enxotados pela austeridade, criando condições, em sintonia com o Instituto de Emprego e Formação Profissional, para as empresas que contratem desempregados portugueses no estrangeiro.
Uma verdadeira quimera, engendrada para maquilhar a realidade, é quase insulto à inteligência. O programa anunciado por um jovem secretário de Estado - contratado para fazer a propaganda do Governo de Passos e Portas, em briefings diários, de que já ninguém se lembra - designa-se VEM. Como vai convencer a voltar quem foi obrigado a sair não conseguiu explicar. Do programa deveras espantoso se sabe, apenas, que é destinado a 50 (cinquenta) almas.
Se desde 2008, mais de meio milhão de portugueses foram forçados a entrar nas rotas da emigração (tendo mais de metade entre 20 e 39 anos), a proposta do Governo, aprovada em Conselho de Ministros, parece um truque de mau gosto da mesma índole da metáfora "zona de conforto". Os tempos não estão para comédias destas, sobretudo quando se trata da vida de pessoas - deixaram tudo porque o país onde nasceram não é capaz de lhes proporcionar vida digna.
(Do JN)

11 março, 2015

Os 4 magníficos golos do FCPorto

FC PORTO
1 0
FC BÂLE
Magnifico golo de Brahimi ! Num livre directo, mesmo frontal à baliza, o internacional  argelino  rematou  com efeito,  para  o  ângulo  superior esquerdo da baliza de Vaclik , com tanta precisão que o guarda-redes nem se fez à bola.


FC PORTO
2 0
FC BÂLE
Golo magnifico de Herrera ! Autor de um belo trabalho na esquerda da área, Brahimi desmarca Herrera, e 
à entrada da área 
atrasa-lhe o esférico. O mexicano remata com o pé direito colocando a bola tensa dentro da malha esquerda da baliza, apesar do vôo de Vaclik !


FC PORTO
3 0
FC BÂLE
Magnifico golo de Casemiro !   Num  livre a mais de 25  metros, o médio do FCPorto arriscou a sorte com o pé direito e a bola entrou com violen- cia na baliza  de um  Vaclik (guarda-redes) impotente!



FC PORTO
4 0
FC BÂLE
Magnifico golo de Aboubakar ! Servido por Herrera nas alas, o atacante do   FC Porto  arrastou consigo três  defesas suiços, arrancando  um  esplendido chuto à entrada da área com o pé direito, alojando a bola no canto superior direito!

FCPorto, épico!

FC Porto-Basileia (LUSA/ Fernando Veludo)

O jogo do FCPorto com o Basileia foi digno de uma final. Se preciso fosse, ficou provado que no futebol as individualidades ganham mais brilho quando utilizam as suas qualidades ao serviço do colectivo. Não é nenhum lugar comum. Ontem, todos os jogadores foram vedetas. Não vedetas do drible inconsequente, narcisista, mas vedetas pelas melhores razões, ou seja: vedetas pelo empenho, vedetas pela coragem, vedetas pela concentração, vedetas pelo espírito de equipa e vedetas pela ambição de vencer.

Por isso, considero uma verdadeira heresia destacar um jogador. Todos foram brilhantes, todos foram guerreiros, todos tiveram a frieza suficiente para dar luta a um adversário forte, tecnicamente dotado, mas nem sempre correcto. Com outro árbitro, talvez o Basileia tivesse chegado ao fim com menos dois ou três jogadores. 

Apesar de nos últimos jogos se notar uma crescente melhoria de forma, ontem, a equipa de Lopetegui transcendeu-se, encarou o desafio com uma objectividade invulgar, digna da Champions, e quando assim acontece, só pode ser recompensada. Pena é, que o FCPorto sendo o clube mais português de Portugal [basta ver a origem do nome], tenha de jogar no campeonato português... Paradoxo? Não, meus amigos, realismo! É que vocês sabem tão bem quanto eu, que o nosso país não é governado na nossa zona de conforto, na nossa zona de competências. O FCPorto é um clube dessa grande região que é o Norte, por isso é diferente dos outros, para melhor. Lá em baixo invejam-nos, desprezam-nos, desconsideram-nos. A todos os níveis, quer político, quer desportivo.  Para nos derrotarem precisam de controlar tudo o que é órgão de poder, de manipular. Por isso, e só por isso, tenho sérias dúvidas que possamos ganhar a Liga Portuguesa. Por isso também - e correndo o risco de me acusarem de estar a subir demais a fasquia -, é que apesar de chegarmos aos quartos de final da Liga dos Melhores e de os desafios que nos aguardam serem cada vez mais difíceis, tudo é possível.

Foi exactamente perante as mesmas dificuldades, e provavelmente com menos recursos, que conquistamos por duas vezes a Champions e todos os troféus nacionais e intercontinentais que sabemos. Portanto, sonhar agora, é um direito!

Parabéns à equipa, e ao seu categórico treinador: Julen Lopetegui!

10 março, 2015

O amparo pesa menos

Miguel Guedes
Da mesma forma como o presidente do Novo Banco, Stock da Cunha, não sabe quanto vale o  banco que todos os dias avalia, também  eu não sei quanto vale o Benfica deste ano,  já o tendo visto jogar bem mais do que 24 vezes.  A questão futebolística não se prende só com números financeiros ou com a incompetência, claro.   Pelo   contrário.   Prende-se  com pontos  e  com competência.   Por isso mesmo, quase todos os que vêem futebol tentando manter alguma equidistância - amando os  seus clubes  mas  não deixando que  a falta de  sensatez lhes tolde a razão - desconhecem verdadeiramente  quanto vale  este Benfica, tendo algo como certo:  o Benfica  não vale os 62 pontos que a classificação indica à 24ª jornada.
Alguns adeptos alimentam a ideia de que quem tece críticas às arbitragens nesta Liga é um antibenfiquista primário. Acontece que o antibenfiquismo primário é uma ilusão de grandeza. É uma ideia de estatura que acompanha décadas e décadas de grandes conquistas, percebo. Mas é uma ilusão de grandeza atroz no momento actual. Como é qualquer forma de acoplar a palavra "anti" a algo primário no desporto. Não pode ser assim tão importante. Quem exerce o direito de opinião, apontando os sucessivos erros que beneficiaram o Benfica este ano ao ponto de não haver já tempo ou dimensão para o equilíbrio que costuma nivelar os fins de época (é verdade, as coisas acabam normalmente por ficar equiparadas no fim e em benefício dos três denominados "grandes" clubes) não é portador de uma voz solitária. Dos comentadores mais díspares, das mais diversas origens, proveniências ou percursos de solidariedade ou afecto clubista surgem vozes unânimes. Este ano, aqueles que desmentem - a todo o custo - que o Benfica tem sido beneficiado por erros de arbitragem sistemáticos, tentam comprar uma parte da realidade que não existe. E a realidade, desculpem, não está à venda.
E como a realidade não está à venda, então imagine-se! Imagine-se que isto se estava a passar exactamente ao contrário. Que era o F. C. Porto que tinha sido beneficiado directamente com pontos nos jogos com o Boavista no Bessa, com o Estoril no António Coimbra da Mota, com o Nacional na Choupana, com o Rio Ave e o Gil Vicente na Luz. Sim, nem me refiro à Académica ou ao Moreirense nos seus redutos. Apenas e só aos resultados "amarradinhos" por um golo de diferença. Imagine-se! O que se diria, o que se escreveria, os pedidos de audiência às mais altas instâncias políticas e desportivas, o regabofe ao quadrado, as capas dos jornais e as insinuações, os livros e os filmes, o circo sem palhaços. Na corrida de fundo por mais uma Taça da Liga, o Benfica faz da conquista do bicampeonato a razão maior da sua existência desportiva esta época. E faz muitíssimo bem. Há 30 épocas que não ganha dois campeonatos consecutivos e, tendo sido este ano eliminado das competições europeias enquanto o Sol nascia, não pode alegar a maldição de Béla Guttmann que o "impede" de conquistar qualquer título internacional há 53 anos. Aposta tudo, distribui jogo e as coisas vão sucedendo das mais diversas formas mas sempre com o bom feitio, bonomia e complacência da maioria porque em relação ao Benfica continuamos num país de "brandos costumes". A maioria.
Para além dos pontos referidos que caíram ao colo (entre 8 a 10 pontos, com alguma benevolência), à 24.ª jornada o Benfica teve 16 jogadores de adversários castigados na jornada anterior e, como tal, impedidos de jogar (não contabilizando 4 outros casos "estranhos" com impedimentos físicos que, convenhamos, já aconteceram com todos os clubes); 2 casos "nada estranhos" de Deyverson e Miguel Rosa...; 10 jogadores adversários expulsos em confronto directo; 4 golos limpos anulados a adversários (Boavista, V. Setúbal, Rio Ave, Nacional); 3 expulsões mal assinaladas a seu favor (Estoril, Penafiel, Arouca); 7 golos precedidos de irregularidades (Académica, Estoril, Gil, V. Setúbal, Boavista, Belenenses, Moreirense); 3 penalties mal marcados que o favoreceram (Belenenses, Paços, Moreirense), 8 penalties por marcar a favor dos adversários (V. Setúbal nos dois jogos, Estoril, Arouca, Braga x2 no Axa, Paços, Boavista). Viu serem perdoadas 3 expulsões a jogadores seus nos primeiros 50 minutos de jogo (Moreirense, Marítimo, Estoril) em jogos apertados. Felizmente que não sofreu qualquer golo ferido por qualquer irregularidade. Podem achar que estou a exagerar. Então cortem os números para metade. Continua a ser impressionante, não?
Como adepto do F. C. Porto, já nem refiro erros que nos penalizaram em Guimarães e no Estoril. E não venham com o ladainha de Penafiel, onde nos dois primeiros golos o passe é realizado para trás ou, no mínimo e com honestidade intelectual, sempre subsistirão dúvidas. Futebolês? Não. Essa é uma linguagem própria que o futebol apresenta dentro das quatro linhas. Como é evidente que todos os clubes em diferentes épocas já foram prejudicados e beneficiados, não é isso que está em causa. Como não estão em causa 41 anos de futebol no Estado Novo e pouco mais de 41 anos de futebol em democracia. Como não estão em causa escutas ilegais que geograficamente pararam cirurgicamente no centro do país. Como se, na realidade, fosse relevante se o ano passado foi assim ou assado ou se há dois anos tenha sido diferente ou igual... Falemos claro, é deste ano que falamos! Branqueamento, não. Este campeonato está poluído de erros, demasiados erros. E é por isso que afirmo que é mais possível (não escrevo a palavra "fácil") ganhar a Liga dos Campeões do que a Liga nacional. Parabéns a Jorge Jesus que tem feito o que deve e até mais do que suporia poder fazer. Onde estaria ele, fora da Europa do futebol e da Taça de Portugal, sem os erros a que temos assistido jornada após jornada? Que contestação enfrentaria, neste momento, Luís Filipe Vieira? Em que encruzilhada estariam fora da luta pela Liga portuguesa? Seria um caminho em curto-circuito. Até o jornal espanhol "As" se refere aos erros da arbitragem desta Liga, reconhecidos como crassos. Em Portugal, brandos costumes, como no antigamente. Assim vai o amparo, já que o andor nem pesa.

08 março, 2015

Eles comem tudo

Assalto à mão desarmada
08.03.2015
AZEREDO LOPES

















O Porto deve estar no cimo de uma montanha e Lisboa num vale: porque tudo o que medra no Porto tem tendência a escorregar, mais tarde ou mais cedo, para a capital. Ou, então, Porto e Lisboa estão ao nível do mar, e a culpa não é da geografia e das leis da Física: é da bem conhecida doença do "centralismus glutonensis".
Há um procedimento-padrão.
Em primeiro lugar, a enorme resistência em aceitar que quaisquer competências sejam exercidas fora da capital. Se não for possível evitar, seja! Vão lá as tais competências para Norte mas, imediatamente, tente-se descaracterizar o processo. E, o mais depressa possível, corte-se nos recursos para estrangular. Se, por desgraça, as coisas ainda assim correrem bem, então deite-se abaixo custe o que custar. O instrumento privilegiado costumam ser as razões "técnicas", às vezes uma ou outra chico-espertice "jurídica" (por exemplo, um artigo num contrato de concessão ardilosamente redigido), ou as célebres razões de índole "prática".
Os do Norte e, mais especificamente, "os" do Porto são uns trogloditas peludos e chorões. Estão sempre a queixar-se, têm a síndrome de capital, não fazem pela vida, sofrem com o complexo provinciano, estão sempre insatisfeitos. De tudo isto teremos ouvido, e vamos continuar a ouvir sempre que se preparar mais uma.
Desta vez, parece poder estar a ser congeminado um novo assalto, relacionado com o Centro de Produção do Norte da RTP. O bolo da noiva é a RTP2. Como se saberá, a sede da RTP2 é no Porto, em consequência de um envolvimento fortíssimo de poderes públicos da região (entre os quais a Frente Atlântica do Porto) e da sociedade civil, com a Academia em grande destaque, com Serralves e outras organizações muito importantes a exigirem. Por uma vez, falou-se a uma só voz e o Poder Político (no caso, o Ministro Poiares Maduro) compreendeu e aceitou. O que só o honrou.
Mas não se pense que foi fácil, ou que a resistência capitalense ia acabar, porque nunca acaba. Logo a RTP2 sofreu duríssimos cortes no orçamento, logo pulularam as ordens de serviço que retiraram o que puderam de autonomia. Mesmo com tudo isto, a RTP2 é hoje o único canal relevante no serviço público de média. Tem o melhor jornal, às 21 horas, que provou, de forma inovadora e sem medo do risco, como em 40 minutos se consegue informar, e bem. Tem séries que deram e dão que falar (Borgen, El Principe e, agora, os Influentes), tem cultura, tem artes, tem uma programação que (até que enfim!) se percebe. A RTP2 está na moda, é um produto que demonstra, todos os dias, como é possível fazer belíssimas omeletas praticamente sem ovos.
A RTP2 estar na moda deveria ser motivo de orgulho. Seria assim, mas só na terra de S. Nunca. Vai daí, ao estar a correr bem, ao estar na moda, ao ser feita de forma barata, com imaginação e com qualidade, a RTP2 passa a ser um perigo, e um perigo grave em Lisboa. É que, com a sua existência no Porto, demonstra-se, com aliás inúmeros exemplos, que no Centro de Produção do Norte da RTP se faz (no mínimo) o mesmo, com muito menos dinheiro. E isso é inaceitável.
Anova estratégia de quem poderá estar a pensar este assalto à mão desarmada (se for à mão armada, ao menos, só podem levar-nos o que temos na carteira) até será divertida. Desde que a RTP2 está no Porto, tudo tem sido feito para que quem a pensa e executa fique sem meios e sem autonomia.
Agora, o que se congemina? Fácil. Se "eles" lá no Norte já praticamente só têm o poder de pensar o canal, então a RTP2 pode ser feita em Lisboa. É só um saltinho, depois mandamos-lhes uns bombons, como na canção de Jacques Brel. Fecha-se o ciclo, e acabam-se as comparações muito desagradáveis. Os labregos, afinal, não fizeram uma RTP2 local, fizeram-na nacional, de qualidade, barata e plural. De facto, é inaceitável, anda o Mundo às avessas quando aquela gente já quer fazer televisão séria e a sério.
Vamos agora testar, e testar mesmo, se, além de terem sabido derrubar o anterior Conselho de Administração da RTP, os membros do Conselho Geral Independente (CGI) conseguem exercer um poder muito mais difícil, embora pouco espetacular: garantir o pluralismo real do serviço público de média. E o pluralismo, esse, também é territorial, por muito que alguns pensem que o Mundo, e de certeza o seu umbigo, começam e acabam na bela capital.